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Phase 2: Tests at other temperatures on CANDU pressure tube

CHAPTER 4. RESULTS AND DISCUSSION

4.3. Phase 2: Tests at other temperatures on CANDU pressure tube

O GVC approach é um modelo de análise no qual aspectos como coordenação, governança e atualização se configuram como elementos essenciais para o entendimento do que se denominou Cadeias Globais de Valor. O GVC approach derivou das pesquisas realizadas pelos teóricos do sistema mundo: Hopkins e Wallerteins (1977, 1986) sobre as commodity chains -

que tinham como objetivo compreender como as forças econômicas mundiais estavam organizando a produção em uma parcela crescente do “mundo”, ou seja, compreender o desenvolvimento do capitalismo moderno - que foram reformulados na década de 1990 sob o conceito de Cadeias de Commodities Globais (CCG) por Gereffi e Korzeniewicz (1994), conforme apresentado e discutido na seção anterior que descreve a gênese do conceito das CGVs.

Contudo, esses conceitos foram reformulados por um grupo de pesquisadores no início dos anos 2000 com o objetivo de criar uma estrutura comum de análise que usasse termos padrão para descrever as interações complexas existentes entre empresas que diferem em natureza, escala e escopo, mas que estão altamente interconectadas ao mesmo tempo que dispersas geograficamente através de uma estrutura de governança, dando origem ao desenvolvimento da abordagem denominada GVC approach.

A abordagem GVC approach tem como objetivo central compreender as dimensões sociais e organizacionais das redes de comércio internacionais que usam a coordenação como base de abastecimento. Assim os estudos sobre a égide do GVC approach examinam as diferentes formas nas quais os sistemas de produção e distribuição estão integrados e quais as possibilidades para empresas dos países em desenvolvimento existentes para melhorar suas posições nos mercados globais (GEREFFI, 1994, 1999, 2005; FREDERICK, 2014).

Seu surgimento está vinculado à análise da globalização, ou ainda, aos mesmos fatores que conduziram a fragmentação e dispersão produtiva como os avanços tecnológicos nos transportes e comunicação e a liberalização do comércio internacional que ocasionou a redução das barreiras comerciais e que permitiu que empresas multinacionais dispersassem suas atividades de acordo com estratégias de ganho de competitividade, acessando novos mercados. Para tanto, resguarda muitos dos fundamentos analíticos traçados por Gereffi e por autores como Raphael Kaplinsky, Tim Sturgeon, John Humphrey e Hubert Schmitz (GEREFFI, 1994, 1999, 2005; FREDERICK, 2014).

O GVC approach é uma perspectiva analítica que permite traçar discussões sobre o papel das CGVs dentro de uma economia globalizada, na qual a crescente integração dos mercados mundiais através do comércio trouxe consigo uma desintegração das empresas multinacionais, que resultou em um aumento do comércio internacional através da comercialização de componentes e outros bens intermediários (GEREFFI, 1994; GEREFFI; HUMPHREY; STURGEON, 2005).

Nesse sentido, a análise da produção em cadeias através do GVC approach permite não apenas um entendimento de como ocorre a expansão das atividades econômicas por diversas fronteiras geográficas, mas também como funciona a integração funcional entre essas atividades dispersas, ou seja, como essas atividades fragmentadas são coordenadas, evidenciando a governança como elemento central da análise. O GVC approach busca traçar, dessa forma, os padrões da mudança da produção global dada a globalização e entender como as CGVs funcionam nesse contexto, ou seja, como são "governadas" as atividades fragmentadas e quais os papeis que as CGVs assumem no desenvolvimento dos países (GEREFFI, 1994; GEREFFI; HUMPHREY; STURGEON, 2005).

De forma resumida, a análise da cadeia de valor através do GVC Approach tem como objetivo identificar como os fatores dinâmicos identificados como: governança, instituições e relações interfirmas, podem influenciar tanto a localização geográfica das empresas, como o desenvolvimento e a competitividade de um produto ou serviço. Para então, de posse dessas informações, identificar quais os potenciais pontos de intervenções, tanto de ordem pública como privada, e, assim, alavancar o desempenho da empresa/economia nas CGVs (FREDERICK, 2014).

