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2. ANALYSE DES RESULTATS

2.2 VARIATION DU GENRE PSEUDOMONAS, ISOLE DES

2.2.1 POURCENTAGE DE PORTAGE DU GENRE

Este apontamento tem como propósito buscar mais subsídios que poderão contribuir para a análise comparativa das correntes religiosas mencionadas. Sabe-se que A religião pode influir sobre a vida em

geral e sobre a actividade econômica em particular, quer como sistema de doutrina, quer como organização (FANFANI, 1945, p.10)54. Existem pelo

54Quanto a data de publicação aqui anotada ser 1945. Explica-se que o exemplar desta obra usada, refere-se à sua segunda edição, revista e atualizada, traduzida por Osvaldo Aguiar. Esta segunda edição não faz menção e não traz impressa nenhuma data quanto a sua elaboração. Contudo, Fanfani, seu autor, no prefácio dessa segunda edição, registra: O

sistema doutrinário, teológico e eclesiástico da ICAR, certos tipos de orientações que contribuem para nortear a conduta ética do indivíduo e que podem influenciá-lo em sua conduta naquilo que realizar em benefício próprio ou de outrem.

Estas orientações postulam caminhar em duas vertentes: a primeira, visa mostrar ao fiel e seguidor do catolicismo a responsabilidade social que ele tem com o próximo; a segunda, volta-se mais para o aspecto do envolvimento social que o indivíduo deve apresentar visando contribuir pela instrumentalidade do trabalho, à formação da sociedade e seu ethos. É neste víeis analítico que se pretende caminhar nesse momento.

Fanfani desenvolveu um primoroso ensaio científico em: Capitalismo,

Catolicismo, Protestantismo ; segundo ele, seu ... propósito é descobrir as relações que tal sistema [capitalista] teve na sua origem e no seu desenvolvimento com a religião católica e com a protestante, consideradas do ponto de vista que antes se fixou (Idem, p.19). Sua contribuição nessa obra

visa desvendar algumas falhas e desencontros que Weber deixou e cometeu em a EPEC, quanto a origem e o desenvolvimento do capitalismo, e o seu envolvimento com a religião via catolicismo e protestantismo, lançando um olhar crítico e analítico sob a ótica do catolicismo romano. Um dos pontos deste estudo que o referido autor destaca e se propõe a investigar é:

A relação que ligou a actividade do papado, como depositário e intérprete da moral católica, e como orientador da vida dos católicos, com a consolidação da concepção ética necessária para se dar e justificar a prática capitalista. (1945, p.11).

Importa observar que Fanfani apresenta nesse momento três pontos que devem ser considerados como essenciais ao fiel e seguidor deste segmento religioso, que servem de diretrizes básicas à sua conduta. Entretanto, deve-se atentar para o fato que estes pontos voltam-se e centralizam-se na maior

presente ensaio sobre as relações históricas entre catolicismo, protestantismo e capitalismo volta a publicar-se, passados dez anos, revisto e atualizado, e sem faltarem algumas ampliações consideráveis. ; [referindo-se à primeira, revela]: A primeira edição foi afortunada, especialmente no estrangeiro... Laski, ...no segundo parágrafo do capítulo primeiro do ensaio sobre The Rise of European Liberalism, publicado em Londres em 1936, no qual existem múltiplas provas de que o autor conheceu e leu a primeira edição inglesa do meu Catholicism,

Protestantism and Capitalism, aparecida em Londres em 1935. . Nas palavras de Fanfani:

passados dez anos, dessa 1ª edição; por isso, este autor entende que o ano de publicação da

autoridade da ICAR, envolvendo suas realizações e sua importância ao católico romano confessante, principalmente o laico. Quais sejam:

a) Que o papa, é o depositário da moral católica; b) Que o pontífice, é o intérprete da moral católica;

c) Que o sumo padre, é o orientador da vida dos católicos.

