2. Cadre théorique
2.3 Santé mentale en milieu carcéral
2.3.3 Pathologies, troubles et comportements
Para o aluno da EE, o ensino e aprendizagem da leitura e da escrita desempenha um papel importante, portanto, é alvo de grandes embates acerca de muitos aspectos e um deles está relacionado a qual método deve ser utilizado para contemplar esse aprendizado.
Na Educação, de uma forma geral e equivocada, as instituições de ensino, nas séries iniciais, priorizam a reprodução de textos e cópias de palavras e frases de forma descontextualizada, sem observar a diversidade de recursos e de símbolos que a criança vivencia desde seu nascimento. A problemática está em afirmar que o conhecimento sobre a leitura e a escrita se concretiza com um emaranhado de ideias (letras, sílabas, palavras, frases) prontas a serem memorizadas. Há, dessa forma, todo um contexto cultural e social que deve atribuir sentido à aquisição de tais saberes.
Sobre o contexto abordado,
Pensar a proposição de ações pedagógicas com vistas à inclusão total do aluno com algum tipo de comprometimento físico, mental ou sensorial é ter a chance de, mais do que revelar a realidade do aluno, revelar a necessidade de se ter/desenvolver um processo educacional coerente com uma Educação democrática, que quebre barreiras tradicionais impostas pela sociedade que tenta impor, a todo momento, quem pode e quem não pode aprender (DRAGO; RODRIGUES, 2013, p. 63).
Contudo, pensar em como deveria ser o ensino da leitura e da escrita para as crianças da EE nos faz refletir sobre a necessidade de uma busca constante por estratégias metodológicas, ou seja, o conteúdo pode ser único, variável seria a maneira de ofertá-lo seja com a utilização de recursos diversificados e concretos, entre outros aspectos que já foram mencionados anteriormente.
Para o professor ensinar e o aluno aprender, é preciso ter condições para ensinar bem e a todos. Incluir impõe também a organização de uma sala de aula apropriada. É necessária uma ação coletiva, intencional, específica, em um contexto histórico, em relação a um objetivo ou a um fim que se pretende alcançar, assim,
[...] a criança não tem o destino traçado porque nasceu cega ou surda ou deficiente intelectual. A deficiência em si não a define. A predestinação é cultural e, portanto, histórica. A história é construída por nós. A cultura é produção humana (PADILHA, 2013, p. 59-60).
Com base nessa afirmação, compreendemos que, se tivermos um objetivo comum e um ensino intencional, valorizando as habilidades de cada sujeito, os meios e as formas de ensinar vão sendo construídos a partir do conhecimento de cada aluno em interação com o saber do professor.
Quando questionados sobre a perspectiva de como alfabetizar, novamente houve um princípio de “tumulto” no grupo da sala regular:
Como alfabetizar? Boa pergunta, eu também queria saber! (P3 SR). Risos entre todas!
Meu sonho é ter a “P7 A” do lado, (risos), ela dá uma atenção diferenciada ao aluno. Quando eu preciso, ela me ajuda (P4 SR).
[...] acaba frustrando um pouco a gente, porque você tem não só um aluno, você tem algumas diferenças lá dentro que aprendem de formas diferentes, que aprendem, mas tem seu tempo. Os que a gente identifica ou que já vem como alunos da EE, aí você já depara com uma situação: e agora? Até onde que ele sabe. Daí até que você descobre o que ele sabe, qual a dificuldade e por onde que ele aprende, demora pra você começar a atuar (P1 SR).
O profissional da área precisa conhecer seus instrumentos de trabalho, entretanto, como observamos, apesar do discurso, nas entrelinhas, os docentes não adotam uma metodologia definida a priori e quando se deparam com o aluno e suas especificidades, se vêem perdidos e não sabem como dar início ao processo de alfabetização, comprometendo assim, sua atuação.
