3.3 La démarche
3.3.1 Prétraitement des signaux
Face ao que foi explanado, não temos dúvidas em afirmar que a prevenção dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais é uma área muito importante porque, além das consequências positivas ao nível dos trabalhadores, tem reflexos directos na própria economia do país, pois uma política correcta de SHST pode implicar a poupança a todos os níveis, tanto na saúde como no pagamento de indemnizações por acidentes de trabalho permitindo investimentos noutras áreas. Contudo, é também uma área que está em permanente desenvolvimento, acompanhando o progresso da humanidade ao nível tecnológico, o que cria permanentes desafios a que todos temos de dar respostas, o que também, de alguma forma, dificulta a sistematização de indicadores de prevenção. Resulta também claro que a SHST é uma tarefa que deve ser partilhada por todos os membros das organizações desde a gestão de topo até aos trabalhadores, passando pelos técnicos e formadores de SHST.
As acções e medidas destinadas a prevenir acidentes de trabalho dependem directamente do tipo de actividade exercida, do ambiente de trabalho e das tecnologias e técnicas utilizadas. Entendemos que cada trabalhador tem um contributo fundamental na prevenção, devendo para tanto, cumprir todas as regras de segurança que existem para o proteger e aos seus colegas. Os trabalhadores devem saber quais os riscos e cuidados que devem ter na actividade que desenvolvem e quais as formas de protecção para reduzir esses riscos, devendo participar sempre nas acções ou cursos de prevenção de acidentes que a organização lhes proporcionar.
Em suma, poderemos resumir tudo quanto ao longo deste estudo nos parece ser de maior relevância para eliminar ou reduzir os acidentes de trabalho e doenças profissionais:
• Cumprimento da aplicação dos princípios gerais de prevenção durante a fase de elaboração do projecto;
• Interpretação da aplicação destes princípios na fase de projecto;
• Cumprimento diário destes princípios na actividade que se está a exercer; • Formação e Informação aos trabalhadores;
• Sensibilização constante sobre questões de segurança; • Colaboração e cooperação a todos os níveis da organização; • Envolvimento da Gestão de Topo;
• Introdução de uma disciplina de Higiene e Segurança, desde o ensino básico, até ao ensino universitário;
• Cultura de Segurança;
• Fomentar um sistema de sugestões onde os trabalhadores possam fazer comentários e dar sugestões de melhoria.
Este trabalho pretende desta forma conjugar variáveis diferentes num denominador comum “ Esforços de Prevenção”, assim sugere-se como continuidade deste estudo um aprofundamento de certas questões como por exemplo:
• Alterar os parâmetros da actual formação de forma a ser mais efectiva em termos de diminuição do número de acidentes de trabalho, nomeadamente, aumentando o tempo de duração da mesma e alterando os conteúdos a tratar.
• Verificar se a formação é potenciada com a ocorrência de acidentes de trabalho, sendo desta forma uma função meramente reactiva ou, pelo contrário, se é uma medida proactiva.
• Elaboração de um questionário específico para os trabalhadores, tendo em conta que muitos acidentes podem ter origem devido à idade, antiguidade, qualificação, experiência, tipo de contrato, características do grupo de trabalho (experiência do trabalho em equipa...), características do posto de trabalho, características da organização do trabalho, o que permitirá fazer um cruzamento de dados mais abrangente, logo, mais eficaz.
• Não tendo sido possível identificar o Índice de Bem-estar, poderia ser interessante em futuros trabalhos, tentar determinar qual a relação entre o bem-estar no local de trabalho e a ocorrência de acidentes de trabalho.
