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Premier programme et Paramétrage d'un bloc fonction

Servi-me, para esta autoavaliação, do documento Portfolio Europeo para

futuros profesores de idiomas22 (2007, p. 6), disponibilizado pela docente do Estágio. Como previsto, teríamos de selecionar alguns descritores como critérios para preencher o nosso próprio documento pessoal. A escolha dos descritores para a autoavaliação do primeiro semestre foi baseada somente nas expectativas e nos receios que sentia antes de iniciar o processo, pois não tinha um ponto de referência nem experiência como professora, não podendo saber se existiriam ou não pontos negativos a serem corrigidos. Para esta autoavaliação, tinha vários descritores, agrupados, à minha disposição, dos quais tinha que fazer uma escolha para elaborar esta minha avaliação. O primeiro grupo aborda o contexto, tendo como descritores o currículo, objetivos e necessidades, o papel do professor de línguas e os recursos e impedimentos institucionais. Relativamente ao segundo grupo, a metodologia, encontram-se os descritores oralidade/interação oral, escrever/interação escrita, ouvir, ler, gramática, vocabulário e cultura. O terceiro, sendo mais pequeno, fala somente, no geral, dos recursos. No quarto agrupamento de descritores, no que diz respeito à preparação das aulas, encontram-se os descritores identificação dos objetivos de aprendizagem, conteúdos das aulas e organização destas. O quinto grupo refere-se à lecionação da aula, tendo como descritores o uso do programa, os conteúdos, a interação com os alunos, dinâmica e gestão da aula e o uso da língua na aula. No sexto conjunto de descritores, a aprendizagem autónoma, abordam-se a autonomia, as obrigações, os projetos, o portefólio, meios virtuais de aprendizagem e atividades extra curriculares Relativamente ao sétimo e último agrupamento de descritores, os da evolução da aprendizagem, encontramos a construção de ferramentas de avaliação, avalição, competências no uso da língua, cultura e análise dos erros.

Começando pela primeira categoria, o contexto, o descritor do papel do professor de línguas é um dos mais importantes e seguramente aquele de que eu tinha

menos consciência no início do processo. O facto de ser inexperiente e de nunca ter contactado com alunos nem de língua materna, nem de língua estrangeira, fez-me pôr em, causa muitas, vezes qual o meu papel na sala de aula. Após o primeiro contacto e a prática letiva, além de me consciencializar sobre a minha função, creio que consegui, ainda que com algumas lacunas, cumprir o papel de professor de línguas, transmitindo a cultura do país alvo, fazendo a ponte entre os países de origem dos alunos e Portugal e ser a figura onde, além de dúvidas relacionadas com a aprendizagem da língua, se poderia encontrar alguma compreensão e ajuda.

O segundo descritor escolhido diz respeito aos recursos didáticos, um ponto onde as expectativas eram altas por me considerar algo inovadora. No entanto, a tarefa revelou-se complicada. Precisamente pela falta de noção dos conhecimentos da turma e por não ter tanta sensibilidade para alguns pormenores, acabei por perder-me e confundir-me com ideias, por vezes impraticáveis, e com uma busca incansável por material didático autêntico. Estar atenta às necessidades da turma e pôr de lado os gostos pessoais foi algo problemático no primeiro semestre. Apesar de tudo, a escolha do material e o recurso ao projetor e ao leitor de música foram bem aceites pelos alunos e, de certo modo, os motivaram para atividades fora da sala de aula.

O terceiro descritor, a organização, referente à categoria da planificação, teve, da minha parte, uma atenção especial. Foi para mim, no primeiro semestre, muito difícil conseguir fazer uma planificação. A falta de experiência e de pontos de referência impediu que fosse clara e objetiva na execução do planeamento das unidades bem como das grelhas que nos foram solicitadas, onde era necessário colocar todas as atividades a realizar na sala de aula, a sua duração e o material a utilizar para a sua execução. A primeira planificação, no papel, estava pouco clara e coerente o que dificultou a prática, no entanto, foi um bom motor de reflexão sobre os pontos a melhorar e sobre o papel que a própria planificação tem para o bom desempenho do professor.

A escolha do quarto descritor recai sobre a atuação em aula: a interação com os alunos era uma das grandes preocupações. A ansiedade e o nervosismo, o excesso de gesticulação, o medo de não compreender o aluno, eram sempre fatores que, desde cedo, pensei que pudessem interferir na minha prática letiva. Terminado o primeiro semestre, apercebi-me que a interação não era perfeita e que era necessária calma nos

gestos, no ritmo da fala e nas explicações dadas aos alunos. Apesar desses pontos a corrigir, creio que houve bastante empatia e adesão da turma aos meus projetos.