Contudo, os profissionais da EE não demonstram desconhecimento sobre como alfabetizar, apesar de considerarem um processo difícil, acreditam na importância de utilizar todos os recursos possíveis e necessários para que ocorra o aprendizado e, caso não os tenham, alegam que é possível sua criação juntamente com o aluno da EE. Segundo a professora do AEE “[...] recursos visuais é o que mais nós utilizamos” (P1 AEE). Os professores do AEE partem da necessidade específica do aluno, por exemplo, se é deficiência física, precisa de acessibilidade; se é deficiência visual, algum recurso tátil que possa utilizar para chegar a esse processo. O P2 AEE conceitua esse movimento de instrumentalizar o profissional e faz uma ressalva, afirmando sentir-se preocupado com esse contexto, pois não se trata somente de instrumentalizar a alfabetização, vai, além disso, para que o aluno da EE possa exercer socialmente outras possibilidades:
[...] trabalhando a autoestima dos nossos alunos, trabalhando a habilidade; [...] a P1 AEE fala muito disso né, que determinados alunos nossos vão ter muitas dificuldades em processos de alfabetização, mas será que eles vão poder interagir socialmente de outra forma? (P2 AEE).
Mesmo que os alunos não se alfabetizem da maneira convencional, eles têm a possibilidade de interação social que lhes permitirá adquirir autonomia em muitos aspectos. Esse profissional respondeu ao seu próprio questionamento, realizando uma afirmação que entra em contradição com seu próprio pensamento:
[...] ao exercer uma atividade laboral que lhe permita gerar receita (ganho financeiro), como, por exemplo, um caso de deficiência visual, em que o sujeito utiliza a massoterapia
como objeto de trabalho e não necessariamente, tenha que estar alfabetizado em Braille, o sujeito se sentirá útil em sua comunidade (P2 AEE).
Não podemos afirmar qual situação é mais relevante para o aluno: aprender uma atividade profissional (assim ele seria apto somente como mão de obra especializada) ou o conteúdo escolar (voltado para as potencialidades desse sujeito); um aprendizado pode contribuir com o outro. Não podemos conceber que o aprendente da EE seja considerado um mero executor de atividades manuais, desconsiderando as possibilidades de aprendizagem cognitiva e socioafetivas que lhes podem ser apresentadas e apreendidas. O aluno da EE é perfeitamente capaz de aprender várias tarefas; é certo que, algumas habilidades podem sobressair-se a outras, mas não cabe pré-determinismo sobre qual será em maior ou menor intensidade, pois muitos aspectos estarão envolvidos nos processos de aprendizagem.
Sobre a forma de interação, P3 AEE ressalta que, além dos pontos abordados anteriormente, aspectos afetivos devem ser considerados:
[...] a questão de leitura e escrita que vai, além disso, também porque os aspectos que eles trazem emocionalmente são muito emblemáticos no dia a dia, no trabalho que a gente faz no dia a dia com eles, então assim, é um trabalho de significar e ressignificar constantemente as leituras de mundo [...] é tudo isso, não é só ele ser capaz de ler palavrinhas [...] (P3 AEE).
As questões emocionais estão ligadas à afetividade e a relação professor/aluno depende dessas estruturas para se concretizar. Assim, “a prática educativa é tudo isso: afetividade, alegria, capacidade científica, domínio técnico a serviço da mudança [...]” (FREIRE, 1996, p. 161). Portanto, um conjunto de ações é necessário para que ocorra o ensino e a aprendizagem; uma depende da outra e essa interação produz o conhecimento.
Houve relatos de alguns professores, durante as entrevistas, assinalando que o processo de ensino e aprendizagem desprovido de sentimentos, de emoções, seja no ambiente de sala de aula, ou em casa com toda a família, causa enormes prejuízos ao aluno. De acordo com relatos da P SR, “a afetividade é importante de ser trabalhada tanto em sala como em casa junto a família. Mas é muito difícil fazer com que o professor demonstre esse afeto. Não sei se é por medo de se apegar, ou porque está cansada mesmo, não sei! (P SR) ”.
Nesse sentido, algumas discussões têm sido promovidas pela escola e estudos vêm sendo realizados para validar a importância da afetividade no trato não só com a criança, mas com todo aprendente que está em constante desenvolvimento cognitivo, social e emocional, como forma de afirmar e assegurar sua personalidade, identidade e sua aprendizagem escolar
e para vida. Todavia, os resultados positivos ainda são irrisórios segundo relatos de alguns professores, pois, envolve mudança de olhares, necessidade de revisitar conceitos para reformular outros, apresentar metodologias e conhecimentos mais condizentes à realidade.
