• Aucun résultat trouvé

La politique de prix de Nintendo entre 2006 et 2007

Dans le document Décision 15-D-18 du 02 décembre 2015 (Page 12-26)

D. Les pratiques relevées

1. La politique de prix de Nintendo entre 2006 et 2007

“A juventude nem sempre existiu” afirma Solanilla (2007, p. 105) autora espanhola que tem investigado a história dos jovens. Para esta autora na história da humanidade ocidental a juventude não existiu como tal devido à ausência de ritos de passagens concretos entre a infância e a juventude. No entanto, a autora considera que a mudança e ordenação dos tempos sociais estão na base dos aspectos demográficos das distintas sociedades humanas.

Na tentativa de recorrer para os rudimentos de uma categoria social chamada “juventude” é na antiguidade e na Idade Média européia que se pode relacionar alguma categoria vinculada as imagens de juventude. Começando pela antiguidade grega a juventude aparece vinculada a ideia aristotélica de “termo médio” ou “ponto médio” como medida entre a manhã e a tarde, como momento de plenitude e equilíbrio. Por outro lado, o próprio Aristóteles situava a “juventude” como “extremo inferior” como marginalizado, covardes e que sempre temem o pior. (SOLANILLA, 2007, p. 106 tradução nossa)

Posteriormente com o desenvolvimento das cidades-estados gregas houve mudanças na configuração das etapas de vidas. Para os gregos a “juventude” estava centrada nas comunidades, momento em que vem à tona a ideia de “paideia” 72 onde a juventude está imersa nos

71 Nome fictício referente ao grupo focal desta pesquisa, Colégio Aderbal, Florianópolis, 2011. 72 Inicialmente, a palavra paideia (de paidos – criança) significava simplesmente "criação de

meninos". O termo também significa a própria cultura construída a partir da educação. Era o ideal que os gregos cultivavam do mundo, para si e para sua juventude. Uma vez que o governo próprio era muito valorizado pelos gregos, a Paideia combinava ethos (hábitos) que o fizessem ser digno e bom tanto como governado quanto como governante. O objetivo não era ensinar ofícios, mas sim treinar a liberdade e nobreza. Paideia também pode ser encarada como o legado deixado de uma geração para outra na sociedade. (ARANHA, 2008)

princípios chaves da amizade (eros) e da educação. E, para os romanos a “juventude” esteve mais centrada nas unidades familiares em que se atribuiu aos jovens um encargo de responsabilidades e obrigações com aproveitamento máximo de seu vigor para fins militares. (ibidem, p. 107, tradução nossa)

Já no período da Idade Média emerge um reconhecimento da adolescência como um processo normatizado de reprodução social, pois para fazerem parte desta cadeia os “jovens” precisam adquirir a aprovação dos maiores. Um processo de maturidade alcançada que simboliza a chegada do momento de ser “homem”.

Solanilla (2007) menciona que a era pré-industrial apresenta um jovem que vive uma situação de semi-independência. Nesta época a extensão de um sistema educativo nacional junto à própria constituição social do trabalho condizia a um cenário de falta de alternativas. As crianças desempenhavam atividades laborais desde cedo nas tarefas de casa se prolongando até o momento de seu matrimônio e constituição familiar. Um lapso segundo a autora, porque pesa ao “jovem” comportar-se como adulto.

Este comportamento de adulto vai configurar a ausência da “juventude” e quando há alguns aspectos rudimentares sobre a possibilidade de transição de geração o mesmo ocorre no contexto da adolescência.

Em uma nota de rodapé a autora comenta que falar de juventude nos dias atuais não equivale falar de adolescência. Adolescente provém do latim adolescere, crecer, adolecer. São terminologias marcadas pela falta e pela ausência. O jovem, porém, é visto como um projeto de “homem” que deve confirmar-se como tal. Nas sociedades atuais, prevalece uma definição do crescer desprovido de compromissos e projetos que se acentua pela lógica publicitária e de mercado. (SOLANILLA, 2007, p. 107, tradução nossa)

Neste sentido, está claro que embora as diferenças de idade sempre existissem ao longo da história das civilizações humanas, ainda não se constatou até o século XV e XVII um reconhecimento social sobre a juventude no sentido de estar posta num plano em que a mesma não se situe como infância e nem como adulto.

