of violence in the Middle East
3. Gender, peace and security
3.2. The impact of violence and conflicts from a gender perspective
3.2.3. Other gender violence in contexts of crisis or armed conflict
Esta categoria diz respeito às práticas que fazem com que a trabalhadora sinta-se incompetente e incapaz de exercer suas funções. Nessa categoria estão contidas13 situações de atitudes hostis que caracterizam o assédio moral elencadas pela autora e apresentada às respondentes. A seguir, apresenta-se a soma da frequência das 13 situações contidas nesta categoria, com os respectivos percentuais de ocorrência.
Tabela 3 - Frequências: Deterioração Proposital das Condições de Trabalho
Nunca Às vezes Quase sempre Sempre Total
Nº
Respostas 2006 1334 522 324 4186
% 47,9% 32% 12% 8% 100%
Fonte: Dados primários, 2017.
Conforme a Tabela 3, cerca de 20% das mulheres participantes podem ser consideradas vítimas de assédio moral, pois escolheram a opção "Quase sempre" e "Sempre" em pelo menos uma das 13 situações hostis contidas nesta categoria. Cabe ressaltar que este percentual (20%)é a soma de frequência de respostas da opção "Quase sempre" e "Sempre", levando em consideração que para ser assédio moral as situações devem ser praticadas repetitivamente.
Esta categoria inclui atitudes que visam desmerecer o trabalho da vítima, por meio de cobrança excessiva, críticas exageradas, omissão de informações úteis para o exercício das atividades organizacionais e, até mesmo,proibição de acesso a equipamentos de trabalho essenciais para o desenvolvimento das tarefas. Deste modo, a vítima sente-se inferior e fracassada, tornando o exercício de suas funções mais dificultoso. Para Hirigoyen (2006 apud NUNES, 2011), o resultado dessas ações pode levar à demissão forçada da vítima. Esta categoria de atitudes hostis é difícil de identificar, uma vez que há uma sutileza do agressor em relação à vítima, que acaba não percebendo o que está acontecendo, e também porque algumas atitudes contidas nela podem ser classificadas como situações normais do cotidiano de trabalho (NUNES, 2011).
A seguir, são apresentadas as frequências de ocorrência de cada uma das 13 situações hostis desta categoria, levando em conta somenteos percentuais de escolha das opções "Quase sempre" e "Sempre" das 322 respondentes. Os percentuais destacados em cinza representam as situações mais utilizadas como estratégia para praticar o assédio moral no ambiente de trabalho.
Tabela 4 - Deterioração Proposital das Condições de Trabalho: Frequência das respostas que caracterizam assédio moral
Situações Hostis Nº Respostas %
Recebeu criticas em relação ao seu trabalho de forma injusta 56 17,4 Atividades de sua responsabilidade foram retiradas ou substituídas por tarefas mais
desagradáveis 61 19
Seus erros foram constantemente lembrados como forma de coerção 63 19,6 Recebeu criticas constantes ao seu trabalho e esforço 62 19,3 Houve supervisão excessiva de seu trabalho 105 32,7 Foi pressionada a não reclamar de um direito que você tinha (licença médica, férias,
adicional de salários, entre outros) 81 25,2
Foi exposta a uma carga de trabalho excessiva 103 32 Foram feitos comentários ofensivos e insultos sobre suas atitudes e comportamentos
no trabalho 43 13,4
Foi interrompida constantemente em reuniões ou diálogos 83 25,7 Não levam em conta seus problemas de saúde ou recomendações de ordem médica 53 16,5
Induziram você a erros 43 13,4
Privaram-lhe do acesso aos instrumentos de trabalho: telefone, fax, computador,
entre outros 20 6,2
Não lhe transmitiram as informações úteis para a realização de tarefas 73 22,7 Fonte: Dados primários, 2017.
As situações que obtiveram maior frequência de respostas foram "Houve supervisão excessiva de seu trabalho" com 32,7% e "Foi exposta a uma carga de trabalho excessiva" com 32% de representatividade de escolha. As ações pautadas, em geral, decorrem de uma pressão descontrolada e cobrança por resultados, onde o agressor usa de métodos agressivos para pressionar a vitima (LOPES et al. 2009).
Outras situações que apresentaram percentuais elevados foram "Foi interrompidaconstantemente em reuniões ou diálogos"(25,7%,), "Foi pressionada a não reclamar de um direito que você tinha (licença médica, férias, adicional de salários, entre outros)"(25,2%) e "Não lhe transmitiram as informações úteis para a realização de tarefas” (22,7%).
Nos relatos das respondentes foram identificadas algumas situações que se encaixam nesta categoria, bem como corroboram com as informações apresentadas na Tabela 4.
Me incitaram a fazer trabalhos que me submeteram a humilhação e vergonha (P39). Já fui inferiorizada por exigir que me pagassem as horas extras, me inferiorizavam o tempo todo por não aceitar trabalhar horas extras sem receber por elas, acabei sendo demitida por não aceitar isso (P43).
Fui exposta a uma carga excessivae supervisão do meu trabalho, não aguentava mais (P66).
Não queriam que eu pegasse atestado e depois disso começaram me tratar mal (como por exemplo quando eu tive um acidente de moto e por ter 3 dias de atestado pra repouso, minha chefe passou a não me dar nem bom dia, em determinado dia ainda debochou do acidente, dando a entender que era inventado, mesmo ela tendo o atestado e o papel do atendimento comprovando) (P91).
É assegurado a qualquer funcionário todos os seus direitos, tais como a dispensa em caso de atestado e o pagamento de horas extras conforme descrito na CLT (Consolidação das Lei Trabalhistas), o que não ocorreu nos relatos das pesquisadas 43 e 91, que se enquadram na subcategoria "Foi pressionada a não reclamar de um direito que você tinha (licença médica, férias, adicional de salários, entre outros)". Ainda, conforme Barreto (2016), a humilhação pela qual as vítimas passaram, reforça o sentimento de impotência e inutilidade, afetando a identidade e a dignidade das mesmas.
Algumas relataram a insubordinação e a contestação constante de decisões, situação esta que coincide com a subcategoria de situações hostis "contestar sistematicamente todas as suas decisões" elencada por Hirigoyen (2002 apud SOBOLL, 2008).
De modo geral, todas as situações pertencentes a esta categoria apresentaram percentuais elevados de resposta, ao passo que a subcategoria "Privaram-lhe do acesso aos
instrumentos de trabalho: telefone, fax, computados entre outros" teve percentual menor (6,2%), quando comparadaàs demais, o que indica um alto índice de uso dessas atitudes como forma de praticar o assédio moral no trabalho contra mulheres. Ou seja, degradar as condições do ambiente de trabalho, desmerecer as atividades exercidas pela vítima, tornando o ambiente pesado de se trabalhar, são estratégias usadas pelos agressores para assediar seus alvos no ambiente organizacional.