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Previous Work on Intrinsic Contact Sensing

Contact Manipulation Cues

3.3 Previous Work on Intrinsic Contact Sensing

Em contraponto com a família e seus conflitos, o asilo pode ser uma alternativa para se viver em segurança. Um local tranquilo, acolhedor, com uma estrutura física que dá a impressão de ser o lugar ideal. No asilo onde foi realizado o estudo, sua paisagem com os recursos de natureza bucólica, como o recanto dos pássaros, a pequena ponte, muitas árvores

e praças com quiosque, além da igreja, que centraliza e emite a energia de proteção, convida as pessoas para ficar por lá.

Desse modo, a possível sensação de segurança pode ser devida a se estar livre dos maus-tratos de familiares ou relacionada à organização e serviços que o asilo pode proporcionar. Segundo Maslow (1970), a neces- sidade de segurança só aparece quando o indivíduo vê-se ameaçado. Sobre isso, a Senhora Antonia comentou o medo de maus-tratos, como fator im- portante para sua decisão. Com a sua família, ela se sentia potencialmente ameaçada.

Dentre as necessidades humanas básicas, a de segurança configura- -se como a segunda, estando ainda situada na base da pirâmide de Maslow (1970). A segurança está próxima do sentimento de proteção individual contra perigos e ameaças.

A citação a seguir expressa o que a instituição representa para alguns dos seus moradores:

Na semana passada, aconteceu um fato engraçado eu fui com minha filha assis- tir as bodas de ouro de um casal amigo nosso, meu e de minha mulher e aí houve uma missa na Boa Viagem. Após a missa teve uma recepção e eu fui, só que quando eu retornei aqui era mais de meia noite, mas, eu comuniquei também ao serviço social e aí menina, pelo fato de eu estar aqui e todos nós nos sentimos aqui em segurança, isso aí é uma verdade. Menina, quando minha filha me deixou aqui eu sai do carro, botou o pé no chão do abrigo, mas senti tanta felicidade de ter aquela segurança, aquela tranquilidade. Ai eu entrei, tudo em silêncio eu disse:- ‘Meu Deus, como é que pode um negócio desses!’ Porque aqui para quem gosta e para quem vem espontaneamente não tem lugar melhor para se morar. (Cervantes)

Maslow (1970) ressalta que a necessidade de segurança permite ao indivíduo dar valor às coisas que lhes são familiares, inclusive às rotinas, o dia a dia, ou crer em alguma coisa, uma religião ou filosofia de vida. A tranquilidade referida na fala do Senhor Cervantes permite que possamos compreender que o asilo cumpre, dentro dos seus limites, o papel social de ser acolhedor e garantir a ordem das coisas triviais em suas dependências. “Aqui é um lugar bastante acolhedor, aonde o idoso, ele se sente protegido, mas protegido mesmo, de tudo que a gente precisa” (Cervantes)

Por outro lado, nem tudo por lá é perfeito e a insegurança permeia a vida tranquila, sendo mencionados pelos residentes casos de furto: “Aqui eu acho que já mexeram nas minhas coisas, hoje acho que não mexem mais, quem

mexeu já foi embora. Uma vez uma apanhou um dinheiro meu, dentro de uma bolsa, e ainda rasgou a bolsa” (Antonia)

O Senhor Cervantes conta que:

Há um mês, a idosa que eu ajudo aqui sofreu um trauma muito grande aqui dentro, porque levaram o dinheiro dela. Ela deu bobeira e levou o dinheiro dela, ela ficou desesperada. Dentro do próprio pavilhão eu chamei a assistente social, ela foi lá, mas não [...]. O asilo tem isso, não se responsabilizar por roubo, mas apurou e tal, mas não chegou à conclusão nenhuma. Então, com isso, ela ficou muito traumatizada, ficou muito triste.

Na ILPI, todos podem ser suspeitos de furto, são muitas pessoas que passam durante os dias por ela: muitos funcionários, visitantes, fa- miliares de idosos, além dos muitos idosos que nele habitam, sendo difícil encontrar-se o autor.

Dessa maneira, a ILPI, também como do lado de fora, oferece certos “perigos” a quem nele vive e vemos como a violência está presente no dia a dia da instituição, mas não poderia ser diferente a não ser no imaginário quando se tem sempre a impressão de que os idosos são pobrezinhos, coi- tadinhos que sofrem e nunca são autores de nenhum ato violento.

Mas, não é bem assim, foi observada que em uma situação de ad- missão na instituição, a recepcionista ao atender uma Senhora, que estava para entrar como residente, dava às acompanhantes uma lista de docu- mentos necessários, dentre eles estava além da identidade e CPF comum a qualquer contrato, a obrigatoriedade de trazer atestado de bons antece- dentes. A recepcionista disse sentir-se até constrangida ao pedir essa docu- mentação, mas isso foi depois que um idoso praticou furto na instituição. Então, viu-se a necessidade de se pedir tal documento. A acompanhante da idosa em questão referiu ser importante esse documento, pois, idosos também são criminosos e lembrou o caso da idosa que vendia droga e foi noticiado pela mídia.

A percepção da impessoalidade existente no asilo condiz com o rela- to da Senhora Antonia e de Senhor Valdemar, ao referirem que o asilo não é sua casa, e definem casa como: “A casa é lugar de sossego. Aqui tem horas que tem sossego tem horas que não tem. (Antonia) “Isso aqui não é minha casa isso aqui é aluguel. Quando você nasceu com seus pais aí sim você está morando em sua casa”. (Valdemar)

Entretanto, essa maneira de compreender o espaço do asilo não é comum a todos os idosos:

Aqui é minha casa. Hoje, apesar de ter dois apartamentos de minha proprieda- de, mas hoje a minha casa é aqui, entendeu e eu se Deus quiser, pretendo sair daqui só para o cemitério tanto que eu esqueci a vida lá fora. (Cervantes) A casa é o lar de cada um e eu considero aqui minha casa hoje, faz dez anos que estou aqui e meus filhos quando ligam me perguntam meu pai onde o Senhor esta? Eu digo: estou em casa. (Possante)

Os depoentes acima parecem exercitar a força do hábito, ou seja, onde estão vivendo torna-se um lar.

Família versus instituição de longa permanência para