PARTIE 2 : CRITERES ET METHODES LIES AU DEBUT DE LA
2.2 PRESENTATION GENERALE DES METHODES DE PREVISION DE LA DATE
“O desenho de investigação é o plano lógico criado pelo investigador com vista a obter
respostas válidas às questões de investigação colocadas” (Fortin, 1999:132).
2.3.1 – Método
Analisando a pergunta de investigação e as interrogações que a precederam, é possível inferir que, para estudar os factores que interferem com a promoção da autonomia em contexto domiciliar, torna-se obrigatório mergulhar no universo dos participantes, para extrair as características pessoais dos indivíduos e das suas relações com o ambiente circundante que condicionam todo o processo dinâmico de resposta aos défices de autocuidado.
“Num enquadramento de ciência humana, o melhor que os cientistas podem esperar na
criação de novo conhecimento, é fornecimento da compreensão e interpretação de um fenómeno dentro de um contexto” (Fortin, 1999:9), até porque “os seres humanos são incapazes de total objectividade porque se encontram numa realidade construída por experiências subjectivas. O significado e, portanto, a procura da verdade são possíveis apenas através da interacção social” (Streubert & Carpenter, 2002:12). Assim, tornou-se lógica a opção
por uma abordagem qualitativa, definida com um “processo não-matemático de interpretação,
feito com o objectivo de descobrir conceitos e relações nos dados brutos e de organizar esses conceitos e relações num esquema exploratório teórico” (Strauss & Corbin, 2008:24).
Regressando à pesquisa bibliográfica efectuada, constata-se a ausência de teorias de médio alcance na enfermagem, capazes de explicar o fenómeno da reconstrução da autonomia face ao autocuidado em contexto domiciliar. Apesar disso, acredita-se que o investimento gradual, por parte dos investigadores, no sentido de dotar a disciplina de enfermagem com mais conhecimento empírico substantivo, é fundamental para o amadurecimento da disciplina, dado que a teoria derivada dos dados tende “a oferecer mais discernimento, melhorar o
entendimento e fornecer um guia importante para a acção” (Strauss & Corbin, 2008:25),
factores que nos preocupam e que perseguimos enquanto estudantes do fenómeno.
Opta-se assim por um estudo de carácter qualitativo, exploratório-descritivo, que permite analisar profundamente as práticas, comportamentos, crenças e atitudes dos indivíduos, inseridos no seu ambiente natural em interacção com o enfermeiro-investigador, relacionando conceitos e/ou descobrindo variáveis ainda não reveladas ou compreendidas, fundamentais para a interpretação do fenómeno, através de um processo indutivo de comparação continua dos dados que emergem da realidade.
Na literatura consultada, a metodologia que se pensa mais adequada a este propósito é a que permite gerar uma Grounded Theory, na perspectiva defendida por Strauss & Corbin (2008), descrita como útil para quem se interessa “pelo estudo dos fenómenos instáveis e
dinâmicos, implicando a interacção entre diferentes actores e a observação fina de fenómenos característicos destas interacções” (Fortin, 1999:151).
Grounded Theory
A metodologia conhecida por Grounded Theory foi desenvolvida por dois sociólogos, Barney Glaser e Anselm Strauss, que em 1967 apresentaram uma proposta metodológica de investigar que tem como princípio fundador a indução, onde o investigador “começa com uma
área de estudo e permite que a teoria surja a partir dos dados” (Strauss e Corbin, 2008:25).
Opta-se, por manter o termo original, dado também não existir nenhuma tradução que satisfaça unanimemente o conceito. Segundo Stern (1998:149),
Because the scientist constructs (or theory) from the data rather than applying a theory constructed by someone else from another data source, the generated theory remains connected to or grounded in the data. Hence the name, “grounded theory”.
Ao possibilitar o desenvolvimento de teorias a partir dos dados, sistematicamente recolhidos e analisados, permite explorar a riqueza e a diversidade da experiência humana, factores de extrema importância para o desenvolvimento de teorias de enfermagem de médio alcance (Streubert & Carpenter, 2002; Lopes, 2003; Castro, 2007).
Como foi referido, a Grounded Theory não é gerada à priori e depois testada. Como o próprio nome indica, é induzida do estudo do fenómeno que representa e pretende descobrir as relações entre os conceitos que o retratam para os transformar em conhecimento empírico para a disciplina, passível de ser utilizado para esclarecer, por analogia, situações contextuais da prática de enfermagem substantivamente ou formalmente semelhantes.
Streubert & Carpenter (2002), citando Stern (1980) referem que a construção de uma
Grounded Theory difere de outros estudos qualitativos em 5 pontos básicos:
O quadro conceptual emerge dos dados em vez de estudos prévios;
Procura-se descobrir os processos dominantes na cena social, mais do que descrever a unidade em estudo;
Compara-se constantemente todos os dados que se obtêm das várias fontes;
É possível modificar a recolha de dados de acordo com a evolução da teoria, caso se verifique que existem formas mais válidas para chegar à verdade;
Analisam-se os dados à medida que chegam e começa-se a codificar, categorizar, conceptualizar e a escrever os primeiros pensamentos do relatório de investigação, praticamente desde o início do estudo.
Na sua essência a Grounded Theory apresenta três elementos básicos: conceitos, categorias e preposições.
Os conceitos são unidades básicas de análise, sendo representações abstractas de um facto, objecto ou de uma acção/interacção que o investigador identifica como importante nos dados, permitindo que estes sejam divididos em incidentes, ideias, eventos e actos distintos
que recebem um nome que os representa (Lopes, 2003; Strauss & Corbin, 2008). “Only by
comparing incidents and naming like phenomena with the same term can the theorist accumulate the basic units for theory” (Pandit, 1996:1).
À medida que a análise comparativa constante se vai desenvolvendo, os conceitos vão sendo agregados ou categorizados sob termos explicativos mais abstractos capazes de representar o fenómeno social: as categorias. “Categories are the “cornerstones” of developing
theory. They provide the means by which the theory can be integrated” (Pandit, 1996:2)
Uma vez que a categoria seja identificada, fica mais fácil recordá-la, pensar sobre ela e (mais importante) desenvolvê-la em termos de suas propriedades e suas dimensões e diferencia- la, dividindo-a em subcategorias, ou seja, explicando quando, onde, por que, como, etc., uma categoria tende a existir (Strauss & Corbin, 2008:115).
Por último, as preposições representam as relações conceptuais que se estabelecem entre as categorias e os conceitos que as constituem, e/ou as suas subcategorias.
Segundo Pandit (1996) o processo de construção de uma Grounded Theory desenvolve-se em cinco fases (que não necessitam de ser sequenciais), subdivididas em nove passos (ver a figura 2).
Figura 2 - Processo de construção de uma Grounded Theory