Ariès (1981), comenta que são os humanistas e religiosos que proliferam, a partir do século XV, teorias e práticas que distinguem a infância da juventude e da vida adulta, concomitantemente a isso, o crescimento do ensino que separa as crianças e “jovens” dos adultos. No entanto, este processo de transição ocorre com a distinção que Solanilla indicou entre infância e adolescência. Uma transição inicial para a

juventude, pois esta definição ainda se limitava a uma fase de vida vinculada aos processos e fases do ensino.

Com a publicação do livro “Emílio”, em 1762, Rousseau produziu em nível teórico, a concepção moderna de infância e adolescência, pois para ele a adolescência será definida como um segundo nascimento. Uma época, especialmente turbulenta, que deve ser constantemente vigiada. Essa concepção consolida-se no século XIX e, junto a ela, um interesse novo, não mais pela adolescência, mas pela juventude.

A partir de Rousseau, a juventude é considerada uma época vital prévia e exterior à vida social. Porém, cabe ressaltar junto a esta constatação do autor que com a industrialização as obrigações dos jovens com o trabalho e com o ensino deram entrada a um novo contexto histórico em que se configura uma nova condição e situação social dos jovens. Ou seja, a referência de juventude, conforme se estipula na atualidade, passou a existir a partir da passagem da infância para uma nova fase em que haja a preparação para a entrada na vida adulta através de obrigações que não se reduzem apenas à escola ou a procriação e constituição familiar, mas sim ao inventário de progresso e desenvolvimento que ocorrerá no âmbito das relações de preparo e atuação para o trabalho.

Desta forma, é instigante questionar, no contexto do surgimento da juventude na entrada do século XX o que Rousseau (1995, p. 59) quer dizer com a frase “que só agora a juventude assume uma verdadeira importância”? Em que contexto se compreende esta importância? Apesar da teoria do capital humano surgir dois séculos adiante é possível identificar uma abordagem rudimentar das proposições do “capital humano” que nasce com a juventude?

Zinnecker (1987, p. 56) afirma que este projeto já contém os elementos essenciais do conceito atual de juventude em Rousseau, com quatro modelos básicos:

1) Juventude como valor social – Embora a maioria dos

elementos constitutivos da juventude já existisse (na prática), a novidade é a sua valorização como fase da vida. Assim como aconteceu com a infância no século XVI e XVII, a juventude deixa de ser apenas uma conexão de gerações ou tempo de espera, mediante exercícios dependentes. Ela se ocupa agora com valores positivos, que não somente reabilita, mas concede dignidade própria: a juventude como possibilidade positiva de caráter e portadora de progresso social.

2) Juventude como domínio pedagógico – Para Rousseau, o

verdadeiramente para a vida e que nada de humano lhe é alheio. Até agora as preocupações foram brinquedos de criança; só agora assumem uma verdadeira importância” (Rousseau, 1995, p. 59). Neste espaço os pedagogos têm a missão de criar um entorno adequado, tomando partido em favor dos jovens para que possam tomar posição frente aos valores e normas em vigor.

3) Juventude como moratória – A partir de Rousseau, a juventude

é uma época vital prévia e exterior à vida social. Uma época de indulgência dedicada a encontrar-se a si mesmo e pôr-se à prova. Para ele, o jovem é livre das obrigações sociais que podem ser uma carga, como o trabalho, o amor e a paternidade. “Esta ideia constitui desde

então ao credo da pedagogia burguesa, assim como da moderna psicologia evolutiva do século XX, que se baseia naquela”. (Zinnecker,

1987, p. 61)

4) Juventude como evolução e crise vital produtiva – Ainda que a

fase juvenil tenha adquirido um sentido negativo, seu conceito clássico assinala, desde o início, para tarefas de desenvolvimento, especificado de modo positivo como, preparar o jovem para as relações com o sexo oposto e a formação de caráter.

O tema das gerações também se propaga com o nascimento da sociologia. Feixa & Leccardi (2010, p. 187) afirmam que uma concepção mecânica e exteriorizada do tempo das gerações foi apresentada por Auguste Comte. Essa era uma teoria totalmente interna ao positivismo comteano, ao esforçar-se para identificar um tempo quantitativo e objetivamente mensurável como critério para o progresso linear.

