PARTIE 3 : PRESENTATION DES RESULTATS
3.1 OPERATIONS SUR LES DONNEES POLLINIQUES ET PRESENTATION DES
É a fase primordial de uma Grounded Theory, pois “é através da análise dos dados que
vamos descobrir as categorias e as suas características, a relação daquelas com as subcategorias e com a categoria central, a necessidade de recolha de novos dados e deste modo construir uma estrutura conceptual coerente” (Lopes, 2003:68).
Para o fazer utiliza-se o método de análise comparativa constante descrito por Strauss & Corbin (2008), que se divide em três tipos de codificação1 (aberta, axial e selectiva) e permite a obtenção de uma teoria substantiva.
Os autores (2008:29) consideram que “uma teoria é um conjunto de conceitos bem
desenvolvidos relacionados através de preposições que, em conjunto, formam uma estrutura integrada passível de ser usada para explicar ou prever fenómenos”. Para a desenvolver, o
investigador necessita de comparar o que pensa que vê, com o que vê ao nível das propriedades e/ou dimensões dos conceitos, tendo em atenção que não é a sua percepção ou perspectiva que importa, mas sim, como os participantes da pesquisa vêem os acontecimentos.
As propriedades não são mais do que as características que definem e dão significado às categorias; enquanto as dimensões são a forma como variam as propriedades gerais de uma categoria, especificando-a e fazendo-a variar. A análise comparativa constante implica a realização de comparações teóricas entre os dados de forma a encontrar diferenças e/ou similaridades entre as propriedades e dimensões que compõem as categorias.
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Codificação pode definir-se como, “a operação através da qual os dados são quebrados,
Ao final, as explicações teóricas do pesquisador são mais completas, mais específicas e mais densas, pois as propriedades e as dimensões que anteriormente talvez não estivessem visíveis para o pesquisador tornam-se evidentes quando ele se sensibiliza para elas. Evidentemente, elas surgem a partir dos dados, mas surgem apenas para as mentes sensíveis, e não para mentes bloqueadas (Strauss & Corbin, 2008:99).
Codificação aberta
Após a introdução dos dados resultantes da primeira interacção, iniciou-se a codificação aberta, definida como o processo analítico que compreende a desestruturação dos dados recolhidos, observação cuidada de similaridades entre eles e aglutinação selectiva de forma a fazer emergir conceitos.
Este processo é realizado, analisando atentamente os dados linha a linha de forma a agrupar códigos substantivos em categorias de acordo com o seu relacionamento ou as suas características comuns, ou seja, mediante as propriedades e dimensões que definem os conceitos potencialmente importantes para dar resposta às interrogações iniciais e à pergunta de investigação.
Os conceitos, por sua vez, passam também por este processo de comparação constante, de forma a serem agrupados em categorias substantivas (definem as propriedades dos comportamentos), que reduzem o número de unidades com as quais o investigador vai trabalhar e têm poder analítico, com potencial para explicar e predizer (Lopes, 2003).
Este foi um processo complexo, que exigiu grande concentração e que ocupou bastante tempo. Tal como referem Strauss & Corbin (1998:13)
A análise é a ligação entre o investigador e os dados. É também ciência e arte. É ciência pelo facto de manter um certo grau de rigor e por fazer crescer a análise dos dados. A criatividade revela-se pela capacidade do investigador dar nome às categorias, fazer perguntas estimulantes e comparações e extrair um inovador, integrado e realístico esquema a partir de grandes quantidades de dados desorganizados
A nomeação das categorias substantivas fez-se, por vezes, recorrendo à atribuição de “códigos in vivo” (Glaser & Strauss, 1967) – o nome é retirado das palavras dos informantes – sendo que noutras situações, essa atribuição se deveu à experiência e visão paradigmática do fenómeno por parte do investigador. Independentemente das duas formas adoptadas, o rótulo conceptual foi sempre sugerido pelo contexto no qual o facto que lhe deu origem está situado. Codificação axial
Após a identificação de várias categorias substantivas inicia-se a codificação axial, processo em que ocorre uma reorganização dos dados, após novo episódio de analise comparativa constante, com o intuito de estabelecer relações entre categorias e identificar subcategorias, que “especificam melhor uma categoria ao denotar informações do tipo quando,
Do ponto de vista de Strauss & Corbin (2008:135):
há, como em todas as ciências, uma interacção entre indução e dedução. O investigador utiliza o pensamento indutivo, quando faz emergir dos dados as potenciais relações existentes entre os conceitos e o pensamento dedutivo, para desenvolver essas proposições, recorrendo obrigatoriamente à interpretação prévia com base não só no contexto, como também no seu referencial teórico que lhe proporciona a visão paradigmática disciplinar.
