4. Discussion
4.2 La valorisation de certaines personnalités et de certains événements
3.3.4 La presse régionale comme vitrine de l’action citoyenne et des conflits d’acteurs
Os primeiros contatos com as instituições – CRAS65, CREAS66, Conselho Tutelar, Fica Vivo, escolas, delegacias de polícia - nas quais as jovens poderiam ter passado possibilitaram a composição para a elaboração das primeiras perguntas, como também, apontava para as possibilidades e limites do campo. Em um desses contatos, fui convidada a participar da reunião de
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CRAS – Centro de Referência de Assistência Social.
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técnicos67 e oficineiros68 do Programa Fica Vivo, com o propósito de me apresentar aos técnicos e explicar mais detalhadamente os objetivos da minha pesquisa aos oficineiros. O interesse pela pesquisa foi claramente demonstrado pelos oficineiros, que participaram bastante com diversas perguntas e se colocando à disposição para me auxiliar no que fosse necessário. Foi nesse dia que saí dessa reunião convicta de que o dispositivo de grupo era uma ferramenta interessante para se trabalhar com jovens, de modo a aproveitar sua capacidade de raciocínio e elaboração crítica sobre a realidade.
A OC forneceu-me um diverso aparato de registros durante o tempo em que permaneci no lócus do estudo, cerca de um ano e oito meses. Para Mann (1996), a observação de campo do tipo participante representa uma tentativa de colocar o observador e o observado do mesmo lado, tornando-se o observador um membro do grupo de modo que viva e trabalhe dentro do sistema de referencia dos observados.
Nesse sentido, tornar-se parte de uma cena social e participar dela, requer que o pesquisador seja aceito em algum grau. Esse movimento desafia considerar o familiar como estranho. Ademais, ao negociar o acesso a uma organização, por exemplo, o pesquisador deve estar ciente das relações de poder na situação.
Um fato que merece destaque, nesse período, foi meu contato na escola onde estudei e trabalhei como docente durante muitos anos no Conjunto Morro Alto – Escola Renato Azeredo. Foi a minha primeira visita institucional, até porque acreditava que seria a
67 Equipe técnica é o nome dado ao conjunto de profissionais de
psicologia, pedagogia, saúde, assistência social e jurídica, responsáveis pelo acompanhamento dos jovens que participam das atividades do programa.
68 É um jovem preferencialmente morador da área de abrangência do
Centro de Prevenção à Criminalidade – Fica Vivo; que conduz as atividades de dança, desenho, pintura, etc. Um oficineiro deve demonstrar habilidade no trabalho com os jovens que se encontram envolvidos com a criminalidade e ter capacidade para compreender a política de segurança e a metodologia que orienta o Programa.
entrada mais fácil no campo. Grande engano! As reações diante da minha presença causou uma sensação de desconforto pessoal no gestor atual, que em conversa comigo, fora enumerando diversos empecilhos, para que eu não entrevistasse as meninas funkeiras da sua escola. Alegou estar iniciando sua carreira de gestor escolar e que teria que solicitar mais informações junto à inspetora educacional, quanto à realização de pesquisas com seus alunos. Marcamos um novo contato, quinze dias depois, e para minha surpresa, o gestor deixou apenas um bilhete junto às minhas solicitações de observação, alegando que a escola já estava acolhendo um pesquisador aceito anteriormente, e a presença de mais um investigador iria atrapalhar o andamento das atividades. Contudo, aprendi com esse episódio. Percebi que as suspeitas eram compreensíveis devido à atmosfera politicamente carregada que cercava a instituição escolar, bem como os resultados positivos que a escola sempre necessitava apresentar. Acredito que para ele, pesquisar meninas funkeiras, seria o mesmo que anunciar problemas.
Dentro desse contexto, fui salva pelos registros no diário de campo que sempre deixava um espaço contextual para registrar minhas emoções e experiências pessoais, “o eu foi parte da realidade das anotações de campo” (WATSON, 1994). Os contatos nas demais instituições fluíram sem contratempos inesperados.
