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Principales Communications à des colloques avec comite scientifique :

No entender de Chase e Hynd, apud Giasson (1993:19), uma das diferenças mais acentuadas entre a antiga e a nova conceção da leitura reside no papel do leitor na compreensão. Antigamente, julgava-se que o sentido se encontrava no texto e que o leitor devia “pescá-lo”. Era uma conceção de transposição: julgava-se que o leitor apenas transpunha para a sua memória um sentido preciso determinado pelo autor. Hoje, concebe-se antes que o leitor cria o sentido do texto, servindo-se simultaneamente dele, dos seus próprios conhecimentos e da sua intenção de leitura. Este princípio cria muitas vezes um desconforto nos professores. Com efeito, estes temem que o fato de se acentuar o papel do leitor dê demasiada liberdade à interpretação: querem que os alunos compreendam o que “o autor escreveu”.

Orasanu e Penney, Tardif, citados pela autora supra, advertem que é preciso, contudo, perceber bem que criar o sentido do texto não quer dizer que este possa significar “seja o que for”. O que se passa, com efeito, é que o autor utiliza certas convenções e põe de lado as informações que supõe serem conhecidas pelo leitor. Se esta suposição não se verificar, a mensagem do autor será evidentemente mal compreendida. Assim, há várias maneiras de interpretar um texto: esta interpretação depende dos conhecimentos do leitor, da sua intenção e dos outros elementos do contexto. E investigadores como Pagé, Mosenthal, Irwin, Deschênese Langer são, de acordo com Giasson, unânimes em considerar a leitura um processo interativo e, do mesmo modo, há consenso quanto às grandes componentes do modelo de compreensão na leitura, isto é, o texto, o leitor e o contexto.

Com isso, passa-se a ver o ato de ler como algo mais do que o decifrar, tendo mais conexão com o compreender para aplicar na realidade, o que faz com que tudo tenha sentido para o leitor, que lê o mundo a sua volta e torna o seu conhecimento palpável.

Em suma, a compreensão na leitura variará segundo o grau de relação entre as três variáveis: quanto mais as variáveis leitor, texto e contexto estiverem imbricadas umas nas outras, “melhor” será a compreensão. Portanto, a compreensão na leitura depende indissociavelmente das três variáveis acima descritas. E se se considerar correta a relação entre estas três variáveis

20 na compreensão, dever-se-á aceitar simultaneamente ser-se mais matizado e preciso quando se fala na compreensão da leitura de um aluno em particular. A partir deste modelo, não se voltará a dizer “este aluno tem problemas de compreensão”, mas “este aluno perante tal tipo de texto e em tal contexto, compreende de tal modo”, Giasson (1993:24).

2.2.2.1 Variável texto

A variável texto diz respeito ao material a ler e pode ser considerada sob três aspetos principais: a intenção do autor, a estrutura do texto e o conteúdo. A intenção do autor determina, com efeito, a orientação dos outros dois elementos. A estrutura refere-se ao modo como o autor organizou as ideias no texto, enquantoque o conteúdo remete para os conceitos, conhecimentos e vocabulário que o autor decidiu transmitir.

Ficou provado que os leitores se comportam de maneira diferente conforme os textos que lhes são apresentados, por isso é preciso classificá-los. Embora não haja classificações que não falhem, é preciso ter em conta os critérios que são mais usados na educação, a saber: a intenção do autor e o texto literário, a estrutura do texto e o conteúdo.

a) A intenção do autor e o texto literário

Giasson diz que a intenção do autor é um conceito cada vez mais bem identificado e aceite pelos professores. Reconhece-se habitualmente que o autor pode persuadir, informar, distrair. É nesta ótica que se falará de texto informativo, persuasivo. E mesmo que exista uma certa coincidência entre o género literário e a intenção do autor, não se devem, contudo, confundir estes dois termos. Um autor que quer distrair os seus leitores escolherá, por exemplo, o romance ou a banda desenhada; mas uma banda desenhada pode também ser escolhida por um autor que quer informar os seus leitores ou persuadi-los de qualquer coisa.

