Chapter 6. Subroutines and Bugs
6.4 Passing Data to Subroutines
Kotler213 considera que o marketing pessoal é um processo de interação simbólica entre os indivíduos e que uma das funções do MP é de relacionamento, pois o bom relacionamento facilita o processo de troca. Já Jordão Horta Nunes classifica o interacionismo simbólico como as “ações tomadas como modelos para o interacionismo simbólico (...) conversar (por gestos significantes, vocais ou não), representar e jogar”.214 Por isso, concluímos que as interações simbólicas na esfera social sofreram alterações na forma de representação do sujeito, devido à valorização dos padrões estéticos visuais. A estetização do mundo é um dos elementos que compõem a pós-modernidade e influenciam diretamente a noção de MP. Os padrões estéticos não apenas indicaram novas maneiras visuais como estabeleceram novas formas de comunicação e leitura da imagem pessoal. Consideramos que o MP utiliza os padrões estéticos como um aporte na valorização de uma efígie e a valorização da figura humana pode favorecer e comunicar valores simbólicos na vida cotidiana.
Podemos destacar que é na plataforma interativa, comercial, política ou religiosa que o MP e suas estratégias recebem uma forma objetivada de agregação dos valores que são acrescentados na imagem pessoal. Portanto, não existiria MP se não houvesse uma ação “interacionista”, mesmo que simbólica. Por isso afirmamos anteriormente que o MP pode ser usado em qualquer segmento, pois acreditamos que onde houver espaço interativo sempre haverá possibilidade de enriquecer a interação pelas práticas de MP. Observa-se, contudo, que isso independe se a vantagem que se busca em usar o MP é estabelecida pelas regras de um setor de empreendimento ou, simplesmente, por um indivíduo. Nunes escreve que Goffman “já se voltava para um problema
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KOTLER, Philip. Administração de Marketing: a edição do novo milênio. São Paulo: Prentice Hall, 2000.
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NUNES, Jordão Horta. Interacionismo simbólico e dramaturgia: a sociologia de Goffman. São Paulo: Humanitas, Goiânia: UFG, 2005, p. 73.
metodológico básico nas ciências sociais, o hiato entre os conceitos sobre a organização da sociedade e as descrições do comportamento individual em situações de interação”.215
Por isso o climax da interação sempre recairá, para Nunes, sobre a conversação, pois “conversar é o que geralmente acontece numa interação, que é caracterizada pelo diálogo, embora não se reduza a ele (...) Conversar é agir; quando conversamos, comunicamos estados de coisas (...) Assim, no contexto da teoria dos atos de fala, ou de uma teoria que afirma a emergência do self e do significado a partir da conduta, interagir é conversar”.216 Então, os conhecimentos retórico e persuasivo, já indicados nas práticas de MP, são fundamentais para que o indivíduo interaja de forma proveitosa. Além desses, existe ainda a comunicação forjada pelos acessórios e pela indumentária. Vale ressaltar que a comunicação a que estamos nos referindo pode estar classificada no âmbito verbal ou no não-verbal, devido ao fato de o corpo possuir essas maneiras de comunicação e sofisticação.
Entretanto, toda conversa pode ser alimentada pelos signos que são lançados por emissores e receptores. O ambiente, os móveis, os acessórios, as roupas, os processos de embelezamento, componentes do marketing pessoal, são importantes para que a leitura da significação do que se deseja transmitir na conversa seja perspicaz. Peter Berger e Thomas Luckmann217 consideram que é por meio da conversa que estabelecemos nossa cosmovisão, pois a vida se fundamenta no fio da conversação. Logo, consideramos que a visão de mundo ou das coisas pode ser reforçada ou alimentada, devido aos valores que são apresentados na conversação, sendo eles simbólicos ou não. No MP, nota-se um grande empenho por parte de seus praticantes em conversar, seja na estrutura narrativa ou não, a fim de atingir a necessidade ou o desejo do outro, ou simplesmente persuadir, alterando a visão sobre produtos, serviços ou idéias do receptor.
