OPERATING INSTRUCTIONS
SECTION 2.2 2.2.0.0 PRACTICAL HINTS
Na cooperativa são utilizadas diferentes ferramentas, movimentadores e equipamentos. Tais artefatos tem origens também distintas, sendo parte deles doados pela prefeitura, por compradores de materiais triados e organizações diversas. Podendo ainda serem comprados ou encontrados na própria separação. O QUADRO 14 detalha cada um desses artefatos, de modo a ser identificada a origem do mesmo, sua função e a quantidade presente na cooperativa.
QUADRO 14 – Principais artefatos utilizados no processo de produção da Cooperativa A
Artefatos Quantidade Função Origem
Caminhões 1
Transporte de material da coleta seletiva até as instalações da
cooperativa
Edital
Garfos de jardinagem (forcado) 3 Empurrar/puxar materiais para a esteira Cooperativa que compra
Esteira 1 Triagem de materiais/ movimentação de materiais
Antiga cooperativa da cidade
Contenedores improvisados:
sacos de ração, caixas, tambores Variada
Movimentar materiais como vidro, sucata, entre outros.
Separados na esteira e feitos sob encomenda
Paleteiras 2 Movimentação de materiais Depósito de materiais/ doações
Prensa 1 1 Prensagem de materiais Prefeitura
Prensa 2 1 Prensagem de materiais Doações de ONGs
Prensa 3 1 Prensagem de materiais Doação
Bags Aprox. 100 Armazenagem dos materiais Cooperativa que compra
Facas 6 Utilizadas na esteira para cortar
determinados tipos de materiais Encontradas na esteira.
Fonte: Autor
Os garfos de jardinagem (forcado) são utilizados no setor de recebimento dos materiais. Assim que o caminhão da coleta chega os materiais precisam ser retirados do caminhão, essa operação é realizada com a ajuda dos operadores da empresa de coleta. Após a retirada dos materiais do caminhão, os mesmos são acondicionados no canto do setor de recebimento e aos poucos são empurrados para o acesso da esteira. A cooperativa utiliza dois tipos de garfos (forcados de jardinagem), os curvos e os retos.
Para a movimentação, são utilizados dois tipos de movimentadores, as paleteiras para movimentação interna, que conforme o QUADRO 14, foram cedidos por um depósito de materiais após a solicitação da presidente da cooperativa e um recipiente de transporte de
95 líquidos que foi cortado e adaptado para movimentar sucata e plástico duro entre o setor de recebimento e os contêineres destes materiais.
Na prensagem dos materiais, são utilizadas três prensas, cada uma delas de uma origem diferente, mas todas doadas. Todas já foram reformadas, e segundo a presidente, a cooperativa também possui uma prensa fora de uso que não foi possível reformar. A FIGURA 22 apresenta as prensas e suas origens.
FIGURA 22 – Prensas utilizadas no processo de produção da Cooperativa A
Nota: em 1 – prensa cedida pela prefeitura; em 2 – prensa cedida por uma ONG; em 3 – prensa cedida por uma indústria
Fonte: autor
A prensa 1, geralmente é utilizada para a prensagem de arquivos, jornais e papelão; a prensa 2 para a prensagem de alumínio e também para os materiais que são prensados na prensa 1; e a prensa 3 para a prensagem de PETs, sacolinhas transparentes, sacolinhas coloridas, caixas de leite, entre outros. Entretanto, a presidente da cooperativa afirmou que não existe uma definição formal de qual material deve ser prensado em cada prensa.
A esteira de triagem foi um dos artefatos doados pela prefeitura. Nela os materiais são triados por tipo e por cor. A posição da esteira nunca foi modificada e foi definida pelos projetistas do local encomendado pela prefeitura. A mesma possui somente uma velocidade, com um botão de liga e desliga no início da esteira. A história da esteira é contada pela presidente:
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Essa esteira aí é da prefeitura, ela está aqui desde o começo. Mas essa esteira é muito antiga, né. Ela veio de uma cooperativa lá no aterro. É de lá que ela veio para nós. É, ela tem mais de 20 anos. Já foram feita duas reformas nela. Uma estragou o motor porque deu enchente, porque aqui é um lugar que dá enchente. Outra vez ela estragou o rolamento e o motor. E por último agora a gente trocou a lona dela porque não prestava mais. Mas ela está sempre quebrando, essa esteira. De vez em quando ela dá uns piripaque.
Sobre a localização da esteira:
Quando a gente veio para cá já tinham montado esse barracão e a esteira quem botou ali foi eles, foi a prefeitura. Isso tudo que você está vendo aqui foi a prefeitura que fez.
Percebe-se que dentre os artefatos listados nesse tópico, parte destes foram cedidos para a organização. Além disso, a cooperativa também utiliza como contenedores sacos de ração animal encontrados na triagem. Compreender o uso de tais artefatos, constituem um dos objetivos dessa pesquisa. Desta forma, os garfos de jardinagem, os contenedores improvisados, as paleteiras e a esteira de triagem são artefators que serão analisadas de forma mais aprofundada.
4.1.4.1 Usos do garfo de jardinagem na Cooperativa A
O primeiro dos artefatos que chamou a atenção foi o garfo de jardinagem (forcado de madeira). Após os materiais chegarem na cooperativa os mesmos são descarregados no centro do setor de recebimento.
A análise da tarefa permitiu compreender que os garfos são utilizados como o primeiro contato dos operadores com o material. Sua função é auxiliar a operadora a conseguir empurrar/puxar os materiais, mas principalmente rasgar os sacos preparando-os para a triagem.
