R – Como surgiu a UAVIDRE e porque há necessidade de existir um local específico para o apoio a imigrantes?
E2 – Bem, a UAVIDRE surgiu de uma parceria entre o ACIDI e a APAV, o Alto Comissariado para a Imigração e o Diálogo Intercultural e chegou-se à conclusão que se justificava ter…haver uma Unidade criada com competência técnica, ou seja, com competência, com conhecimento nas problemáticas específicas dos imigrantes e que…para fazer face a essas mesmas problemáticas porque... temos um…a população imigrante está especialmente vulnerável a determinados tipos de crime, ou seja, há não só os crimes que afectam a toda a gente, a todos os portugueses e há mais os outros que afectam a população
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imigrante, ou seja, a população imigrante é duplamente vitimada. É importante haver uma Unidade que esteja preparada, que esteja capacitada para dar resposta exactamente a estas problemáticas.
R – Quais os modelos, os principais modelos de intervenção e que tipos de apoio prestam?
E2 – (…) Modelos de intervenção não sei o que é! (risos) A nível de apoio, nós prestamos apoio a nível emocional, jurídico e psicológico, também prestamos algum apoio a nível social, mas será sempre por encaminhamento, encaminhamento para a segurança social, para a entidade que tiver competência na área. O atendimento jurídico será, versa sobre, sobre o apoio não só no esclarecimento de questões jurídicas, mas também uma apresentação de uma queixa, o elaborar uma queixa, em situações de discriminação, o acompanhamento de todo o processo, nós não podemos representar as pessoas no tribunal, estamos impedidos por normas deontológicas não só da APAV como também da ordem dos advogados, nunca poderemos representar uma pessoa em juízo, mas vamos esclarecendo a pessoa quanto a, quanto a questões que vão surgindo antes do processo, durante o processo e depois do processo.
R – Qual é o perfil do utente da UAVIDRE?
E2 – Não tem perfil, o único perfil que poderá haver é ser imigrante. R – Qual o papel do utente no processo de atendimento?
E2 – Papel do utente…o utente para ser, para ter apoio terá que ser necessariamente de nos expor a situação, ou seja, perante a problemática que ele nos apresenta nos tentamos encontrar a solução para essa problemática. O papel do utente é simplesmente procurar-nos e pedir o nosso apoio. Explicar porque é que quer o nosso apoio, o nosso papel será o resto, resolver o problema, ou tentar ajudar a resolver o problema.
R – Quais os critérios de selecção dos voluntários e colaboradores da UAVIDRE? E2 – (silêncio) hum… assenta essencialmente nas características pessoais das pessoas, já tivemos pessoas com cursos que em princípio seriam muito benéficos para a unidade, sei lá… direito, psicologia, etc., mas depois as pessoas não têm o perfil mais indicado, acho que aquele… o que mais procuramos são as competências pessoais da pessoa, independentemente da formação, é a maneira de estar, a maneira de lidar com outras culturas, o estar aberto a outras culturas.
R – Como planeiam as formações da UAVIDRE?
E2 – Não sei…nós vimos mais ou menos aquilo que a nível técnico, o que é que é mais importante passar, a informação que é mais importante passar e que não é dada de outra
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forma porque nós temos, sei lá, temos a apresentação de uma queixa, o que é uma queixa?! É suposto qualquer TAV saber isso, depois há conhecimentos mais específicos, o que é uma queixa de discriminação, junto de que entidade é apresentada, como é que funciona o ónus, etc., isto já se parte do pressuposto que um TAV normal não saiba e convém que isto conste das formações da UAVIDRE, ou seja, aborda as questões mais específicas da UAVIDRE, as áreas de actividade da UAVIDRE.