É preocupante constatar que, no estudo apresentado, a relação entre o aumento das horas de formação em SHST e a diminuição dos acidentes de trabalho não se verifica em 42,86% das organizações inquiridas. Há que tentar procurar as causas de tal ocorrência. Será que a qualidade da formação ministrada aos trabalhadores não é a adequada, nomeadamente por não abordar os conteúdos necessários? Como já foi dito anteriormente, a maior parte das organizações procura cumprir estritamente o que a lei determina quanto à formação, sem se questionar sobre os conteúdos. Ao mesmo tempo, poderá também estar em causa a própria duração / tempo da formação, já que esta terá de ter uma carga horária minimamente significativa, permitindo tratar os temas com alguma profundidade de forma que os destinatários da formação se apercebam do que está verdadeiramente em causa; a sua própria saúde e segurança.
Entende-se que a formação tal como actualmente está formatada terá de ser sujeita a uma revisão de forma a cumprir verdadeiramente os seus objectivos que serão, na sua essência, a qualificação para a redução dos acidentes de trabalho e doenças profissionais. Mas também é de notar que as próprias estatísticas oficiais acabam por confirmar o que se verificou neste estudo, razão bastante para encarar de modo sério o efectivo contributo da formação na promoção da segurança higiene e saúde no trabalho.
Outra conclusão que poderá retirar-se do aumento do número de acidentes de trabalho, apesar do aumento das horas de formação, poderá encontrar-se na cultura das nossas organizações, ao nível da gestão de topo, que normalmente não é visível o seu envolvimento nas questões de segurança e higiene do trabalho. Este comportamento está em contradição com alguns autores referidos neste estudo, que defendem uma colaboração íntima entre a gestão de topo e os trabalhadores da organização, de forma a interiorizarem as questões de higiene e segurança no trabalho, tentando com isso a efectiva diminuição dos acidentes de trabalho, pois só dessa forma é possível implicar todos os elementos da organização.
Apesar dos resultados obtidos não fornecerem dados satisfatórios na totalidade das organizações inquiridas, relativamente à formação e aos investimentos, estas continuam a ser duas áreas importantes no que diz respeito ao progresso dos aspectos de segurança nos locais de trabalho, faltando contudo a avaliação do tipo de programas de formação que necessitam de ser estudados especificamente para cada situação.
Por outro lado em relação às variáveis relacionadas com os documentos legais e com os documentos do sistema de gestão integrado de qualidade ambiente e segurança, embora os resultados obtidos não destaquem estas variáveis como um factor relevante, considera-se que o método de aferição não foi o mais adequado, pelo que se requer um novo método de avaliação, já que se foi considerado em alguns estudos que a implementação de sistemas de gestão contribui para a diminuição de acidentes e doenças profissionais, tendo em conta que permitem uma acção mais pró-activa do que reactiva.
Apesar disso, pensando ter contribuído modestamente para a análise desta problemática, gostaríamos também de elencar algumas limitações com que nos debatemos ao longo do trabalho, nomeadamente, a impossibilidade de comprovar a evolução positiva em relação aos esforços de prevenção, no tocante a acidentes de trabalho e doenças profissionais, pois mais uma vez se refere que o aumento de número de horas de formação não foi acompanhado pela diminuição do número de acidentes de trabalho, antes pelo contrário. Lamenta-se que algumas organizações se tenham recusado a responder ao inquérito, pois as questões relacionados com assuntos de SHST, continuam a ser ainda uma questão sensível, apesar de ter sido garantida a rigorosa confidencialidade dos dados a recolher. Embora inicialmente pensado, não foi possível implementar o questionário dirigido aos trabalhadores, sem prejuízo da sua oportunidade ser agora mais relevante, não só pela reformulação das questões a incluir, como igualmente pelo reforço de outros aspectos já identificados.
Em síntese, os índices de prevenção facilitam estratégias de prevenção e acções preventivas e são uma medida efectiva que se destina a confirmar o esforço de prevenção e a eficácia da prevenção. No presente estudo determinaram-se os esforços de prevenção em cada organização, mas não foi possível, no entanto, determinar a eficácia da formação. Chegados a este ponto, temos plena consciência que o tema a que nos propusemos é de tal modo aliciante e de uma importância extrema, que ficamos com a sensação de o ter meramente aflorado.
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