b) A estrutura do texto e o conteúdo

A estrutura, como sustenta a autora em apresentação, diz respeito ao modo como as ideias se organizam num texto, enquanto o conteúdo remete para o tema, para os conceitos apresentados no texto A estrutura de um texto está muito ligada ao seu conteúdo. Com efeito, o autor escolherá uma estrutura de texto que convenha ao conteúdo que quer transmitir. A literatura atual sobre a leitura centra-se em duas grandes categorias de textos que se distinguem

21 pela sua estrutura: os textos que contam uma história ou um acontecimento e os textos que apresentam e explicam um conceito, um princípio... Este último tipo de texto é conhecido na literatura anglo-saxónica pelo nome de expository text" que remete para a estrutura do texto que expõe elementos e os explica enquantoque informativo faz referência à intenção do autor que é informar o leitor.

2.2.2.2 Variável contexto

O contexto, que constitui a terceira variável do modelo de compreensão, engloba todas as condições na qual se encontra o leitor (com as suas estruturas e processos) quando entra em contacto com um texto (seja qual for o seu tipo). Estas condições incluem as que o leitor se impõe a si mesmo e as que o meio, muitas vezes o professor, determina.

Nos seus percursos de investigação sobre a escrita, Carvalho (2003:27) verificou que a relação que se estabelece entre o emissor e o recetor, ou seja, a posição em que estes dois elementos do processo de comunicação se colcocam em relação ao referente da sua mensagem, assim como o tempo que medeia entre o momento em que o discurso é produzido e aquele em que ele é codificado são importantes para que o texto seja compreendido.

Podemos distinguir três contextos: o contexto psicológico (intenção de leitura, interesse pelo texto...), o contexto social (as intervenções dos professores, dos colegas...) e o contexto físico (o tempo disponível, o barulho...).

a) O contexto psicológico

O contexto psicológico, na opinião de Giasson, diz respeito às condições contextuais próprias do leitor, quer dizer ao seu interesse pelo texto a ler, à sua motivação e à sua intenção de leitura. Entre estas condições psicológicas a mais importante é, sem dúvida, a intenção de leitura. O papel da intenção de leitura na compreensão já está demonstrado.

A maneira como o leitor aborda o texto influenciará o que ele vier a compreender e a reter dele. Este compreende elementos que literalmente não fazem parte do texto e que não dizem respeito diretamente às estruturas ou processos de leitura, mas que influem na compreensão do texto. Os outros elementos do conceito psicológico são a motivação para ler numa determinada situação e o interesse pelo texto apresentado. Podemos observar que uma pessoa pode gostar de ler, mas não estar motivada para ler num dado momento, por exemplo,

22 por causa de uma preocupação, de uma frustração ou da maior atração que outra atividade exerce sobre ela.

b) O contexto social

Entende-se por contexto social, todas as formas de interação que podem produzir-se no decurso da atividade entre o leitor e o professor ou entre ele e os seus pares: as situações de leitura individual por oposição a situações de leitura perante um grupo; as leituras sem apoio, por oposição às leituras orientadas.

Holmes realça que está demonstrado, por exemplo, que um aluno que lê um texto em voz alta, perante um grupo, terá menos hipóteses de o compreender bem do que se fizer uma leitura silenciosa. E Dansereau constatou igualmente que alunos que trabalhavam juntos, para melhorarem a compreensão de um texto, retinham mais informações do que os que trabalhavam sozinhos, Giasson (1993:42).

c) O contexto físico

O contexto físico compreende todas as condições materiais em que se desenrola a leitura: os professores estão já bem familiarizados com estes fatores que não atuam apenas sobre a leitura mas sobre todas as aprendizagens escolares. Pensemos no nível de ruído, na temperatura ambiente, na qualidade de reprodução dos textos.