R – Quais as características de um bom voluntario ou colaborador da UAVIDRE? E2 – É assim, as características mais importantes de um colaborador da UAVIDRE é (…) é aquilo que eu já disse, as competências pessoais, a empatia que cria com o utente, também tem que ter os conhecimentos técnicos porque as pessoas procuram-nos é também para serem informadas e a melhor forma de evitar a vitimação em muitos casos é simplesmente prestar informação, mas além do prestar informação, há que saber, como, como a prestar, ou seja, adaptar-nos à pessoa que temos à nossa frente, não vamos falar da mesma forma com uma pessoa que vem, vem de um país de terceiro mundo ou zona rural ou de um, um indivíduo que vem do norte da Europa e tem quatro doutoramentos, temos que nos adaptar à pessoa e temos que ter essa sensibilidade, perceber como é que podemos chegar a essa pessoa e adaptarmo-nos à pessoa, pronto isso não se ensina.
R- Actualmente qual é o perfil do voluntário e colaborador?
E2 – Hah… Não temos perfil, hah, sei lá…temos homens e mulheres, temos vários cursos…
R – Faixa etária por exemplo.
E2 – Faixa etária, não sei qual é a faixa etária da D., já se deve mandar para os quarenta, eu avalio muito mal isso, mas a faixa etária pelo menos da maioria dos voluntários é, são novitos, alguns já têm cursos outros ainda estão a tirar, haah…mas é assim, nós no UAVIDRE já tivemos pessoas com, aliás a maioria, a esmagadora maioria dos voluntários tinham cursos tirado, só o A. e a…ah, não também tivemos uma de direito, que também não tinha o curso acabado, mas estava mesmo a acabar. Basicamente é… o perfil, o tipo do voluntário do UAVIDRE é direito ou psicologia, novitos, início de carreira, querem ganhar experiência e querem fazer alguma coisa em que acreditam, será mais ou menos isso.
R – Quais as principais dificuldades que um TAV encontra?
E2 – Encontra no início a exercer funções, o TAV… (risos) o TAV, é assim, eu ai não posso generalizar muito, vou falar por experiência pessoal. Eu quando comecei tava sempre com algum receio de não conseguir dar conta do recado porque, porque achava que era uma grande responsabilidade, o falar com a vítima, o encaminhar a vítima, depois ao longo do
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tempo temos que saber lidar com questões novas, ou seja, nós estamos a lidar com pessoas e há sempre problemáticas diferentes, há sempre situações que nós não conhecemos e temos que estar prontos, para, para dar uma resposta nessas situações.
Problemas maiores que o TAV encontra, não sei, desempenhar bem as suas funções, não sei… (Risos)
R – Qual é a sua formação académica? Há quanto tempo trabalha na área da imigração? E há quanto tempo colabora com a UAVIDRE?
E2 - (…) Eu sou jurista, tirei o curso, tirei o curso de direito na Lusófona, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, acho que é qualquer coisa assim, depois sou advogado, tenho o estágio da ordem concluído, concluído há um ano e qualquer coisa, dois anos, (confirmou no cartão) tenho o estágio concluído há dois anos e tal, depois sou mediador penal há um ano meio e meio, dois, tenho uma pós-graduação em Direito (???) Tributário, foi uma parceria entre a ordem dos advogados e o ISEG, Instituto Superior de Economia e Gestão, acho eu, mas era com o Saldanha Sanches e é por isso é que eu fui, não suporte administrativo, administrativo e contencioso, contencioso tributário, basicamente é finanças, mas vai buscar administrativo, vai buscar muita porcaria que não tem interesse nenhum, mais…que mais é que eu sei tenho carta de carro e de motorizada, tenho carta de marinheiro (Risos), depois há quanto tempo é que tou no UAVIDRE, eu vim para cá em 2006, tava a começar o estágio de advocacia e queria ganhar experiência e vim como voluntário, tive cá um ano e meio como voluntário em que fazia, primeiro fazia duas tardes, depois fazia também as férias da Carla e depois surgiu a oportunidade e lá entrei, mais…
R – Então a primeira experiencia na área da imigração foi aqui na UAVIDRE, quando começou a colaborar?
E2- Quando começou a colaborar?!
R – (Risos) Quanto começaste a colaborar?
