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Phase supraconductrice

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2.3 R´esultats exp´erimentaux

2.3.4 Phase supraconductrice

Guilherme tem 9 anos e convidou os seguintes amigos para participarem da pesquisa: Bela, 11 anos; Ísis, 10 anos; Jade, 12 anos; Hayley, 12 anos; Nego, 9 anos; Sam, 11 anos; Djibril Cissé,65 9 anos; Black, 11 anos; Méssi, 9 anos; e Leike, 12 anos. Todos estudam em uma escola pública municipal.

Uma característica geral deste grupo é que os pais trabalham o dia todo e não possuem muito tempo para ficar com os/as filhos/as. Os pais comentaram que geralmente não conseguem assistir televisão em família e, quando conseguem, geralmente veem novelas e telejornais. Quando conversei com os pais das crianças pela primeira vez, percebi

65 Nome escolhido por uma das crianças. Trata-se do nome de um jogador de futebol francês que joga na posição de atacante.

que todos tinham algo a falar sobre seus/uas filhos/as. Queriam expor como seus/uas filhos/as poderiam me ajudar, pois eram muito esforçados/as, inteligentes, comprometidos/as e responsáveis. Algumas mães salientaram que seus/uas filhos/as ajudavam nos serviços da casa incluindo preparar as refeições e que, os meninos, quando adultos “seriam ótimos maridos”. Elas também comentaram o quanto seus/uas filhos/as sofriam no colégio, principalmente, quando submetidos às práticas de bullying.

A discussão da turma de Guilherme aconteceu no meu apartamento, um bairro central e em desenvolvimento da cidade de Palhoça. Como se tratava de uma turma grande, conversei com os pais sobre isso e os questionei sobre esta possibilidade. Todas as crianças moram nas redondezas da minha casa, por isso marcamos de nos encontrar na oficina do pai do Guilherme. No início eram 9 crianças, porém duas delas faltaram à discussão de grupo. A mãe de Ísis e Hayley, que chamarei de Kátia, acompanhou comigo a chegada das crianças à oficina. Ela também fez questão de ligar para os pais das crianças que demoravam a chegar. Agendamos 13h30min, porém eram 14h e ainda não haviam chegado todas as crianças. Boa parte do grupo já estava reunida e eu conversava com Kátia, enquanto isso as crianças brincavam. Nesse meio tempo chegaram Leike e Jade, duas crianças que eu ainda não conhecia. Kátia me apresentou para as crianças e disse que elas também participariam da pesquisa, pois, segundo ela, já havia conversado com os pais das crianças, que se mostraram muito interessados e que tinham autorizado.

Fiquei imaginando como eu conseguiria fazer a pesquisa com tantas crianças ao mesmo tempo, como eu faria para que elas não falassem todas juntas? Como seria acomodar tantas crianças na minha pequena sala/cozinha? Enquanto os meus pensamentos me atropelavam e eu conversava com Kátia, eu também podia ouvir o falatório das crianças em um volume consideravelmente alto. Sentia como se eu estivesse no intervalo das aulas, com correria, gritaria, brincadeiras de lutas. De repente, eu contava 10 crianças, sendo três novas. Assim, das 9 crianças que participaram das entrevistadas individuais faltaram 2, ou seja, eu deveria ter apenas 7 crianças, mas eu não contava com as 3 novas crianças convidadas por Kátia. Enfim, o grupo estava ali e todos queriam ir logo para a minha casa, queriam saber como seria, o que veriam, o que eu perguntaria. Como já estavam todos reunidos, me despedi de Kátia, mas ela comentou que faltava uma menina, a Bela. Porém, disse para eu não me preocupar, pois ela mandaria a menina até a minha casa. Respirei fundo e lá fomos nós para mais essa etapa.

Entramos e nos acomodamos do jeito que foi possível. Eram dez crianças, um sofá-cama de casal, 4 cadeiras da mesa da cozinha, duas banquetas de madeira. Todos queriam sentar no sofá cama, foi uma luta. Começamos a assistir aos vídeos, tomamos refrigerantes, rimos e as crianças cochichavam entre si. No meio dos episódios chegou Bela. Lembro que Bela, toda arrumada e com uma bolsinha em suas mãos, bateu em minha porta e disse: “oi, eu sou a Bela e vim para a pesquisa”. Ao fim dos episódios começamos a discussão. Primeiro deixei espaço aberto para quem quisesse falar. Leike começou, Jade interagiu com a fala dele e os demais ficaram eufóricos com o assunto e começaram a falar ao mesmo tempo. Tive que interceder e pedir que falassem um de cada vez, isso se repetiu durante quase duas horas. Então, pedi que quem quisesse falar levantasse a mão, mas a dinâmica só funcionou por alguns minutos. As crianças levantavam a mão e falavam ao mesmo tempo. Então sugeri elaborarmos uma lista com a sequência de quem quisesse falar. Eles aceitaram, mas a euforia por falar de suas experiências não os deixava respeitar as regras e resolvi pegar a filmadora nas mãos e direcioná-la para quem estivesse falando. Deu certo, mas por momentos eles pediam para filmá-los, pois eles precisavam comentar algo. Foi uma turma agradável, esperta e a discussão foi bastante produtiva.

Ao final, perguntei quem queria fazer um lanche. Aos berros eles disseram: “Ehhh!!! Lanche...”. Todos queriam ajudar a colocar a mesa. Tivemos que mover a mesa da cozinha para perto do sofá cama, pois não havia lugar para todos. No espaço que sobrou, colocamos as banquetas e as demais cadeiras. Ficou apertado, mas eles disseram que estavam adorando. Na arrumação do lanche, um pegou os pratos para colocar na mesa, outro os talheres, outro servia os refrigerantes, outro dava os guardanapos, e dois deles me ajudavam a servir o bolo nos pratinhos. Foi uma farra! Depois tiramos fotos. Quando percebi, alguns dos meninos e meninas estavam montados uns nas costas dos outros, como se estivessem fazendo cavalinho. Foi uma grande brincadeira.

Por fim, disse a eles que eu tinha um presente. Prontamente Sam, Nego, Djibril Cissé disseram que já sabiam, ou seja, eles tinham entrado no escritório do meu apartamento sem que eu percebesse e visto as caixinhas com os seus nomes. Pedi que todos tentássemos entrar lá, pois eu os chamaria um por um. A cada nome que eu chamava para pegar a caixinha eles gritavam e batiam palmas, como se estivessem recebendo um prêmio.

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