Isto quer dizer que sem ele o papa nada aconteceria ou teria sentido dentro do Catolicismo romano. Pode-se inferir pelo exposto acima que tudo e todas as coisas que envolvem a vida e a religiosidade do adepto ao catolicismo romano no laicato , está intimamente ligado e relacionado ao papa que exerce as três funções supra mencionadas. Para o ideário de uma vida prática, pode-se dizer que:

A doutrina católica não divide a vida prática [cristã] em compartimentos estanques. A idéia de Deus e a concepção do homem como criatura que luta para alcançar o prêmio eterno, informam todas as outras ideais... O homem é ideado como um ser livre, e por isso as suas acções, ainda mais pequenas, são dignas de valoração; afastam-se a aproximam-se do prêmio eterno... [Por isso] A necessidade moral de atingir o fim último determina os limites da actividade humana no campo estritamente religioso, no familiar, no político e no econômico. (FANFANI, 1945, p.98,99).

Confirma-se nessa colocação que o principal ideário do cristão romano é a luta para alcançar o prêmio eterno. Esta finalidade para a sua vida, levá-lo-á a crer e aceitar que as suas ações, ainda mais pequenas, são dignas de

valoração, visto que elas são realizadas por um ser livre. Mas que podem,

contudo, afastá-lo ou aproximá-lo do prêmio eterno. Logo, esta necessidade atingirá, determinará e limitará as demais áreas de sua vida quer seja no campo religioso, no familiar, no político e no econômico.

Este ideal ao ser concebido, assimilado, praticado e vivido pelo fiel, fará que ele envolva-se, entregue-se e haja como esta corrente religiosa normatiza. Infundindo-lhe princípios de moral e ética, socialmente falando, que o levam a agir impulsivamente e não, coerente e racionalmente, visto que o seu alvo maior é conquistar o eterno. Esta concepção o leva a pensar que está fora, ausente e distante, desta vida. Ou seja, a natureza política da ação, na prática,

não se aplica a esta vida; pois se crê que ela não traz e nem sofrerá certas implicações comprometedoras resultantes da conduta que o fiel apresentar. Visto que, como dizem: os fins justificam os meios. Fanfani comenta:

A ética católica, de que deriva necessariamente uma política intervencionista, de acordo com os fins que apresenta para o homem e para a sociedade e com o seu conceito da natureza e da criação, não pode aprovar, por exemplo, que o Estado conceda a mais ampla e ilimitada liberdade de trabalho , sem querer saber das suas conseqüências para o operário e para a sociedade, ainda que tal inibição possa justificar-se pela convicção errada para a filosofia católica de que a harmonia dos interesses opostos se produz automaticamente. [Ao depois faz o seguinte comentário sobre a influência da ética católica]: quando a ética católica influi de modo predominante na vida pública, conseguiu que as diferentes instituições e as leis enquadrassem a atividade privada em esquemas não capitalistas... Se considerarmos a estrutura do sistema, não é difícil encontrarmos uma influência positiva do catolicismo, e se considerarmos os seus meios, descobriremos a sua relação com as restantes contingências históricas dentro das quais se foi desenvolvendo a vida daquela época [reportando-se à Idade Média]. (Idem, p.110/3).

Embora o autor acima refira-se a questões voltadas ao capitalismo e suas implicações com a Idade Média. Porém, deixa claro nestas afirmações a influência, envolvimento e a política intervencionista da ética católica, ou

quando a ética católica influi de modo predominante na vida pública. Esta

realidade a influência da ICAR herdada do período medieval perpetuou-se através da história e, em parte, pode ser sentida e vista hodiernamente em várias partes e países, principalmente na América Latina, onde o catolicismo romano predomina e triunfa como segmento ou opção religiosa sobre as demais denominações.

O aspecto da influência religiosa sobre o indivíduo e, nesse caso, do catolicismo romano, deveria fazer que o mesmo refletisse em sua vida um testemunho por atos e palavras , de tal maneira que provocasse melhorias e até mudanças no mundo; ou no mínimo, no meio social que estiver inserido. Infelizmente, esta não tem sido a realidade. Frei Josaphat, ao escrever sobre o

Evangelho e Revolução Social, preocupado com o quadro decadente que o

O maior obstáculo à evangelização do mundo neste momento [década de 60] reside particularmente neste escândalo: a vida cristã parece pactuar com as iniqüidades sociais; ou pelo menos, parece alheia à sede de justiça, e às misérias profundas das massas. Um país de maioria católica parece insensível diante da injustiça, quando esta se identifica com as estruturas, com a ordem estabelecida. (1963, p.39).

