Em conformidade com os objectivos traçados, optou-se por utilizar o Focus Group uma vez que, segundo Morgan (1997), esta técnica de investigação permite a recolha de dados a partir de interacções grupais baseadas na discussão de um tópico sugerido pelo investigador. Ao tratar-se de uma técnica que ocupa uma posição intermédia entre a observação participante e as entrevistas em profundidade Veiga (2001), o Focus Group, dentro das metodologias qualitativas e descritivas, proporciona, por um lado, a oportunidade dos participantes exporem aberta e detalhadamente seus pontos de vista, facultando respostas mais completas e, desta forma, um melhor aprofundamento e esclarecimento das matérias em análise e, por outro lado, a confrontação de ideias, contribuindo, deste modo, para a riqueza da discussão em causa. ―Os grupos de foco proporcionam compreensão das crenças e atitudes subjacentes ao comportamento. Os dados relativos a percepçóes e opiniões são enriquecidos através da interacção do grupo porque a participação individual pode ser melhorada em contexto de grupo‖. (Morse, 2007, p.224)
Em termos operacionais, os diferentes autores são unânimes em considerar que a realização de um Focus Group passa por três fases distintas: a planificação, a condução da entrevista colectiva e a análise e interpretação dos resultados. No entanto, o sucesso do Focus Group está directamente relacionado com a definição clara dos objectivos da investigação, com a planificação da discussão e com a independência e habilidade do investigador em criar as condições necessárias para que os participantes se sintam confortáveis em expressar os seus pontos de vista e compartilhar ideias e sentimentos entre os diferentes elementos do grupo.A característica mais importante é a natureza do próprio grupo tal como é expressa na interacção dos membros, o fluxo da discussão e a evolução das experiências descritas (Morse, 2007).
A confidencialidade é uma preocupação especial da investigação com grupos de foco devido à natureza da sessão de grupo que pode extrair informação mais pessoal do que a antecipada pelos membros. È necessário controlar este aspecto. O uso futuro dos dados e as condições de confidencialidade devem ser descritas cuidadosamente. Os erros numa fase inicial irão afectar fases posteriores.
3.2.1. PLANIFICAÇÃO DO FOCUS GROUP
A partir dos objectivos da investigação apresenta-se aspectos tidos em conta na fase de Planificação: Plano das entrevistas; participantes; duração e local de realização das entrevistas
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Quadro 8- plano das entrevistas
Plano das entrevistas
O roteiro foi estruturado de modo a que, segundo (Caplan, 1990) , se pudesse verificar uma progressão natural dos assuntos, partindo de tópicos mais gerais até chegar ao foco específico da investigação; Foram incluídas no roteiro, 15 questões tipo; A pesquisa decorreu ao longo de todo o ano lectivo em sessões bimensais, com uma duração média de três horas; As questões foram sendo formuladas consoante o momento e o propósito das mesmas (Kreuger, 1994)
Questões abertas – questões formuladas no início de cada sessão, e que exigiam uma resposta rápida (10 a 20 segundos), de modo a identificar se os participantes tinham ou não uma visão comum sobre o tema proposto;
Questões introdutórias – adoptadas para introduzir o tópico geral da discussão, facultando aos participantes a oportunidade para reflectirem sobre experiências anteriores;
Questões de transição - visando orientar a conversação para as questões-chave que norteavam o estudo;
Questões-chave – focalizadas para a essência do estudo, funcionando como linhas orientadoras; (normalmente, o número de questões deste tipo foi de cerca de 3 por sessão, perfazendo um total de 16, sendo a última sessão dedicada essencialmente a uma reflexão global sobre o problema geral tratado); atendendo à sua importância, estas 16 questões foram as que requereram maior atenção e exigiram uma análise mais cuidada, sendo outras questões de contextualização sido tratadas menos aprofundadamente;
Questões finais - fechavam a discussão, considerando tudo o que fora dito até ao momento; estas permitiam, igualmente, aos participantes considerar todos os comentários partilhados na discussão, bem como identificar os aspectos mais importantes (exemplo: "de todos os factores discutidos, qual o mais importante para vocês?")
