Tendo como delimitação de enfoque os jovens pertencentes ao município de Florianópolis é pertinente levantar alguns dados sobre a população jovem local. Ou seja, em se tratando da distribuição da
população o senso do IBGE (2010), indica que o município consta com uma população de 421.240. Deste total 17,52% representa a população jovem de 15 a 24 anos, sendo que dos 15 aos 19 anos o percentual do sexo feminino e masculino são iguais (3,9%) e dos 20 aos 24 anos de idade é levemente maior para o sexo masculino (4,9%) comparado ao grupo feminino (4,8%). (IBGE, 2010)
Gráfico 10 – Distribuição da população segundo os grupos de idade, Florianópolis, SC, Brasil, 2010. 17,90% 17,52% 27,20% 25,88% 11,50% 0,00% 5,00% 10,00% 15,00% 20,00% 25,00% 30,00%
menos de 14 anos 15 a 24 anos 25 a 39 anos 40 a 59 anos mais de 60 anos
Fonte: Elaboração própria segundo IBGE, 2010.
Segundo os dados do IBGE (2010), o município de Florianópolis apresenta uma população urbana de 96,2% e uma população rural de 3,8%. As matrículas para os jovens do Ensino Médio concentram-se apenas no setor urbano totalizando 16.684 matrículas regulares para o ano de 2010 distribuídas em 27 escolas.
Com isso, o número de matrículas alcança apenas 51,22 % da população jovem pertencente a faixa etária dos 15 aos 19 anos. Um número extremamente baixo ao considerar que a média de entrada no Ensino Médio é de 15 anos ou mais.
Tabela 8 – Censo Escolar, Florianópolis, Brasil, 2010.
Estadual Federal Municipal Privada Total
Creche 67 153 4.841 2.062 7.123 Ed. Infantil Pré-Escola 81 99 5.366 3.146 8.692 Anos Iniciais 8.499 342 6.723 6.886 22.450 Ensino Funda-
mental Anos Finais 10.494 293 8.465 6.823 26.075
Ensino Médio 9.779 1.092 0 5.813 16.684 Educação Profissional (Nível Técnico) 140 1.363 0 1.933 3.436 Fundamenta l2 1.100 0 1.127 232 2.459 EJA (presen- cial) Médio2 2.585 55 0 992 3.632
Fonte: Censo Escolar, Educacenso, 2010.
Focando as atenções para o Ensino Médio, período do ensino em que se concentram maior número de jovens estudantes, a tabela 8 indica um decréscimo de matrículas na transição do Ensino Fundamental para o Ensino Médio. A diferença das totalidades das matrículas dos anos Finais entre o Ensino Fundamental para o Ensino Médio é de 9.391. Um dado que faz questionar para onde vão os jovens que deixam de cursar o Ensino Fundamental? Embora as gerações de jovens dos anos finais do Ensino Fundamental não sejam as mesmas, ainda assim é possível comparar quando se leva em consideração dois anos finais para três anos de Ensino Médio.
Tabela 9 – Matrícula Regular do Ensino Médio no Município de Florianópolis, SC, Brasil, 2008-2010.
Matrículas de Ensino Médio
Ano Diurno Noturno Total 2008 6.162 3.906 10.068 2009 6.390 3.480 9.870
2010 - - 9.779
A tabela 9 revela um decréscimo nas matrículas de Ensino Médio nos últimos três anos. Embora as matrículas de 2010, para os turnos diurnos e noturnos, não sejam divulgadas nesta pesquisa, verifica-se que o total de matrículas é o menor dos três anos. E, sobre esta evidência questiona-se se este é o mesmo quadro para os demais municípios do Estado ou do Brasil?
A tabela 10 revela que no Estado de Santa Catarina as matrículas do Ensino Médio no seu total é praticamente a metade das matrículas nos anos finais do Ensino Fundamental, ou seja, uma proporção de 450.188 para 247.367. Também chama atenção que a Educação de Jovens e Adultos atinge um número equivalente a 82.801 para o Estado de Santa Catarina.
Tabela 10 – Censo Escolar, Matrícula Inicial no Estado de Santa Catarina, Brasil, 2010.
Estadual Federal Municipal Privada Total
Creche 67 153 88.879 22.977 112.076 Pré-Escola 81 99 127.837 24.387 152.404 Ed. Infantil Total 148 252 216.716 47.364 264.480 Anos Iniciais 133.678 342 240.296 43.449 417.765 Anos Finais 246.016 293 165.133 38.746 450.188 Ensino Funda- mental Total 379.694 684 405.429 82.195 734.324 Ensino Médio 207.696 3.571 1.209 34.891 247.367 Educação Profissional (Nível Técnico) 9.332 5.435 17 24.181 38.965 Fundamental2 21.956 14.649 1.299 37.904 EJA (presen- cial) Médio2 38.151 226 2.819 3.701 44.897
Fonte: Censo Escolar, Educacenso, 2010.
Outra questão, clássica nas pautas da educação se refere às taxas de reprovação e abandono, pois as taxas de aprovação na Rede Estadual de Ensino no município de Florianópolis tendem a decair progressivamente da Educação Infantil ao Ensino Médio. Além disso, o maior índice de reprovação de toda Educação Básica ocorre no primeiro ano de Ensino Médio, assim as maiores taxas de abandono pertencem ao Ensino Médio principalmente no primeiro ano do Ensino Médio. Em outras, palavras mais uma vez o público mais vulnerável da Educação Básica tem sido: os jovens do Ensino Médio.
Tabela 11 – Taxa de Rendimento da Rede Estadual de Ensino, município de Florianópolis, SC, Brasil, 2009.
Série/Ano Taxa
aprovação
Taxa
reprovação Taxa Abandono
1° série/2° ano EF 97.10 1.80 1.10 2° série/3° ano EF 85.80 12.80 1.40 3° série/4° ano EF 96.80 2.80 0.40 4°série/5°no EF 91.30 7.20 1.50 5° série/6° ano EF 71.70 24.00 4.30 6° série/7° ano EF 73.50 22.50 4.00 7° série/ 8° ano EF 79.10 16.90 4.00 8° série/ 9° ano EF 86.30 8.10 5.60 1° ano do EM 60.50 25.50 14.00 2° ano do EM 76.20 13.00 10.80 3° ano do EM 77.00 9.30 13.70
Fonte: Elaboração própria segundo MEC, 2009.
Os dados da Educação servem neste estudo como um guia de desfecho sobre as análises dos dados estatísticos aqui levantados. Ou seja, tendo como panorama a vulnerabilidade da juventude nas regiões norte e nordeste do Brasil, em contrapartida na região sul que apresenta melhores condições, ainda assim, é preciso olhar as diferentes situações com uma “lupa”. E, ao olhar para o município de Florianópolis ainda há muito que se fazer pela educação dos jovens.
Estes dados da tabela 11 demonstram que antes de chegar ao mercado de trabalho é na educação que os jovens, evidenciam através destes dados, um percurso marcado pelo desencantamento com a continuidade de sua trajetória escolar. Enquanto tivermos, no Brasil, jovens saindo das escolas sem perspectivas de vida avista-se uma sociedade mantida pela ótica do lucro onde o “capital humano” permitiu se apoderar da minoria dos jovens (muitas vezes da elite) como “massa” intelectual pensante em nome da ciência e do capital e se apropriando do exército industrial de jovens para garantir mão de obra braçal e de serviço barata. Eis, a lógica que aparentemente “dá certo” para o capital e, portanto, ainda insiste em se manter em forma de colapso.