Esse indiferentismo tem sido visto contemporaneamente com maior evidência, da mesma forma quando se vê a propagação de uma peste ou um surto epidêmico que assola a sociedade. Principalmente através da desvalorização do principal instrumento utilizado pelo homem para auxiliar o próximo e valorizar a si mesmo, o trabalho; como também, os benefícios de ordem moral que ele pode proporcionar. Por isso,

É inegável que a revelação cristã valoriza o trabalho e nos aponta o seu lugar no plano divino... Igualmente, é incontestável que a tradição teológica soube daí deduzir as grandes conseqüências morais: sobre a necessidade do trabalho, como meio moral da subsistência do homem; sobre o direito e o dever do trabalho; sobre as normas de justiça que hão de presidir ao contrato e reger sua remuneração. (Idem, p.57).

Sem dúvida, o trabalho é o principal meio necessário para elevar a moral, a dignidade e o valor que o homem dá a si mesmo, ao próximo e ainda ajuda a construir uma sociedade mais justa e com melhores condições de vida. Neste sentido, Josaphat, citando, comentando e concordando com Tomás de Aquino, sobre a virtude aliada à justiça: Vindicatio , que ele prefere traduzir para Reivindicação , escreveu:

Nesta parte de sua síntese moral empenha-se S. Tomás em descrever todo o conjunto de atitudes que devem aperfeiçoar o homem justo. Qual será o seu comportamento face o mal, face a injúria aos seus direitos, aos direitos do próximo ou à honra de Deus? A resposta de S. Tomás tem em conta, de uma parte, as exigências da misericórdia para com o pecador e o dever de perdoar a quem nos ofenda; mas, de outro lado, - é o ensino formal da questão realça ele fortemente o dever de nos opormos ao mal, de castigá-lo, de exigir reparação da injustiça e de afastar eficazmente, da sociedade e da Igreja, as ameaças ao seu respectivo bem comum, social e espiritual. (1963. p.72).

Esta iniciativa orientada por S. T. de Aquino, de oposição ao mal, castigá-lo e de exigir reparação da injustiça. Parece-nos, contemporaneamente, quase que uma utopia, como também, seu eficaz afastamento, quer seja da sociedade ou da Igreja. Enquanto que, de dentro da própria Igreja emanam alguns tipos de mal55, praticados por seus próprios

líderes. Isto contraria o bem que ela prega e propaga pelo evangelho social, que deve fazer parte da vida do homem, ser refletido em sua conduta diária e em seu trabalho; cuja finalidade será de provocar uma autêntica e verdadeira revolução social.

Assim, vem a igreja romana através dos tempos, pelo evangelho social, tentando implantar uma revolução social, do homem, pelo homem e para homem, segundo suas forças, desejo e vontade. Sem preocupar-se em primeiro lugar com uma mudança em seu interior, no coração, no que diz respeito ao seu estado espiritual; que produza e reflita atos e palavras que dignifiquem o próximo e colaborem para a edificação de uma sociedade melhor. Esta questão é uma das principais diferenças entre o catolicismo romano e o protestantismo, quanto ao agir ético do indivíduo.

Por isso torna-se um ponto importante a ser considerado pelo catolicismo que tanto proclama e luta pela justiça social. Infelizmente, ela não será estabelecida somente pelo chamado evangelho social, que evoca uma mudança tão somente social/exterior e não espiritual/interior; do homem, da humanidade e consequentemente da sociedade e seu ethos. A justiça social e a melhora dos valores sociais, não serão aceitos, cultivados, assimilados e desenvolvidos, apenas pelos esforços humanos via movimento social. Pois, percebe-se, sociologicamente, que o homem não tem apresentado melhoras.

Ou seja, da parte do catolicismo romano não há uma preocupação com o estado e a vida espiritual do indivíduo, se ele apresentou, apresenta, teve ou tem tido uma nova conduta em sua vida que revele nova vida em Cristo; com a mesma importância que o protestantismo apregoa. Esta ênfase o catolicismo não exige de seu fiel seguidor, apenas o seu engajamento, compromisso e responsabilidade social que por ele é anunciado.

55 A referência específica do autor desta pesquisa quanto a este mal, tem a ver o caso dos escândalos de pedofilia dentro da Igreja, praticado por alguns padres e bispos nos últimos anos, como tem sido noticiado e a própria Igreja reconhece, inclusive pelo atual papa.

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