3. Diseño metodológico
3.1 Objetivos de la investigación
Fonte: Arquivo da autora, 2014
Para Rogério, esse turista que vai para Tiradentes em busca da calmaria interiorana, ao se deparar com engarrafamentos terrestres e aéreos, nunca mais a ela retorna. De acordo com ele é: a limpeza, tanto das ruas quanto do ribeiro, a preservação dos monumentos, a ausência de poluição sonora, a organização dos estacionamentos o que faz com que o viajante retorne a Tiradentes.
Rogério busca por meio de suas ações, sendo uma pessoa pública, apresentar sua ideia de que o verdadeiro desenvolvimento econômico é poder desenvolver a cidade sem que se perca sua identidade. O turista “que está em são Paulo, mora do lado do Museu de Arte Moderna, que está cheio de Picasso, de Cavalcanti, ele não vem para cá para ver Tarsila, ele quer vir para cá para ver o pintor primitivo”, e para ele é essa opção de turismo que agrega valor à Tiradentes, que também é o seu grande diferencial.
Para ele, esse esquecimento que resulta na perda da identidade da cidade proporciona hoje um turismo de quantidade, mas não de qualidade. E para recuperar a qualidade da cidade algumas ações precisam ser desenvolvidas, como ele mesmo destaca: planejamento turístico, plano diretor, planejamento social, educação sadia, educação patrimonial, educação ambiental, consciência quanto ao lixo e até mesmo o tombamento da Serra de São José. Para isto, torna-se essencial refletir qual é a missão da cidade, do turismo, para onde de fato a cidade quer se direcionar, para então saber como agir.
Há um leque de estratégias, que segundo ele, podem ser desenvolvidas, como o turismo de eventos, este defendido pelo prefeito da cidade (turismo este que acontece no interior das grandes pousadas de segunda a quinta feira quando a cidade se encontra sem tanto movimento) turismo ligado ao patrimônio arquitetônico, ao patrimônio religioso, à gastronomia, à hidromineral, aos congressos.
Mesmo com cada categoria turística apresentando um critério específico, a atual gestão de Tiradentes prefere trabalhar com vários modelos de turismo. De acordo com o prefeito atual “se você concentra em um tipo de turismo só, aquele formato acaba cansando”.
A maioria das pessoas responsáveis pela tomada de decisão no que concerne ao turismo, como pude evidenciar em reuniões do conselho de turismo, parecem não se importar tanto com essas inquietações referentes a missão do turismo da cidade. A preocupação está apenas no desenvolvimento econômico. Segundo Rogério, “há pouco diálogo, há sempre alguém puxando pro seu lado. Os empresários puxando pro seu lado, nós, os xiitas, puxando para o nosso”. Para o entrevistado cabe então ao poder público ditar o caminho a ser seguido.
O poder público, no entanto, opta em fazer apenas o monitoramento constante desta atividade. Monitoramento este concentrado no tamanho dos eventos e dos transtornos que o turismo causa para a cidade e que é, segundo o prefeito, apoiado pelo conselho de turismo, o qual é muito atuante com a prefeitura, com o IPHAN e até mesmo com o ministério público.
Em relação aos problemas causados pelos eventos, o prefeito destacou como exemplo, o evento do Carnaval que precisou ser diminuído de tamanho por causar muitos transtornos à cidade, desde depreciações
ao patrimônio, como pichações de monumentos, até mesmo interferência no que diz respeito a segurança dos moradores.
Segundo dados apontados pelo prefeito, o Carnaval já chegou a receber em Tiradentes de 40 a 50 mil pessoas em quatro dias. Devido a um planejamento baseado em qualidade e não quantidade, a prefeitura conseguiu diminuir o carnaval, que hoje é considerado tranquilo.
Mesmo com a cidade apresentando deficiências que precisam ser superadas como as destacadas acima, é importante frisar que além dos eventos, das restaurações dos monumentos históricos e da sua preservação, Tiradentes conta hoje com três museus de destaque, como o Museu da Liturgia, Museu Padre Toledo e o Museu de Sant’Ana. Esses três museus tiveram o BNDES como apoiador financeiro de suas obras e implantação. Evidencio aqui o Museu da Liturgia, o qual é o primeiro museu da América Latina que apresenta essa temática.
De acordo com o catálogo do Museu da Liturgia o BNDES é a empresa que mais investe na preservação do patrimônio cultural brasileiro. Desde 1997, o Banco já investiu mais de R$ 200 milhões em apoio a centenas de projetos que possibilitaram a revitalização de monumentos como igrejas, museus, teatros, fortes e centros históricos em todo o país; a restituição destes bens públicos à sua função social e sua reintegração à vida cotidiana das cidades.
