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PREFECTURE DE LA CORSE-DU-SUD DIRECTION DE LA SOLIDARITE ET DE

Dans le document RAA_aout2008 (Page 77-82)

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PREFECTURE DE LA CORSE-DU-SUD DIRECTION DE LA SOLIDARITE ET DE

Para uma análise de como a estrutura silábica CCV emerge ao longo das coletas longitudinais, primeiramente, foi considerada como produção CCV toda realização em sequência de duas consoantes, com ou sem a presença do elemento vocálico à esquerda de C2. Esses critérios foram estabelecidos com base na

inspeção acústica dos dados.

O Quadro 28 mostra as possibilidades de produção e as ocorrências da sílaba CCV em cada uma das coletas, considerando-se as diferentes obstruintes em posição de C1.

Obstruinte

CR: Possibilidades de produção e ocorrências de sílaba CCV #1 (4;01) #2 (4;03) #3 (4;05) #4 (4;08) #5 (4;09) #6 (4;10;15) #7 (4;10;27) #8 (4;11) [p] 0/11 0/18 15/17 17/18 13/13 13/15 15/18 14/17 [b] 0/6 0/5 5/6 6/6 3/3 3/3 5/6 6/6 [f] 0/5 0/9 6/7 9/9 9/9 7/7 7/7 7/7 Total 0/22 0/32 26/30 32/33 26/26 23/25 27/31 27/30 % 0 0 86,7 96,9 100 92 87,1 90

Quadro 28 – Possibilidades de produção e ocorrências de sílaba CCV dispostas por idade (coletas #1 a #8) e por contexto consonantal de C1

Como se pode observar, nas duas primeiras coletas, CR produz apenas sílabas CV para alvos CCV. Nas coletas subsequentes, a partir dos 4;05, a estrutura silábica CCV está presente na maior parte das produções. Os resultados não

indicam que haja um papel do tipo de C1 na facilitação desse processo22, em termos

do ponto de articulação da consoante.

O Gráfico 5 apresenta os percentuais de produção em cada uma das coletas realizadas.

Gráfico 5 – Percentuais de produção da estrutura CCV na fala de CR, dispostos por idade

O Gráfico 5 mostra como o informante parte de uma total ausência de produção CCV, observável nas duas primeiras coletas, para índices que ultrapassam os 85%, atingindo 100% aos 4;09 e mantendo-se próximo aos 90% nas coletas seguintes.

O Quadro 29 e o Gráfico 6 apresentam a distribuição dos segmentos produzidos em C2.

22

É importante ressaltar que não se buscou verificar, na constituição do corpus deste trabalho, o papel de C1 na emergência da estrutura silábica CCV. Isso se deve ao fato de o conjunto de palavras conter apenas segmentos labiais nessa posição, conforme discutido na seção 3.2.1.

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 4;1 4;3 4;5 4;8 4;9 4;10;15 4;10;27 4;11

Tipo de segmento

em C2

CR: Elementos consonantais produzidos como C2

Total #1 (4;1) #2 (4;3) #3 (4;5) #4 (4;8) #5 (4;9) #6 (4;10;15) (4;10;27) #7 (4;11)#8 tap 0 0 19 21 21 17 26 25 129 vibrante 0 0 7 8 4 2 0 1 22 retroflexo 0 0 0 2 1 4 0 1 7 lateral 0 0 0 0 0 0 1 0 1 rótico nasalizado 0 0 0 1 0 0 0 0 1

Quadro 29 – Tipos de segmento produzidos em posição de C2 para alvos CCV

Gráfico 6 – Percentual de segmentos produzidos em C2 para alvos CCV

Conforme o demonstrado no Quadro 29 e no Gráfico 6, há uma predominância do tap em posição de C2, para alvos CCV. Essa predominância se

mostra desde a emergência da estrutura CCV aos 4;05, permanecendo até a coleta final, aos 4;11. Outros segmentos, como vibrantes e retroflexos, estão presentes em quase todas as coletas, ainda que em percentuais baixos. A vibrante, por exemplo, é a segunda forma mais recorrente, sendo produzida em concomitância ao tap, de forma mais expressiva, nas três primeiras coletas. É nesse período, dos 4;05 aos 4;09, que estão sendo realizados ajustes temporais relativos à duração do rótico.

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 4;5 4;8 4;9 4;10:15 4;10:27 4;11 tap vibrante retroflexo lateral rótico nasalizado

Em relação ao modo de articulação, observa-se que a vibrante e o retroflexo são produzidos em todos os contextos, no que diz respeito à obstruinte inicial: são produzidos quando antecedidos por plosivas bilabiais e também quando antecedidos pela fricativa labiodental. No entanto, a predominância de ocorrência desses outros tipos de rótico é de fato com a consoante fricativa, nas palavras “frita”, “frota” e “fraca”. Exemplos dessas ocorrências estão nas Figuras 39 a 41, a seguir.

Figura 40 – Produção de CR para a palavra “frita”, com ocorrência de rótico retroflexo

Figura 41 – Produção de CR para a palavra “fraca”, com ocorrência de rótico vibrante

Nas Figuras 39 a 41, é possível observar, nos trechos marcados em azul, produções diferenciadas em relação ao tap, segmento alvo. A produção da fricativa surda [f], que é um segmento consonantal de maior duração e com escape contínuo do ar, parece facilitar a repetição do gesto de ponta de língua na realização de

vibrantes, bem como a curvatura da ponta e o recuo do dorso na realização de retroflexos.

Também é importante citar que os taps produzidos pela criança não apresentam o mesmo padrão do alvo adulto, fato que será discutido em mais detalhe na seção 4.1.2.6. Esses taps são, por vezes, alongados, com durações que excedem os 50 ms. Exemplos dessas produções com maior duração estão nas Figuras 42 e 43.

Figura 43 – Produção de CR para a palavra “frita”, com tap de 76 ms

É também com a consoante fricativa que são produzidos os taps de maior duração: o gesto labial alongado pela fricção de [f] cria o ambiente articulatório adequado para a produção de um rótico igualmente mais longo, reforçando a sua produção.

Tendo em vista o que foi observado sobre a duração do tap, pode-se dizer que CR não busca apenas adequar os gestos necessários para a realização do segmento alvo em C2. A criança também busca organizar esses gestos em relação

ao seu tempo intrínseco e à coordenação aos elementos adjacentes, para, assim, construir o padrão silábico CCV.

Nesse sentido, destaca-se o papel da vogal núcleo da sílaba. Como discutido na seção 2.1.3, o tap em encontro consonantal se sobrepõe à vogal núcleo, conforme descrição de Silva, Clemente e Nishida (2006). Ao se sobrepor à vogal, o tap a entrecorta, criando, assim, um elemento vocálico adjacente à esquerda. A coordenação gestual necessária para a emergência desse elemento também precisa, portanto, ser dominada pela criança durante o processo de aquisição da estrutura CCV.

Todos os taps produzidos por CR são acompanhados por elemento vocálico, o qual ocorre com maior ou menor duração, conforme será discutido na seção 4.1.2.5. O mesmo não ocorre na produção de vibrantes e retroflexos, à exceção de três produções: “broa” (4;08) e “prata” (4;10;15), palavras produzidas com segmento retroflexo, e “frota” (4;11), produzida com segmento vibrante.

As seções 4.1.2.2 a 4.1.2.6, a seguir, são dedicadas à discussão sobre as durações na fala da criança.

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