Referimos no capítulo anterior que só conseguimos recolher cinco questionários preenchidos pelos alunos apesar das nossas diversas tentativas. Foi-
nos dito pela técnica de intervenção local do PIEF Verde que os melhores dias para aplicar o questionário seriam uma segunda-feira ou uma terça-feira. Tal devia-se ao facto dos alunos inseridos no programa PETI Empresa frequentarem as aulas no PIEF durante esses dias, pelo que haveria mais alunos na turma. Seguimos o conselho da técnica mas em vão: os jovens não apareciam às aulas e os que vinham eram sempre os mesmos. Conseguimos, ainda assim, recolher cinco questionários, quase todos preenchidos de forma sintética apesar da nossa insistência.
Seguindo o mesmo procedimento tido em conta na elaboração dos guiões para as entrevistas, organizámos blocos de objectivos de onde poderiam ser retirados depois categorias de análise dos dados e frequência dos indicadores.
Distinguimos seis blocos de objectivos que passamos a transcrever:
A. Analisar o percurso escolar dos jovens antes do PIEF B. Analisar as diferenças entre o ensino regular e o PIEF
C. Analisar o perfil dos professores do PIEF D. Analisar o papel do TIL
E. Analisar a formação vocacional dos jovens F. Analisar a opinião dos jovens sobre o PIEF
O método de tratamento dos dados foi o mesmo que aplicámos na análise das entrevistas pelo que atribuímos siglas diferentes aos cinco questionários (A-1,
A-2, A-3, A-4 e A-5) e iniciámos a nossa análise através de grelhas com as categorias, indicadores e frequências, que se encontram em anexo.
Bloco A. Analisar o percurso escolar dos jovens antes do PIEF
Pretendíamos saber um pouco do historial escolar dos jovens antes de ingressarem no PIEF e atribuímos o nome de Percurso Escolar a esta única categoria. Duas sub-categorias resultaram desta categoria principal:
a) Abandono Escolar/Faltas b) Insucesso Escolar
A sub-categoria Abandono Escolar/Faltas revelou-nos que os jovens não frequentavam as aulas antes de ingressarem no PIEF e não se interessavam pelos estudos: “Não ia às aulas” (A-2); “Não me interessava pelos estudos” (A-4, A-1, A-5). Estas eram algumas causas que justificaram o abandono escolar e faltas dos alunos.
Na sub-categoria Insucesso Escolar, quatro indicadores confirmaram que “Cheguei a chumbar anos seguidos” (A-4, A-3, A-2, A-5) e que o contínuo insucesso escolar é também uma das características do percurso escolar destes jovens.
Bloco B. Analisar as diferenças entre o ensino regular e o PIEF
As opiniões dos jovens eram muito importantes para distinguirmos as diferenças existentes entre o PIEF e a escola de ensino regular onde estiveram antes. A categoria escolhida foi Diferenças Manifestas e as sub-categorias resultantes foram:
a) Atributos do ensino regular b) Atributos do PIEF
Em relação à sub-categoria Atributos do ensino regular, o único indicador que recolhemos foi “Era tudo mais difícil” (A-4). Apesar da nossa insistência, os jovens pouco ou nada conseguiam escrever e estavam sobretudo preocupados em não cometer erros ortográficos.
Na segunda sub-categoria Atributos do PIEF, as respostas foram um pouco mais generosas por parte dos jovens. O PIEF foi caracterizado pelos jovens como um ensino onde “Os horários, as disciplinas, as faltas são diferentes” (A-1, A-5); “As regras são diferentes e ajudam” (A-2) e “O tipo de matéria e a escola
são diferentes” (A-3). De acordo com as respostas dos jovens, o PIEF é realçado pela positiva comparativamente à escola de ensino regular.