O quinto e último descritor escolhido para o desempenho deste primeiro semestre foi, na avaliação da aprendizagem, a oralidade. Algum do receio antes de iniciar todo o processo de lecionação em estágio também dizia respeito, de uma forma geral, à avaliação. A oralidade era o processo mais comum, os alunos comunicavam mais oralmente do que de qualquer outra forma, ou seja, esta está em constante avaliação por parte do professor. Era necessário corrigir automaticamente o erro do aluno assim que este era detetado. Por vezes foi-me difícil perceber o erro por não compreender o que o aluno dizia, ocorrendo a híper correção, outras chegava a interromper o aluno inúmeras vezes durante o diálogo ou a leitura o que não facilitava a sua concentração. No entanto, notei uma melhoria durante o segundo semestre devido à reflexão que fiz sobre esta perceção bem como sobre os comentários das colegas e orientadora.

Relativamente ao uso da canção, devido aos resultados obtidos, achei que foi uma boa escolha de tema para a reflexão deste relatório, embora reconheça que o tipo de música não era dos mais apelativos. No entanto, estava a lidar com aprendentes adultos que eram capazes de compreender os objetivos mas sobretudo de entender que o divertimento de uma aula não é tudo e que a cultura do país é importante para a sua aprendizagem e isso deixou-me mais tranquila e expectante quanto aos resultados. O facto de terem conseguido elaborar uma canção de Janeiras e de a irem cantar, motivados, à outra turma, validou todo o trabalho e destacou que a música popular portuguesa e o fado não são as únicas canções que se devem utilizar sempre quando se quer transmitir um lado cultural do país.

2º Semestre:

O segundo semestre foi bastante diferente do primeiro, não só devido à turma, como já referido, ser mais acessível, ser maior em número de estudantes e em nacionalidades e ter uma maior diferença de idades, mas porque o primeiro impacto já tinha decorrido e não havia propriamente novidade. Apesar disso, a turma, mesmo mais acessível, era algo exigente o que se tornou um desafio e criou algumas expectativas e

alguns receios. Para o segundo semestre, os descritores foram escolhidos com base não somente nos pontos em que havia necessidade de melhorar e que em que percebi que havia claramente falhas, mas também no que acho ser essencial na atuação do professor. O primeiro descritor, inserido no contexto, é o das necessidades e objetivos: neste segundo semestre, já consegui distinguir melhor o que achava necessário do que realmente era necessário. Os alunos eram autónomos e comunicativos e facilmente especificaram as suas necessidades direta e indiretamente. Creio que cumpri este ponto, não só por ver os resultados em sala de aula, mas também pela avaliação feita pelos alunos no final de cada unidade, pois tinham que preencher, anonimamente, uma folha onde davam a sua opinião sobre o desempenho do professor estagiário e as atividades que este tinha desenvolvido em cada aula. .

O segundo descritor que selecionei, o método, quase tem motivos bélicos ao longo de todo o processo: a gramática. Os alunos queriam claramente que esta lhes fosse dada numa enorme dosagem. Em mim gerou-se uma luta interna, pois como professora achava que, no nível em que eles se inseriam, os temas de gramática que tanto pediam para abordar não estavam adequados e que deveriam fazer parte de sua formação anterior. O que queria abordar naquele nível tinha uma maior exigência e passava por assuntos culturais e literários aos quais eles não estavam recetivos. O tema da gramática despoletou em mim uma constante reflexão sobre o que se deveria ou não ensinar numa aula de língua estrangeira e se o método de ensino/aprendizagem adotado seria o mais correto. Também me fez refletir sobre as necessidades dos alunos e sobretudo sobre a avaliação.

O descritor seguinte diz respeito ao conteúdo das aulas. O que no primeiro semestre foi muito dificultado pela falta de experiência e sensibilidade, no segundo já se tornou mais simples, sem perder, no entanto, a sua extrema importância. Tenho noção de que algum conteúdo pode não ter sido tão adequado, na segunda unidade didática, às necessidades dos alunos, e isso é uma situação que é necessário rever e melhorar mas, no geral, pela avaliação dos alunos no final das unidades, através da folha entregue pela orientadora, e pelos resultados que observei, creio que foi bem adaptado e que consegui responder às necessidades. Tenho igualmente consciência de que poderia ter trabalhado mais a gramática, mas a opção tomada na altura pareceu-me a mais sensata.