Um aspecto mereceu destaque nas afirmações de alguns profissionais: o atual aparato tecnológico entusiasma a todos, porém, não sobrepõe o impacto que a afetividade produz entre o professor e o aluno em sua trajetória escolar.
Apesar de estarmos em um contexto de periferia, alguns alunos têm acesso a computadores, internet, celulares e muitos deles se apegam tanto a esses artifícios, que trazê-los de volta ao mundo da leitura e da escrita, do quadro e do giz, é muito complicado. Muitos profissionais aqui da escola compreendem que a tecnologia sozinha não produz os efeitos desejados [...], precisa mais, precisa amor [...] P2 AEE.
Alguns professores têm a consciência que o afeto é um princípio relevante e precisa ser considerado no processo de alfabetização. No entanto, esses profissionais, em sua grande maioria, não estão dispostos a lidar com circunstâncias emocionais, sentimentais, ou de desarranjos de ordem psicológica, financeira e social, oriunda muitas vezes da família a qual a criança pertence.
Emergem, assim, novas e velhas questões a serem discutidas, nas formações dentro e fora da escola, com uma atenção voltada a essa temática, uma vez que a escola cada dia mais, tem se tornado o primeiro espaço social da criança fora do contexto familiar e por isso, precisa ser um ambiente acolhedor onde o aprendente se sinta confiante e protegido, favorecendo, a aceitação desse novo espaço como extensão de sua casa; o mais natural e prazeroso possível. Por fim, a equipe de gestão escolar da escola, precisa preparar todo o ambiente de uma forma harmônica e acolhedora e aos professores cabe distribuir doses de afeto o que favorecerá a eliminação de possíveis problemas de aprendizagens.
Compreender a relevância da afetividade como mediadora da aprendizagem na alfabetização e utilizar dela efetivamente, proporciona ao educador e seu aluno momentos divertidos e prazerosos no convívio em sala de aula, facilitando a maneira de ensinar e aprender.
A esse respeito, a P SR reafirma a importância da interação entre os professores, os métodos, os materiais e os aspectos emocionais para a efetivação do ensino da leitura e da escrita. Relata orientar os professores da sala comum a utilizar “[...] tudo o que for necessário enquanto recurso para conseguir ensinar os alunos” (CP SR).
[...] professor quando tem dificuldade com o aluno, vem até a mim e tentamos organizar um plano de ação. No princípio, eu faço uma breve avaliação dos conceitos que a criança possui e logo em seguida, sentamos novamente, eu e o professor para efetuar o planejamento. Nem sempre conseguimos bons resultados, pois alguns professores ainda relutam em pôr em prática as orientações. Mas, quando isso acontece, eu mesma os coloco em projetos de leitura e escrita e incluo a família para ajudar nesse processo. E quando todos os esforços foram exauridos, peço ajuda ao AEE (P SR).
A entrevistada afirma ainda que, apesar de tudo, os avanços estão acontecendo, não na velocidade de que gostaria, mas são concretos e ela demonstra uma satisfação ao ver os resultados.
Eu fico muito feliz quando meu aluno é desligado dos meus projetos por já estarem alfabetizados; quando ele vem e me mostra as atividades realizadas de forma correta, ou quando passo em sala e a professora regente dirige elogios ao desenvolvimento do aluno, é muito gratificante (P SR).
A CP AEE enfatiza que há muito a fazer com relação ao ensino da leitura e da escrita para os alunos da EE e que, na prática, ainda permanecem os velhos hábitos, então não há como dizer se há diferenças em relação ao ensino para os alunos do ensino comum e a EE, o que ela percebe
[...] é que há estratégias diferenciadas para esse mesmo ensino e que se os professores da sala regular adotar tais “táticas” podem favorecer inclusive os alunos que não são da EE, porém apresentam algumas dificuldades no processo de alfabetização (CP AEE).
Os profissionais da instituição apontam como parte dessas estratégias a relevância de um bom currículo e um projeto político pedagógico que contemplem as necessidades e anseios de todos os alunos, porém, as falas revelam dificuldades teóricas, inclusive com relação aos documentos que estão disponíveis na instituição para seu embasamento. Sabemos que um bom currículo e documentos não garantem um ensino de qualidade. Alguns aspectos à respeito desses documentos foram mencionados a seguir.