Ainda segundo a mesma fonte, o objetivo da ação do BNDES em Tiradentes é o de prestar sua contribuição na construção de um arcabouço estruturante, que lastreie o desenvolvimento sustentável do município, beneficie a população local e possibilite a preservação permanente de todo o seu patrimônio histórico e cultural. O Banco já apoiou a restauração arquitetônica e artística da Matriz de Santo Antônio, das igrejas de Nossa Senhora das Mercês e do Pilar do Padre Gaspar e da capela de São Francisco de Paula, assim como a Casa do Padre Toledo. Além disso, o BNDES apresenta projetos de criação de um circuito de museus e igrejas, a implantação de um centro de artesanato, o estabelecimento do programa de educação patrimonial e a elaboração do Plano Diretor da cidade.
Cabe ainda destacar que a atuação do BNDES se alinha ao programa do Governo Federal, Programa de Aceleração de Crescimento das Cidades Históricas (PAC), capitaneado pelo IPHAN, que entende o patrimônio como um ativo capaz de dinamizar o desenvolvimento das localidades envolvidas.
O PAC das Cidades Históricas é uma política transversal que envolve além do BNDES, o Ministério da Cultura, os Ministérios das Cidades, da Educação e do Turismo, além da Caixa Econômica Federal. O programa está aberto a todas as cidades que possuam patrimônio protegido e que formulem planos de ação consistentes para enfrentar os problemas estruturais que afetam suas áreas históricas, para a promoção do desenvolvimento local a partir das potencialidades do seu patrimônio cultural, com a atuação integrada do setor público, privado e da sociedade, de forma a fortalecer a ação integrada de planejamento com os entes governamentais em prol da preservação (PAC, 2009).
O PAC-Cidades Históricas inaugurado em 2009 acabou envolvendo, num primeiro momento, 173 localidades, em todos os estados brasileiros. No caso de Minas Gerais, foi firmado convênio entre o Ministério da Cultura e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), com diversas prefeituras, prevendo-se recursos acima de R$ 250 milhões. O valor destinado a Tiradentes era de R$ 415,5 mil (CASTRIOTA et. al., 2011).
Mesmo recebendo apoios e incentivos, Tiradentes tardou a modernizar sua infraestrutura urbana e suas relações políticas. De acordo com um estudo realizado em 2002 por Giovannini Júnior, Tiradentes apresentava problemas no que concerne às relações políticas:
“não dispõe de uma legislação eficiente, não tem plano diretor, nem leis definidas de uso do solo, nem código de postura. Mesmo a arrecadação municipal não é eficiente e a maioria do comércio não paga os impostos corretamente à prefeitura, fazendo com que a indústria do turismo gere renda apenas para os proprietários. As eleições ainda seguem o modelo coronelista de voto de cabresto e se divide entre famílias rivais e tradicionais” (GIOVANNINI JÚNIOR, 2002, p.37).
Hoje se pode dizer que houve um avanço nas suas relações políticas, com a exclusão do coronelismo e a eleição em 2012 do primeiro prefeito extra tiradentino. Mesmo Ralph estando há 22 anos em Tiradentes, tendo sido secretário de turismo e tendo criado o festival de gastronomia, ele é um extra tiradentino, nascido em Belo Horizonte.
No entanto, alguns dos problemas apresentados por Giovannini Júnior (2002) ainda são enfrentados hoje, mesmo tendo passado mais de
uma década das suas constatações. Na entrevista realizada com Rogério, o problema fiscal apareceu evidente. Para ele “a cidade é um paraíso fiscal, ninguém paga imposto. O IPTU, quem mora na Várzea de Baixo paga mais imposto do que quem mora na Rua Direita”. Os imóveis da Rua Direita, principal rua do centro histórico, são mais valiosos do que os imóveis do bairro da Várzea de Baixo, apresentando uma desproporcionalidade quanto ao pagamento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
A nova gestão administrativa da cidade tem clareza deste problema e tem buscado soluções. De acordo com o prefeito, a gestão atual prioriza uma melhor organização da cidade e para isso tem feito algumas ações visando a uma arrecadação mais correta de impostos, desde a compra de mapa aéreo para poder identificar o valor correto do IPTU a ser pago por cada imóvel, a reforma na lei tributária por meio de uma empresa licitada, até mesmo a nota fiscal eletrônica e a cobrança dos devedores.
