NÚMERO DE INSTITUIÇÕES México México 15 América Central El Salvador 2 Guatemala 2 Nicarágua 1 Caribe Haiti 1 República Dominicana 4 Andes Bolívia 3 Colômbia 15 Equador 1 Peru 3 Sul Argentina 2 Brasil 8 TOTAL 57 Fonte: RedLayc, 2011.
Entre as instituições brasileiras direcionadas ao desenvolvimento social e sustentável que contribuem com a RedLayc (2011), junto ao SERTA Ibimirim, tem-se: Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste Catarinense (APACO); Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira (APAEB); Departamento de Estudos Sócio- Econômicos Rurais (DESER); SICOOB – COOPERE, além da Rede de Estudos Rurais – Bahia, da Cooperativa Regional de Artesãs Fibras do Sertão (COOPERAFIS) e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado de Pernambuco (SECTMA/PE).
No ano de 2006, o SERTA formou a primeira turma do curso técnico em Agentes de Desenvolvimento Local (ADL‟s) no Campus Ibimirim, curso credenciado, em 2008, pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco (SECTMA-PE) que, junto com o Conselho Estadual de Educação, habilitou a organização para constituir, nas duas Uppos, as escolas técnicas de formação profissional (Centro Tecnológico da Agricultura Familiar), reconhecendo-se a formação de ADL na categoria de curso profissional de Nível Médio Técnico em Agroecologia.
A trajetória do Serviço de Tecnologias Alternativas é sintetizada no Esquema 1, a linha do tempo dos principais acontecimentos nos 22 anos de história da organização:
No decorrer de sua trajetória, o SERTA assume como objetivo central atuar segundo os princípios do desenvolvimento territorial, através da formação de jovens, educadores/as e produtores/as familiares, por meio da Proposta Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável (Peads). Ficam, portanto, estabelecidas duas áreas centrais de atuação: a formação de competências e lideranças nas comunidades locais, e a construção de uma base tecnológica, adequada às necessidades sociais, desenvolvidas levando-se em consideração o conhecimento científico e os saberes tradicionais, com vistas à sustentabilidade produtiva e a racionalidade ambiental.
Esses dois focos, claros dentro da proposta do SERTA, contam com três desafios importantes a serem considerados na busca pela transformação do contexto de pobreza que obriga os agricultores familiares a condições pouco favoráveis de vida e produção, logo, de renda:
Primeiro, os espaços de atuação do SERTA, na Mesorregião do Sertão pernambucano, apresentam baixos níveis de educação e qualificação profissional, que restringem a oportunidade da mão-de-obra escolher o comprador da força de trabalho e reduzem a capacidade de encontrar soluções para problemas locais, sejam internos à propriedade ou comuns à comunidade;
Segundo, as técnicas tradicionais utilizadas compõem uma marcante cultura produtiva. Uma das características da agricultura familiar é a herança, material e imaterial, isto é, a propriedade da terra e a cultura produtiva transmitidas através das gerações. De acordo com Wanderley (1998), no caso brasileiro, a concentrada propriedade da terra reduz a participação dos agricultores familiares como proprietários desse bem de produção e faz com que a característica de herança se dê, primordialmente, pela transmissão do patrimônio imaterial. Os conhecimentos aplicados na agricultura familiar, principalmente no Sertão nordestino, são passados dentro da família como caminho para a sobrevivência em um ambiente dito hostil por suas características ecológicas. Essa capacidade de “sobreviver” e os meios para isso apresentam um significativo valor simbólico da força e coragem do homem sertanejo, logo, mostra grande dificuldade para ser alterado, principalmente considerando-se o conflito de gerações (filhos ensinando pais);
E, finalmente, a marginalidade no acesso a condições mínimas de produção, visível no restrito acesso à terra, nas dificuldades na obtenção de financiamento e apoio técnico adequadas às dimensões e características da produção familiar.
