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II. MISSIONS STANDARD DE L’INGENIEUR METHODES

2. PLANNING

2.3 PLANNINGS, SATURATION & ORGANISATION JOURNALIERE

No âmbito da ontologia, como vimos, a questão de Deus é expressa por Tillich no momento em que o autor fala sobre a “revelação”. Em sua doutrina de Deus, Tillich intro- duz um dos principais conceitos de sua Teologia Sistemática, a saber: a preocupação última. Há uma íntima relação entre revelação e preocupação última. O que há de comum entre am- bas é que elas utilizam o mesmo recurso: o símbolo religioso.

3.4.1 O significado de símbolo

Em seu livro A Dinâmica da Fé, especificamente na parte que fala de símbolos, Tilli- ch expõe que “aquilo que toca o homem incondicionalmente precisa ser expresso por meio de símbolos” (TILLICH, 1985, p.30); diz também que “apenas a linguagem simbólica con- segue expressar o incondicional”. O autor destaca seis características específicas dos símbo- los: indicar algo que se encontra fora deles; participar da realidade em que eles apontam; capacidade de levar-nos a realidades inacessíveis (ex. a arte e a poesia); abrir dimensões e estruturas da nossa alma que correspondem às dimensões e estruturas da realidade (ex. a música); a impossibilidade de serem inventados arbitrariamente devido a sua proveniência do inconsciente individual ou coletivo e também devido o modo em que eles “sobrevivem” somente quando radicam no inconsciente do nosso próprio ser; o surgimento e desapareci- mento deles no tempo determinado – eles não morrem por causa da crítica, mas quando não mais encontram repercussão nas comunhões em que foram expressos (cf. p.31-32).

Para Tillich, o símbolo não é apenas um sinal objetivo que indica um caminho aos que o visualizam. Como sinal, o símbolo também indica uma realidade fora dele mesmo; mas, diferente do sinal, o símbolo participa dessa realidade. A diferença entre o símbolo e o sinal é que o sinal é somente objetivo, enquanto o símbolo traz consigo elementos objetivos e subjetivos. O símbolo participa daquilo que ele indica. Uma bandeira, por exemplo, partici- pa do poder e do prestígio de uma nação pela qual ela é levantada (cf. TILLICH, 1986, p.31). O sinal, por sua vez, aponta para uma realidade externa: o sinal vermelho, por exem- plo, indica uma lei para um carro parar; os carros param porque há uma convenção que rela- ciona o sinal vermelho com o parar do carro, porém, ambos não se identificam diretamente.

3.4.2 Símbolo, revelação e Deus

Segundo Tillich, todo sistema ontológico traz consigo, implicitamente, uma preocupa- ção última. Ora, se a preocupação última está implícita nos sistemas ontológicos, é preciso mostrarmos de que modo ela pode ser revelada. Para tal, devemos pensar no que Tillich concebe como “revelação”, e a relação entre o símbolo e a preocupação última.

Para Tillich, uma revelação remove o véu de algo que está oculto de forma especial e extraordinária. Esse caráter oculto é geralmente chamado de mistério. A revelação dá a co- nhecer algo; porém, trata-se de um evento que “contradiz a atitude de cognição comum” (TILLICH, 2005, p.121), pois, “o que é essencialmente misterioso não pode perder seu cará- ter de mistério, mesmo quando é revelado” (p.122). O símbolo se vale disso, através dele a realidade misteriosa do fundamento e o abismo de nossa existência é expressa e também oculta; ele revela e esconde ao mesmo tempo. A “realidade do mistério se torna uma ques- tão de experiência” (p.122). Essa expressão “experiência”, como vimos, está mais voltada à vida cotidiana do que às experiências científicas.

Segundo Tillich, o mistério que se revela é nossa preocupação última, porque isso é o fundamento de nosso ser. O caráter revelador do símbolo depende da correlação entre obje- tividade e subjetividade, entre aquilo que é simbolizado e as pessoas que o recebem como símbolo (p.245). “A revelação é a manifestação daquilo que nos diz respeito de forma últi- ma. (...) Só o mistério que é de preocupação última para nós aparece na revelação” (p.123). Ademais, segundo o autor, as afirmações sobre a preocupação última sempre carregam sig- nificado simbólico; os símbolos participam naquilo que designam e apontam para além de si mesmos (cf. TILLICH, 2005, p.122).

