Chapitre 5 Démarche méthodologique
5.3 L’ingénierie orientée patron (Pattern)
5.3.3 Patterns de sécurité
O quadrante náutico era fundamentalmente constituído por um quarto de círculo graduado de 0 a 90o, normalmente em madeira. De construção simples, era leve e fácil de utilizar. O observador visava o astro pelas pínulas, através dos oríficios centrais. Do ponto de confluência das arestas do quarto de círculo pendia um prumo que indicava ao observador o valor dos ângulos verticais.
As origens do instrumento situam-se em data anterior ao século xi. As referências ao Qua- drans Vetus aparecem pela primeira vez na Europa, em Montpelier no século xii18. O Quadrans
Vetus aparece em textos árabes do século ix-x19. No século xiii o astrónomo judeu Profatius
de Montpellier alterou o Quadrans Vetus adicionando projecções e a escala da ecliptica criando o Quadrans Novus. Estes instrumentos eram tábuas de cálculo como os astrolábios, utilizados para efectuar diversos cálculos astronómicos.20
17Garcia Franco, Instrumentos nauticos en el Museo Naval, pp. 117-19.
18Calvo, A Shared Legacy: Islamic Science East and West : Homage to Professor J. M. Millàs Vallicrosa, p. 341.
19King, «A "Vetustissimus"Arabic treatise on the "Quadrans vetus"», p. 237.
António Estácio dos Reis, num estudo sobre o quadrante náutico, faz referência ao Quadrans Vetus ou astrolábio quadrante. Indica que o instrumento foi descrito, em 1288, pelo astrónomo Jacob Tibbon Ben Makin. Esse astrónomo redigiu o Tratado do Quadrante Moderno, onde apresentava um quadrante com todas as funcionalidades de um astrolábio planisférico, permi- tindo realizar os diversos cálculos astronómicos. Embora engenhoso, segundo António Estácio dos Reis, o astrolábio quadrante não teve muita aceitação, sobretudo devido à complexidade da sua utilização.21
Nos Libros del Saber redigidos no século xiii, encontramos um capítulo dedicado ao qua- drante - Libro del quadrante pora rectificar.22 No prólogo do livro é indicado o sábio Rabiçag
como seu autor. O livro foi redigido em Toledo por ordem do Rei Afonso x em 1277.23
A data em que o instrumento foi adoptado entre os pilotos portugueses não é possível de precisar. A referência mais antiga à utilização do instrumento por portugueses encontra-se na Relação de Diogo Gomes, escrita por Martin Behaim. Nesse texto aparece a indicação clara da determinação da altura da estrela polar com o quadrante, no ano de 1460:
Eu tinha um quadrante, quando fui a essas paragens, e escrevi na tábua do quadrante a altura do polo Árctico, achando-o melhor do que na carta. É verdade que numa carta se vê a rota a navegar, mas se alguma vez se introduz um erro, nunca se volta ao ponto primitivo.24
Nos inícios do século xvi, o quadrante ainda era transportado a bordo dos navios conjun- tamente com os astrolábios. Esta conclusão fundamenta-se por exemplo na relação de instru- mentos que iam a bordo da armada de Fernão de Magalhães.
• 23 cartas de marear em pergaminho da autoria de Nuño Garcia; • 6 pares de compassos;
341.
21Reis, «O quadrante náutico», p. 247.
22Rico y Sinobas, Libros del saber de astronomia del Rey D. Alfonso X de Castilla, p. 287-sg. A colectânea de obras técnicas de astronomia presente na colecção dos Libros del Saber de astronomia é uma importante fonte para o estudo da astronomia da Idade Média. A obra pode ser consultada em formato digital no sítio da universidade de Cádiz - http://rodin.uca.es:8081/xmlui/handle/10498/7202 [acedido em Maio 2011]
23Ibid., p. 287-sg.
• 21 quadrantes de madeira; • 6 astrolábios de metal; • 1 astrolábio de madeira; • 35 agulhas de marear;
• 4 caixas grandes para 4 agulhas; • 18 relógios de areia;
Esta relação de instrumentos é prova de que nos anos vinte do século xvi nas espedições marítimas espanholas, os quadrantes e astrolábios eram utilizados em conjunto. Será de supor que esta prática se aplicava aos reinos da Península Ibérica, onde os costumes náuticos seriam partilhados pelo constante contacto marítimo. No século xvii o instrumento continua a ser descrito nos tratados de navegação. O quadrante aparece por exemplo na Arte de navegar do Padre Simão de Oliveira de 1606.
A primeira representação gráfica portuguesa de um quadrante aparece numa carta de Diogo Ribeiro datada de 1525. A imagem está acompanhada de uma legenda25que indica a utilização do instrumento para determinar a latitude:
E assim com ele podes tomar a elevação do sol ou de outra estrela para saber a região onde estás andando pelo mar ou pelos desertos[...]
A representação portuguesa mais antiga a seguir à carta de Diogo Ribeiro encontra-se no Reportório dos Tempos datado de 1563 (Figura3.7)26.
O Padre Francisco da Costa, no seu Tratado de Hidrografia e a Arte de Navegar apresenta um quadrante dos quadrantes, que utilizaria o nónio de Pedro Nunes27. O quadrante evoluiu
para o quadrante de dois arcos ou quadrante de Davis, muito utilizado entre os Ingleses como indicado por Manuel Pimental e para o quadrante de só arco com uma pínula que gira em torno do vértice.
Pedro Nunes refere-se ao quadrante na sua obra De arte atque ratione navigandi, expres- sando uma opinião favorável ao instrumento. Indica o quadrante como sendo «um instrumento
25
Cortesão, Cartografia e Cartógrafos portugueses dos séculos xv e xvi. Contribuição para um estudo com- pleto, p. 143. Armando Cortesão reproduz a legenda presente no planisfério de Weimar de 1527.
26Fernandez, «Reportório dos tempos», p. 479.
muito adequado para tomar as alturas do Sol e dos outros astros»28, contudo refere que o «fio de
prumo» do instrumento devia de ser substituído por uma «régua com um peso fixo». Justifica essa alteração no facto do fio ficar preso no corpo do instrumento tornando incertas as alturas que são medidas nele. A régua rígida devia ser construída de forma que mantivesse a todo o momento a perpendicularidade ao plano do horizonte.
Os instrumentos destinados à medição da altura dos astros, na opinião de Pedro Nunes, apresentavam medições inexactas mesmo quando corretamente construídos, isto devia-se às di- mensões dos mesmos. A pequenez do instrumento não permitia que a sua escala fosse dividida por forma a apresentar valores inferiores ao grau. A preocupação do cosmógrafo, adequada às medições em astronomia, mostrava-se desajustada na realidade náutica. Os mareantes esti- mavam os valores intermédios aos valores inteiros e essa precisão satisfazia as suas necessidades.