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Mod`ele ph´enom´enologique de la fonction di´electrique ²(ω)

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 80-88)

4.2 M´ethode exp´erimentale

5.1.4 Mod`ele ph´enom´enologique de la fonction di´electrique ²(ω)

A partir do que ouvimos das crianças podemos dizer que as categorias “popular” (cujos membros são considerados por alguns como “patricinhas” e “mauricinhos”), “nerd”, “perdedor”, “excluído” e outras, parecem estar em circulação no espaço da escola, mas é importante dizer que, das 25 crianças participantes desta pesquisa, apenas uma delas se classificou como “popular” e outra delas, mesmo no tom de brincadeira, foi classificada por um membro do seu grupo como sendo a “perdedora”.

Bieging: E como vocês se veem na escola? Flerisberta: Eu sou normal.

Bieging: E tu Judite?

Flerisberta: A perdedora. (risos)

Judite: [olha de cara feia para a irmã Flerisberta sem falar nada]

Flerisberta (12) se classifica como normal, porém classifica sua irmã, Judite (9), como “perdedora”. Judite, na entrevista, explicou que a mudança de colégio foi boa para ela, pois no anterior ela era esnobada pelos colegas. Outro detalhe a ser considerado é o fato de a mãe de Judite me alertar de que a menina “não consegue separar a realidade da ficção”. Segundo a mãe, a menina tem o costume de imitar as personagens da televisão, usando gestos e comportamentos que a mãe julga inapropriados para a sua idade. A mãe relembra que canais como

Disney Channel e Boomerang foram bloqueados no pacote da TV por

assinatura da sua casa. Mesmo falando em tom de brincadeira, Flerisberta disse que a irmã era uma “perdedora” em dois momentos da nossa discussão de grupo. A dificuldade de Judite com os colegas da escola e sua mania de eventualmente repetir comportamentos de personagens da TV são assuntos discutidos em casa. Faz-se necessário pontuar que em nossa conversa Judite mostrou-se bastante ativa na leitura dos discursos da mídia e ainda muito lúcida quanto aos problemas que tem enfrentado na família e na escola.

Leike: Eu sou popular. Não sei... eu falo com todo mundo.

Bela: O Black e o Leike, eles são bem amigos e eles são popular (sic) e bem folgados. Mas na minha sala não tem popular, não tem riquinho, todo mundo é normal, pra mim não tem essas coisas. É só um nome que eles dão para as pessoas.

Outro detalhe que contribui para a classificação dos sujeitos como “populares” é a quantidade de amigos/as ou conhecidos/as que possuem na escola. Leike se classifica como “popular”, pois fala com todo mundo. Porém, Bela classifica Leike e Black como “folgados”, ou seja, mais uma característica atribuída a esta categoria. Leike e Black, na discussão de grupo, mostraram-se bastantes falantes, porém nos encontros que tivemos não foi possível classificá-los, assim como diz Bela, como “populares”. Talvez alguma situação específica a tenha estimulado a dizer isso dos amigos. Foi possível perceber a pró- atividade dos meninos, pois, por exemplo, quando terminamos a discussão e partimos para arrumar a mesa para o café, Leike prontamente se dispôs a ajudar. Acreditamos que essa atitude dos meninos, em certos momentos, possa ser considerada pelos colegas como intromissão, ou mesmo possa caracterizá-los como “folgados” e “metidos”.

Quando perguntamos a Bárbara e Taylor sobre como se sentiam em relação aos “populares” relacionados por elas em suas falas, Bárbara disse que isso não fazia diferença para ela. Para Bárbara, ser “popular” ou “impopular” não muda nada em sua vida. Com relação a isso, a menina afirmou: “Eu acho eles babacas, tolos, idiotas. Pelo menos eu me expresso, eu sou feliz, eu não me acho, eu não desprezo os outros. Eu tenho bastante amigos”. E Taylor explicou:

Eu acho que eles só querem a popularidade para fingir que são felizes. Porque na verdade tem muitos populares que não são felizes. Tem muitos problemas em casa, porque no colégio consegue tudo e acha que em casa também vai conseguir e não consegue. Aí também teve um dia que a mais popular... na minha sala não tem mais popular, tem amigas, todo mundo tem amigas ali. Os

meninos são todos meus amigos. Aí tem uma vez que eu falei para a Clara: “Ô Clara, sabia que todo mundo é igual, né? Não importa cor, não importa cabelo, não importa estado, não importa mundo, não importa nada. Todo mundo é igual e só falta você se esforçar”. Aí ela começou a dizer que era verdade.