E2 – (…) Eu voluntariei-me para a APAV depois ou passaram…quem me entrevistou foi a Carla por isso passei directamente para a UAVIDRE, mas eu não sabia o que era a UAVIDRE, sabia o que era a APAV, sabia que lidava com vítimas de crime, eu por um lado estava com os agressores enquanto advogado estagiário e quis, quis de alguma forma ganhar experiência do outro lado com a vítima. Na UAVIDRE tinha os dois lados, quer dizer não tinha os dois lados, tinha um outro lado, não só trabalhava com as vítimas, como trabalhava com uma população que não conhecia e era uma boa oportunidade.
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E2 - UI…Estamos a falar da importância do trabalho da UAVIDRE? Não é do meu trabalho na UAVIDRE?
R – Que tu atribuis ao teu trabalho, o que significa para ti… E2 – Para mim?!
R – Sim.
E2 – Hah…para mim? Não sei, pera lá, nunca pensei nisso…Se eu estou contente com o meu trabalho na UAVIDRE? A nível de…se eu acho que poderia desempenhar melhor as minhas funções ou se isso me traz alegria?!
R – É uma mais-valia a nível público, é serviço público, mas para ti o que é que significa.
E2 – Para mim significa poder chegar a casa e quase todos os dias tenho a nítida sensação que ajudei alguém.
R – É essa a motivação?
E2 – Hah…sim, o ordenado não é de certeza, a gente ganha aqui fortunas (risos), não, é assim, eu já fazia este trabalho de borla, tu podendo fazer pago, claro que o faço. É assim, trabalhar na APAV tem a grande benesse, sentimos que o trabalho é válido, ajudamos pessoas e ajudamos mesmo, vemos isso, algumas mais que outras claro, há umas que não fiz, não fiz grande diferença, outras haverá que se não sou um? Adivinho? Fico lá perto, nem que fosse a definir planos, a ajuda-las a capacitarem-se de perigos, a fazer o modelo de segurança, o plano de segurança pessoal e por ai fora ou seja, ajudar, ajudei muito boa gente e é muito bom saber e sentir isso.
R – Tem outra actividade paralela a esta?
E2- A senhora não está a prestar atenção nenhuma às minhas respostas (Risos) eu sou mediador penal, sou advogado (…) (Risos)
R – Quais os projectos que se encontram em acção na UAVIDRE? Quais as dificuldades sentidas na implementação dos projectos?
E2 – Eu sei que estamos com alguns projectos na área da população imigrante, à população turista, não sei especificar exactamente o quê, sei que temos, vamos ter uma formação com a PSP, a esquadra de turismo, em que vamos fazer uma parceria, eles dão formação a nós e nós dá-mos a eles, temos projectos, projectos ou estudos ou algum trabalho na área do tráfico de seres humano, também temos parcerias noutra, noutras…
R – Quais são os principais parceiros da UAVIDRE?
E2 – Acima de tudo o ACIDI que é quem nos custeia e depois temos assim dependendo da área, mas pertencemos a uma área alargada em que temos desde a JRS a que é
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o Serviço Jesuíta para refugiados, temos a CPR que é não sei quê, Conselho Português para os Refugiados, Médicos do Mundo, a AMI, temos uma serie de contactos e depois eles encaminham para nós, nós encaminhamos para eles, tudo depende da problemática que está em causa.
R – E que tipo de vínculos mantêm com estas instituições e associações?
E2 – Essencialmente são vínculos informais, há muita pouca coisa definida, bem definida, o que haverá bem definido que eu saiba é só, é só a parceria com o ACIDI porque implica pagamento.
R – Quais as suas funções na UAVIDRE?
E2 – (…) As minhas funções é tudo, atendimento aos utentes, também de alguma forma supervisão dos técnicos, tenho que responder à grande chefa, exceptuado contactos mais formais com instituições, em principio será, será o papel de gestora, da gestora que está agora um bocadinho afastada, ou seja, é tudo, não sei assim especificar quais são, quais são as minhas funções, mas é, sei lá, desde o atendimento o, desde o atendimento de utentes a tratar das papeladas, sei lá, praticamente é tudo, quase tudo.