A subcategoria “alcance de objetivos” se encontra incorporada na pesquisa como subdivisão da categoria usabilidade, pertencente aos critérios ergonômicos de usabilidade, em associação com o efeito da eficácia de um produto (INTERNACIONAL STANDARD ORGANIZATION, 1998). No contexto da interação navegacional em ambiente web, Barbosa e Silva (2010) relacionam a eficácia à capacidade dos usuários interagirem com o sistema para alcançar seus objetivos, corretamente ou conforme o esperado. Da mesma forma, Rogers, Sharp e Preece (2013) explicam que a eficácia se refere a quanto um produto é bom em fazer o que se espera dele.
Nesta pesquisa, pode-se compreender que o alcance de objetivos está diretamente relacionado ao êxito na realização de tarefas. Ou seja, a percepção de um bom resultado em uma determinada tarefa ocorre quando o usuário a executa sem o enfrentamento de dificuldades, alcançando o atendimento de suas demandas, que corresponde à meta final dessa tarefa. Dessa forma, para a pesquisa realizada, verificou-se que os participantes com baixa visão e cegueira, com o desempenho do teste de usabilidade proposto, perceberam a
existência de fatores que influenciaram significativamente a eficácia do sistema do repositório.
Deve-se enfatizar que, para ambos os grupos de participantes, o principal fator a ser considerado para o alcance do objetivo das tarefas, e determinação da eficácia do repositório, concerne ao funcionamento das tecnologias assistivas no processo de identificação dos caminhos que direcionam as informações presentes em sua interface. Como evidenciado na subcategoria “tecnologias assistivas”, a compatibilidade entre tecnologias de assistência e os recursos da interface foi observada sob dois aspectos: aplicação e experiência com o uso de aplicativos de acessibilidade, em que se constatou incompatibilidade quanto ao nível de ampliação, para um usuário com baixa visão que necessita de uma ampliação em tamanho maior (ampliação ≥ 700%), e inexperiência frente ao uso de aplicativos de ampliação e leitores de tela. Nesse sentido, as incompatibilidades observadas resultaram em percepções distintas quanto ao uso dos recursos da interface do repositório.
Outro aspecto que influenciou de forma significativa na compreensão da eficácia, integra os recursos desativados e sinalizações inexistentes, como se pode verificar na declaração.
Participante P4: Eu diria que em parte [referente à eficácia do repositório].
Porque algumas coisas [como] ícones não funcionam, e têm funções que não estão indicadas. [...] Eu diria que em parte [enfatizando a declaração feita], [...] que precisa de ajustes.
As inconsistências apontadas permitem depreender que o serviço do repositório, encontra-se em fase de revisão principalmente perante as especificidades de funcionamento que precisa contemplar acerca das necessidades de seus usuários. Como se pode verificar, o funcionamento de ícones, e a indicação de funções, como descrição de imagens e botões de navegação, são determinantes para que usuários com baixa visão e cegueira consigam estabelecer o encaminhamento correto ou esperado do processo de navegação pelo site, de modo a seguir os caminhos esquematicamente estruturados para o acesso aos arquivos digitalizados do acervo.
A eficácia da interface do repositório também foi percebida em aspectos que consideraram a integridade de seu serviço, e particularmente, no que se refere ao acesso aos arquivos disponibilizados pelo repositório. É necessário retomar que o principal objetivo do Repositório de Informação Acessível compreende a estruturação de um serviço que atue como uma biblioteca em ambiente digital, permitindo que usuários consigam percorrer os caminhos
da busca, acesso ao acervo e consulta (obtenção) do item (arquivo) digitalizado de livros, revistas, artigos, entre outros. Entendendo-se que o acesso a esses materiais corresponde a uma das principais barreiras a ser enfrentadas pela área da acessibilidade comunicacional, no tocante ao acesso à informação, é compreensível que os participantes desta pesquisa tenham estabelecido uma relação estreita entre eficácia e arquivos do acervo.
Na subcategoria “opções de formatos” foi verificado que os arquivos disponibilizados pelo repositório atendem às necessidades de acesso à informação dos usuários com deficiência visual, com destaque para o aspecto da qualidade em relação aos tipos de formatos, PDF, HTML e DOC/Microsoft Word, e acesso aos arquivos, produzidos conforme os padrões de acessibilidade que permitem que tecnologias como sistemas de ampliação e leitores de tela, consigam estabelecer o acesso e leitura do conteúdo.
Participante P4: [...] pra mim sim. [...] ele [o RIA] é acessível. Ao
conseguir ter acesso ao material que seja de meu interesse [...], e então, para se tornar uma rica fonte de acesso à informação.