A palavra chave que Comte procura para a objetividade histórica é continuidade. Neste quadro analítico o progresso é identificado com as novas gerações. O tempo social é “biologizado”. De modo semelhante ao organismo humano, também o organismo social é sujeito ao desgaste. Mas, para este, as “partes” podem ser facilmente substituídas: as novas gerações tomarão o lugar das antigas. (FEIXA & LECCARDI, 2010, p. 187)

Um olhar atento para estes modelos pode revelar, neste estudo, que o conceito de juventude contemporânea já nasceu no século XX com os propósitos da teoria do capital humano, no sentido de estabelecer uma nova fase de vida onde se possa perceber um jovem dotado para uma “evolução social” que tem em vista o progresso econômico e o desenvolvimento da sociedade liberal.

Desta forma, pretende-se situar o percurso histórico da juventude no contexto da teoria do capital humano. Assim, compreende-se o

quadro, acima, de Rousseau estudado por Zinnecker (1987) da seguinte forma:

O valor social visto nos jovens é um valor referente aos anseios de uma Europa em pleno desenvolvimento que se notabilizou pelos inúmeros avanços tecnológicos. Segundo Blainey (2009) esperava-se mais neste período histórico do que jamais se havia esperado de outros. Um novo momento prometia bastante aos povos europeus, quer ainda habitassem o Velho Mundo ou as longínquas terras colonizadas. Seus filhos poderiam esperar uma educação melhor do que nunca, e o trabalho de crianças de 10 anos em tempo integral, em fazendas e oficinas, já não parecia normal. A vida melhorava, a fome diminuía, as pessoas viviam mais. Os conflitos entre as principais nações da Europa parecia se extinguir, embora grandes exércitos ainda desfilassem em feriados nacionais.

No contexto, a duração do ciclo vital se alarga perante as melhoras da saúde pública. Apesar de diminuir os índices de mortalidade o trabalho industrial absorverá todas essas melhoras em uma prolongação de exploração do trabalhador. O jovem considerado em sua plenitude física se constituiu o principal motor da indústria. A ordenação social baseada em estados cede lugar a uma nova forma de dominação fundamentada na propriedade e conforme comenta a autora:

El joven como mano de obra, sin tiempo más que para reproducirse en aras de mantener un orden social alienante y degenerativo.

(SOLANILLA, 2007, p.108)

Ou seja, o conceito de juventude nasce num século de plenas transformações onde se desponta um grande avanço no sistema capitalista em que era necessário tratar e “preparar melhor” as novas fases de vida. Para isso, era necessário pensar numa educação e numa formação específica a cada fase de vida, em especial, ao despontamento da juventude neste cenário.

Assim, o domínio pedagógico indicado por Rousseau também está posto no sentido de preparar os jovens para as normas vigentes de uma sociedade burguesa em que no século XX os jovens e as crianças já passavam pelo chão da fábrica. Ou seja, primeiramente era preciso reconhecer conceitualmente esta fase, para assim poder moldá-los e socializá-los com uma base educacional que pudesse fornecer uma mão de obra juvenil como plena potência de trabalho braçal, pacífica e submissa ao progresso e avanço do capitalismo moderno.

Já a moratória social indicada por Zinnecker nos estudos sobre Rousseau pode nos indicar, neste estudo, que o “preparo e o pôr-se a prova” se refere a todo este processo de incremento ao mercado de

trabalho que perdura até os dias atuais como uma prova de fogo em que se vive uma condição juvenil de entusiasmos únicos, mas também de cruéis expectativas de formação para o futuro. E, a fase evolutiva mostra todas as evidências de preparo que juntamente com os sentidos de crises e conflitos incorporam as três características citadas acima dando início ao desenvolvimentismo que nada mais é do que a inserção dos jovens no contexto do trabalho haja vista a perspectiva rudimentar de um “capital humano” que não leva em consideração as condições históricas e materiais da juventude, bem como uma formação educativa que leve em consideração a integralidade dos sujeitos jovens.