Apenas para relembrar, as crianças participantes desta pesquisa descreveram os “populares” como sendo hábeis em atividades esportivas, por chamarem a atenção pela sua forma de vestir e agir, e ainda por seu poder de importunar e serem desagradáveis com os demais colegas. Como já exposto anteriormente, a razão de os “populares” terem comportamentos e atitudes ofensivas com os colegas na escola pode vir do relacionamento familiar, ou, como disse Taylor, de casa. A menina se mostrou na discussão bastante compreensiva com relação aos colegas que tratam mal outros colegas. Explica ainda que essa possível falta que as crianças “populares” podem ter em casa é compensada no colégio, pois lá as crianças parecem buscar realizar os seus desejos, ainda mais quando um certo poder é atribuído a elas pelos demais colegas. Owens e Duncan (2009, p. 14) dizem que: “[...] as meninas de alto status eram vistas como sendo poderosas e influentes, usando o seu poder de modo agressivo e intimidatório, incluindo o assédio verbal aos colegas, a disseminação de boatos e a manipulação das amizades.”98

Os problemas de relacionamento estão presentes também na escola pública onde Bárbara estuda.

Bárbara: Tem uma menina na minha sala... Assim, ela tratava a gente mal, às vezes ela vinha pedir desculpas né... na boa, tentava voltar a ser amiga. Ela era bem irritada... sabe... bem criancinha... fazia coisa sem noção, mas ela tem 11 anos, é alta, praticamente pré-adolescente. Aí, assim, ela faz

98 Tradução livre. Original: “In both schools, popular girls were seen to be physically and fashionably attractive and from wealthier backgrounds. Popular girls projected an image of being anti-school and antisocial rule breakers, engaging in activities including smoking, drinking and taking drugs (more so in the low income school). High-status girls were seen as powerful and influential, and they used their power in intimidating and aggressive ways including verbal harassment of peers, spreading of mean rumors and manipulation of friendships.”

rolo com a gente, daí ela vem e pede desculpas. Daí um dia a gente comentou isso com a diretora da escola. E ela [a diretora] disse: “ela tem problemas em casa”, daí a gente tem que compreender, porque ela é assim, mas na real ela gosta da gente, é nossa amiga. É só todo mundo tratar ela direito, com jeitinho que dá certo porque é cheia de problema em casa. Ela é assim mesmo.

Neste caso, as atitudes da colega de Bárbara parecem ter sido encobertas pela diretora do colégio, que ao invés de tentar reverter a situação, ajudando a menina a resolver os seus problemas, pediu aos colegas que a entendessem e fizessem de conta que aquele problema não existe ou mesmo que tentassem compreendê-la quando ela fizesse algo errado. Apesar de ter sido apenas Bárbara a relatar tal atitude por parte dos coordenadores do colégio, essa questão deve ser considerada, pois as crianças na escola também estão aprendendo a conviver em grupo. Este fato pontual pode nos fazer pensar se casos como este estariam se repetindo também em outros colégios. Todos os grupos que participam desta pesquisa comentaram a existência de conflitos no ambiente escolar. Será que, ao invés de ajudar a resolver alguns dos sérios problemas dos alunos, a escola não os estaria simplesmente ignorando? Porém, esta questão não é o foco deste trabalho.

Será que realmente as crianças classificadas como “populares” pelos participantes, se veem como “populares”? Ou será que estes comportamentos próprios dos “populares”, de acordo com as pistas reveladas neste trabalho, seriam uma forma de chamar a atenção para outros problemas? Ou até mesmo uma forma de escondê-los? Não podemos deixar de evidenciar que esta pesquisa não pretende responder a todas essas perguntas, mas sim evidenciar questões mais profundas e que podem ser investigadas em novas pesquisas.

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