P. J. N°46. DESCRIPTION DES PROCEDES DE FABRICATION
1. PRESENTATION DE LA SOCIETE
Inicialmente, estava prevista para este estudo a criação de instrumento de pesquisa direcionado para o setor elétrico, mas depois da revisão da literatura, da pesquisa exploratória e da delimitação do objeto de estudo a elaboração de um único instrumento foi descartada por dois motivos. Primeiro porque ficou claro que, para os objetivos pretendidos, a estratégia da triangulação seria mais proveitosa que o uso de apenas uma fonte de evidência. E, segundo, porque na busca por pesquisas correlatas, foram localizados os estudos de Macadar (1998) que criou, desenvolveu e validou instrumentos para estudar a percepção dos decisores e de Zanela (1999) que, aproveitando a experiência da primeira pesquisadora, adaptou os instrumentos e comparou os resultados obtidos depois da aplicação dos questionários com indivíduos tomadores de decisão de diferentes organizações em três diferentes países.
A autora deste estudo trabalhou durante cinco anos na instituição pesquisada e na época do presente estudo não possuía mais vínculo empregatício com a mesma. Dados os desafios optou por entrevistar poucos indivíduos alocados em setor estratégico das distribuidoras de energia elétrica. Através de contatos telefônicos, por e- mail e pessoalmente foram trocadas informações com os decisores no decorrer deste estudo. Somadas a isso, a própria experiência da autora na área, o acesso a informações seja em documentos ou arquivos, as referências bibliográficas exploradas, a interlocução com o orientador e a co-orientadora, bem como o contato com outros pesquisadores do tema contribuíram para o desenvolvimento desta dissertação. Assim, no levantamento de dados deste estudo foram escolhidas diferentes fontes de evidência: a documentação, o registro em arquivos, a observação direta, as entrevistas e os questionários. Conforme Lakatos e Marconi (2001, p.155), a escolha do(s) instrumento(s) tem vários fatores a considerar: “a natureza dos fenômenos, os objetos de pesquisa, os recursos financeiros, a equipe humana e outros elementos que surgem no campo da investigação”. Após a
escolha dos instrumentos de pesquisa, o próximo passo foi identificar as principais vantagens e limitações de cada uma das fontes de evidências descritas por Yin (2005).
A pesquisa documental complementa a pesquisa bibliográfica, pois pode “valorizar as evidências oriundas de outras fontes” (YIN, 2005, p. 112) e também ratificar dados específicos de uma organização, por exemplo, como níveis hierárquicos, cargos ou funções dos entrevistados e outras informações mencionadas em entrevistas. É possível ainda que a análise documental traga novas questões para investigação. Existem muitos tipos de documentos: regulamentos, normas, pareceres, cartas, memorandos, diários pessoais, jornais, revistas, discursos, estatísticas, dentre outros. Dentre as principais vantagens deste instrumento estão a estabilidade das informações, a exatidão de dados (nomes, referências, detalhes) e sua ampla cobertura, disseminado por longo tempo em distintos ambientes e públicos. Por out ro lado, os aspectos negativos da documentação enquanto fonte de evidência pode ser a difícil capacidade de recuperação, o acesso restrito, os vieses existentes não percebidos pelo pesquisador e a seletividade tendenciosa, que se dá quando a coleta de info rmações não é completa.
Os arquivos eletrônicos – que representam a maioria dos registros em arquivos – são relevantes fontes de informações. Podem ser registros de serviços, de mapas e gráficos, de listas de nomes ou outros dados interessantes à pesquisa, dados de pesquisas de levantamento sobre um local ou população e ainda informações pessoais, como contatos ou anotações importantes para o estudo. As vantagens e as desvantagens destes instrumentos coincidem com as mencionadas anteriormente para a pesquisa documental.
A observação é uma forma de investigação científica na qual o uso dos sentidos coleta informações sobre determinados aspectos da realidade. A observação direta é aquela na qual uma visita ao local (organização, bairro, família, etc.) estudado gera fontes de dados. “As evidências observacionais são, em geral, úteis pra fornecer informações adicionais sobre o tópico que está sendo estudado” (YIN, 2005, p. 120). Tais evidências ajudam a entender o contexto e o fenômeno estudado, além de lidar com acontecimentos em tempo real quando o pesquisador está em campo. Estes são, portanto, os dois pontos fortes da observação direta: a vivência da realidade estudada e o maior entendimento do contexto. Em relação aos pontos fracos, a observação direta demanda tempo e tem alto custo; é seletiva, a não ser que uma equipe possa observar o fenômeno estudado por
diversos ângulos, pois quando a observação é feita por apenas um indivíduo, dada a limitada possibilidade de controle, podem existir distorções da realidade já que a personalidade do pesquisador se projeta sobre o observado; e, a presença do pesquisador pode gerar mudanças nos comportamentos dos observados comprometendo os resultados da pesquisa.
Segundo Yin (2005, p. 116), “uma das mais importantes fontes de informações para um estudo de caso são as entrevistas”. A entrevista pode ser estruturada, não-estruturada ou de painel. Entrevista estruturada respeita um roteiro planejado e que deve ser seguido, sem mudanças; entrevista não-estruturada tem perguntas abertas e há flexibilidade quanto à criação de novas questões. Pode existir um roteiro base (entrevista focada), perguntas específicas (entrevista clínica) ou expressão livre (entrevista não dirigida) a fim de estimular o entrevistado. Entrevista de painel utiliza a repetição das perguntas em curto espaço de tempo para verificar a evolução das opiniões das pessoas. Um dos pontos fortes da entrevista é que ela é direcionada, abrangendo diretamente o fenômeno estudado; além disso, é perceptiva uma vez que fornece inferências causais percebidas pelo entrevistador. As desvantagens são diversas: risco que questões mal-elaboradas; respostas viesadas; dificuldade de comunicação do entrevistado e a influência do entrevistador de modo que o entrevistado diga o que o mesmo quer ouvir. Para minimizar a chance de vieses, é importante que o entrevistado tenha conhecimento prévio do assunto estudado e do entrevistado e que a entrevista ocorra em condições favoráveis (local, data, contexto, etc.) à realização da mesma. O registro de som ou imagem da entrevista deve ser autorizado por escrito.
O questionário é um instrumento planejado com perguntas ordenadas e pré-testadas que reflete o tema da pesquisa. É aplicado depois de pré-testes, a fim de identificar problemas de linguagem, na estrutura lógica ou em outros aspectos que comprometam a validade deste instrumento. O questionário deve ser respondido por escrito e sem a presença do entrevistador. É importante que uma carta de esclarecimento acompanhe o questionário esclarecendo os objetivos da pesquisa e estimulando a devolução das respostas. As vantagens do questionário são: a economia de tempo, de custo com pessoal e com ida a campo; a coleta de grande quantidade de informações simultaneamente; cobertura de maior área geográfica; menor risco de inferência do pesquisador nas respostas; uniformidade na avaliação das informações; e maior
liberdade e segurança nas respostas pelo anonimato dos respondentes e pelo maior tempo e conforto na resposta do questionário (MARCONI & LAKATOS, 2006).
Das cinco fontes de evidência utilizadas neste estudo - a documentação, o registro em arquivos, a observação direta, a entrevista e o questionário – o questionário foi a que mais exigiu cuidados porque, mesmo sendo resultante de estudos anteriores, foram necessárias adaptações e pré-testes a fim de validar tal instrumento.