Gereffi (1994) é o principal autor da abordagem, e grande parte das análises do GVC approach derivam do quadro analítico proposto pelo autor para estudar as “Cadeias de commodities global”, que estabeleceu a ligação entre o conceito de cadeia de valor agregado ao da organização global das indústrias. Nesse trabalho, o autor esboçou as bases da abordagem das CGVs ao destacar a importância da coordenação através das fronteiras das firmas e da estrutura de governança interna das cadeias de abastecimento, nas quais os novos compradores se configuram como principais impulsionadores das novas formas de produção dispersas globalmente, mas organizadas em redes de distribuição.

Para traçar o perfil analítico da produção em cadeias o autor estabelece como metodologia de análise a existência de quatro dimensões básicas: (i) estrutura de insumos e produtos (input- output); (ii) alcance geográfico; (iii) governança; e (iv) contexto institucional (GEREFFI, 1994). Contudo, devido ao aumento da complexidade entre as relações estabelecidas dentro das CGVs nos anos subsequentes a publicação de 1994, o autor em parceria com Fernadez-Stark amplia para seis as dimensões de análise no artigo publicado em 2016.

Nesse trabalho, além de ampliar o número de dimensões básicas os autores ainda as dividem entre elementos globais determinados pela dinâmica da indústria a nível global, ou seja, na governança das CGVs com foco nas empresas líderes e nas relações interfirmas – perspectiva

top-down; e em elementos locais com foco nos países e regiões e em aspectos econômicos, sociais e de desenvolvimento (upgrading) que explicam como países, de forma individual, participam das CGVs – perspectiva bottom-up, conforme descrito abaixo. Assim, apesar de resguardar a influência da base analítica elaborado pelo autor para o estudo das CCG, a análise das CGVs difere ao focar mais efetivamente a perspectiva da governança e upgrading das cadeias. Conforme a estrutura metodológica de análise traçada por Gereffi e Fernadez-stark (2016, p. 7, tradução própria) é descrita a seguir:

(1) uma estrutura de insumo-produto, que descreve o processo de transformação de matérias-primas em produtos finais; (2) o escopo geográfico, que explica como a indústria está globalmente dispersa e em que países são realizadas as diferentes atividades da CGV; (3) uma estrutura de governança, explica como a cadeia de valor é controlada pelas empresas. As dimensões locais são: (4) Upgrading, que descreve o movimento dinâmico dentro da cadeia de valor, examinando como os produtores mudam entre os diferentes estágios da cadeia Gereffi (1999) e Humphrey & Schmidt (2002); (5) um contexto institucional no qual a cadeia de valor da indústria é incorporada a elementos econômicos e sociais locais (Gereffi, (1995) e (6) indústria stakeholders, que descreve como os diferentes atores locais da cadeia de valor interagem para melhorar a indústria (GEREFFI; FERNADEZ-STARK, 2016, P. 7, tradução própria).

Essa estrutura metodológica permite compreender como as indústrias globais estão organizadas através do exame da disposição e dinâmica dos diferentes atores envolvidos em determinada indústria e contexto institucional. Ou seja, essa metodologia de análise permite definir qual a função que fatores dinâmicos como governança, instituições e relações interfirmas tem em influenciar na localização, desenvolvimento e competitividade de um produto ou serviço, assim como definir pontos de intervenções potenciais (GEREFFI; FERNADEZ-STARK, 2011). Assim, essa metodologia se configura como uma ferramenta útil, pois permite rastrear os padrões de mudança da produção global ao vincular a análise de como o valor é criado e distribuído através de sequências de produção, que envolvem desde a concepção até a produção e uso final, dispersas geograficamente ao papel desempenhado por atores como os stakeholders e firmas líderes de uma única indústria. Dessa forma, esse tipo de análise proporciona uma visão holística de indústrias globais, tanto de cima para baixo quanto de baixo para cima (GEREFFI; FERNADEZ-STARK, 2011; FREDERICK, 2014).

A primeira dimensão de análise – estrutura input/output - permite analisar toda a evolução da indústria, assim como sua organização por meio do uso de dados secundários e entrevistas. Através dessa dimensão é possível identificar o valor que cada segmento da cadeia adiciona ao que é produzido, seja este um bem ou serviço, uma vez que essa perspectiva permite o estudo de todo o processo que envolve desde a produção até a disposição final, que tipicamente inclui

processos anteriores à atividade produtiva de fato como pesquisa e design, perpassando pela aquisição de insumos, produção, distribuição e comercialização, até o processo final de vendas e reciclagem após o uso (GEREFFI; FERNADEZ-STARK, 2011; 2016).

