Antecedendo o procedimento de coleta de dados, o projeto de pesquisa foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (CEP/UFRN) a fim de obter parecer em observância com a Resolução 466-2012 (BRASIL, 2012), com inserção de dados descritivos e projeto resumido na Plataforma Brasil41. A partir do parecer de aprovação em 17 de setembro de 2015 (Anexo A), realizou-se um estudo piloto, que correspondeu a execução experimental do estudo principal, com o objetivo de certificar a validação do método proposto. Nesse estudo, os planos e etapas foram testados: equipamentos, instruções, perguntas do questionário, software, dentre outros. De acordo com Rogers, Sharp e Preece (2013), ao longo de um estudo piloto, a ocorrência de problemas pode ser identificada antecipadamente e corrigida.
O estudo piloto foi realizado em 17 de novembro de 2015, no Laboratório de Acessibilidade, com dois voluntários, uma pessoa com cegueira e outra com baixa visão, que participaram dos testes com duração de quatro horas. O teste seguiu um plano de tarefas, observação de teste e aplicação de questionário, com previsão de aplicação de 90 a 120 minutos por pessoa em ambiente apropriado e seguro.
O plano de tarefas planejado inicialmente foi reformulado, conforme referencial teórico e sugestões dos participantes. De forma, a considerar ajustes na definição do roteiro de tarefas, roteiro de observação, perguntas do questionário, categorias de análise e procedimentos necessários para condução do teste final (Figura 4). Os instrumentos de coleta
41 Base nacional e unificada de registros de pesquisas envolvendo seres humanos para todo o sistema
de dados apresentados seguiram um roteiro desenvolvido com base no aporte teórico que embasou a pesquisa, considerando os objetivos a serem alcançados.
Na ocasião foram definidos os procedimentos necessários para a coleta de dados: seleção dos participantes, prazo de envio de convite, prazo de confirmação, redação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, decisão sobre formatos de disponibilização dos questionários: braille, ampliado, digital e ledor/escriba, preferência de tecnologias dos participantes: leitores de tela e ampliadores. E ainda, os recursos para os registros dos dados, optando-se por anotações pontuais, câmera fotográfica e de vídeo para captura da tela do computador, com a máquina digital, gravador de voz e anotação de fatos considerados relevantes para a pesquisa.
O teste de usabilidade, que conduziu a coleta de dados, teve como local empírico a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, por meio do ambiente digital do Repositório de Informação Acessível no seguinte endereço eletrônico: www.ria.ufrn.br. O teste utilizou esse local virtual para o desenvolvimento das tarefas predefinidas na interface do RIA, observação participante e aplicação simultânea de questionário no ambiente físico do Laboratório de Acessibilidade.
A coleta de dados foi realizada entre os dias 02 a 11 de dezembro de 2015, cujos procedimentos, inicialmente, seguidos foram: leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Apêndice A), documento que explica os objetivos e procedimentos da pesquisa, bem como os direitos dos participantes, ausência ou presença de riscos aos quais estariam expostos e outras informações importantes. Com a concordância do TCLE, foram efetivadas as assinaturas e esclarecimentos quanto à segurança dos dados por parte do pesquisador. Também foi efetuada a leitura da autorização de gravação de voz (Apêndice C), esclarecendo sobre a utilização do equipamento para o registro das falas, e a captura de imagens, fotos e vídeo (Apêndice D), a relevância desse registro para a pesquisa e o andamento da investigação.
Para o teste, utilizaram-se computadores com sistema operacional Windows 10, leitor de tela (NVDA) e função ampliação de tela do Windows com os quais os participantes já estão habituados. Quanto ao tempo de duração das tarefas variou entre 90 a 120 minutos. A variação do tempo na realização das tarefas dependeu de três fatores: habilidade do usuário, orientação do pesquisador e resposta das tecnologias assistivas: ampliação, contraste e leitor de tela. O teste foi gravado com a utilização de dispositivo de áudio, ressaltando-se que o áudio do leitor de tela ficou aberto para que o pesquisador também ouvisse o processo de leitura pelo aplicativo e a compreensão pelo usuário. Diante disso, ocorreram várias pausas
para que o participante ouvisse os passos a serem seguidos no decorrer das tarefas, e fizessem a leitura das telas.
A aplicação do teste de usabilidade com tarefas e a observação participante teve como base o roteiro predefinido composto por seis partes. De acordo com a Figura 4, o roteiro (Apêndice E) foi aplicado da seguinte forma:
Figura 4 - Descrição e roteiro da pesquisa
Fonte: Elaborado pela autora desta pesquisa (2015).
Na Parte 1, foi aplicado o questionário demográfico para os dados preliminares que determinaram o início de cada tarefa, tendo por objetivo, a obtenção das informações a respeito dos participantes da pesquisa, constituído por: nome fictício, idade, sexo, nível de escolaridade e tipo de deficiência visual.
Na Parte 2, foram executadas as tarefas um a oito da pesquisa, direcionada para a verificação da funcionalidade dos critérios de usabilidade e acessibilidade nos botões
superiores (endereço público, contraste, retorno a tela original, mapa do site, encerrar sessão, meu espaço, documentos, iniciar sessão, documentos e atalhos).
Na Parte 3 foi estabelecida a aplicação do questionário, com questões fechadas, composto por três perguntas referentes às inconsistências decorrentes da falta de usabilidade e acessibilidade para as opções: contraste, ampliador de fonte, leitores de tela, ampliação e mapa do site.
Na Parte 4, realizaram-se as tarefas de nove a 25 para a verificação dos entraves de navegabilidade e processo de busca: comunidade e coleções, artigos de revistas, capítulos de livros, busca por item, autor, título, assunto e sair do sistema.
Na Parte 5 foi estabelecida a aplicação do questionário, com questões fechadas, (quatro a 15) para a identificação de entraves de usabilidade e acessibilidade.
Na Parte 6, determinada como pós-tarefa, foi estabelecida a aplicação do questionário com seis questões abertas (16 a 21) referentes aos critérios de usabilidade, em que foram explorados os aspectos da eficiência (duas perguntas), eficácia (uma pergunta) e satisfação (três perguntas: uma fechada e duas perguntas abertas).