Questões-resumo – após o resumo das questões-chave e/ou das grandes ideias que resultaram da discussão, os investigadores, durante 2 a 3 minutos, colocavam aos participantes a seguinte questão: "este foi um resumo adequado?"
Questão final – depois das questões-resumo, fazia-se uma breve explanação sobre o propósito do estudo e colocavam questões do género: "será que foi esquecido algum aspecto relevante no âmbito deste estudo?" e "relativamente a este estudo, que parecer/opinião final gostariam de formular?"
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Quadro 9-Exemplificação de questões ou temas para debate
Exemplificação de questões ou temas para debate (segundo a classificação (Kreuger, 1994)
- Questão aberta: Qual é o papel da Escola na actualidade?
- Questão introdutória: Na actualidade, como perspectivam a Escola, enquanto instituição e como organização?
- Questão de Transição: No sistema educativo Português, quais os principais factores que condicionam o papel da Escola enquanto instituição e como organização?
- Questões - Chave (exemplo):
- Quais as características que deveria contemplar um modelo de administração escolar?
- O que mudou com fundamento e o que não deveria ter mudado?
- Atendendo à importância da qualificação crescente do corpo docente, no cumprimento da missão da Escola, que princípios/requisitos devem estar subjacentes ao modelo de gestão?
- Se dependesse de cada um de vocês o que manteriam e o que tinham mantido do anterior modelo?
- Questões Finais: Que vantagens e desvantagens para a organização escola poderão resultar do novo modelo de administração escolar?
- Questão-resumo: (Depois de efectuar o RESUMO dos assuntos abordados), consideram que este foi um resumo adequado, relativamente à abordagem que nos propomos fazer?
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Quadro 10- Participantes
Participantes
Os participantes foram seleccionados em função dos propósitos do estudo;
Os participantes foram informados do objectivo da investigação e da necessidade de gravar as sessões em que participavam, garantindo-lhes o direito de confidencialidade;
O grupo de participantes era constituído por 5 directores (o método pressupõe entre 4 e 12 pessoas; conforme refere (Mattar, 1993), grupos com mais de 12 pessoas inibem ou reduzem a possibilidade de participação de todos os elementos; por outro lado, grupos com menos de 4 pessoas tendem a ser menos dinâmicos, tornando a discussão menos fértil em ideias);
Foi garantido que entre os elementos do grupo existia homogeneidade quanto a determinados parâmetros relativamente à natureza da investigação a realizar; (conforme refere (Vichas, 1982), a referida condição é importante para que haja identificação e integração entre os participantes durante a reunião);
De modo a que os intervenientes se pudessem designar pelo nome, facilitando o controlo e a interacção do grupo, foi efectuada uma sessão prévia de conhecimento mútuo (e de negociação de objectivos) entre participantes e investigadores;
Quadro 11 – Duração
Duração
Cada sessão de Focus Group foi estruturada/negociada de forma a que o tempo a conceder a cada um dos grandes temas se situasse em torno das duas horas (Iervolino, 2001); (Meier, 2003), evitando, deste modo, que o cansaço dos participantes e que as eventuais condições desconfortáveis pudessem interferir nos objectivos da discussão, em prejuízo dos resultados (Vichas, 1982);
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Quadro 12- Local de realização
Local de realização
Procurou-se um ambiente agradável que estimulasse a descontracção e encorajasse a participação das pessoas (Mattar, 1993), desse modo:
- O local ―neutro‖ proposto, isto é, um espaço fora do ambiente de trabalho e/ou convívio dos participantes e de fácil acesso, foi uma sala de reuniões do ISCTE;
- Foi, ainda, garantido que o local fosse livre de ruídos, com isolamento acústico, possibilitando a captação das falas, sem interferências externas (Meier, 2003) ;
O espaço físico facilitava a participação dos elementos do grupo, sentados em torno de uma mesa oval, de maneira a que todos estivessem dentro do campo de visão entre si e com o moderador/investigador, fomentando-se, deste modo, a interacção e o sentimento de pertença ao próprio grupo (Meier, 2003); o moderador/investigador sentava-se à cabeceira, de frente para os participantes, para melhor monitorizar o grupo, estimular a participação dos mais tímidos e controlar a dos dominantes.
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