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4. RECOMMENDATIONS

4.3. Potential compliance issues

A percepção do mundo pela criança se dá de acordo com o seu “estádio de desenvolvimento”, de acordo com Courtney (2010), reportando-se a Piaget. Esse autor afirma:

A criança percebe o mundo de maneira essencialmente diversa do adulto, e o faz diferentemente de acordo com seu estádio de desenvolvimento. Os estádios de desenvolvimento humano são vistos como o desdobramento gradual de habilidade do indivíduo em construir um modelo interno do mundo que o cerca, e engendrar manipulações desse modelo de modo a tirar conclusões sobre o passado e o futuro. (COURTNEY, 2010, p. 267).

Conforme Piaget (2013), uma criança possui os seguintes estádios básicos de desenvolvimento, que caracterizam suas posturas ao longo do crescimento, aprendizado, amadurecimento e formação da personalidade:

• Inteligência sensório-motora (0 – 2 anos) – nessa fase, a criança está envolta em um completo egoísmo e todo o aprendizado provém da repetição dos atos; ela passa da imitação simples para as mais complexas.

• Pensamento pré-conceitual (2 – 4 ½ anos) – estádio mais evoluído, em que a criança começa a entender as palavras, vive no mundo do faz de conta, os jogos são de construção e valoriza os desenhos.

• Pensamento intuitivo (4 ½ anos – 7 anos) – a criança faz uso do raciocínio.

• Operações concretas (7 – 11 anos) – as ações passam a ser agrupadas em sistemas, aparecem as classificações, a noção de tempo e espaço passa a ser mais clara, há o desenvolvimento da imitação. O jogo simbólico passa a dar lugar ao jogo de regras. • Operações formais (11 + anos) – existe maior relação com o mundo exterior, a

criança alcança um amadurecimento.

Piaget (2013) considera que “[...] herdamos um método específico de funcionamento, uma maneira de pensar. Não que herdamos ‘o que’ pensamos, mas o ‘como’ pensamos”. A adaptação a um determinado meio é proveniente das mudanças ocorridas em nós mesmos, mas, para que isso aconteça, existe o que Piaget denomina de assimilação e acomodação. O indivíduo assimila uma experiência nova e a introduz no seu comportamento anterior acomodando-a. Assim é o jogo, nos processos de assimilação e acomodação.

O jogo de regras favorece a aprendizagem da cooperação, ao estabelecer uma forma de trabalho com os pares. O jogo teatral tem como prioridade o acordo de grupo. O processo de equilibração é promovido pela relação entre a assimilação e a acomodação. Nesse momento há o predomínio do desenvolvimento da inteligência.

Piaget (2013, p. 125) classifica as atividades lúdicas em três tipos: “exercício, símbolo e regra.” Os jogos de exercício, que predominam nos primeiros anos de vida, possibilitam que uma habilidade adquirida dê continuidade aos processos de assimilação e acomodação. Já os jogos simbólicos, precisam da representação de um objeto ausente; é o faz de conta que vem à tona. Os jogos de regras traduzem um relacionamento social, em que o grupo apresenta as regras e o seu descumprimento gera uma sanção. Eles são comuns entre as crianças de 7 a 11 anos. Conforme Piaget (2013, p. 99):

Se o ato de inteligência culmina num equilíbrio entre a assimilação e acomodação, enquanto a imitação prolonga a última por si mesma, poder-se- á dizer, inversamente, que o jogo é essencialmente assimilação, ou

assimilação predominando sobre a acomodação [...] O jogo é simples assimilação funcional ou reprodutora. (PIAGET, 2013, p. 99).

Assim, todo jogo só se explica pelo processo biológico. De acordo com a teoria do pré-exercício de Karl Gross, todo órgão só se desenvolve quando está funcionando. Já o jogo de imitação, representa uma transposição simbólica sujeitando tudo ao indivíduo. É uma assimilação básica de todas as coisas. A criança se desenvolve pelo processo de assimilação e acomodação o que permite também a evolução do jogo na sua formação.