A preocupação vinda da maior arrecadação de verba para a prefeitura é devido a crença de que para administrar é preciso recurso, recurso este que não surge pela via do turismo por existir ainda muita sonegação por parte dos empresários e comerciantes. Segundo o prefeito, Tiradentes é uma “cidade rica com uma prefeitura pobre” e continuou assim por muitos anos devido a escolha feita pelos prefeitos anteriores: o não envolvimento para não atrapalhar a carreira política. No entanto, o atual prefeito parece não demonstrar esta mesma preocupação e parece ter feito outra escolha: “estou fazendo essas atitudes que são atitudes corretas, mas politicamente ruins porque cria insatisfação da população”. Além da reforma tributária a nova gestão também tem se dedicado a um novo local para o tratamento de esgoto, limpeza do ribeiro da cidade, conserto do calçamento, fim do lixão por meio da coleta seletiva, fechamento do centro histórico para automóveis, municipalização do trânsito e o desenvolvimento da cidade a partir de eventos turísticos. Com isto, a visão da atual gestão é manter a cidade visualmente toda antiga, mas internamente com uma administração moderna, com preocupações direcionadas ao turismo, meio ambiente, saúde e educação.
Como demonstrado nesta seção, Tiradentes passou por grandes transformações até ser considerada hoje um destino turístico tanto nacional quanto internacional. Essas mudanças, no entanto, não afetaram sua principal essência. Tiradentes continua sendo uma cidade
provinciana, pequena, interiorana e, de modo simultâneo, uma cidade cosmopolita, repleta de arte, cultura, pessoas de diferentes localidades. Por apresentar tais características pode ser normal o surgimento de conflitos diante das diferentes visões que cada ator, que ali vive, apresenta.
Concluindo esse período do turismo compreendido dos anos 1990 até os dias atuais, quero ressaltar a reflexão do estudo de Madureira (2011). Segundo a autora, a turistificação melhora a qualidade do espaço, mas tende a excluir a população original do mesmo; permite novas possibilidades de emprego e renda, no entanto, relega à população local os subempregos, quando não à informalidade; cria melhores condições sanitárias, de infraestrutura e segurança, porém gera efeitos perversos como o aumento do custo de vida, especulação imobiliária e aumento da violência; financia a preservação do patrimônio através dos projetos de restauração e dos lucros obtidos com a visitação, todavia, transforma o patrimônio em mera mercadoria da indústria cultural; valoriza a cultura local e aumenta a auto estima das comunidades, contudo, desfaz ou recria a memória e os laços de identificação com o lugar, estetizando o patrimônio.
Diante do exposto fica evidente que o turismo é uma atividade importante para Tiradentes e ao mesmo tempo é uma atividade complexa que não deve ser banalmente condenada, nem inconsequentemente apoiada.
As figuras 15 e 16 apresentam um breve resumo dos principais acontecimentos ocorridos em Tiradentes da década de 1990 até os dias atuais. ! ! ! ! ! ! ! ! !
Figura 15 - Representação da linha do tempo de Tiradentes da década de 1990 aos anos 2000
Fonte: Elaborada pela autora
Figura 16 - Representação da linha do tempo de Tiradentes dos anos 2000 aos dias atuais
5 AS HISTÓRIAS DOS ATORES
Neste capítulo iniciam os relatos das histórias de vida dos quatro atores estudados: Junior, Rita, Ricardo e Michel. Nomes fictícios são utilizados para preservar a identidade e as histórias dos personagens.
Pensando em uma maneira aprazível de narrar o caminho percorrido por cada ator, as histórias são contadas uma por vez. Uma das frases mais marcantes do relato de vida de cada ator dá início às histórias, seguida de uma breve apresentação do personagem do estudo, e de uma pequena narração de como nos conhecemos.
Todas as histórias se encaixam nos três cenários temporais comuns. Estes cenários, sendo o processo de mudança para o território de Tiradentes; inserção no território; e desenvolvimento da fenonomia, são os grandes períodos da vida dos atores relatados neste estudo. Dentro de cada um deles são feitas relações, quando pertinentes, com a história do território de Tiradentes e com os regimes de engajamentos propostos por Thévenot (2006) e Auray (2011). Estas relações oportunizam um relato das trajetórias de vida de modo integral, e favorecem uma compreensão do fenômeno na sua totalidade.
Por esta tese pertencer ao campo de estudos da ciência da Administração, um enfoque maior é dado ao terceiro cenário, o desenvolvimento da fenonomia, o qual considera a gestão e as relações com o território. Este cenário descreve e analisa como os atores estudados realizam a gestão das fenonomias, contemplando a coordenação do indivíduo com as pessoas que estão a sua volta, com o ambiente, com os objetos, no sentido do seu alinhamento com o mundo.
Ainda frente aos três cenários, destaco que cada um deles é encerrado com um diagrama que ilustra as principais ações dos atores, incluindo seus momentos de prova, de dificuldade.
Após a descrição do terceiro e último cenário, e antes do início do relato da trajetória do próximo ator, uma breve síntese com os aspectos mais marcantes da trajetória de cada personagem do estudo finaliza a análise da história do ator. Posteriormente aos relatos das vivências dos quatro personagens do estudo, um resumo geral que mescla todas as histórias, por fim, encerra este capítulo.
