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4. Mandatory Ciphersuites

4.3. PCB-RSA-AES128-PAYLOAD-PIB-PCB

Quando se pensa em ensinar uma LE, devem ser levados em consideração muitos elementos, considerando questionamentos básicos como o quê, como, por quê, e para quem, com o fim de se organizar, planificar e oferecer um ensino adequado e significativo. Porém,

mais além de tais indagações “cabe perguntar: o que significa formar cidadãos no espaço da aula de língua estrangeira? Como desenvolver – e o que significa fazê-lo – o senso de cidadania em aula de língua estrangeira?” (BRASIL, 2006, p.132)

As OCEM (2006) chamam atenção para o fato de que ensinar língua estrangeira é uma ação que deve ter um sentido, algo “[...] que supere o seu caráter puramente veicular, dar-lhe um peso no processo educativo global desses estudantes, expondo-os à alteridade, à diversidade, à heterogeneidade, caminho fértil para a construção da sua identidade” (BRASIL, 2006, p.129). Esta é uma proposta interessante que, se posta em prática, pode representar uma grande e positiva mudança no ensino de LE que, historicamente tem causado significativo insucesso nas escolas normais, como relata Muller (2005, p. 89):

Sabidamente, no entanto, as escolas costumam ser o túmulo das línguas. São instituições com resultados medíocres em ensino e aprendizado de língua, em comparação com as situações de inserção/imersão nas suas diversas modalidades. As práticas sociais existentes na sociedade são professoras muito mais competentes. Manter o foco de atenção exclusivamente na escola para a elaboração e execução de políticas linguísticas e confiar exclusiva ou prioritariamente nelas para manter e desenvolver a vida das línguas é abrir mão de obter resultados concretos na reversão, por exemplo, de uma tendência à perda linguística, ou no aproveitamento de usos concretos da língua em questão na sociedade que podem ser potencializados – planificados [...]

Ou seja, trata-se de reconfigurar o ensino a partir de uma política linguística que aborde o uso e a utilidade da língua, que represente conscientemente a cultura e a realidade e atribua significados de uso; que faça sentido e tenha lógica na sua aplicação. De acordo com a citação acima, as práticas sociais são primordiais e representam a verdadeira escola linguística, e ainda sugere o autor, a planificação de um ensino que parta do uso concreto da língua como forma de potencializar, planificar e dar sentido ao aprendizado. Nesta mesma linha de pensamento, as OCEM (2006, p. 131) apontam que “[...] é fundamental trabalhar as linguagens não apenas como formas de expressão e comunicação, mas como constituintes de significados, conhecimentos e valores”.

O papel educativo do ensino do espanhol, portanto, segundo este documento, deve considerar os aspectos, sociais, linguísticos e políticos que envolvem o idioma, visualizando a formação intelectual do aluno dentro de um contexto que envolva a interdisciplinaridade e a diversidade linguístico-cultural da língua:

Nesse espaço, a língua estrangeira não é simplesmente matéria escolar a ser aprendida, mas tem função educacional, e um dos seus papéis mais importantes, o de expor os alunos a outra língua a partir de uma óptica

menos instrumental, poderá ajudar, entre outras coisas, a interferir positivamente na relação que os estudantes brasileiros guardam com a própria língua, em especial com a escrita (OCEM, 2006, p. 133).

A perspectiva de um ensino significativo e inclusivo deve envolver questões relacionadas com a realidade do estudante e contribuir para o aprendizado voltado para o seu desenvolvimento crítico e reflexivo em prol do reconhecimento de sua própria identidade. Neste sentido, defendo que, incorporado ao intuito de educar, deve estar o propósito do professor de transformar suas aulas em momentos de reflexão, visando a uma conscientização e maturidade do aluno em relação à língua alvo, pois “o modo como um estudante irá desenvolver a sua competência linguística vai depender, dessa forma, também do modo como interpreta os implícitos da linguagem” (MENDES, 2010, p. 69).

Com efeito, esses “implícitos da linguagem” devem ser interpretados como o âmago do processo de aprendizagem, pois são esses elementos que constituem a identidade e formam a cultura de um povo, grupo, tribo ou nação. E um professor preparado é quem, sabiamente, tem o poder de conduzir o ensino de forma a se obter um efeito muito mais reflexivo e significativo para o estudante, como fica claro no texto das OCEM (2006, p. 133):

Enfim, as ideias arroladas apontam para a recuperação do papel crucial que o conhecimento de uma língua estrangeira, de um modo geral e do Espanhol em particular, pode ter nesse nível de ensino: levar o estudante a ver-se e constituir- se como sujeito a partir do contato e da exposição ao outro, à diferença, ao reconhecimento da diversidade.

Ensinar LE na visão das OCEM, portanto, é uma ação que reúne reflexão, responsabilidade, compromisso e, principalmente, atitude de redimensionar a prática com o objetivo de formar cidadãos críticos e conscientes da sua identidade e a do outro, sobre o seu lugar e o lugar que o outro ocupa no mundo. Neste sentido, o ensino do espanhol deve ter papel educativo e ressignificar uma nova forma de ensinar LE. E como defende Paraquett (2008, p. 2974),

[...] espera-se, portanto, que a aprendizagem de línguas estrangeiras ultrapasse o conhecimento da metalinguagem, assim como saia da esfera restrita da tecnologia e do mercado de trabalho para transformar-se em ferramenta de conhecimento, de autoconhecimento, de eliminação de fronteiras e, principalmente, de inclusão social.

Assim, seguindo a linha defendida pela autora, é importante considerar mais as vivências dos personagens envolvidos no processo de ensino aprendizagem de uma LE e

priorizar uma pedagogia voltada para o social, menos preocupada com questões políticas, que antes eram postas como pontos primordiais no tocante ao ensino-aprendizagem de um idioma.