Introduction aux choix des villes
3- Présentation du parcours de Constantine 3.1- Présentation de la ville de Constantine
É importante reparar as anomalias nas paredes de taipa que ocorrem durante a vida útil do edifício, a fim de evitar a deterioração contínua da parede e restabelecer a sua proteção. Para uma intervenção apropriada é necessário que exista compatibilidade entre a argamassa de reparação e o substrato. Para tal é fundamental, antes de qualquer intervenção, compreender as causas de degradação, assim como o método construtivo e as características dos materiais utilizados.
Um dos primeiros problemas surge na escolha da terra para executar a taipa. Os limites naturais e ótimos para as propriedades da terra são identificados em regulamentos, normas e por muitos autores da especialidade. Porém não existe unanimidade sobre quais as propriedades e características mais relevantes para a terra a utilizar na taipa, de maneira a planear e conceber corretamente atos de construção e intervenções de reparação. É imprescindível enquadrar esta técnica no panorama a nível nacional com a implementação de legislação, de forma a criar regulamentação adequada às necessidades características de Portugal.
Os procedimentos para a utilização da terra ainda não foram suficientemente adaptados para os fins da conservação, preservação e reparação das construções com terra. Surgem dúvidas quando se interpretam os
documentos da especialidade, verificando-se uma abordagem incoerente no que diz respeito ao material e respetivas adições que devem ser utilizadas nas argamassas de reparação. Julgou-se assim importante avaliar vários tipos de argamassas de reparação, com vários tipos de adições, analisando o seu comportamento após aplicação em suportes de taipa. Considerou-se necessário ainda sujeitá-las a ensaios de envelhecimento artificial acelerado por ciclos de secagem/molhagem - pois a ação da água é uma das mais gravosas neste tipo de construção. Estes aspetos foram desenvolvidos na campanha experimental desta tese.
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3.
PROCEDIMENTOS DE ENSAIO ADOTADOS
Neste capítulo descrevem-se os procedimentos de ensaio seguidos ao longo do estudo, nomeadamente os ensaios sobre o material recolhido em obra e as argamassas no estado fresco e endurecido.
3.1. INTRODUÇÃO
Na campanha experimental desta tese procedeu-se à recolha do material - terra não estabilizada - constituinte das paredes de taipa de edifícios existentes (seis estudos de caso). Essas terras foram depois caracterizadas, a fim de se avaliar as respetivas propriedades. Três delas foram posteriormente utilizadas para a execução de blocos de taipa. Nestes blocos foram simulados dois tipos de degradação, superficial e mais profunda. Os blocos ficaram em cura durante um período de vinte meses. Com as mesmas três terras foram realizadas argamassas, designadas pelo nome do respetivo estudo de caso a partir de onde foram obtidas. Para a realização das argamassas utilizou-se também uma terra argilosa comercial (designada por terra-padrão). Sempre que foi considerado necessário, para redução da retração, as argamassas foram estabilizadas com uma areia grossa. As argamassas de terra comercial foram utilizadas para avaliação da influência da água na trabalhabilidade, bem como da incorporação de baixas percentagens de ligantes minerais e de uma fibra vegetal. Para além de caracterizadas individualmente, as argamassas foram aplicadas e avaliadas na reparação das simulações de degradação dos blocos de taipa. Por fim o conjunto bloco-argamassa foi sujeito a envelhecimento artificial acelerado por ciclos de molhagem/secagem.
Os ensaios realizados sobre a terra colhida em obra, sobre a argila comercial, a areia, os ligantes, a fibra vegetal, e sobre as argamassas no estado fresco e endurecido foram de cariz laboratorial, tirando partido de equipamentos específicos de ensaio e recorrendo, sempre que possível, a procedimentos normativos, de forma a conferir aos resultados os níveis viáveis de credibilidade, comparabilidade e rigor pretendidos. Porém, nem sempre foi possível seguir totalmente os procedimentos de ensaio definidos na literatura, que não são em geral direcionados para materiais de terra, não sendo em muitos casos facilmente aplicáveis a este tipo de material, devido à baixa resistência mecânica e sensibilidade à ação da água. Nos casos em que foi necessário adaptar o procedimento de ensaio original, as alterações foram definidas com base em ensaios preliminares e à adaptação dos protocolos de ensaio, estando estes devidamente registados nas secções que se seguem.