No início do capítulo, mostramos a maneira com que Tillich concebe Deus como pre- ocupação última. Esse foi um meio utilizado pelo autor para mostrar de que modo a questão de Deus está presente na ontologia. Ademais, a pergunta pelo sentido do ser expressa a pre- ocupação última do ser humano. Nota-se que, no âmbito da Teologia Sistemática, a preocu- pação última é o elemento utilizado por Tillich para mediar a relação entre filosofia e teolo- gia. Uma vez que há preocupação última nos sistemas ontológicos, há também espaço para a teologia na filosofia e vice-versa. Com efeito, se há preocupação última, há igualmente ex- pressões simbólicas, que não apenas apontam um caminho objetivo, mas demonstram fortes subjetividades por trás do conhecimento. Apesar de a ontologia tentar se sustentar no âmbi- to da objetividade, é inevitável que se considere o sujeito e o eu, como vimos no primeiro

nível de conceitos ontológicos. Além disso, é inevitável que utilizemos a imaginação para estabelecer os fundamentos para o conhecimento.

A grande diferença de Tillich com outros filósofos e teólogos de seu tempo é que, a- lém de mencionar o papel da imaginação, ele também mostra a importância da fé para a atitude cognitiva e para a filosofia. Em seu dizer, há sempre uma verdade pressuposta nos discursos, pensamentos e sistemas ontológicos; e essa verdade é o próprio ser. Ela não pode ser totalmente revelada porque precede a atitude cognitiva. Mas ela se revela como preocu- pação última e fundamental de todo ser humano que pergunta pelo significado do ser. Em outras palavras, o ser é aquilo que nos preocupa de forma última. Ora, se a preocupação não é preliminar ou relativa, então é uma preocupação suprema e divina (fé). Portanto, toda pre- ocupação última é uma preocupação teológica, e nada melhor do que os símbolos teológicos para mostrarem o sentido das nossas preocupações últimas.

Mas de que modo alcançamos uma compreensão de Deus a partir dos símbolos religi- osos? Os símbolos religiosos nos remetem a uma compreensão de Deus como “totalmente Outro”. Podemos crer e confiar nEle, mas não o conhecemos em sua plenitude. Conhecemos nossas limitações e nossa necessidade de Deus, mas não o conhecemos em sua plenitude. Por isso, utilizamos símbolos que nos remetem a Ele. Quando o chamamos de Pai, utiliza- mos uma figura finita para expressar nossa devoção pelo que é infinito. “Quando os símbo- los „vida‟, „espírito‟, „poder‟, „amor‟, „graça‟, etc., são aplicados a Deus na vida devocional, constituem elementos dos dois principais símbolos de nossa relação com Deus: Deus como Senhor e como Pai” (TILLICH, 2005, p.290).

No âmbito da doutrina de Tillich sobre Deus, após considerar a identidade entre o ser e Deus, Tillich expõe três outros nomes para Deus, a saber: Deus como vivente; Deus como criador; Deus como relação. Cada uma dessas categorias aplicadas a Deus são aplicadas no sentido simbólico: “Se afirmamos que Deus está em relação, esta afirmação é tão simbólica quanto a afirmação de que Deus é um Deus vivo. E toda relação especial participa desse caráter simbólico” (p.276). Ora, se todas afirmações que fazemos sobre Deus são simbóli- cas, poderíamos afirmar que Deus é um símbolo? A pergunta se Deus é apenas um símbolo, para Tillich, é totalmente errada, pois suscitaria outra pergunta (“símbolo de que?”) que só poderia ser respondida através de outro símbolo idêntico: Deus. Isso significa que “Deus” simboliza o próprio Deus. Por isso, é preciso distinguir dois elementos em nossa concepção de Deus: “o elemento incondicional, que se manifesta na experiência imediata e não é sim- bólico” e o “elemento concreto, que é obtido de nossa experiência comum e é simbolica-

mente relacionado com Deus” (TILLICH, 1985, p.33-34). Nota-se que até mesmo na obra A dinâmica da fé há uma separação entre o elemento concreto e o elemento incondi- cional em nossa concepção de Deus. Ademais, é necessário estabelecer uma afirmação não- simbólica que dê sentido ao que compreendemos como símbolos; caso contrário, o símbolo perde completamente seu sentido.

O fundamento para todas as relações simbólicas é a afirmação de Deus como o ser- em-si. “Deus como ser-em-si é o fundamento de toda relação; em sua vida, estão presentes todas as relações situadas para além da distinção entre potencialidade e efetividade” (TIL- LICH, 2005, p.275). Portanto, só há sentido em dizer que Deus é um símbolo se houver uma compreensão prévia não-simbólica do caráter de Deus, isto é, a compreensão de que Deus é o próprio ser.

3.5 O significado de Deus como ser: problemas de interpreta-

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