Normalmente, esse processo é representado como um conjunto de caixas que são interligadas por setas que representam os fluxos de bens e serviços, que se configuram como fundamentais para o mapeamento do valor agregado em diferentes etapas da cadeia. Sendo que, cada etapa possui características e dinâmicas específicas relacionadas aos fornecedores e compradores, a escala geográfica de ação da CGVs (locais, nacionais, regional e global), tamanho da cadeia, tamanho das empresas que fazem parte dos processos, entre outras características que permitem, por exemplo, compreender como se aplica a estrutura de governança, por exemplo (GEREFFI; FERNADEZ-STARK, 2011; 2016).

A segunda dimensão de análise – escopo geográfico – refere-se ao fato de as CGVs operarem em diferentes escalas geográficas (locais, nacionais, regional e global) ou seja, ao fato da produção estruturada sobre as CGVs encontrar-se globalmente dispersa. A análise dessa dimensão baseia-se na identificação das empresas líderes de cada país em cada segmento da cadeia de valor. Essa identificação permite informar, por exemplo, qual a contribuição de cada país para a cadeia, assim como seu posicionamento (GEREFFI; FERNADEZ-STARK, 2011; 2016).

Esse indicador é relevante pois permite identificar tendências de regionalização das cadeias, assim como o posicionamento de determinados países no comércio internacional. Os dados para esse tipo de análise podem ser obtidos através do exame dos dados das exportações da indústria. Assim, a análise dessa dimensão permite mapear a distribuição das CGVs no mundo, assim como analisar as mudanças no escopo geográfico decorrentes da fragmentação produtiva (GEREFFI; FERNADEZ-STARK, 2011; 2016).

As dimensões três e quatro, são consideradas aspectos chaves da metodologia analítica do GVC Approach e, por isso, serão aprofundadas e mais bem discutidas após a breve descrição das categorias cinco e seis.

A quinta categoria de análise refere-se ao contexto institucional, ou seja, ao ambiente econômico e social no qual a cadeia de valor da indústria está inserida. Conforme aponta Gereffi (1995, p. 113) o contexto institucional “identifica como as condições locais, nacionais e internacionais e as políticas moldam o processo de globalização em cada estágio da cadeia”, ou seja, como esses fatores moldam a inserção dos países em cada estágio das CGVs. Essas

condições envolvem desde a oferta de insumos-chave como custos trabalhistas, infraestrutura disponível e acesso a recursos financeiros, a questões sociais como disponibilidade de trabalho, habilidade, participação feminina, acesso à educação, entre outros, incluindo também na análise como os regulamentos fiscais e trabalhistas, assim como subsídios, educação e políticas de inovação podem promover ou prejudicar o crescimento e o desenvolvimento da indústria (GEREFFI; FERNADEZ-STARK, 2011; 2016).

Para Raikes, Jansen e Ponte (2000, p. 4) essa categoria de análise pode fornecer entendimentos relevantes de como a participação subordinada de alguns países pode fornecer acesso a mercados a custos mais baixos e como questões como “informação, tecnologia e a aprendizagem permite que os produtores (os mais favorecidos) subam na hierarquia da cadeia”. Assim sendo, “o uso desta estrutura permite realizar análises comparativas (cruzadas e inter- regionais) mais sistemáticas para identificar o impacto de diferentes características do contexto institucional sobre os resultados econômicos e sociais relevantes” (GEREFFI; FERNADEZ- STARK, 2016, p. 14).

A sexta categoria refere-se ao “Stakeholders” que na visão de Almeida (2007, p. 158) denomina “qualquer indivíduo ou instituição que afete ou possa afetar as atividades de um determinado grupo, assim como também é ou pode ser afetado pelas atividades daquele mesmo grupo”. Segundo Gereffi e Fernadez-Stark (2016, p. 14) incluir os stakeholders na análise das CGVs é relevante pois a análise da dinâmica local, regional e/ou internacional das CGVs, requer examinar os atores envolvidos.