A crise denota um sentido de preparo para as condições inerentes a uma fase de vida que também traz seus conflitos de identidade. Este preparo tal como exposto entende uma preparação para o desenvolvimento da sociedade agregado a todos os aspectos positivistas que estão a serviço da ordem e do progresso. Assim, o preparo do caráter também se refere a uma condição juvenil que deve ser domesticada para que possam assim trabalhar, constituir famílias, procriar; e na ausência de conflitos estarem a serviço da sociedade burguesa.

Carles Feixa em seu estudo sobre “Geração XX. Teorias sobre juventude na era contemporânea” afirma que:

Según la historiografía canónica, la adolescencia fue inventada all principio de la era industrial, pero no se empezó a democratizar hasta alrededor de 1900, cuando diversas reformas en la escuela, el mercado de trabajo, la familia, el servicio militar, las asociaciones juveniles y el mundo del ocio, permitieron que surgiera una nueva generación consciente de crear una cultura propia y distintiva, diferente a la de los adultos. (FEIXA, 2006, p. 03)

Em 1899 estipulou-se na legislação britânica a proibição de aprisionar os menores de 16 anos ao lado dos adultos. Em 1908 se instaurou nos tribunais de menores medidas que alegavam o reconhecimento social de uma nova categoria de idade situada entre a infância e a maioridade. Primeiramente nos Estados Unidos e na Grã Bretanha depois no resto dos países ocidentais os jovens começaram a retardar sua inserção ao mundo do trabalho e passar cada vez mais tempo nas instituições escolares. (FEIXA, 2006, p. 4, tradução nossa)

Cabe também situar que o progressivo avanço da indústria conduziu a primeira grande conflagração bélica considerada pela história: a Primeira Guerra Mundial. A guerra é vista por uma sangria de jovens provocada pelos erros dos “velhos”. A juventude passou a “ser o caldo de cultivo do fascismo”. O Terceiro Reich73 monopolizou a educação dos jovens. Uma educação marcadamente militar que tinha como objetivo fundamental acabar com a liberdade total dos jovens. Por conta disso, a divisão das funções de gênero era radical com a eliminação total da liberdade individual e de relação familiar. (SOLANILLA, 2007, p.108, tradução nossa)

Este quadro se alterou com o término da Segunda Guerra Mundial onde a ideia predominante seria a reformulação da educação para os jovens com base nas ideias do progresso. (ibidem, p. 110)

Desta forma, o conceito de juventude emerge no século XX, num momento em que a educação é um fator de prosperidade e de poder, ideia que segundo Petitat surgiu no pós-guerra com os estados nacionais europeus. Em 1957 o lançamento do Sputnik russo contribuiu para incrementar estas preocupações: tornou-se a prova da eficácia de uma educação científica e tecnológica amplamente difundida. (PETITAT, 1994, p. 216)

Assim, a amplitude e rapidez do progresso tecnológico são vistos como as principais transformações sociais; a sociedade tecnológica necessita de mais gente formada para corresponder suas necessidades.

“Como consequência a educação – em particular a formação técnica e específica – é concebida como um fator criador de progresso econômico e de poderio nacional.” (PETITAT, 1994, p. 216)

O autor ainda comenta que neste momento buscou-se sondar as “reservas de talentos” e avaliar o papel do “capital humano” no crescimento econômico. (ibidem, p. 216). Mas, quem são os talentos que está se falando?

Ora, os estudantes que precisam entrar na corrida competitiva, lançada no século XX, não podiam e não eram apenas vistos como estudantes ou alunos. Pois, para os idealizadores do “capital humano” trata-se de perceber uma fase de vida – a juventude – que traz uma “reserva potencial” muito bem estipulada nas características apresentadas por Rousseau. Uma reserva potencial típica da fase de vida juvenil.

73 A Alemanha Nazi ou nazista, também era chamada de Terceiro Reich. Oficialmente desde

Petitat ao referir-se a questão das desigualdades de oportunidades escolares comenta as técnicas utilizadas para calcular a “reserva potencial”. Wolff (Holanda), Hansen (Dinamarca) e Hüsen (Suécia) designaram alunos capazes de prosseguir estudos superiores, mas que não estão encaminhados para tal, sendo que uma sofisticação na forma de calcular a “reserva de talentos” consiste em considerar os filhos das camadas superiores em condições reais para seguir os estudos superiores. (PETITAT, 1994, p. 218)

No entanto, essa realidade não é apenas referente daquele momento histórico. É uma realidade crescente que não apenas mostra a competitividade e a busca pelos “talentos”, mas se desdobra numa realidade mais complexa e acirrada porque situa os jovens estudantes da realidade presente num cruel afunilamento de competências como um processo seletivo gerador de desigualdades sociais, seja sobre o ponto de vista da ascensão e mobilidade através do trabalho, seja sobre o ponto de vista da formação identitária.

