2. Security Blocks
2.4. Payload Confidentiality Block
Entre os professores que se dedicam ao ensino de espanhol na cidade Cruz das Almas, pude contar com a contribuição de três deles para o desenvolvimento desta pesquisa. Estar com eles neste processo foi uma experiência muito gratificante, enriquecedora e motivadora. Encontro respaldo na citação abaixo para relatar o que significou a experiência e a relação construída neste período entre mim e os colegas professores participantes do estudo.
A prática da pesquisa educacional deve ser emancipadora. Dependências do professor em relação ao pesquisador devem ser evitadas e a relação entre ambos deve funcionar no sentido de produzir contextos nos quais o professor possa adquirir instrumentos e desenvolver a prática da reflexão e o desenvolvimento de ações voltadas para a melhoria de seu trabalho pedagógico em sala de aula. Há linhas de pesquisa educacional nas quais o objetivo da relação pesquisador e professor não é só informar, mas produzir a independência e desenvolver a capacidade de reflexão deste último. (TELES, 2002, p.97 e 98).
Ressalto que, estava previsto nos meus objetivos, reunir todos os professores de espanhol de cursos livre preparatórios para o ENEM da cidade de Cruz das Almas, porém, diante da recusa de um docente em participar da investigação, apenas três formaram a equipe de sujeitos de pesquisa. Neste caso, não houve, de certa forma, critérios específicos para a seleção, e sim, um convite a todos os professores que desempenhavam a práxis que me interessava investigar. Sendo assim, descrevo, a partir do meu ponto de vista como pesquisadora e professora, cada um dos meus colaboradores.
O Informante I é um jovem formando do curso de Letras com Espanhol da UNEB, Campus V, e é o primeiro ano que ele atua neste contexto de cursos livres. Ele dispõe de uma postura de muita responsabilidade com as aulas de espanhol, apresenta muita energia e fé na carreira do magistério. O fato de ele ensinar na rede pública, no programa Universidade Para Todos, do governo estadual, faz com que seja ainda mais dedicado às aulas e cuidadoso com os alunos para que estes, por sua vez, desenvolvam uma empatia com a língua espanhola.
Muitos dos seus estudantes nunca tiveram uma única aula de espanhol no decorrer dos anos de ensino básico. Com o Informante I aprendi que a educação pública merece muito respeito e dedicação, que vale a pena cada esforço e sacrifício feito em prol de qualquer aluno que queira aprender uma língua estrangeira, e que este ensino deve ser direcionado para que o aprendiz desenvolva, além das habilidades próprias direcionadas para a prova específica do ENEM, a sensibilidade diante as diferenças e a constituição do outro.
A Informante II é uma professora com longa carreira no ensino de língua estrangeira. Formada em Letras com Inglês na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), ela também se dedicou, depois de se aperfeiçoar em cursos de idiomas, ao ensino do espanhol em cursos livres. Atualmente dedicada ao ensino público, sua postura como professora de espanhol é de responsabilidade, humanidade e fé. No desenvolvimento do seu trabalho, ela sente os alunos e os ensina, partindo de reflexões que evidenciam a autoestima, a perseverança e o cuidado com o outro. Apesar dos longos anos dedicados ao ensino, a Informante II se mantém motivada e dedicada ao trabalho docente e faz do seu ofício um meio de promover a paz. Com esta professora, eu aprendi que cada aluno é um ser humano diferente, que merece ser olhado e cuidado, que cada aula é uma oportunidade de refazer-se como professora e que os anos de docência nem sempre apagam o prazer de ensinar com alegria e otimismo.
O Informante III, finalmente, é um professor com muitos anos de experiência em cursos livres, graduado em Letras com espanhol, também na UEFS. Ele faz do ensino de línguas estrangeiras (pois, de igual modo, ensina inglês) um investimento que reflete na sua vida em forma de preparação, dedicação e esforço. Professor exclusivo da rede particular de ensino, ele divide sua vida entre as horas trabalhadas em escolas, cursinhos livres e cursos de aperfeiçoamento. Sua dedicação com os alunos é observada na filosofia de vida que tudo deve partir para um conhecimento mais amplo e diversificado, que a aprendizagem do espanhol deve ser um ponto de partida para uma cadeia de outros conhecimentos paralelos. Com o informante III aprendi que o professor de espanhol precisa estar preparado e em constante aprendizagem para que e o ensino seja sempre diversificado e produtivo.
A partir da narração, entre percepções, observações e constatações, ficam apresentados os professores participantes desta pesquisa. Ressalto, portanto, que depois de conviver com esses professores, entrar nas casas de alguns, saber de suas crenças e conhecer a forma como atuam em sala de aula no papel de maestros, uso aqui a frase do grande filósofo Heráclito para explicar que as renovações causadas, as reflexões feitas e as novas atitudes tomadas me fazem realmente crer que “não se entra duas vezes no mesmo rio”. De modo geral, a
experiência de conhecer novas pessoas nos converte em novos seres humanos. Portanto, “Nesse sentido, o tempo de contato entre pesquisador e professor é determinante na qualidade dos resultados da investigação e frequentemente a relação criada entre ambos transcende os limites da escola e o período da pesquisa realizada” (TELLES, 2002, p. 98).
Findas as discussões metodológicas, no capítulo que segue falarei da soberania do espanhol a partir do continente americano, evidenciando a importância global do idioma como língua internacional, de prestígio e de afeto. Trata-se da tentativa de resgate do valor do espanhol “desconhecido” das colônias em relação à variação imperial.