Existem vários conceitos e interpretações sobre o que é estratégia, sendo que todos estão associados ao conceito de escolha, de qual rumo tomar, podendo ser caracterizado como um caminho a seguir, para se atingir um fim especifico, assim relacionando-se direta ou indiretamente com a noção de planejamento.
A estratégia, assim como os objetivos descrevem um conceito do campo das organizações atualmente, mas inicialmente este termo tinha uma relação muito forte com o aspecto militar, de onde se originou este termo, o qual define estratégia como a ciência dos movimentos e planejamento da guerra e do domínio econômico, uma ação com propósito desenhado para atingir um objetivo específico e concreto:
Entre os militares: a estratégia está preocupada com a “elaboração do plano de guerra… moldar as campanhas individuais e com teses, decidir sobre o engajamento individual” (MINTZBERG, 1987, p.12).
É segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2012), a “arte de coordenar a ação das forças militares, políticas, econômicas e morais implicadas na condução de um conflito ou na preparação da defesa de uma nação ou comunidade de nações”.
Não obstante as organizações e os negócios não serem guerras, muitas vezes a realidade se mostra um verdadeiro campo de batalhas, tornando estes elementos comuns entre si, o que faz com que se utilizem certos conceitos adaptados as organizações, para se chegar ao caminho da vitória, dentro de um aspecto pacifico.
O termo estratégia é atualmente muito utilizado no dia a dia organizacional, parecendo estar consolidado seu entendimento, mas percebe-se, no entanto que a definição do que realmente é estratégia, ainda não é totalmente entendida, não sendo pacifica a sua compreensão entre todos.
No entanto, é preciso que se faça sempre uma profunda analise dos objetivos a serem atingidos, para que se possa traçar a estratégia certa, pois não existe “a melhor estratégia” e sim a mais adequada ao que se pretende atingir, não esquecendo da analogia da arte da guerra, onde a conquista de algumas etapas, não significa a vitória final, deve-se garantir o sucesso de todas as etapas para se ganhar a guerra. Diante teste pensamento, o trabalho mais importante dentro das organizações é o constante questionamento a respeito de sua gestão, verificando se ela espelha realmente o que está planejado. Esta reflexão é muito importante para verificar se
existe algum ponto a ser melhorado, algo que não havia sido percebido, para garantir o efetivo sucesso da estratégia.
Esta reflexão constante sobre o que se pretende atingir, qual a posição que se pretende chegar ou manter, as variáveis que compõem a gestão da estratégia, já tem sido usado no âmbito da administração. Onde segundo, Porter (1996), estratégia trata de três aspectos fundamentais:
Criação de um posicionamento de valor único diante dos clientes da organização;
A realização de atividades diferentes, ou, de atividades semelhantes realizadas de forma diferente;
As escolhas, ou seja, o que a organização opta por fazer e o que opta por não fazer.
Já segundo Mintzberg (1987) relata que é possível contextualizar diferentes conceitos de estratégia, caracterizando-os em cinco categorias distintas, a saber:
1. Estratégia como “Plano”: seguir regras pré-estabelecidas, através de um processo formal, com forte caráter analítico e de certa maneira determinístico. Nesta perspectiva da estratégia podem enquadrar-se a Escola do Planejamento e a Escola de Design, entre outras. Este é o enfoque mais comum, com aplicação em diversos campos como o militar, na teoria dos jogos ou na administração. Para grande parte dos gestores, estratégia é uma espécie de plano de ação para uma empresa atuar em determinado mercado e conquistar e manter vantagens. Decorrente destas ideias, a estratégia também pode ser um pretexto com o qual a empresa tenta induzir seus concorrentes a uma percepção equivocada de seus movimentos competitivos e assim, com uma ameaça e não com intenção real conquistar vantagens competitivas.
2. Estratégia como “Padrão”: consistência de comportamentos, processo de aprendizagem, construtivismo, modelo de adaptação evolutiva. Nesta perspectiva da estratégia enquadra-se a Escola de Recursos Disponíveis, entre outras. A estratégia, sob este ponto de vista, demonstra consistência no comportamento e gera confiança para o mercado, pois este comportamento previsto é o resultado de um plano bem organizado.
3. Estratégia como “Posicionamento”: como um jogo entre as forças da empresa, concorrentes, fornecedores e dos consumidores. Nesta perspectiva, é analisada a posição da empresa e porque sua existência é necessária na cadeia de valor do produto ou serviço em questão. A partir do momento que ela se torna indispensável para a cadeia, a empresa tem a oportunidade de gerar renda para remunerar a sua atividade.
Neste conceito a estratégia procura deixar claro qual é o lugar que a empresa quer estar inserida e ser percebida no mercado em que ela atua.
4. Estratégia como “Perspective”: modo próprio da empresa ver o mundo, agindo de acordo com essa visão, imbuída de um espírito coletivo. Nesta perspectiva, há um sentido de qual o papel que a empresa tem no mundo, como a definição de novas fronteiras de conhecimento. Esta perspectiva ajuda a definir os valores e a missão de uma empresa. É o que muitas organizações chamam de visão mais ampla sobre o futuro ou maneira de atuar ou ainda padrão de qualidade.
5. Estratégia como “Ploy” (movimentos táticos): é um movimento tático, pontual, onde alguma atitude é tomada para mudar o curso dos acontecimentos e os objetivos a serem alcançados. São movimentos ou sinalizações que empresas fazem como forma de se posicionar perante a concorrência com ações críveis.
Frente a estes diversos posicionamentos estratégicos, se os gestores destacarem apenas os pontos fortes de cada uma destas perspectivas, será possível entender e compreender melhor sobre a concepção da estratégia mais adequada, a que apresente os requisitos mais confiáveis, com maior probabilidade de sucesso em atingir os objetivos organizacionais.
O que importa salientar, é que não há um consenso, sobre qual é o conceito teórico ideal para se criar uma estratégia vencedora, mas sim destacar que se deve ter sempre muita atenção e cuidado, monitorando constantemente o ambiente, para que se possa efetuar em tempo as possíveis correções de rumo necessárias à consecução das metas estabelecidas.
A partir da compreensão de que é necessário estar sempre atento à criação e escolha das estratégias, é importante destacar outro aspecto que tem a finalidade de dar um suporte imprescindível à gestão organizacional, o Planejamento Estratégico, ferramenta que se caracteriza como um processo capaz de gerar reflexão sobre o que está acontecendo e o que pode ainda acontecer dentro do cenário em que a organização está inserida, como também sobre seu próprio desempenho nesse contexto, para que consiga atingir os seus objetivos. A natureza do planejamento estratégico será mais detalhada para uma melhor compreensão no tópico seguinte.