Participante P6: [...] principalmente na pesquisa de obras recomendadas
pelo professor, que estejam disponíveis no RIA.
Participante P8: [...] [o RIA] nos permite o acesso às várias formas
[formatos] [de] versão digital [de] textos. Nos possibilita um aumento no tipo de acesso, devido às formas [formatos] que mais me adapto ao acesso à informação. [...] enfim, ele [RIA] nos dá um leque de opções, e [...] realmente atende aos meus objetivos propostos, até onde me consta.
Pode-se observar, de acordo com as declarações, que a discussão central recai sobre três fatores: acessibilidade ao acesso aos arquivos, tipo de arquivos disponibilizados (quanto ao conteúdo) e aos tipos de formatos. Apesar dos registros de inconsistências analisados, o repositório foi desenvolvido, de modo a manter um padrão de caminhos acessíveis que permitem direcionar ao seu acervo, e obter arquivos para consulta. Essa possibilidade de busca e acesso ao acervo consistiu, para os participantes, como um aspecto de eficácia perante as dificuldades existentes para o acesso em bibliotecas, ou mesmo em ambiente web, relativo à falta de adaptação física (ou digital) e adaptação de materiais informacionais (impressos ou digitais).
Deve-se considerar também as alternativas de conteúdo, relacionadas às áreas do conhecimento. O desenvolvimento de coleções para a constituição do acervo do repositório é fundamentado, pensando-se nos cursos de graduação e pós-graduação que possuem alunos com deficiência visual, disponibilizando arquivos que contemplam os estudos principais
comuns às disciplinas cursadas pelos participantes da pesquisa, bem como a possibilidade de conseguir outros arquivos que comumente não são encontrados de forma acessível. Dessa forma, o contato com essa diversidade de arquivos permitiu percebê-la como uma qualidade específica do RIA, assim como os tipos de formatos oferecidos que estão entre as extensões de arquivos mais utilizadas para o acesso de recursos de tecnologias assistivas, compreendendo que é essencial a aplicação de tecnologias em ambientes digitais que sejam compatíveis com os diferente tipos de arquivos em formatos acessíveis (CORRADI; VIDOTTI, 2007).
Quanto à integridade do serviço do repositório, evidencia-se a possibilidade de acesso a sua interface diante dos aspectos: estrutura adequada, praticidade na navegação, recursos disponíveis, opções de busca, armazenamento facilitado e download.
Participante P1: [...] eu considero que o sistema [RIA] [...] tem uma boa
qualidade na questão do atendimento aos objetivos de pesquisa de arquivos, [...] de informações [...].
Participante P3: [...] quando eu for pesquisar algum material, que eu tiver
precisando, eu vou encontrar no RIA. E nem preciso guardar o backup. [...] é uma forma de tá vendo esse material, que preciso, de forma organizada [...]. No geral, atende às minhas necessidades.
Participante P5: [...] [o RIA], devido [aos] recursos oferecidos, [...] oferece
uma praticidade [...] pra pesquisa.
Participante P7: Eu consigo navegar livremente no sistema, no RIA, e
consigo baixar os arquivos que preciso [...].
Nessas declarações é possível constatar a contemplação da eficácia do repositório, abordada sob o sentido de seu objetivo central – disponibilização de um serviço de biblioteca digital. Percebe-se que a navegabilidade, permitida essencialmente pelo sistema de busca, cujo foco é o acesso aos arquivos digitalizados, consiste no elemento de maior ênfase nas percepções dos participantes, do qual se evidencia a observação da aceitabilidade da qualidade de seus sistemas de busca, e da facilidade percebida dos recursos disponíveis que formam esses sistemas e oportunizam o estabelecimento da pesquisa. Ainda é preciso considerar – o repositório como serviço de biblioteca digital – a capacidade de armazenamento em ambiente web, que permite audiência simultânea, consulta ao acervo por mais de um usuário ao mesmo tempo, e acesso ao serviço em qualquer lugar, proporcionando o download de forma ilimitada.
Ante aos aspectos apresentados, confirma-se em princípio que o alcance dos objetivos foi atingido, no que se refere à navegação e processo de busca no repositório, sabendo-se que o acervo foi consultado e os arquivos foram obtidos e acessados. Desse modo, pode-se inferir que a interface do Repositório de Informação Acessível possui um padrão de eficácia que pode ser classificado como satisfatório, devido à disponibilização de recursos que adotam critérios de usabilidade e acessibilidade que procuram atender às necessidades dos usuários com deficiência visual. Observando-se que o repositório determinou seu grau de eficácia com base na completeza com que os usuários atingiram seus objetivos específicos, acessando a informação correta e gerando os resultados esperados (LAZZARIN et al., 2012).