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O clima se revela como um dos componentes extremamente importante para a análise dos fenômenos naturais, sendo um dos grandes fatores de condicionamento das atividades humanas, por essa razão acaba influenciando na dinâmica dos ecossistemas. O estudo do clima compõe um importante capítulo da ciência moderna, pois a atmosfera influencia diretamente as atividades humanas, e vista como um fenômeno que regula o sistema natural, aberto às entradas de energia provindas das pelas mesmas atividades, resultando na estrutura espacial (MENDONÇA, 2007 apud BELIZÁRIO, 2014; ELY, 2006, p. 166).

Analisando o clima da BHRU, começamos pela sua integração em relação ao o clima da África Austral que é maioritariamente árido a semiárido com tendência a seca, se não recebesse considerável chuva orográfica em alguns locais. É dominado por 3 sistemas de circulação atmosférica, que são dispostos numa sequência meridional:

- O sistema solstício de verão associado com a zona de convergência intertropical (ITCZ);

- As zonas de anticiclones de altas pressões subtropicais, que tem um constante efeito de secagem nas áreas centrais;

- A Zona de Ventos de Oeste, de média latitude, traz chuva ciclônica para a área do Cabo (Van Zinderen Bakker, 1976 apud INIA, 1993).

O sul de Moçambique está situado na zona dos anticiclones e é influenciado pela Corrente Quente do Oceano Indico. A corrente provoca altas temperaturas comparadas com as

de Costa Atlântica situadas na mesma latitude. Existem 2 estações: quente e chuvosa, e uma fria e seca. Um anticiclone subtropical está situado acima do Oceano Indico entre 25° e 3 8° Sul. Depressões formam-se próximo da costa ou no interior entre os 25° e 30° Sul a partir de outubro a dezembro. Existe uma depressão térmica na estação quente acima da África Austral. Em seguida são apresentadas as tabelas 4, 5 e 6, mostrando valores históricos climáticos de três estações, localizados em cada um dos distritos que compõem a BHRU. Os dados são referentes a uma série climática de 30 anos compilados em um banco de dado e publicados pela FAO (1984). Para os fins propostos se escolheu apresentar apenas 7 variáveis que se mostram importantes para sua interpretação, merecendo destaque apenas quatro dos mesmos (precipitação, temperatura média, evapotranspiração e a humidade relativa).

Tabela 4: Dados da estação de Namaacha Distrito da Namaacha (Altitude 523m)

Jan Fev Mar Abri Mai Jun Jul Agos Set Out Nov Dec Anual P (mm) 150.6 117.1 116.6 70.8 28.8 24.3 22.1 21.6 42.6 80.3 115 105 894.8 T média 23.8 23.6 23 21.6 19.8 19.6 17.8 20 21.3 22 23.3 21.1 21.1 ET P (mm) 128.6 111.8 105.6 4.9 69.5 56.6 61.5 79 102 119 119 130 1168 H. R (%) 76 77 78 75 70 70 65 65 66 69 72 74 71 Fonte: FAO, 1984 (médias mensais de 1960 a 1990).

Tabela 5: Dados da estação de Moamba Distrito de Moamba (Altitude 110m)

Jan Fev Mar Abri Mai Jun Jul Agos Set Out Nov Dec Anual P (mm) 125.8 96.7 59.9 49.3 15.5 13.6 5.5 9.2 24 46.2 60.8 80.8 587.3 T média 27.4 27 26.7 24.8 21.4 19 19 20.8 23.2 24.6 25.7 26.8 23.9 ET P (mm) 170.3 142.9 136.4 109 89.6 74 79.2 106 132 154 162 173 1528 H. R (%) 67 69 68 67 65 64 65 62 62 65 65 67 65.5 Fonte: FAO, 1984 (médias mensais de 1960 a 1990).

Tabela 6: Dados da estação de Umbelúzi - Boane Posto de Umbelúzi (Altitude 12m)

Jan Fev Mar Abri Mai Jun Jul Agos Set Out Nov Dec Anual P (mm) 126.5 118.7 69.1 59.9 16.6 17.5 17.6 13.6 34.1 54.5 71.1 79.4 678.6 T média 26.6 26.5 25.6 23.6 20.5 18 17.8 19.8 21.7 23.6 24.6 26.2 22.9 ET P (mm) 166.1 139.1 121.7 102 82 60.5 69.2 100 123 140 150 162 1415 H. R (%) 69 71 72 72 71 72 70 65 65 66 66 66 68.8 Fonte: FAO, 1984 (médias mensais de 1960 a 1990).

P(mm) – precipitação média mensal em milímetros, T média – temperatura média mensal em graus Celsius.