Bloco C. Analisar o perfil dos professores do PIEF
Interessava-nos saber se havia diferenças entre o perfil dos professores que leccionavam no PIEF e no ensino regular, segundo a opinião dos jovens. Qualificámos a categoria de análise como Atributos dos professores e as duas sub-categorias como:
a) Ensino regular
b) PIEF
Em relação à primeira sub-categoria, Atributos dos professores, dois alunos afirmaram que os professores no PIEF “São iguais” (A-1, A-5) aos professores do ensino regular.
Na segunda sub-categoria, PIEF, os indicadores obtidos revelam-nos que no PIEF “Os professores ajudam e tentam compreender os nossos problemas” (A- 4); “São menos exigentes” (A-3, A-2) e “São uma beca mais «bacanos» ” (A-2).
As respostas dos jovens apontam para uma maior aproximação entre os professores do PIEF e os alunos.
Bloco D. Analisar o papel do TIL
Ao elaborarmos a pergunta “Consideras importante existir um técnico local em permanência no Pief? Porquê?” tínhamos por objectivo perceber se os jovens sentiam, ou não, a necessidade de ter um técnico em permanência no espaço do PIEF. Uma única categoria foi atribuída com o nome de Papel e Importância do TIL e as sub-categorias dividiram-se em:
a) Funções b) Justificações
No que diz respeito às Funções, registámos os seguintes indicadores sobre o papel do TIL: “Para encaminhar e ensinar” (A-3); “Para orientar a turma” (A-4); “Para ajudar os jovens” (A-2); “Para conversar, resolver conflitos” (A-5, A-1). Os jovens são unânimes em reconhecer a importância de um técnico em permanência no PIEF que funciona um pouco como um confidente, uma pessoa a quem se pode sempre recorrer em caso de necessidade.
Na sub-categoria Justificações, a resposta de um jovem revela uma certa maturidade quando afirma que “Alguns alunos não percebem a importância do técnico” (A-2), o que faz pressupor que a atitude e comportamento de alguns jovens perante o técnico não merece a aprovação deste aluno.
Bloco E. Analisar a Formação Vocacional dos Jovens
Enquanto componente obrigatória no currículo dos alunos, resolvemos analisar a vertente de formação vocacional e saber o tipo de estágio que os jovens estavam a frequentar. Surgiu a categoria Tipologia que originou três sub- categorias:
a) Programas/Estágios
b) Não abrangidos c) Vivências
Através da sub-categoria Programas/Estágios, soubemos que dois alunos estavam a frequentar o programa “PETI-Empresa” (A-4, A-2) e que, através das respostas à segunda sub-categoria Não Abrangidos, dois alunos não estavam a frequentar um estágio de formação vocacional: “Não tenho” (A-1, A-3).
A terceira sub-categoria, Vivências, indica-nos o tipo de actividade que os jovens estão a frequentar na vertente de formação vocacional e se gostam do estágio: “Estou numa lavandaria e estou a gostar” (A-4); “Estou a adorar. Depositaram em mim um grande voto de confiança” (A-2); “Educadora de infância. Gosto muito” (A-5). As respostas dadas referem todas que gostam da actividade que estão a frequentar na formação vocacional pelo que podemos concluir que os estágios são importantes para estes jovens.
Bloco F. Analisar as Opiniões dos Jovens sobre o PIEF
Tentámos recolher as opiniões dos jovens sobre a importância do PIEF nas suas vidas. A categoria Opiniões deu origem a duas sub-categorias:
a) Favoráveis b) Desfavoráveis
As opiniões Favoráveis indicam-nos que “Vale a pena” (A-2, A-5, A-1, A-4, A-3) andar no PIEF e que “Se aproveitar bem a oportunidade posso ter um bom futuro” (A-2, A-4). Outro aspecto favorável para um jovem é que “Faz-se 2 anos seguidos” (A-3) no PIEF. De assinalar a opinião muito positiva dos jovens quanto à frequência do PIEF e a preocupação de alguns em ter um bom futuro.
Na sub-categoria Desfavoráveis não encontrámos nenhum indicador por parte dos jovens que pudesse ser incluído nesta rubrica.