5 Solid-State Image Sensing
5.3 Photocurrent processing
“(...) a topografia perdura e os terraços, construídos, estão ainda muito presentes. Por isso, a defesa da autenticidade do valor cultural da paisagem ribeirinha de Gaia passa pelo respeito pela topografia, pelas construções, pelos muros, pelo cadastro, os mi- radouros e pelos telhados, importando ainda considerar a rede de caminhos/ruas e as manifestações do cruzamento de culturas com uma história social longa e complexa.” (Teresa Andresen in Livro de Atas, 2017, pp.164-165)
Salientando a análise de Teresa Andresen e congregando a visão de Malcom Miles (2006), a observação da cidade do topo de um edifício ou de um local elevado, pode ser considerada um mapa, cujo padrão, escalas das ruas e quarteirões, surgem em duas dimensões, tornando- -se todas as pessoas simples pontos anónimos.
Figura 60
Na interpretação da cidade real, o centro histórico de Vila Nova de Gaia, cuja morfologia peculiar concede inúmeros pontos de vista, é de salientar algumas considerações sobre a importância da perspetiva capturada da imagem da cidade. A cidade vista do topo pode desta forma traduzir-se numa imagem unificadora, única no seu conceito, refletindo um padrão coeso, oposto à visão do solo composta por layers que se alteram continuamente ao longo de um trajeto.
A vista analisada a uma cota alta revela semelhanças ao próprio de- senho do mapa, uma visão homogénea, onde se salientam os marcos urbanos e as dinâmicas de circulação.
Ainda de acordo com Miles (2006), a imagem da cidade tal como um postal ou foto instantânea de família, engloba a sua relação com peão. Ela é em parte determinada pelas associações pessoais que a imagem provoca, e em parte pelo ponto de vista em que é observada. Enquanto num postal, a imagem da cidade é capturada sob um ponto de vista pensado e estratégico, de forma coerente e dando enfoque muitas vezes aos elementos de destaque da cidade, as fotos instantâ- neas sugerem um momento espontâneo, um instante na diversidade da cidade, representando a cidade numa única ideia.
Mas é na visão noturna desta cidade em particular, que mais se acen- tua a imagem unificadora quando vislumbramos, no alto de todo o envolvimento da serra do pilar, uma luz que emana historicidade, contrastando com as letras soltas em néon identificadoras das caves que salpicam o território e acompanham o douro, produzindo ainda o seu reflexo. Embora, distantes no tempo, na luz e no brilho, é este contraste que lhe dá a dignidade e unicidade, afastando-a da ima- gem, já um pouco habitual da alusão/ilusão de um presépio dada pela morfologia em socalcos do Centro Histórico.
Figura 61
Vista da zona ribeirinha e castelo. autor luisa meireles . flickr
Figura 62 Arquivo autor
Figura 63 Arquivo autor
Com base no documento de enquadramento estratégico Masterplan Cidadegaia, que visa a revitalização do Centro Histórico de Vila Nova de Gaia, desenvolvido pela ParqueExpo em colaboração com o Mu- nicípio, divulgado no fim de 2006, pretende-se analisar quais as ca- racterísticas definidoras da realidade existente, de forma a identificar potencialidades e condicionantes.
Este documento possui uma dimensão estratégica de intervenção, que se enquadra nas orientações do Programa Nacional de Política de Ordenamento do Território, no sentido de identificar necessida- des de forma a garantir um projeto adequado de reabilitação do território demarcado, sem ignorar o valor subjacente à sua história. Neste sentido, foram auscultadas diversas entidades públicas e priva- das relevantes, agentes políticos, económicos e sociais, salientando a Câmara Municipal, Junta de Freguesia de Santa Marinha, IPPAR, APDL, Instituto do Vinho do Porto, Empresas proprietárias das Caves de Vinho do Porto e respetiva Associação AEVP.
O reconhecimento territorial prende-se, contudo, com o levantamen- to do espaço público e com a marcação dos locais de potencial inte- resse e relevância de forma a delimitar uma cartografia visual, através da decomposição de diferentes áreas tipológicas da malha urbana e dos pontos focais de dinamização de fluxos.
É necessário referir que o centro histórico encerra um edificado representativo da sua história, tendo sido destacado, no séc. XVIII, como depósito geral dos vinhos do Douro. Desta forma, o conjunto tipificado de armazéns foi-se impregnando numa morfologia irregular, ao longo dos tempos, absorvendo atualmente uma área aproximada de 430.000m2, e destacando-se num padrão de letras soltas e telhados com grande expressividade no contexto visual. É imprescindível mencionar que a construção da ponte D. Luís I, em 1886, incitou uma profunda transformação na cidade, despertando o desenvolvimento da zona Alta da cidade, sendo a Avenida da Re- pública reflexo do seu crescimento. Esta nova centralidade provocou a perda de importância da frente ribeirinha, levando ao declínio da malha urbana e esmorecimento do tecido comercial.
Neste sentido, hoje há uma necessidade de reconversão urbanística do centro histórico com o propósito de reafirmar e reclamar a impor- tância outrora tida.
Esta necessidade de recuperar para os tempos atuais a dignidade per- dida, comum no espaço e no tempo a diversas cidades e territórios, traduz-se em intenções políticas e urbanísticas no sentido da criação de pólos atrativos no campo cultural, turístico, comercial e habitacio- nal, de forma a definir e afirmar contornos de uma identidade coletiva territorial.
Importa indicar que, no âmbito da área metropolitana onde se insere, tendo em consideração a proximidade física com o centro histórico do Porto, a forte presença das Caves do Vinho do Porto, 55% da área de intervenção, o centro histórico pode já ser considerado um pólo primordial de atração turística, com número aproximado de 600.000 turistas/ano (INE, 2011).
Ao ser destacada como área de grande potencial para o investimen- to surgiram ao longo dos últimos anos inúmeros projetos de inte- resse relevante nomeadamente o Cais de Gaia, o Hotel Yeatman, a