Piaget (2013, p. 100) nos ajuda nessa discussão, ao falar sobre a qualidade da inteligência e a socialização na criança no jogo: “Com a socialização da criança, o jogo adota regras ou adapta cada vez mais a imaginação simbólica aos dados da realidade, sob a forma de construções mais espontâneas, mas imitando o real.” Esta socialização varia de acordo o contexto educacional, as fases da criança e a adaptação dos esquemas. O jogo é reproduzido sempre com uma regularidade quase que ritual. Entendemos que o jogo simbólico está associado a uma situação sem relação direta com o objeto que serve de apoio para a atividade; ele apenas traz presente a ausência.

Os primeiros símbolos lúdicos surgem quando a criança começa a falar e vão permitir a geração dos esquemas e dos conceitos, mediante o intercâmbio social. Vale lembrar que todo esquema participa sempre da assimilação e da acomodação, pois os dois processos são inseparáveis e propiciam o aspecto lúdico.

Um objeto ou movimento, ao ser assimilado a um esquema conhecido e anterior, gera a acomodação e assim sucessivamente. Isso é denominado de adaptação inteligente. De acordo com Piaget (2013, p. 102): “O jogo evolui [...] por relaxamento do esforço adaptativo e por manutenção ou exercício de atividades pelo prazer único de dominá-las e delas extrair como que um sentimento de eficácia ou de poder.”

A imitação e o jogo unem-se ao nível de representação, formando o conjunto assimilação e acomodação, pelo prazer de agir, objetivo final do jogo. A questão da consciência do faz de conta limita-se a reproduzir esquemas de determinados conjuntos. Lembramos que todo esquema participa sempre, simultaneamente, da assimilação e da acomodação, processos que são inseparáveis.

Segundo Piaget (2013), numa tentativa de classificação dos primeiros jogos, Karl Gross, depois Claparède, estabeleceram uma ordem conforme o conteúdo do jogo. Primeiro os jogos de experimentação ou jogos de funções gerais agrupados como jogos sensoriais (assobios, gritos etc.); jogos motores (bolas, corridas etc.); jogos intelectuais (imaginação e

curiosidade, cartas, xadrez); jogos afetivos (exercício da vontade); e em segundo lugar, os jogos de funções especiais (jogos de luta, perseguição, cortesia, sociais, familiares e de imitação). O jogo de bolas de gude (jogo social) é um exemplo de um típico jogo sensório- motor. Entretanto, a partir dos sete ou oito anos, é também um jogo de competição.

Os jogos possuem dois grandes conjuntos: os jogos individuais e os jogos sociais. Os primeiros, tendo como base os jogos motores e como instrumento o próprio corpo, são os jogos de destruição e os jogos construtivos (conquista das coisas); jogos de interpretação (metamorfose de coisas e pessoas). Já os jogos sociais levam em conta os jogos de imitação simples, os jogos de papéis (interpretações) e os jogos combativos (PIAGET, 2013).

Os jogos possibilitam à criança exercer atividades que lhe serão úteis na vida futura. Esse exercício possibilita uma consciência pelo simples ato de observar, interagir e respeitar as regras. O jogo pode servir a todos os fins. Permite ao indivíduo realizar o seu eu, desenvolver sua personalidade, verificar seus interesses, trabalhar as atividades sérias, além de ser uma assimilação da realidade do eu. A criança brinca porque é criança. Na sua dinâmica de vida, a maior parte do seu tempo destina-se a brincar. Essa dinâmica é governada pelas relações da criança com o seu meio e está ligada diretamente ao jogo que, muitas vezes, deriva da sua estrutura mental. O jogo começa efetivamente desde os primórdios entre a assimilação e a acomodação. Ao repetir suas condutas durante a vida, o indivíduo estabelece o esforço de aprendizagem ou de descobertas e passa a ter maior discernimento sobre suas atividades.

Um olhar sobre a educação mostra-nos como a prática pedagógica lúdica é quase inexistente. As ações são repetitivas e mecânicas, deixando de lado todo o potencial criativo e lúdico, principalmente no Ensino Fundamental. Por isso, defendemos que o ensino lúdico é aquele em que se inserem conteúdos e métodos criativos, com o propósito de construir, olhando o objeto de investigação por todos os ângulos.

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