Os autores (2008:136) reconhecem assim o elemento humano na análise e o “potencial
para possíveis distorções de significado, motivo pelo qual se torna tão importante a manutenção da comparação constante entre os dados”.
Esta nova codificação, examina como as categorias se cruzam e se associam, permitindo a construção de categorias conceptuais, mais abstractas, que relacionam o processo com o contexto, o que implica, já nesta fase, uma tentativa de descrição conceptual do comportamento.
Para o fazer, recorreu-se ao auxílio de diagramas esquemáticos para resumir os resultados, tornando visíveis as relações entre os conceitos e permitindo direccionar a pesquisa para a procura de dados adicionais que teriam de emergir de forma a alargar a sua capacidade de compreensão do contexto, acrescentando-lhe mais propriedades e conferindo- lhe maior consistência teórica à medida que se foram codificando novos dados.
Codificação Selectiva
É considerada a última fase do processo e consiste em integrar e relacionar todas as categorias conceptuais em torno de uma categoria central, eleita como o tema principal da investigação. Cria-se assim um modelo teórico que permite compreender e explicar o fenómeno em estudo.
“A categoria central representa o tema principal da pesquisa, sendo também ela uma
abstracção que condensa em poucas palavras o produto de todas as análises” (Strauss & Corbin, 2008:145); para a sua definição, o investigador necessita de satisfazer determinados critérios:
Como é central, todas as categorias importantes relacionam-se com ela;
Precisa de aparecer frequentemente nos dados, ou seja, em todos ou quase todos os casos há indicadores que apontam para ela;
A explicação resultante da relação das categorias é lógica e consistente, não se evidenciando dados forçados;
A sua denominação deve ser abstracta para que possa ser alvo de novas pesquisas possibilitando o desenvolvimento de uma teoria mais geral;
Tem de ter poder analítico sendo capaz de aglutinar as outras categorias de modo a formarem um todo;
O conceito não desaparece quando as condições variam. Deve ter o poder de explicar inclusivamente casos contraditórios ou alternativos em torno dessa ideia central.
Para descobrir a categoria central foi extremamente importante a escrita do enredo tal como é aconselhado por Strauss & Corbin (2008). Essa estratégia de integração dos dados permitiu a construção de uma história descritiva que relaciona as relações existentes entre as várias categorias do modelo emergente, evidenciando lacunas e inconsistências teóricas que careciam de nova reflexão sobre os dados para reestruturação e refinamento, permitindo finalmente a obtenção do esquema teórico final, que estabelece a relação entre as várias categorias identificadas com as suas categorias centrais.
No final do estudo, existe não só um modelo explicativo para cada um dos participantes, como um modelo integrativo onde todos eles se reflectem à luz das categorias centrais emergentes. Para o explicar, construíram-se diagramas esquemáticos e quadros descritivos que relacionam as categorias e utilizaram-se transcrições dos dados e expressões dos participantes para validar essas relações.
Para melhor compreensão, desenvolveu-se um sistema de código alfanumérico, relacionando os participantes com os dados em questão. Assim, a letra P significa Participante, ao que se associa um número de 1 a 5, conforme a ordem cronológica de entrada desse participante no estudo. Sempre que nos referimos ao enfermeiro-investigador, utilizamos as letras E-I, associadas ao número do participante, o que também se aplica em relação ao prestador de cuidados (PC). Na organização dos quadros descritivos aparece frequentemente a letra C associada a um número (que codifica uma categoria substantiva) que por sua vez se associa a um participante, ou seja, P1 C45 (Participante 1, categoria substantiva 45). No caso de serem notas de campo, surgem as letras NC associadas ao participante em questão (NC2 – Notas de campo do participante 2)
Conclui-se assim que o desenvolvimento de uma Grounded Theory implica que o
processo de recolha, codificação e análise de dados ocorra em simultâneo. Segundo Streubert & Carpenter (2002:122 citando Hutchinson, 1986), “o método é circular, permitindo aos
investigadores mudar o foco e perseguirem pistas reveladas pela análise contínua dos dados”
(ver a figura 2) até que deixe de surgir nova informação que contribua para o apurar da teoria emergente.