A interpretação destes reflexos na sociedade do século XXI está presente no recente trabalho de Saneh (2010), pois segundo ele são jovens cada vez mais “apertados” 74 pelas novas exigências curriculares que parecem acompanhar sempre o ritmo de aprendizado das classes média e alta, aumentando, progressivamente, a pressão nos que não têm condições de cursar aquela universidade valorizada, frequentar os tais cursos de idiomas “obrigatórios”, contar com a ajuda de amigos influentes para dar “boas referências”. As facilidades de que dispõem os jovens das classes altas para entrar no mundo do trabalho – ou mesmo para permanecer distante dele – mostra que a adaptação tem níveis bem distintos, diferente do que costuma afirmar a propaganda capitalista do mérito democratizador. (SANEH, 2010, p 09)

O processo de socialização das gerações mais novas, notadamente os ambientes da educação e trabalho também tem como regra, no sentido ideológico, universalizar – como obrigatório, produtivo, eficiente, correto, inteligente – justamente as exigências particulares do modelo gerencial capitalista. Ser “inteligente”, “produtivo”, significa, via de regra, aos jovens em formação, ter que provar que podem “rezar” com maior fervor conforme as chamadas leis

74 O sentido da expressão é utilizado pelo autor para acentuar a crescente sensação de aperto,

pressão e tensão vivida pela protagonista do conto “A volta do parafuso” de Heny James. O uso indiscriminado do termo competição e sua real função opressora na “gerência” capitalista exercem um efeito comparável ao parafuso de James nas classes pobres – e particularmente nos jovens que chegam ao mercado de trabalho.

do “mercado”. Os mecanismos de adaptação das novas gerações (não somente das novas, mas principalmente) ao mundo “pós-industrial”, à “sociedade de consumo”, à “sociedade do conhecimento”, da “informação”, das “revoluções tecnológicas”, das “inovações gerenciais” – e, consequentemente, da barbárie, da exploração, da opressão e da dominação de classe que estes rótulos interessadamente ocultam – evidenciam a permanência do mais vulgar funcionalismo. (SANEH, 2010, p. 05)

Sendo assim, não é a toa que o conceito de juventude surgiu num dado momento histórico em que a Europa presenciou amplo desenvolvimento tecnológico e industrial. Ou seja, o conceito de juventude foi criação de uma sociedade burguesa do século XX, que intencionalmente, se atribuiu de valorização das capacidades humanas como um valor que possa selecionar e preparar os jovens como “talentos” para uma sociedade tecnicista, atrelando a ela a exclusão escolar e social ou o nivelamento para uma pedagogia da fábrica. Assim, a grande maioria que não se enquadra nas perspectivas de “talentos” permanece na berlinda da violência, do desemprego, da precariedade de formação escolar, na ausência de perspectivas futuras.

Por outro lado, diante desta nova categoria social, chamada juventude, também se desdobrou, no contexto acadêmico, outras perspectivas conceituais que passaram a compreender esta fase de vida como uma condição única de “ser” e “viver” como jovem. E, se as idades de vida sempre existiram ao longo da história a fase de vida denominada juventude é vista como fruto de uma sociedade moderna em que todas as expectativas de ser jovem ainda prevalecem como um “vir a ser”; como um sujeito em desenvolvimento social, biológico, cultural, psíquico.

Neste ponto recaem os estudos interdisciplinares sobre a juventude, inclusive aqueles que incorporam aspectos mais românticos e simbólicos das “boas fases de vida” que podem revelar alguns entusiasmos por parte dos jovens e esperanças de mudanças diante de uma sociedade que não permite uma formação crítica, reflexiva e livre

Dans le document Décision 15-D-18 du 02 décembre 2015 (Page 12-26)

Documents relatifs