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II. Renforcer la participation/implication des Collectivités territoriales dans la politique de

II.4. Conclusion

O N dessa pesquisa é bastante heterogêneo e destacam-se indivíduos de nacionalidade estrangeira e que contribuíram com sua formação e seu trabalho no IPÊS e em outros cargos. Aqui, analisaremos as trajetórias específicas desses indivíduos, com dados principalmente qualitativos, mas também os contextualizando no N, de forma que se permita tirar conclusões sobre esse tipo de indivíduo. São 456 indivíduos com nacionalidades estrangeiras.

Alexandre Kafka nasceu em Praga, Tchecoslováquia. Economista formado em Genebra, no Institut Universitaire de Hautes Études Internationales, foi aluno de Ludwig von Mises, expoente da escola austríaca de economia. Estudou também no Balliol College, em Oxford, onde se formou em Relações Internacionais. No IPÊS, pertenceu ao GED. Atuou como conselheiro da SUMOC, a partir de 1951, e como membro da Comissão Nacional de Planejamento, a partir de 1961. Trabalhou como professor universitário desde 1941. Foi assessor do Ministro do Planejamento após o golpe de 1964. A trajetória prévia provavelmente é um fator relevante para ter chegado ao cargo de assessor do Ministro do Planejamento. Sua formação prévia como professor lhe permitiu se destacar como economista de prestígio. Neste caso, a nacionalidade e a formação acadêmica foram importantes, pois possibilitaram sua atuação como professor universitário, o que provavelmente alavancou sua carreira profissional.

Estanislau Fischlowitz era polonês e participou do GED do IPÊS. Publicou vários livros sobre política social, previdenciária e migração. Era ligado a John Watson Foster Dulles, filho do ex-secretário de Estado dos Estados Unidos John Foster Dulles, pois este o agradeceu no livro “Vargas of Brazil: a Political Biography”, pela leitura do manuscrito. Teria apoiado reforma agrária com outros colegas em estudo sobre ampliação da legislação social ao campo. Segundo diversas fontes, era sociólogo, e era tratado como tal, mas sua formação foi em Direito.

Trabalhou no DASP como Técnico em Previdência Social de 1942 a 1944. Recebeu distinção, com outros colegas, por ter trabalhado no estudo de aumento de salário mínimo em final de 1943. Trabalhou como Técnico do MTPS de 1954 a 1967, ou seja, manteve seu cargo após o golpe de 1964. A partir de agosto de 1964, o MTPS autorizou seu trabalho como Assessor de Gabinete do Ministro do Planejamento, Roberto Campos, durante um ano. Após essa atividade, não há mais registro de ocupação de cargo público por Estanislau Fischlowitz.

56 Alexandre Kafka, Estanislau Fischlowitz, Luiz Dumont Villares e Mircea Buescu. Luís Viana Filho, embora tenha nascido em Paris, veio pouco depois do nascimento para o Brasil.

O cargo mais alto assumido por Estanislau foi o de Assessor de Roberto Campos, por apenas um ano, constituindo uma exceção em sua carreira pública. Após o golpe de 1964, permaneceu por apenas um ano na estrutura federal e não retornou. A tese da colonização do Estado, nesse caso, não se comprova, pois o indivíduo não participou mais do governo. Além disso, a formação externa ou nacionalidade não contribuíram para carreira pública federal, seja antes ou depois do golpe.

Luiz Dumont Villares nasceu na cidade do Porto, em Portugal. Formado em Direito, atuava como empresário e era sobrinho de Alberto Santos Dumont. Foi o idealizador da primeira garagem automática do Brasil e foi pioneiro na fabricação de trólebus. A partir de 1953, atuou na Subcomissão de Jipes, Tratores, Caminhões e Automóveis do Conselho de Desenvolvimento Industrial. De 1957 a 1961, foi membro do Conselho Consultivo da Companhia Siderúrgica Paulista (COSIPA), e, posteriormente, em 1963, assumiu a presidência da instituição, permanecendo neste cargo até 1965, após o golpe. Seu parentesco parece ter algum peso na área de atuação do indivíduo, que é do ramo dos transportes, mas a nacionalidade e sua formação não parecem ter qualquer influência na ocupação de CPFs. A atuação como empresário certamente tem mais peso. Luiz Dumont Villares já havia ocupado algum CPF quando entrou na estrutura da COSIPA, e seu cargo como presidente foi ocupado antes do golpe. Portanto, manteve seu cargo na transição de regimes. Aqui, também, a ideia de colonização não se concretiza.

Mircea Buescu nasceu em Bucareste, na Romênia. Formado em Direito em Bucareste, atuou como economista. Emigrou para o Brasil em 1949, aos 35 anos, e obteve a nacionalidade em 1954. Foi professor de várias instituições, inclusive da PUCRJ, após o golpe, e da FGV. Publicou vários livros sobre economia. Foi professor do Instituto Rio Branco e Assessor do Gabinete do Ministro da Fazenda, principal cargo que ocupou em sua carreira, de 1967 a 1986. Mircea Buescu atuou no GED do IPÊS. Vinculou-se à Editora APEC, difusora de autores do liberalismo econômico, a partir de 1962. Posteriormente, em 1972, tornou-se diretor da editora. Mesmo considerando seus cargos na iniciativa privada, é possível observar que sua carreira profissional só deslanchou após o golpe de 1964, ao menos 10 anos após a obtenção da nacionalidade brasileira. É provável que, neste caso, a participação no IPÊS e as afinidades com o pensamento liberal, em oposição à política econômica do governo João Goulart e às ideias cepalinas, tenham resultado em seu recrutamento para o cargo de Assessor do Gabinete do Ministro da Fazenda. Com Mircea Buescu, é possível que o IPÊS tenha, sim, servido como trampolim para CPF de relevância. Além disso, a nacionalidade e formação estrangeiras, com maior conhecimento sobre os

autores liberais em comparação com os cursos brasileiros, com outro viés, naquele contexto dos anos 1960, contribuíram para sua carreira.

Como é possível depreender das análises acima, 2 indivíduos tiveram e 2 não tiveram influência de sua nacionalidade e de sua formação estrangeira na ocupação dos cargos públicos pós-1964. Como não houve nenhum destaque, não parece compor um fator explicativo relevante na análise do N, embora este equilíbrio tenha que ser provado empiricamente, como foi exposto acima, para o desenvolvimento da tese.