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Le passage membranaire et la phosphorylation du glucose dans les cellules

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Centro de Convivência é uma unidade pública, articulada às redes de atenção à saúde, particularmente à rede de atenção psicossocial (RAPS), que objetiva oferecer à população espaços de troca social e de intervenção e produção na cidade e na cultura. Por visar a construção de espaços de convivência que sustentem e acolham as diferenças na comunidade são considerados estratégicos89 para a inclusão social das

pessoas com transtornos mentais (BRASIL, 2011b).

Marazina (1997), frente à necessidade de espaços que articulem o terapêutico com o cotidiano e a vida social dos usuários, afirma que dois dispositivos, em especial, chamam sua atenção: o espaço de convivência que faz parte do cotidiano do NAPS e os centros de convivência. Em sua experiência, a autora foi percebendo que

as equipes que trabalham nesses estabelecimentos se angustiam muitíssimo diante da possibilidade de conviver com os pacientes. Isso pode parecer meio absurdo, afinal como pode ser? Passamos o dia inteiro na instituição com os pacientes, fazendo coisas com eles e nos desorganizamos diante da convivência? No entanto, é claro que esse espaço gera muitas resistências. Para os profissionais, quando se trata de medicar, interpretar, fazer entrevistas, oficinas, etc., está perfeito; agora, quando não há essa referência mais codificada (que pode ser um setting dado desde fora ou desde dentro) e quando não se fornece um modo de ser, um continente dentro de um vínculo codificado, o jogo vincular com o paciente torna-se ameaçador (p. 167, grifo meu).

De minha parte, concordando sem sombra de dúvida com a autora a respeito das resistências que a convivência, por não ser codificada, produz nos profissionais, penso que justamente porque não está codificado é que potencialmente fica facilitado – se vencidas nossas resistências e temores – a criação de um espaço para o outro em mim na convivência.

Marazina (1997) reflete sobre dois diferentes espaços que têm a convivência como base. O espaço de convivência do NAPS90 e os Centros de Convivência. O espaço de convivência é um lugar onde nenhum procedimento terapêutico específico tem lugar, “em instituições como os Naps, durante uma boa parte do tempo os pacientes não estão sendo objetos de algum processo. A meu ver, isto coloca uma situação “do fora” dentro da instituição” (p. 170). Mas a equipe se angustia: como

                                                                                                               

89 Apesar de considerado dispositivo estratégico, não há muito apoio e incentivo – apenas pontuais - do Ministério da Saúde para a construção dos Centros de Convivência. A portaria 396 de 07 de julho de 2005 que tratava sobre os centros e sua implementação foi revogada.

90 O relato da autora está vinculado à experiência santista, nossa primeira experiência de desinstitucionalização no Brasil.  

organizar, o que fazer, os pacientes não estão vindo, o que respondo se perguntam sobre minha vida...

A autora faz uma análise muito interessante dos impasses na convivência que surgem com a equipe. Considera que entre os auxiliares e os usuários há uma convivência mais íntima, pois o universo cultural é mais próximo: “eles são como o vizinho, o amigo, o parente; dessa forma, conseguem ter uma percepção do paciente que está muito mais perto da sua própria representação” (p. 171). Por outro lado, questões defensivas surgem de um estilo autoritário bastante próprio da formação dos profissionais de saúde, o que comparece através, por exemplo, da infatilização dos pacientes, “perdendo de vista o seu estatuto de adulto e, sobretudo, de adulto sexualizado” (p. 171)91. Já entre os técnicos, a autora sinaliza que a aproximação para a convivência é mais difícil, pois “os técnicos normalmente não se aproximariam desses pacientes como pessoas se não fosse pelo trabalho” (p. 171).

Em relação aos Centros de Convivência, Marazina (1997) os toma como o “dispositivo mais criativo que o projeto de Saúde Mental institui” (p. 172). A ideia era construir um espaço no qual pessoas com variados tipos de diferença pudessem transitar. De novo, em suas supervisões, surge a angústia de ocupar o tempo – agora com oficinas diversas – de modo que, apesar de haver possibilidades de encontro, “existia um grande controle sobre a possibilidade de trânsitos mais espontâneos” (p. 172). Os técnicos se queixavam da dependência dos usuários, mas “eles próprios organizavam o espaço de maneira que não houvesse tempo livre; o trânsito das pessoas ficava praticamente obturado nesses lugares, exatamente onde poderiam conviver sem fazer algo de muito especial” (p. 173). A autora compara com uma dona de casa que não desfruta a festa – e incomoda seus convidados – por estar tão ocupada e preocupada que tudo saia bem.