Dessa forma, mapear todos os atores da indústria e o seu papel na cadeia configuram-se como tarefas essenciais. Normalmente, nas CGVs os stakeholders são divididos entre públicos e privados e representados por: “empresas, associações industriais, trabalhadores, instituições educacionais, agências governamentais, [...], departamentos, ministérios do comércio exterior, economia e educação, entre outros”. Assim, ainda de acordo com os mesmos autores, considerar a governance das relações entre os stakeholders a nível local e quais instituições têm condições de impulsionar mudanças são de suma relevância para tecer as recomendações de upgrading da indústria e o desenvolvimento de estratégias de crescimento (GEREFFI; FERNADEZ-STARK, 2016).

As categorias analíticas Governance e Upgrading são termos em inglês designados para se referir aos aspectos de governança e aprimoramento das CGVs. Essas duas dimensões se constituem como fatores chave na metodologia analítica do GVC Approach, uma vez que, como

demonstrado anteriormente, as demais dimensões analíticas são influenciadas e estão completamente relacionadas com essas categorias.

Além disso, esses conceitos buscam explicar de que forma agentes “chave” como as empresas “líderes” coordenam e controlam as ligações e os fluxos de produtos dentro de uma cadeia global de produção, ou ainda, como esses agentes tem potencial para institucionalizar padrões comerciais ao mesmo tempo que reduz custos, riscos e variabilidade dos fluxos comerciais dentro da produção em CGVs. Entender como funcionam esses dois mecanismos são fontes chaves para entender como uma indústria é estruturada e como uma economia pode delinear políticas públicas que favoreçam a integração as CGVs, como é o caso que abordaremos sobre a indústria de papel e celulose brasileira no próximo capítulo.

Assim sendo, no GVC Approach, o conceito-chave para as análises realizadas de cima para baixo, ou na perspectiva top down, é o conceito de “governance” das CGVs, que tem como foco de análise as empresas líderes e a organização das indústrias internacionais. Nas análises de baixo para cima, ou na perspectiva bottom up, o conceito-chave é o conceito de “upgrading”, que foca nos estudos das estratégias usadas por regiões econômicas a exemplo dos países e regiões interessadas em manter ou melhorar suas posições na economia global (GEREFFI, 2014). De forma que, essas dimensões merecem maior atenção.

O conceito de governança tem se destacado como ferramenta analítica no GVC Approach pois, configura-se como elemento chave para o entendimento de como se estrutura e se organiza o sistema produtivo dentro das CGVs. Como já discutido anteriormente, a economia, assim como o comércio mundial, mudou de forma significativa durante as últimas décadas passando a ser caracterizados por redes de produção fragmentadas ao mesmo tempo que integradas, o que tem redefinido as competências essenciais e as hierarquias tanto dos países como das empresas que compõem essa nova forma de divisão internacional do trabalho. Esses fatores têm alterado não só a estrutura das indústrias como também a competitividade e lucratividade das empresas e, por consequência, a integração e o desenvolvimento dos países na economia global (GEREFFI, 2014).

Nesse contexto, a ideia da governança das CGVs emerge como principal fator explicativo, pois aborda o fato de que, embora a fragmentação da produção e a sua reintegração através do comércio entre firmas tenha acontecido de forma dinâmica, estes processos não aconteceram naturalmente de forma automática. Contrariamente, esses processos foram instituídos como consequência da concepção de estratégias e da tomada de decisões por agentes particulares,

reconhecidos como empresas líderes, que passaram a gerenciar o acesso aos mercados finais (GIBBON; BAIR; PONTE, 2008).

Gereffi e outros (2001, p. 4) define governança como a “coordenação não-mercado da atividade econômica”. Segundo os autores, algumas empresas criam estruturas de coordenação que permitem que estas influenciem de forma direta e/ou indiretamente a organização da produção global, assim como aspectos relacionados a logística e sistemas de marketing, sem necessariamente possuir nenhuma estrutura produtiva. Desse modo, as ações dessas empresas passam a ter importantes consequências para o acesso das demais empresas, principalmente dos países em desenvolvimento, aos mercados internacionais assim como, das atividades que estas empresas podem empreender.