Ao fazer as anotações surgia o sentimento de que poderia ter perdido algo durante a observação, ou estava sendo seletiva, ou ainda geral demais. A este respeito, Severyn Bruyn(1966) auxilia-nos listando seis índices do que ele chama de “adequação subjetiva” para reforçar o entendimento do pesquisador e, assim, a validade da pesquisa. São eles: o tempo, o lugar, as circunstâncias sociais, a linguagem, a intimidade e o consenso social. Embora esse conceito tenda a ser expresso em termos de uma estrutura positivista, as ideias de Bruyn auxiliam-nos no processo contínuo de reflexão.
Dessa forma, tomando o ‘lugar69’ onde os fatos acontecem, significou concentrar-me, no ‘tomar o lugar’ que significou para mim considerar a influência das situações físicas sobre as ações. Passei pois a registrar no meu diário de campo
(DC) não apenas as interações observadas, mas também o
ambiente físico no qual elas aconteciam. Foi abrindo mais os olhos para este detalhe que percebi a dinâmica do bairro durante o dia e durante a noite. Na verdade, percebi que no Conjunto Morro Alto, havia uma presença marcante de diversos sons muito mais expressivos à noite, desde igrejas evangélicas, a carros de propaganda, bem como de funk e rap. Os pontos de ônibus ficavam cheios de gente, de todas as idades, não porque estavam esperando o ônibus, mas porque aquele ‘lugar’ , possuía mais uma funcionalidade – ponto de encontro, descanso, pausa na janta - até que o feijão cozinhe - e bate papo. Apesar de ter uma pracinha com bancos, construída pela prefeitura na área da ‘lagoa’, as pessoas passavam por ela e se
Dentre essas experiências, destaco ainda a participação em algumas oficinas de dança uma de Axé e a outra de Break, ambas do programa Fica Vivo, as quais funcionavam nas terças e quintas a partir das 14h, em um cômodo próximo à praça da lagoa. Apesar de se tratar de oficinas de axé e break, todas as vezes que estive na oficina os jovens estavam dançando o funk. Todavia, é importante destacar que na presença de técnicos do programa que, em determinadas ocasiões visitavam as oficinas, tanto as músicas quanto as coreografias voltavam a ser de axé ou break. Entretanto,
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É pertinente clarificar que ao conceito de lugar, enquanto dimensão da relação entre a pessoa e o ambiente físico ao evocar sentimentos de pertença, foi agregado à conotação temporal que possibilita a instauração da ligação do indivíduo com seu passado, presente e futuro coletivos. Logo, o lugar inscreve-se no âmbito dos sentimentos acerca do ambiente e do seu significado (Bauman, 2003). Um lugar pode, ser conceituado em termos de dimensões temporais individuais e coletivas, até porque estas relações estão imbuídas de aspectos espaciais, culturais e temporais. Ao compreender que a concepção e o histórico que a pessoa constrói dos lugares desenrolam-se no tempo e caracterizam se por continuidade, descontinuidade e transições, rupturas, ganhos e perdas, de significados e sentidos vários para o sujeito (Speller, 2005).
ao se despedirem, o funk ocupava espaço. Há uma cumplicidade entre jovens participantes e oficineiros, na qual um não atrapalha o espaço do outro. Ficou perceptível que os territórios masculinos e femininos, dentro da oficina, se intercruzam em: ‘eles dançando para elas’, exibindo o abdômen sarado, e, nesse caso eles repetem a mesma coreografia que elas, rebolando e reproduzindo os gestos com conotações sexuais; e ‘elas dançando para elas’ sempre num tom de competição.
Todas as observações foram registradas no diário de campo (DC), como já mencionei nos tópicos anteriores. Esse caderno foi dividido em partes da seguinte forma: as informações das instituições locais; o que observava e sentia durante a observação; situações que mais mexiam comigo; desenhos de trajetos que realizava bem como sua dinâmica; acontecimentos importantes para a pesquisa, como eventos de lazer que envolvia a cotidianidade das jovens; encontros inesperados em esquinas; bares; e saída de escolas.
A OC foi muito útil ao longo do percurso e, através dela, consegui me preparar para a outra fase da metodologia, os grupos
de discussão (GD) e as entrevistas individuas (EI).