O esforço com esta equipe, a partir da supervisão da autora, foi no sentido de criar condições para que as pessoas pudessem se encontrar – fazendo do Centro, de fato, um espaço de convivência – e que a equipe pudesse ser uma facilitadora desses encontros.

                                                                                                               

91 Uma das profissionais em um dos CAPS indignam meus alunos que se surpreendem com seus julgamentos morais (“temos que despachá-la do meu grupo, pois ela manipula”, “esse é o grupo dos retardados” e assim por diante...). Sem em nada concordar com seus julgamentos que apenas atestam o déficit de nossa formação, convido meus alunos a perceberam que, apesar das nefastas consequências para a convivência desta postura, esta pessoa é referência para vários usuários que se sentem mais à vontade para conversar e desabafar e a escolhem entre todos os outros profissionais.

Nesta mesma direção, Galletti (2013) discute a experiência da política de inclusão social através dos Centros de Convivência e Cooperativa – Ceccos da cidade de São Paulo. A experiência coletiva e compartilhada se concretiza a partir de novas formas de trabalho coletivo e de vida em comum.

O citadino moderno é um ser isolado na cidade, na rua, em casa, e se protege com uma carapaça de indiferença como estratégia de sobrevivência para suportar o esgotamento provocado pelo individualismo exacerbado. Fenômenos tais como a globalização, o consumo desenfreado e principalmente a velocidade da informação são marcas definidoras da cultura contemporânea. O avanço da informatização nos últimos anos e o surgimento da internet obrigam-nos a repensar a noção de encontro e os desdobramentos subjetivos provocados por essa experimentação virtual que faz da própria tecnologia o meio ambiente, esfumaçando a noção de lugar, de corpo e mesmo de encontro. Nesse sentido, as chamadas políticas de inclusão/integração orientadas para a diminuição das desigualdades sociais devem estar atentas a esses novos modos de subjetivação do contemporâneo (GALLETTI, 2013, p. 160).

O autor aponta o desafio de criar novas estruturas sociais que sejam capazes de comportar, ao mesmo tempo, a complexidade contemporânea e a situação de exclusão social vivenciada no campo da saúde mental. Neste sentido, o Centro de Convivência tem como finalidade potencializar o objetivo de desterritorialização, pois seu caráter é intersetorial: “insere a cultura na saúde, a saúde nas áreas verdes, a ecologia nos esportes, num projeto transversal de inclusão, de convivência e de criação” (GALLETTI, 2013, p. 161).

A ideia, desde o início, foi conectar pessoas - e não patologias – através do lazer, trabalho, esporte e arte. Diferente de outros serviços de saúde que ainda estruturam – de forma mais ou menos deliberada – suas ações em torno do modelo biomédico de patologia (GOULART, 2013), a criação dos Ceccos representou um projeto de produção de saúde no encontro com a cultura, atuando, de fato, no território (GALLETTI, 2013). Cada projeto no Cecco é um articulador de criação e ação, de modo que as oficinas – “nossa tecnologia de convívio social” (p. 163) – funcionam através de um permanente e idiossincrático diálogo com o fora da instituição, que visa conectar o serviço com o território. Neste sentido, o Cecco não ocupa uma posição de centro, mas, ao contrário, transita por diversos territórios – a rua, a arte, a cidade. Este projeto tem como principais articuladores a convivência e o trabalho afetivo na constituição de redes:

Mas aqui eu também quero colocar um operador de prudência quando falamos em constituição de redes: nestes tempos de globalização, de alto nível de informatização, cuja rede hegemônica é a do capital, geradora de desvinculação social, a rede que temos afirmado no Cecco é outra, é uma rede de resistência e criação, aquela na qual as experiências sociais podem se multiplicar, por onde crescem os saberes espontâneos, rede de produção de novas associações e sociabilidade, de comunidade, de solidariedade, de afirmação diferencial, uma rede de resistência às formas de homogeneização do socius, a qual procura criar aberturas para processos heterogenéticos que afirmem novos modos de convívio (GALLETTI, 2013, p. 163, grifo meu).

Para o autor, o Centro de Convivência é caracterizado como um dispositivo político da atenção à saúde mental, pois é um campo de encontro com a alteridade, onde se pode experimentar a distância que nos diferencia, sem colidir: “podemos encontrar polidez, delicadeza, gentileza, suavidade, ao mesmo tempo que separação, vai e vem, sobrevoo, contaminação, envelopamento, ressonâncias entre alteridades, qualidades que sabemos caras para o trabalho nos Ceccos” (GALLETTI, 2013, p. 164). O autor ainda salienta que esta nova forma de fazer clínica que não se separa do social, afeta também os profissionais que são convocados a ocupar outros modos de subjetivação na clínica e assumirem diferentes papéis.