Durante as observações percebeu-se que a ferramenta cumpre sua função, porém os resultados são obtidos a partir de constrangimentos no trabalho do operador e também avarias nos garfos. A FIGURA 23 ilustra o garfo e o local de sua utilização.
97 FIGURA 23 – Uso do forcado de jardinagem no setor de recebimento
Fonte: autor
O forcado de jardinagem é uma ferramenta projetada e desenvolvida para a agricultura e jardinagem. Sua estrutura pressupõe um uso para lidar preferencialmente com vegetação. A análise da atividade permitiu compreender que seu uso adaptado solicita que a operadora faça uma maior força para compensar o tamanho do seu cabo e peso. Além disso, sua ponta de ferro constantemente bate no chão de concreto diminuindo sua vida útil.
Conforme a presidente, constantemente precisa-se comprar novos gafos e que os garfos retos são preferidos em relação aos curvos, pois se quebram com uma menor frequência.
98 Além disso, durante as visitas, percebeu-se também o uso de rodos para puxar e empurrar os materiais.
4.1.4.2 Análise dos artefatos utilizados para a movimentação de materiais
Além do papelão grande, a sucata e o plástico duro também não são triados na esteira de triagem. Essa triagem ocorre no próprio setor de recebimento e posteriormente esses materiais são encaminhados para contêineres específicos. Dada a configuração do setor de recebimento, a movimentação desses materiais não pode ser realizada no ambiente interno do galpão da Cooperativa A, precisando ser realizado pela área externa ao galpão.
Essa estratégia gera algumas consequências o ponto de vista do processo produtivo, por exemplo, minimizando a quantidade de materiais que entram no processo de triagem, facilitando a triagem na esteira, que é parada algumas vezes ao longo do dia devido a quantidade de materiais presentes no processo. Já do ponto de vista do trabalho do operador responsável, essa estratégia pode gerar desconfortos. Além disso, a movimentação desses materiais é feita pela área externa da cooperativa, que possui terreno irregular de terra batida, o que impede que o operador utilize uma paleteira, por exemplo.
Frente a esse contexto, foi desenvolvido um artefato que é utilizado para esse tipo de movimentação. Esse movimentador trata-se de um antigo recipiente de transporte de líquidos que foi cortado e a ele foi amarrada uma corda para ser puxado. Tal artefato pode ser observado na FIGURA 24.
99 FIGURA 24 – Movimentador de sucata e estrutura de acesso ao contêiner na Cooperativa A
Nota: em 1 – artefato utilizado para a movimentação de sucata e plástico duro, destaque para a corda utilizada para puxar o artefato; em 2 – estrutura montada para facilitar o acesso ao contêiner
Fonte: autor
Na FIGURA 24 é possível observar também uma estrutura montada pelo operador responsável pela separação da sucata e plástico duro. No início das visitas, não havia a estrutura destacada e o operador reclamava da força necessária para jogar a sucata no container. Na visita seguinte, a estrutura adaptada estava presente. Ainda que facilite a operação, a estrutura é instável e não possui uma escada para o operador subir na mesma.
Além do contexto desse movimentador específico, os operadores utilizam contenedores diversos para movimentar materiais. Com base nas análises das tarefas e atividades desenvolvidas, foi possível desenvolver o QUADRO 15.
100 QUADRO 15 – Usos prescritos e reais dos movimentadores da Cooperativa A
Prescrito Real Causa Consequência
Os bags são utilizados para armazenar materiais Os bags são utilizados para armazenar e movimentar materiais. A cooperativa não dispõe de movimentadores para movimentar os bags. Os operadores empurram/puxam os bags entre os setores
da triagem e prensagem.
Devido ao piso de concreto parte dos bags se rasgam sendo necessário que sejam adquiridos
outros.
A movimentação é dificultada pelas dimensões do bag e o pouco
espaço disponível. O operador adota posturas desconfortáveis para puxar os
bags. As paleteiras são utilizadas para transportar os fardos Os operadores precisam realizar um
grande esforço para encaixar os fardos na paleteira. As paleteiras precisam ser constantemente reformadas.
Apesar do uso das paleteiras, a cooperativa não utiliza
os paletes em sua planta. O piso de concreto
com acabamento desgastado pode ser a
causa dos danos na paleteira.
Para movimentar um fardo o operador precisa forçar as pontas da paleteiras por baixo dos paletes,
causando desconfortos. Durante momentos de necessidade
a cooperativa pode ficar sem paleteiras por estarem em
manutenção.
Sacos de ração animal são utilizados
para armazenar provisoriamente o
vidro
Manuseio difícil A ausência de alças e o peso.
Os sacos com os vidros são amontoados na parede próximo a
esteira. Quando a esteira está parada ou o comprador de vidros chega os cooperados se juntam e em uma fila vão passando de mão
em mão os sacos até chegar no contêiner de vidros na área
externa. Fonte: autor
Na FIGURA 25 a seguir é possível observar a paleteira e o tipo de bag utilizado para condicionar materiais.
101 FIGURA 25 – Paleteira e Bags utilizados na Cooperativa A
Nota: em 1 – paleteira utilizada para a movimentação interna; em 2 – big bags utilizados para a movimentação e estoque de materiais
Fonte: autor
Por fim, além dos artefatos descritos acima, pretende-se discutir o posto de trabalho determinado pela esteira. Essa discussão e análise é apresentada no próximo tópico.