Edson Paiva218 nomeou, como condição sine qua non, a questão da empatia pessoal, baseando-se na sinergia da comunicação, como um meio de a pessoa adequar a interação às obtenções de um relacionamento estreito. A empatia pessoal, nesse caso, é a
215 Id. Ibid. p. 101. 216 Id. Ibid. p. 79. 217
BERGER, Peter e LUCKMANN, Thomas. A construção social da realidade. Petrópolis: Vozes, 1985.
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tendência para sentir o que sentiria caso estivesse na situação e nas circunstâncias experimentadas por outrem, causando uma espécie de rapport, conforme a linguagem empresarial. De acordo com Lair Ribeiro, rapport “é estar em sintonia com alguém. É entrar no mundo da outra pessoa e estabelecer com ela uma comunicação plena, uma perfeita conexão (...). É encontrar a outra pessoa onde ela se encontra”.219 O MP tem a função de encontrar a pessoa, por meio de uma imagem pessoal, nas suas necessidades e desejos.
A compreensão desse recurso de empatia pessoal impregnada na ação de marketing é essencial para aproximarmos o MP ao interacionismo simbólico, pois ambos podem ser submetidos à ação da empatia. Pierre Longin220 ajuda alargar-nos as considerações quando cita os aspectos cerebrais como ponto de influência sobre a comunicação, indicando a neurolingüística como estudo de vários mecanismos ligados à interação, dentre eles o rapport, conforme citado. A proposta de Longin nos chama a atenção para uma melhor compreensão dos assuntos voltados para as múltiplas áreas de conhecimento do ser humano, a fim de unir o estudo da lingüística aos processos cerebrais e entender a comunicação de forma mais complexa. As ações de MP na interação simbólica são também processos complexos que interferem diretamente no espaço interativo e na compreensão de várias ciências relacionadas ao comportamento humano.
Nunes escreveu que “o uso adequado da linguagem é um dos indícios mais claros que um indivíduo está ‘se dando bem’ numa situação, envolve a capacidade de perceber as modulações ‘fora do tom’ e corrigi-las, restaurando a aparência de normalidade”.221 Já Goffman222, por meio de sua teoria sobre a “ciência das aparências”, julga que a nossa compreensão das pessoas pode estar condicionada a uma teoria tácita da expressão. Por isso notamos que certos atos e posturas fornecem, intencionalmente, ou não, evidências sobre sentimentos, atitudes e personalidades. No entanto, segundo Nunes “essas posturas podem ser fraudadas, o que ressalta a importância de diferenciar as falcatruas do
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RIBEIRO, Lair. Comunicação global: a mágica da influência. Rio de Janeiro: Objetiva, 1993, p. 54.
220
LONGIN, Pierre. Aprenda liderar com a programação neurolingüística. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1996, p. 03.
221
Op. Cit. p. 194.
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que é real, ainda que esse real seja apenas um motivo, persuasivamente sustentado para manter as aparências”.223
Na interação simbólica é possível perceber uma multidiciplinaridade de assuntos que servem para investigar vários fatos sobre o ser humano. A proposta de aproximar o marketing pessoal da teoria do interacionismo simbólico é fruto dessa nossa percepção em averiguar que o processo operacional do MP possui práticas que se relacionam diretamente com a interação simbólica. Porque ainda segundo Nunes quando “interagimos e conversamos, fazemos uma bricolagem com palavras, frases, gestos, posturas e expressões tomadas de outros e esse material compõe a ‘estrutura da superfície’ da interação social”.224 E isso pode ser visto na forma de educação do corpo, desenvolvida por uma sociedade e mantida por seus padrões. Tudo isso obedece ao dinamismo das relações de troca ou venda, garantindo o funcionamento das relações interpessoais.