6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando que, este trabalho buscou informações em todos os estados e municípios, através das entidades representativas dos profissionais que atuam nas áreas de engenharia e arquitetura, observa-se uma lacuna existente no tocante a maneira com que os conceitos são inseridos ao leitor do ponto de vista iconográfico, nas publicações de cartilhas de acessibilidade, Desenho Universal, ergonomia e inclusão. Com base na revisão da literatura, a aplicação da análise da proposta por Panofsky, incluindo considerações de diversos outros autores citados anteriormente, como Manini e Kossoy, acrescido da contribuição desta pesquisa, fez com que pudéssemos identificar vários elementos visuais nas cartilhas estudadas. A descrição pré-iconográfica nos deu parâmetros quantitativos, enquanto as tabelas foram fundamentais para que pudéssemos entender melhor cada categoria abordada na documentação dessas cartilhas. Enquanto a descrição iconográfica e a descrição iconológica permitiram verificar de forma mais profunda e ampla a relação das ilustrações e imagens com seus significados, suas inter-relações e alcance de interpretação.
No presente trabalho, houve a preocupação com as práticas metodológicas de leitura de imagens, para que a leitura fosse feita da melhor forma possível. A necessidade de novas possibilidades de interpretações, questionamentos, perspectivas de conceitos científicos fazem com que a iconografia seja fundamental na análise de imagens. Através da pesquisa e revisão da literatura disponível foi possível testar a aplicabilidade da metodologia da iconografia para estudo de cartilhas e, se o recorte iconográfico ora proposto é uma evidência da própria cartilha.
No aspecto do mapeamento das disponibilidades e ofertas destes materiais, como destacou-se anteriormente, nota-se a concentração das mesmas nas regiões Sudeste, particularmente em São Paulo, e na região Centro-Oeste, particularmente em Brasília (DF), o que sugere uma concentração muito grande de cartilhas em grandes centros. É necessário fazer com que o material circule em todos os espaços do país.
Nota-se que, alguns tipos de ambiente ficam negligenciados pelas cartilhas, faltam produções de cartilhas específicas, assim, constatou-se a carência de cartilhas especializadas. Particularmente o estudo das cartilhas publicadas pelo CAU e pelo CREA por vezes constatou a falta de informações mais completas de auxílio ao profissional e por outro lado, como vimos para a população, faltou no sentido iconológico, como as pessoas foram inseridas no contexto.
Percebe-se que, talvez uma forma de buscar um pouco mais de qualidade, é procurar por profissionais especializados na hora da produção. Procurar fazer cartilhas mais específicas que atendam bem a seu propósito. A preocupação com as cartilhas pode estimular o uso consciente dos espaços, pode divulgar e estimular o uso de espaços coletivos e uso da cidade em si.
Destaca-se assim, a importância de se utilizar a análise iconográfica no processo de construção e preparação de materiais de apoio à profissionais das áreas técnicas, população em geral e particularmente às pessoas com necessidades específicas. Uma vez que, somente através de um estudo cuidadoso, é que se poderá atingir um melhor nível de apresentação destes materiais. É necessário utilizar aspectos das formas, objetos e eventos presentes na imagem, limitando-se aos motivos como linhas, cores e volumes (descrição pré-iconográfica); ao aspecto da ligação das composições da imagem com assuntos e conceitos da percepção das convenções sociais e culturais (descrição iconográfica) e finalmente o aspecto da interpretação dos valores simbólicos da imagem, onde estão entrelaçadas preocupações do contexto na produção, como fatores históricos e sociais (descrição iconológica). É cada vez mais importante em nosso meio social, a fim de permitir maior independência e perspectivas a milhões de indivíduos.
De modo geral, observa-se pouca preocupação em tornar a cartilha acessível, além da correta informação e inserção desta, há de se preocupar também na acessibilidade desse conteúdo. Primeiro, esse conteúdo precisa chegar a todos, como àqueles que têm baixa visão, daltonismo ou outra deficiência visual. Nessa perspectiva, em nenhuma cartilha foi anotada a preocupação no estudo de cores ou legenda para melhor adequação de leitura por pessoas, com dificuldades, o daltonismo. Sendo assim, é necessário estar sempre atento às novas necessidades e novas demandas, tanto do ponto de vista do conteúdo das cartilhas quanto da sua produção e forma de divulgação.
