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Questions de terminologie et propositions de définitions

ANNEXE 8 Plan Alimentaire Territorial

Quando se diz que o objeto de estudo é uma língua reconstruída – será dedicado parte do segundo capítulo deste trabalho para explicar o método por meio do qual se chegou até o Nostrático – está-se afirmando pelo menos duas coisas: 1) que não existem registros escritos nessa língua, e 2) que ela foi postulada por meio de um método linguístico-histórico.

O Nostrático é uma língua reconstruída com base na comparação exaustiva e detalhada entre todas as diversas línguas vivas e as reconstruções de outras protolínguas como o Proto-Indo-Europeu, o Proto-Semita e o Proto-Urálico.

Uma língua não é falada sem relação com a realidade. Ela supõe a presença de uma cultura: organização social, meio de vida, religiosidade, meio natural etc. Não existe língua sem um contexto, e, por isso, não é possível existir o Nostrático sem o meio em que ele era falado (LOPES, 1979). Por ter o Nostrático o status de língua hipotética reconstruída, assume-se que o mesmo não tenha sua existência como certa. As diversas evidências a favor são exaustivamente estudadas e postas à prova. O mesmo processo se repete com famílias linguísticas como o Semita, o Indo-Europeu ou o Tupi- Guarani. Nenhuma reconstrução hipotética de qualquer língua ágrafa dá cem por cento de certeza de sua existência ou de sua estrutura (CAMPBELL, POSER, 2008).

Como observa-se na Árvore da Figura 2, originalmente a família linguística se diferenciou em quatro diferentes grupos: Eurasiático, Dravido-Elamita, Kartveliano e Afrasiático. O grupo eurasiático se diferenciaria em Esquimó-Aleúte, Indo-Europeu e no supergrupo Uralo-Altaico, do qual derivariam posteriormente as famílias Urálica, Altaica e Coreo-Japonesa. Do grupo Afrasiático, como já explicado acima, derivariam os grupos Semita e Norte-Africano (Berbere, Cuxítico, Chádico, Camítico e Omótico). Pelas evidências etimológicas apontadas por Dolgopolsky (2008) – alguns povos de origem nostrática apresentando uma estrutura religiosa comum anterior à agricultura – suspeita-se que a diferenciação nos quatro grupos tenha se iniciado antes de 10.000 AEC, quando a maioria das etnias no planeta ainda vivia no Paleolítico. Mesmo assim, os povos de origem nostrática já demonstravam uma cultura e uma tecnologia neolíticas.

Figura 2: Árvore genealógica do Nostrático. 15.000 AEC 14.000 AEC 13.000 AEC 12.000 AEC 11.000 AEC 10.000 AEC Nostrático Eurasiático Dravido- Elamita Kartveliano Afrasiático

Pelas reconstruções de Dogolpolsky e Starostin, realizando o cálculo das mudanças semânticas, chegou-se à data relativa de 15.000 a 8.000 AEC. Precisamente é o período que coincide com o final do Paleolítico Superior, com o fim de uma Era Glacial e com o advento da agricultura, e período também das culturas mais suspeitas de terem abrigado a língua Nostrática: a Zarziense – de cerca de 12.000 AEC –, a Natufiense e a Kebarense (LEROI-GOURHAN, 1976), todas correspondendo ao eixo de sítios de assentamento pós-glaciais que iam da Índia até Israel, passando por todos os lugares relacionados às culturas arqueológicas em questão.

Essas culturas em questão representam o Período Mesolítico, quando a tecnologia de pedra mudou dos diversos estágios cada vez mais complexos de pedra lascada até o refinamento da pedra polida, com a presença de micrólitos e vestígios de uma vida urbana incipiente (LEROI-GOURHAN, 1976).

Curiosamente, apesar de extenso vocabulário xamânico referente à alma, aos espíritos e ao voo mágico encontrado pelos nostraticistas, faltam nessa língua indícios de um vocabulário para a agricultura ou a pecuária. Porém, um léxico voltado para a guerra, a caça, a coleta e descrevendo toda a variedade de vida no mundo natural é bastante amplo. Faltam também palavras para descrever o uso e o manuseio de metais, e também referentes a metais específicos (BOMHARD, 2008). Isso leva a crer que essa língua era falada por povos do Neolítico ou do Paleolítico Superior que não tinham ainda avançado tecnologicamente em relação aos demais povos do Oriente Próximo (LEROI-GOURHAN, 1976).

Como os sítios arqueológicos com domesticação de gramíneas mais antigos estão entre os milênios IX e VIII AEC, no Iraque (LEROI-GOURHAN, 1976), isso leva a crer que o Nostrático já havia se diferenciado em suas variantes descendentes, predominando na região o Afrasiático, uma vez que a mesma técnica de polimento de pedra com uso dos micrólitos encontrados em Zawi Chemi Shanidar (Iraque) podia também ser encontrada por todas as regiões referentes aos povos afrasiáticos – Península Arábica e Norte da África (LEROI-GOURHAN, 1976).

Outros elementos tecno-culturais espalhados por entre os povos afrasiáticos envolviam também a domesticação de caprinos e o uso de arquitetura de substrato lítico (uso da pedra nas fundações das construções) (LEROI-GOURHAN, 1976). A influência dessa nova realidade no mundo Afrasiático não passou despercebida à religião:

Unas figuritas femeninas y animales de piedra o en arcilla sin cocer están en ὄelacíon, probablemente, con las prácticas de cultos; poca cosa se conoce de los ritos funerarios; en Jarmo inhumanaciones se practicaban bajo el suelo de la casa; en Hacilar han sido recogidos en las casas cráneos aislados, colocados sobre piedras, lo que hay que relacionar con el culto a los cráneos [...] (LEROI-GOURHAN, 1976, p.88).

Como já citado anteriormente, havia a presença entre diversos sítios afrasiáticos também de santuários de pedra nos quais se sacrificavam animais e se ofereciam os frutos da terra (LEROI-GOURHAN, 1976), ou simplesmente se sepultavam os mortos enterrados, como ocorria às sementes, mostrando extensa influência dos ritos xamânicos, mas já com forte presença de ritos voltados para a agricultura.