Relativamente ao quarto descritor, a escolha recai sobre o uso do plano da aula, inserido na atuação em aula: é irrefutável que planificar a aula é extremamente necessário, em qualquer momento da carreira de um professor. O plano ajuda-nos a ter noção de como vamos agir na prática, de como nos vamos organizar, do tempo que vamos despender para executar cada tarefa. A maior dificuldade com o uso do plano prende-se com o fator imprevistos. Para os possuidores de pouca experiência, o plano pode ter duas faces: a ajuda e a perturbação. É uma boa ajuda porque com o plano temos tudo clarificado e organizado, podendo executar as atividades na ordem certa, aceder rapidamente à lista de material de que necessitamos etc. Por outro lado, o plano pode tornar-se confuso quando, por algum motivo, a ordem das atividades necessita de ser trocada ou o tempo de uma atividade foi reduzido ou excedido por algum imprevisto. Este semestre experimentei a mais comum, a ajuda mas também a perturbação. Alguns imprevistos como pedidos de explicação ou prolongamento de discussões, diminuiram, algumas vezes, o tempo da aula, fazendo mesmo com que algumas atividades ficassem por fazer e a minha atuação na sala de aula se alterasse radicalmente, passando da calma para o stress. Improvisando um pouco, consegui fazer com que a turma se prejudicasse o menos possível devido a essa falta de tempo, mas sem dúvida que é necessário dominar bem o plano e, sobretudo, aquilo que se está a lecionar, para que os problemas levantados pelos imprevistos sejam de fácil resolução.

O último descritor escolhido para a autoavaliação deste segundo semestre foi a avaliação, um dos pontos mais importantes e para o qual o professor está habilitado. Para a maioria dos professores que começam, por norma este procedimento é sempre assustador porque nos faz pôr sempre em causa as nossas competências e sobretudo se seremos capazes de avaliar corretamente os alunos. Apesar de a avaliação final ser realizada pela orientadora, responsável pelas turmas onde se deu o estágio, fomos sempre conscientes da avaliação nas nossas atividades e ajudámos na apreciação de algumas executadas nas aulas da orientadora. Escolher e decidir de que forma avaliar foi muito mais delicado do que qualquer outra opção. A própria correção das atividades teve que ser sempre revista pela orientadora e foi realizada com muitos receios, o que também prejudicou a entrega dos trabalhos dos alunos a tempo e a minha própria noção do que estava correto ou não. Ter a responsabilidade e a solidão de assumir a avaliação de alguém foi um dos pontos mais difíceis no estágio e que necessita urgentemente de novos mecanismos para suprimir certos receios agregados a esta tarefa.

Por fim, os dois descritores selecionados do primeiro semestre foram a organização e a interação com os alunos pois, indiscutivelmente, eram os fatores a que mais tinha prestado atenção durante todo o processo de estágio, já que deles dependia muito o sucesso da realização das unidades, e foram talvez onde houve mais evolução como professora. A organização do primeiro para o segundo semestre, quer de planificação quer de aulas sofreu uma grande alteração. Tudo foi planeado com mais calma, ponderação e ficou sobretudo muito mais organizado e claro. Foi conseguido, visivelmente, um distanciamento dos pormenores menos relevantes e uma focalização no que realmente era necessário. O mesmo se passou relativamente à interação com os alunos: o nervosismo foi diminuindo, a empatia crescendo, as constantes correções e interrupções eram feitas em momentos oportunos e a atitude, em momentos de mais

stress, era menos rígida. No geral, notou-se uma evolução nestes dois aspetos mas

também uma grande vontade de melhorar quer estes, quer todos os anteriormente referidos.

Neste semestre, a escolha das canções foi bastante mais cuidadosa, não só pelo tipo de turma mas também pelo desejo de fazer algo diferente do que já tinha sido apresentado. Na segunda regência, como já referido, optei pela música de intervenção. Incialmente a escolha foi difícil. Decidir entre a música de intervenção atual e a mais antiga e qual a mais relevante levantou várias questões. No entanto, com a música dos Deolinda foi-me possível ver a questão da comunicação através da melodia e perceber qual a sua importância através da discussão entre a turma. Apresentar noutro trabalho da mesma aula uma lista de várias músicas de intervenção do tempo da ditadura, permitiu aos alunos explicar aos colegas o que a sua canção, escolhida em grupo, tinha a dizer sobre a história do país e sobre a cultura e ainda explicar a importância da canção de intervenção. Para mim foi um trabalho bem sucedido, pois senti que os alunos construiram, no seu conhecimento, mais um pouco da história de Portugal bem como perceberam a importância da música de intervenção quando é proibido manifestar opinião e quando todos os meios de comunicação são barrados aos cidadãos de um país.

Capítulo VI - Auto e Heteroavaliação

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