Para a realização da campanha de ensaios sobre o material colhido em obra (secção 3.2), foram utilizadas amostras colhidas “in situ”, em paredes de taipa de cada um dos seis estudos de caso, sendo os procedimentos descritos na secção 4.4.1. Os ensaios sobre as argamassas no estado fresco e no estado endurecido foram realizados com material preparado em laboratório e apresentam-se descritos nas secções 3.3 e 3.4, respetivamente. Assim, com base no já exposto é de referir que alguns ensaios foram adaptados aos procedimentos de ensaio, sendo nomeadamente os ensaios de retração linear e volumétrica, absorção de água por capilaridade, secagem, módulo de elasticidade dinâmico, resistência à tração por flexão e compressão.
Os procedimentos do ensaio relacionados com a análise visual e o envelhecimento artificial acelerado por ciclos de molhagem/secagem, procedimentos de ensaio estabelecidos no âmbito desta tese, foram efetuados sobre os blocos de taipa com as aplicações das argamassas de reparação, serão abordados mais tarde, nas secções 7.3 e 7.5, respetivamente.
Todos os ensaios realizados na campanha experimental, e respetivas normas, podem ser visualizados na Tabela 3.1.
Tabela 3.1. Ensaios realizados na campanha experimental Ensaios de
caracterização Material/condições Ensaio Norma
Materiais
Terra recolhida nos estudos de caso
Caracterização mineralógica
por difratometria de raios X Veiga et al. (2004) Análise granulométrica E196 (LNEC 1966a) e
E239 (LNEC 1970) Limites de consistência NP 143 (LNEC 1969) Ensaio de compactação E197 (LNEC 1966c)
Retração linear
(60 cm 4 cm 4 cm) Walker e Australia (2001) Teor de matéria orgânica D2974-07 (ASTM 2007)
Teor de sais Humidade higroscópica (HMC) (Gonçalves 2007) Baridade seca “in situ” E205 (LNEC 1967) Terra utilizada nas
argamassas Baridade NP EN 1097-3 (IPQ 2002)
Argamassas frescas
Argamassa Massa volúmica EN 1015-6 (CEN 1998b) Argamassa Consistência por espalhamento EN 1015-3 (CEN 1999a) Argamassa Consistência por penetrómetro EN 1015-4 (CEN 1998a) Argamassa Escoamento NP EN 445 (IPQ 2000) Suporte/argamassa Avaliação direta da trabalhabilidade
Procedimento estabelecido no âmbito desta tese, descrito na
secção 6.2.4
Argamassas endurecidas
Molde
30 cm 3 cm 3 cm Retração linear e volumétrica Keable (1996) Cubos
5 cm 5 cm 5 cm
Absorção de água por
capilaridade N.º II.6 da RILEM (RILEM 1980a) Secagem N.º II.5 da RILEM (RILEM 1980b) Prismas
16 cm 4 cm 4 cm
Módulo de elasticidade
dinâmico NP EN 14146 (IPQ 2006a) Resistência à tração por flexão
e compressão EN 1015-11 (CEN 1999b)
No suporte
Dureza superficial D2240-05 (ASTM 2010) Velocidade de propagação por
ultrassons Pa 43-1 (LNEC 2010)
Suporte/argamassa de reparação
Suporte/argamassa Análise visual
Procedimento estabelecido no âmbito desta tese, descrito na
secção 7.3 Suporte/argamassa
Ensaio de envelhecimento artificial acelerado por ciclos
de molhagem/secagem
Procedimento estabelecido no âmbito desta tese, descrito na
secção 7.5