Un modèle à légitimer : les ESCAE entre pôle économique et pôle académique
I. En quête de légitimité académique : l’enjeu du recrutement
3. Qui préparer au concours ? : l’enjeu des classes préparatoires
Guiados por princípios éticos efectuámos um pedido formal, por escrito ao Conselho de Administração do CHLN que foi submetido ao parecer da comissão de ética do hospital (anexo 2). Neste pedido constava um sumário do projecto de investigação, onde apresentámos o problema e os objectivos do estudo, a quem se dirigia e quais os recursos necessários. Anexado ao mesmo foi um guião de entrevista, bem como o documento de pedido de consentimento para a realização das entrevistas e para a utilização da informação disponibilizada (anexo 3).
Posteriormente, foram promovidos contactos informais com as enfermeiras chefe dos vários serviços, com o intuito de apresentar o estudo e pedir sua colaboração quer na disponibilização de recursos físicos, quer na sensibilização da restante equipa de enfermagem para o decorrer do estudo. Após isso, fizemos duas visitas por semanas aos serviços. Estas tinham por objectivo, conjuntamente com o enfermeiro de serviço responsável, identificar pessoas com doença oncológica em fase paliativa que tivessem alterações alimentares.
Sabemos à partida que, a hora da visita é a altura mais favorável para o contacto com os familiares, principalmente ao fim-de-semana, por norma estes permanecem mais tempo no hospital e têm uma maior disponibilidade em dialogar. Partindo deste pressuposto, quando a pessoa doente estava consciente e orientada no tempo e espaço, estabelecíamos uma primeira abordagem. Neste encontro expúnhamos o estudo e solicitávamos a sua colaboração para identificar o familiar cuidador, que estivesse interessado em participar no estudo. Procurávamos saber em que horário de visita estaria presente para que este contacto fosse pessoalmente realizado. Caso a pessoa doente estivesse desorientada ou inconsciente, combinávamos previamente, com o enfermeiro responsável da pessoa doente nesse turno, que nos informasse da presença de familiares. Assim, na hora da visita tínhamos uma primeira conversa informal com o familiar cuidador ou com outro elemento de ligação ao cuidador. Estes contactos aconteceram primordialmente ao fim-de-semana como se previa.
Neste tempo de contacto informal, com o familiar cuidador, enunciávamos o problema de investigação e os objectivos do estudo, solicitando a sua participação.
Pedíamos ainda para quantificar, numa escala numérica de 1 a 10, a sua preocupação com a recusa alimentar ao longo da doença, sendo 10 o máximo de preocupação e 0 sem preocupação. Face a esta avaliação determinávamos se a pessoa obedecia aos critérios de inclusão no estudo. Se os critérios estivessem reunidos, então, combinávamos uma data para a entrevista de acordo com a disponibilidade do participante.
Foram entrevistadas 10 pessoas com idades compreendidas entre os 36 anos e os 46 anos, oito eram do sexo feminino, quatro esposas e quatro filhas e dois do sexo masculino, filhos. Seis dos entrevistados caracterizaram a sua preocupação como máxima, tendo a quantificado na escala numérica em 10, três quantificaram em 8 e apenas 1 em 7. O quadro 8 resume a caracterização dos entrevistados.
Quadro 8 - Caracterização dos entrevistados. Entrevistado Idade do cuidador Familiar cuidador Profissão Quantificação da preocupação com as alterações alimentares
E1 49 esposa empregada de limpeza 10
E2 41 filho gestor 8
E3 46 esposa engomadeira 8
E4 54 filha técnica de contas 10
E5 42 filha auxiliar de acção educativa 7
E6 56 esposa auxiliar de acção médica 10
E7 50 esposa operária da pastelaria 10
E8 54 filha auxiliar de acção médica 10
E9 36 filha operadora de hipermercado 8
E10 38 filho profissional de seguros 10
As pessoas doentes ou tinham neoplasias primitivas ou apresentavam metástases localizadas no sistema digestivo. As suas idades variaram entre 55 a 87 anos de idade, só quatro eram do sexo feminino, duas cuidadas por filhos e duas por filhas. Todas as pessoas doentes faleceram no ano de 2008. Três pessoas faleceram horas após a entrevista e duas pessoas, no dia seguinte. As restantes faleceram
num período de uma a duas semanas após a entrevista, à excepção, de uma que faleceu um mês após a entrevista.
O quadro 9 resume a caracterização da pessoa doente.
Quadro 9 - Caracterização da pessoa doente Familiar do
entrevistado
Idade da pessoa
doente
Sexo Diagnóstico Data do
diagnóstico
E1 55 M neoplasia da próstata com
metástases ósseas e intestinais 2004
E2 79 F neoplasia do uretélio infiltrativo com carcinomatose peritoneal
Janeiro 2008
E3 65 M neoplasia da bexiga com
carcinomatose peritoneal 2003
E4 87 M neoplasia oculta em fase
terminal
Maio 2008
E5 72 M
neoplasia do colón com metástases hepáticas e
pulmonares
Janeiro 2008
E6 70 M
adenocarcinoma gástrico com metástases pancreáticas e
biliares
Abril 2008
E7 77 M neoplasia colón com metástases,
hepáticas, pulmonares e renais 2003
E8 76 F carcinomatose peritoneal Junho
2008
E9 78 F
neoplasia da mama com metástases pulmonares e
hepáticas
2005
E10 85 F
neoplasia gástrica com metástases hepáticas e
pulmonares
Maio 2008
As entrevistas individuais, face a face, decorreram entre Janeiro a Outubro de 2008. A duração das entrevistas oscilou entre vinte e cinco a noventa minutos. Estas decorreram no gabinete da enfermeira chefe ou num outro gabinete do serviço, num ambiente calmo, com poucas interrupções, em que pudemos dispor do mobiliário. Tal, a par do respeito demonstrado pelo entrevistado, através de
uma posição neutra e aberta às suas opiniões, facilitamos a interacção progressiva do mesmo, o que transpareceu na riqueza dos dados. Após a autorização para a gravação áudio da entrevista, o gravador foi colocado entre o entrevistador e o entrevistado.
A entrevista semi-estruturada possibilitou ter um guião que orientasse as perguntas a formular e simultaneamente deu-nos a liberdade para questionar segundo o discurso do sujeito, motivando-o a responder e a transitar de temas. Durante o decorrer da entrevista utilizamos algumas técnicas que facilitadoras que apoiar e encorajar o discurso do sujeito, como a recapitulação, clarificação, silencio, reafirmar e repetir. Com o intuito de não perder alguns aspectos que eram pertinente para a interpretação dos dados, fomos fazendo anotações da linguagem não verbal do sujeito. Após parar a gravação, em conversa com os entrevistados surgiram temas que não tinham sido focadas ao longo da entrevista e das quais tiramos notas escritas ou colocamos novamente em gravação áudio.
Perante os recursos que disponhamos e a limitação temporal, obrigatoriamente imposta para a realização do trabalho, procedemos à realização duas entrevistas pré-teste que não foram utilizadas, e dez entrevistas, com a limitação de que estas não saturaram os dados. Foram realizados contactos com mais cinco pessoas, mas duas delas não compareceram na data marcada, outra recusou em dar a entrevista por razões emocionais no segundo contacto, e os outros foram excluídos por a pessoa doente ter falecido pouco antes da realização da entrevista.
A gravação áudio das entrevistas e a transcrição do “verbatim” possibilitaram aumentar a fidelidade do discurso dos participantes, para a futura análise.