O enfrentamento desses desafios passa pela “formação e mobilização das potencialidades de pessoas, das organizações e dos negócios” (SERTA, 2011). Ao investir na
qualificação profissional da juventude e dos produtores dedicados a agricultura familiar, o SERTA, através da Peads, propõem-se a gerar competências produtivas capazes de pensar a propriedade e seus recursos de forma economicamente viável, social e ambientalmente coerente. Mas trabalha também na construção de lideranças locais capazes de replicarem os conhecimentos aprendidos na organização, ampliando sua capacidade de atuação e difusão numa perspectiva de rede.
Isso se processa através da formação dos Agentes de Desenvolvimento Local (ADL) que, ao concluírem o Curso Técnico em Agroecologia, aplicam os conhecimentos e tecnologias em sua propriedade. Essas unidades produtivas passam a atuar como centro local de referência, exercendo papel semelhante ao das Uppos do SERTA em Ibimirim-PE e Glória do Goitá-PE, propriedades-modelo onde foram ensinados, e difundindo para outros agricultores familiares, o que aprenderam no Curso Técnico em Agroecologia.
Considerando-se que, conforme Putnam (2005), as características de cada espaço são construções de longos períodos de tempo e refletem as experiências sociais, o investimento na juventude mostra-se determinante para as transformações que se quer alcançar. Esse público compõe-se de atores em formação, portanto, com maior facilidade de, sem negligenciar o patrimônio cultural que a produção familiar compreende, unir a este uma dimensão de modernização e transformação com o objetivo de melhorar a situação econômica, por conseguinte, as condições de vida, ao vislumbrar novos mercados e caminhos para a otimização do uso da propriedade.
Para o SERTA, essa modernização abrange, primordialmente, a construção e difusão de tecnologias alternativas agrícolas caracterizadas pelo baixo custo, acessibilidade, adequação às escalas de produção e às condições ecológicas da propriedade. Abrange também a compreensão da unidade de produção de uma forma integrada, com o objetivo de, apropriando-se de elementos da dinâmica natural das espécies, desenvolver técnicas e tecnologias de forma a melhor aproveitar a propriedade e seus recursos.
Com essas finalidades, o SERTA atua junto a jovens, filhos e filhas de agricultores/as rurais, produtores e produtoras e educadores do campo em 48 municípios localizados nos territórios das Microrregiões da Mata Sul, Mata Norte, Agreste Meridional, Sertão do Moxotó e Sertão do Pajeú e recebe jovens da Mesorregião do Sertão do São Francisco, a partir de seus dois centros (Figura15).
Figura 15: Municípios sob a Atuação do Serviço de Tecnologia Alternativa-SERTA, 2010
Nos dois municípios foi construída uma Unidade Pedagógica Permacultural de Observação (Uppo), que constituem “propriedades agrícolas modelo” com, aproximados, 3 mil m² de área construída. Essas propriedades são destinadas a atividades de pesquisa, formação profissional de jovens agricultores e utilizadas como campo experimental para o desenvolvimento, adaptação e teste de novas tecnologias alternativas.
Em cada Uppo estão implantadas noventa tecnologias alternativas aplicadas ao manejo de solo, água, animais e plantas, desenvolvidas com o objetivo de melhor aproveitar os recursos da propriedade, solucionar problemas produtivos e fornecer uma alternativa de geração de renda para os agricultores. Dentre estas tecnologias podem-se citar alguns exemplos presentes no Quadro 5):
Quadro 5: Exemplos de Tecnologias alternativas Produzidas pelo SERTA
OBJETIVO TECNOLOGIA
1. Aproveitamento integral dos recursos da propriedade
Galinheiro Móvel - Usado na pré-
preparação de canteiros para adubação orgânica e controle biológico de pragas
2. Geração e aproveitamento de energias alternativas
Cata-vento Artesanal Aquecedor Solar
3. Obtenção, aproveitamento e conservação de água