5.1 A HISTÓRIA DE JUNIOR. DA INDÚSTRIA PAULISTA À AUTO- EXPRESSÃO DA ARTE EM TIRADENTES.
“Fui entrar em Tiradentes, estava com uns amigos e gostei muito. Quando eu entrei ali na Estação eu falei: Ah, vou vir morar aqui!”
Fala de Junior em 1988 no seu primeiro contato com Tiradentes Junior é paulista, nascido em Santo André, município brasileiro que corresponde a Região do Grande ABC, localizado na região metropolitana do estado de São Paulo. Há trinta anos trabalha com escultura em madeira e há sete anos cria peças de arte inspiradas na Curva de Moebius, seu grande diferencial. Essa curva é um tipo especial de superfície que ganhou destaque no mundo da Matemática, gerando o ramo da topologia, e também no mundo da Psicanálise, representando o modelo de nossa psique.
Em 1988 Junior tem seu primeiro contato com Tiradentes, e no ano de 2007 instala sua moradia na cidade que o encantou desde à primeira vista.
Ainda hoje, Junior mora e trabalha em Tiradentes. Suas esculturas em madeira são produzidas em seu ateliê situado em sua residência, comercializadas em sua galeria de arte instalada em uma rua próxima ao centro histórico da cidade.
Foi em uma segunda feira, 4 de agosto de 2014 que conheci Junior, quando fui até sua galeria para o conhecer e questionar se aceitaria fazer parte de minha pesquisa. Descobri sobre seu trabalho meses antes, em novembro de 2013, quando telefonei para a Secretaria de Turismo da cidade para coletar algumas informações referentes ao turismo. Nesta ligação, o funcionário da prefeitura, ao saber da minha proposta de pesquisa, me aconselhou a conhecer o trabalho de Junior, uma vez que para ele, Junior desenvolvia um trabalho diferente, único e impactante.
Naquele momento, vi a importância de procurar Junior, de conhecê-lo. O fato dele ter sido citado pelo funcionário da prefeitura, era um indício da legitimidade do seu trabalho em Tiradentes, fato este que me interessava muito averiguar.
Em uma busca rápida pela internet, encontrei uma entrevista de Junior de 2011 para o programa Câmera Aberta da TV da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Nesse vídeo, ele apresentava seu trabalho e contava sobre sua paixão à primeira vista por esculturas. Sem conhecê-lo, mas diante das informações que possuía até então, percebi que ele se encaixava perfeitamente no perfil de pessoa que eu buscava estudar.
Nas primeiras semanas em Tiradentes, fui até sua galeria com o intuito de conhecê-lo. Após relatar a respeito do meu objetivo, ele apresentou-se desconfiado e receoso, e questionou quanto tempo a entrevista demoraria. Eu o respondi que dependeria muito, mas levaria em torno de duas horas. Após minha resposta, ele logo frisou que sua maneira de agir era mais prática e objetiva, diferente da maioria dos mineiros que adoram uma prosa. Ambos aceitamos as condições um do outro, e marcamos a entrevista para a mesma semana.
Dois dias depois, na quarta feira, retornei até sua galeria para realizar a entrevista, a qual durou uma hora e meia. Nas quartas feiras, por ser dia de folga de seu funcionário, Junior cuida do espaço, atende os visitantes e, quando não há movimento, esculpe suas peças. É somente neste dia da semana que Junior produz ali suas esculturas, nos demais dias a produção é realizada em seu ateliê, que se situa em sua casa. Na galeria é possível encontrar apenas uma mesa de trabalho, poucas ferramentas e pedaços de madeira, sua principal matéria prima, espalhados pelo chão. Cheguei à galeria de Junior um pouco depois do meio dia. Junior ainda desconfiado, e aparentemente sem muito interesse na entrevista, me entregou uma folha A4 com sua pequena biografia e me disse: “tudo que você precisa saber está aí”. Li atentamente aquelas poucas linhas poéticas, escritas por um autor desconhecido sobre sua trajetória no ramo da escultura, mas, diferente do que Junior imaginava, nada do que eu ansiava conhecer de sua história em Tiradentes se encontrava naqueles escritos. Ao explicar isto, Junior, ainda um pouco desconfiado e contrariado, aceitou começar a entrevista.
Junior se encontrava em pé, em frente a sua mesa enquanto segurava o martelo, um dos seus instrumentos de trabalho, e a madeira na mão; eu me encontrava na sua frente também em pé, e segurava meu caderno de campo e uma caneta. Gravador ligado, começamos a entrevista. Pedi a ele para me contar como conheceu Tiradentes, e porque
decidiu se mudar para lá; na medida em que ele ia me contando sobre seu passado, eu percebia que eu ia ganhando sua confiança.
As fotos a seguir ajudam a visualizar como é o trabalho de Junior, suas obras de arte e sua galeria. Julgo serem importantes para se ter um melhor entendimento da sua história de vida.