Do ponto de vista arquitetônico, é necessário que os projetistas percebam como é necessário o conhecimento de conceitos, na aplicação do processo de projeto e na prática projetual, isto é, faz-se necessário inserir conceitos do desenho universal na concepção de projetos, o que ressalta a importância da busca constante por conhecimento, informações precisas e competentes, neste caso, as cartilhas podem ajudar muito nessa etapa. O material iconográfico pode sim ajudar na elaboração do programa de necessidades, facilitando a compreensão do assunto, gerando opções, destacando possíveis problemas ou necessidades invisíveis a aqueles que não tem certa dificuldade, desde que tenha qualidade em texto, em
aplicação de normas e legislação e principalmente facilite e seja cuidadoso na hora de transpor as informações ao leitor do ponto de vista iconográfico.
Verifica-se então a necessidade de preparar mais profissionais que possuam uma percepção iconográfica. Logo, é desejável que mais discussões sobre a descrição iconográfica possam figurar nos currículos e trabalhos acadêmicos. Espera-se que este trabalho possa ressaltar tais observações e inspire pessoas a procurar maiores informações que envolvam o desenvolvimento programas de necessidades arquitetônicos.
Após a utilização da análise iconográfica como meio de análise de diversas cartilhas de Acessibilidade, Ergonomia, Desenho Universal e Inclusão, se por um lado observa-se uma profusão de materiais informativos que poderiam auxiliar os profissionais na implantação de políticas de acessibilidade, por outro nota-se que há dificuldade de transposição dos sentidos denotativos e conotativos. Materiais gráficos atuam como guias para se compreender e orientar melhor através da linguagem do desenho, com informações de fácil interpretação e mais acessíveis do que a linguagem legislativa, mas é preciso verificar a eficácia dessas produções, pois alguns conteúdos iconográficos podem ser difíceis de compreender ou o desenho pode sugerir outra interpretação. Neste sentido, pretendemos dar subsídios a esta discussão utilizando a análise iconográfica, como citado anteriormente, e assim mostrando a necessidade de novas discussões e observações sobre o tema.
Quanto à distribuição do material, espera-se que seja mais difundido e distribuído na comunidade. A cartilha como instrumento de comunicação e por vezes até didática pode ser manipulada de diversas formas. O objetivo da cartilha é produzir informações e conhecimento, sensibilizando o leitor para a relevância dos conceitos inseridos, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, porém, muitas delas acabam não conseguindo atender a esse propósito, ora por desviar do assunto com outros propósitos, ora por falta de conhecimento técnico e sensibilidade do autor.
Por fim, percebe-se a carência de estudos para elaboração de cartilhas, e a análise das mesmas evidenciou a necessidade de desenvolver a pesquisa com foco na iconografia, onde a imagem tem a função de descrever e facilitar a compreensão e entendimento do assunto tratado. A imagem tem suas representações e padrões, que podem ser diferentes de acordo com a cultura e o meio, modificando a compreensão e a simbologia. Nesse sentido entende-se como necessário compreender de que forma as cartilhas são apresentadas a partir de seus elementos
iconográficos, que podem influenciar significativamente na compreensão, na atenção e a aplicação correta do assunto.
Algumas questões ainda podem ser investigadas em trabalhos futuros, por exemplo, como a imagem pode melhorar a compreensão do conceito de acessibilidade e Desenho Universal; que tipo de cuidado é necessário se ter nas representações gráficas, para não ferir códigos de respeito e civilidade; como as representações podem expressar valores sociais e comunitários. São questões importantes a serem investigadas sob o viés da descrição iconográfica e iconológica, que permitirão uma amplitude na interpretação de imagens e mensagens presentes em cartilhas de orientação de acessibilidade, desenho universal e inclusão.
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