Humphrey e Schmitz (2001, p. 1) ainda usam o conceito de governança “para se referir as relações interfirmas e mecanismos institucionais através dos quais a coordenação não comercial das atividades na cadeia ocorrem”. Segundo os autores, esse termo serve para descrever como algumas empresas estabelecem e/ou aplicam os parâmetros pelos quais outras empresas irão se comportar na cadeia, sendo que a governança pode ser exercida de diferentes maneiras, e em diferentes partes da mesma cadeia.

Governança pode ser definida ainda como o processo de organização de atividades que tem como finalidade possibilitar uma divisão funcional do trabalho ao longo da cadeia, que resulta em alocações distintivas entre recursos e distribuições de ganhos. Assim, a governança define os termos de conexão da cadeia ao incorporar ou excluir atores e atribuir atividades de valor agregado nas quais não desejam realizar. Dessa forma, “as regras e condições de participação” são os principais mecanismos operacionais da governança que podem traduzir diferentes formas de coordenação que variam ao longo das cadeias de valor (GIBBON; BAIR; PONTE, 2008). Dado esse contexto, compreender como se concebe a estrutura de governança e como uma cadeia de valor é controlada e organizada auxilia na integração e no desenvolvimento das empresas nas indústrias globais. Uma vez que, a “análise da governança requer o reconhecimento das empresas líderes da indústria, sua localização, como elas interagem com sua base de fornecimento e sua fonte de influência e poder sobre eles”. Assim sendo, a análise da governança permite a compreensão da organização da produção sobre a égide das CGVs, quando certos atores têm mais poder do que outros (GEREFFI; FERNADEZ-STARK, 2016, p. 10).

Segundo Gereffi e outros (2001), esse poder difere dado o número de empresas líderes que assumem posição de coordenação na cadeia e pode ser exercido tanto através do controle dos recursos necessários na cadeia pelas empresas líderes, quanto nas decisões sobre entrada e saída de produtores na cadeia, monitoramento e fornecimento de suporte técnico aos fornecedores com objetivo de alcance de máxima eficiência.

Gereffi (1994, p. 97) introduz o conceito de governança em seu quadro analítico das “Cadeia de Commodities Globais” ao definir a governança como as “relações de autoridade e poder que determinam como os recursos financeiros, materiais e humanos são alocados e fluem dentro de uma cadeia”. Nesse quadro analítico, o autor utiliza o CCG para explicar como os compradores globais usavam a coordenação como meio de criar uma estrutura de abastecimento eficiente na qual os produtores globais assim como os sistemas de distribuição poderiam ser construídos mesmo quando os compradores não possuíssem propriedade direta dos meios de produção. Destacando para tanto, não só a importância da coordenação através das fronteiras nacionais, mas também a crescente importância de novos compradores como principais impulsionadores da forma produção globalmente dispersa e organizacionalmente fragmentada em redes de distribuição (GEREFFI, 1994).

Dessa forma, a governança se configura como peça central da análise CGV, pois tem a capacidade de identificar entre os atores envolvidos quais exercem o poder e como estes determinados agentes particulares podem moldar tanto a distribuição de lucros como os riscos em uma indústria. Isto posto, um dos principais pressupostos da abordagem das CCG e, por conseguinte, das CGV é que o desenvolvimento da mesma exige uma ligação com os “agentes” mais significativos de uma indústria, ou seja, com as firmas líderes (GEREFFI, 1994; 1999a). Segundo Gereffi (1994, p. 97) as empresas líderes não são necessariamente as maiores fabricantes verticalmente integradas do sistema produtivo, pois dada a sua posição, não precisam se envolver na produção per si dos produtos acabados. Na verdade, estas empresas estão localizadas “a montante ou a jusante da fabricação (como designers de moda ou varejistas de marcas particulares em vestuário), ou podem estar envolvidos no fornecimento de componentes críticos (como empresas de microprocessadores)”.

O que as definem é o controle que elas exercem sobre recursos como design, tecnologias, marcas e a demanda do consumidor, retendo dessa maneira, os recursos que geram os maiores retornos da indústria, isto é, em posições em que agregam mais valor. Essas empresas são majoritariamente provenientes de países desenvolvidos e constituem-se de fabricantes

multinacionais, de grandes varejistas e empresas de marca (GEREFFI, 1999; GEREFFI et al., 2001).

Notadamente, o GVC Approach salienta a importância que as empresas multinacionais (EMN),