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people killed

Dans le document human rights and peacebuilding (Page 125-128)

Primeiramente, foi indagado às respondentes se em algum momento da vida elas teriam passado por alguma experiência negativa no trabalho pelo simples fato de serem mulheres, sendo que 83,2% relataram já ter passado por situações negativas pelo menos uma vez na vida. Cabe ressaltar que, neste primeiro momento, o intuito não era conhecer as ocorrências do assédio moral, já que esse tipo de assédio tem uma frequência repetitiva, mas identificar se pelo menos alguma vez na vida, o fato de ser mulher implicou para que as mesmas passassem por situações desagradáveis no ambiente de trabalho.

Diante da afirmativa de mulheres que já passaram por situações desagradáveis no ambiente de trabalho, foi questionado às entrevistadas quais seriam os motivos que propiciam esta situação. A entrevistada Joana relatou achar que este número seja muito maior, já que muitas vezes as mulheres não se dão conta de que estão passando por uma situação desagradável no ambiente de trabalho, pois acabam se acostumando e naturalizando certas situações.

Eu acho que esse número é maior, por muitas vezes as mulheres não se darem conta do que esta acontecendo, porque a gente esta tão acostumada a achar que as práticas ocorridas dentro do local do trabalho são comuns, que muitas vezes você não se da conta que está sendo assediada, somente quando a situação ultrapassa os limites é que a mulher para e pensa que tem algo de errado. [...] você sempre acha que está louca, que a culpa é sua, pensando “estou louca, estou sensível demais” e acaba se culpando pela situação que esta ocorrendo (JOANA).

Em relação aos motivos pelos quais essas situações ocorrem, Maria relatou que o principal motivo é a construção história de que a mulher é inferior e submissa ao homem, trazendo assim, uma visão ultrapassada da mulher no mercado de trabalho atual.

Existe um contexto histórico de desigualdade entre os gêneros, desde o começo das relações entre homens e mulheres... Acho que os motivos para essa realidade de experiências negativas que são vividas por nós mulheres, é um reflexo do inicio da humanidade e de como nesse início as relações entre homens e mulheres aconteciam. Os homens eram responsáveis por buscar o sustento da família, e a mulher tinha a função de cuidar dos filhos, da roupa, da casa e da comida. ... acredito que é uma questão bastante cultural, e quando novas ferramentas chegaram, houve fortalecimento dessa relação, que sempre colocou as mulheres com responsabilidades sem muita representatividade social (MARIA).

Esta construção histórica, conforme Neto (2008), implica negativamente no contexto contemporâneo das relações de trabalho, proporcionando assim, condições diferentes de trabalho para as mulheres quando comparada a realidade vivida pelos homens.

Em concordância, Joana relatou que o machismo seria o principal fator para que as mulheres tenham que passar, frequentemente, por situações desagradáveis no trabalho. Corroborando com o exposto por Maria, destacouque a construção histórica de que a mulher é inferior, que o homem tem poder sobre ela e, portanto, por ser inferior não tem capacidade para assumir grandes responsabilidades e/ou cargos de alta chefia, se reflete nitidamente nas relações de trabalho atualmente.

Essa visão de que a mulher tem que ser vista como inferior, como uma pessoa que tem que ser obediente e submissa, carrega mais ainda essas situações desagradáveis no ambiente de trabalho. Quando um homem tem em seu local de trabalho colegas e funcionárias mulheres, é muito fácil assediar uma mulher do que um outro homem, porque os homens aprendem desde cedo que eles são todos iguais, e que eles estão no mesmo patamar, enquanto as mulheres estão um patamar abaixo (JOANA).

Em relação à facilidade de se assediar mulheres, Hirigoyen (2002 apud NETO, 2008) relata que a mulher, em meio a um grupo de homens, caracteriza uma situação mais propicia para que situações desagradáveis ocorram, corroborando para o assédio moral.

A entrevistada Ana, em concordância com as demais entrevistadas, relatou que a sociedade machista é uma variável agravante para que essas situações ocorram e que a figura do homem, sendo colocada como a mais importante na sociedade, dificulta ainda mais esta situação.

Bom, acredito que vivemos em uma sociedade machista independente da classe social, e algumas vezes até do grau de instrução de algumas pessoas que não conseguem romper essa realidade. O corpo da mulher é objetivado a todo momento, a sociedade coloca os homens como figuras mais importantes, aquela figura provedora de opinião, onde no seu direito devido, as mulheres não podem se destacar, opinar e participar, ou até mesmo desejar aquilo que os homens acham certo (ANA).

A entrevistada Maria relata ainda que, no cinema, as mulheres eram representadas "[...] em personagens que desenvolviam funções "de mulher", vistas como donas de casa, faxineiras, enquanto os homens tinham sua imagem representada por personagens bem sucedidos, com sucesso e função de maior representação social [...]". Deste modo, a publicidade também teria reafirmado a relação de desigualdade entre homens e mulheres, contribuindo para práticas de assédio moral no trabalho.

Após o conhecimento de quantas mulheres já passaram por alguma situação negativano trabalho através da resposta das respondentes, e contribuições acerca dos motivos deste fenômeno, pelo depoimento das entrevistadas, elencou-se quatro categorias com 27 situações negativas consideradas assédio moral no trabalho, conforme sua frequência.

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