ET P (mm) – Evapotranspiração potencial em milímetros, H.R (%) – humidade relativa. A temperatura média do ar mais baixa é registada no alto da cadeia dos Libombos, na Namaacha (17,8°C) no mês de julho, e a mais alta temperatura média é encontrada ao Norte da área de estudo (27,4° C) na estação de Moamba. É em Moamba que se regista a temperatura

ambiental mensal máxima do mês mais quente que é de 34,1oC. A temperatura ambiental mínima mensal do mês mais frio é de 9° no interior do planalto dos Libombos, isso no distrito da Namaacha. A variação da amplitude da temperatura média anual é mais alta na parte central do que na costa ou nos Libombos, sendo respectivamente 8°C e 6° C.

As precipitações acumuladas anuais nas três estações localizadas na BHRU são inferiores a 1000 mm e superior a 500 mm, e se encontra concentrada nos meses de novembro a fevereiro e a menor concentração pluviométrica se estende do período de junho a setembro, que concede com o inverno moçambicano.

Salientar que a umidade relativa do ar nas três estações climáticas analisadas na área da bacia, apresentavam variações acima de 55% e não superior 80%, sendo que os valores mais altos são encontrados no distrito da Namaacha, anunciando condições especificas do clima influenciado pela altitude e de acordo com a classificação Köppen, o clima é Tropical Húmido (AW), modificado pela altitude, sendo a Norte e Leste, o clima é Seco de Estepe (BS) (MAE, 2005). A precipitação média anual é de 894,8 mm, ocorrendo cerca de 60% desta precipitação entre novembro e março.

O distrito da Moamba apresenta dois subtipos de clima segundo a classificação de Koppen, que são os tipos BS (Clima de estepe), com uma temperatura média anual de 24°C e pluviosidade anual entre 580 a 590 mm e, também, junto à fronteira com Ressano Garcia e o clima do tipo BSW, Clima de estepe com invernos secos, e baixa pluviosidade em comparação ao resto do distrito, mais que não se encontra inserido na área coberta pela BHRU, portanto está fora da nossa análise.

Em última análise a estação de Umbelúzi que representa uma grande parte da área banhada pelo rio Umbelúzi no distrito de Boane, apresenta um clima do tipo sub-húmido e com deficiência de chuva na estação fria. A pluviosidade média anual é de 752 mm variando entre os valores médios de 563,6 mm para o período húmido e os 43,6 mm no período seco, concentrados como o caso dos outros distritos de novembro a março (MAE, 2005).

As condições climáticas exercem influências de diversas formas no ambiente, a radiação solar, velocidade do vento, temperatura e umidade relativa do ar podem influenciar a evapotranspiração, o que afeta na disponibilidade de água nos solos afetando o desenvolvimento de plantas. Aqui são apresentados os três gráficos, Figuras (18, 19 e 20) que combinam dois desses elementos em relação a evapotranspiração potencial para análise da sua disposição e como isso pode influenciar no ambiente em estudo.

Fonte: Adaptado dos dados da FAO (1984).

O distrito de Namaacha apresenta uma variação térmica média mensal não superior a 25oC, isso em todos os meses do ano, influenciando pelo sub clima de montanha e com a maior parte da precipitação acumulada no período de verão Austral de outubro a março, sendo que o inverno é seco e vai de abril a setembro. A evapotranspiração potencial é quase superior em quase todo o ano excetuando o mês de janeiro, fato que anuncia as deficiências hídricas da região em grande parte do ano.

Figura 19: Gráfico termo-pluviométrico X evapotranspiração de Moamba.

Fonte: Adaptado dos dados da FAO (1984).

Moamba é um dos distritos mais áridos da província de Maputo, caraterizado por um verão bastante quente com temperaturas médias mensais acima de 25oC e um inverno bastante seco com precipitações médias a não ultrapassar os 50 mm durante esse período. As

1 21 41 61 81 101 121 141 161

Jan Fev Mar Abri Mai Jun Jul Agos Set Out Nov Dec

0 5 10 15 20 25 30

Precipitação (mm) T média (°C ) Evapotranp. (mm)

125.8 96.7 59.9 49.3 15.5 13.6 5.5 9.2 24 46.2 60.8 80.8 -20 30 80 130 180

Jan Fev Mar Abri Mai Jun Jul Agos Set Out Nov Dec

0 5 10 15 20 25 30

Precipitação (mm) T média (°C ) Evapotranp. (mm)

Figura 18: Gráfico termo pluviométrico X evapotranspiração de Namaacha.

T oC P (mm)

precipitações de uma forma geral estão situadas abaixa a evapotranspiração potencial, a semelhança.

Figura 20: Gráfico termo-pluviométrico X evapotranspiração de Umbelúzi-Boane

Fonte: Adaptado dos dados da FAO (1984).

Em suma todas as estações localizadas na bacia, tem um verão húmido e um inverno seco sendo que período chuvoso vai de outubro a março e a precipitação média não ultrapassa os 900 mm, em toda área drenada pela bacia.