Lobosque (2001) chama a atenção para os estigmas que a psicopatologia atribui aos psicóticos, como a inércia, limitações, empobrecimento psíquico. Estes traços, continua Lobosque (2001), ora criados ora intensificados pela cronificação institucional, dizem respeito também ao sujeito. Neste sentido, o tratamento pós-crise “não pode consistir simplesmente em manter um alívio sintomatológico aos usuários: deve oferecer-lhes chances de reconstruir suas vidas e seus lugares na cidade” (p. 27). Os Centros de Convivência surgem como dispositivo indispensável na busca deste objetivo:

Aos pacientes que não mais se encontram em crise intensa, pode-se pois oferecer a opção do Centro de Convivência – não para “ficar lá” na falta de outro lugar, mas para dirigir-se a esta ou aquela atividade de sua escolha; não porque “estão sem fazer nada”, mas porque sustentam o desejo e encontram-se uns com os outros, e com outras pessoas: vão ao cinema ou participam de uma reunião; deparam-se com algumas oportunidades, e criam outras tantas – sem qualquer necessidade de uma “babá psi” para guiar-lhes os passos ou ensinar-lhes a vida (LOBOSQUE, 2001, p. 28).

Desta feita, está presente uma dimensão que é singular: é preciso, com cada um, descobrir possibilidades de sentido, onde se vive. A noção básica é a de que a convivência é um dispositivo que facilita/propicia/permite no estar com resgatar esta dimensão, estar mais atento a ela. A questão primordial deste trabalho é como

introduzir esta lógica no interior do CAPS e transformá-la em dispositivo político- ético-clínico de cuidado. Não para sermos “babá psi”, mas para exercer a “função bá” do cuidado92 (Lancetti, 2008) e também acolhermos a crise.

Ribeiro e Campos (2001), ao apresentar a criação de um Centro de Convivência no processo de desinstitucionalização em Campinas, afirmam que esta experiência tem permitido resgatar a crença na convivência solidária entre os homens: “um corpo estável, de usuários-trabalhadores, sustenta a ideia e o sonho de agenciar a convivência tão escondida, perdida ou até esquecida em nossa sociedade atual” (p. 157). As autoras descrevem várias atividades (artes plásticas, artes cênicas, o Clube dos Saberes, a biblioteca, a agência de turismos, o jornal Candura...) e seus efeitos na transformação na vida cotidiana das pessoas que frequentam o Centro. Foi feita uma aposta no lazer como processo de reabilitação psicossocial, a partir da experiência de organizar e realizar viagens, em parceria com o Centro de Saúde e, portanto, construindo a oportunidade de convivência com outras pessoas da comunidade:

vários tabus foram derrubados nesses encontros – moradores da comunidade indo ao Cândido, para organizarem, junto com os pacientes, a viagem; descobrir reações semelhantes entre os moradores da comunidade de Sousas [Centro de Saúde] e do Cândido, diante de uma obra de arte em visita à Pinacoteca do Estado, motivando uma conversa sobre sua vida na infância; a solidariedade e o respeito presentes e não apenas o olhar de compaixão ou medo e, enfim, que lazer é um direito e pode ser viabilizado (p.165).

Radicchi (2009), ao narrar a experiência do único Centro de Convivência em saúde mental no DF, destaca justamente como, através da convivência e da produção coletiva em oficinas abertas, resultados clínicos insuspeitados são alcançados. A autora descreve os efeitos terapêuticos da convivência como possibilidades de encontros e de estar no mundo: a cooperação e a solidariedade transformando a Inverso em uma “oficina de relações sociais, trazendo o sujeito para o convívio social, lhe oferecendo a oportunidade de exercício das trocas comuns do dia-a-dia” (p. 190). Além da criação de um espaço de pertencimento e a ampliação do território existencial e social do sujeito, através da convivência também tem sido possível evitar e manejar crises.

Para a autora, é precisamente no contato direto e cotidiano com as pessoas que as internações têm sido evitadas e as crises acolhidas, pois os vínculos são construídos                                                                                                                

92  Lancetti (2008) chama função-bá a disposição para cuidar, sustentando, sem desistir, um tratamento

de forma intensa e legítima e se tornam referência para o sujeito. “Buscamos na convivência, na legitimidade da fala e ações do sujeito e no trabalho em grupo uma forma de acolher o sujeito e fugir da reprodução do modelo asilar” (p. 195). O objetivo não é ser um espaço para acolhimento das crises, as pessoas não são “encaminhadas” em crise, mas pelo simples-complexo fato de que convivemos as crises são acompanhadas.

Em larga medida, a participação dos meus alunos e meu envolvimento com este Centro de Convivência no Distrito Federal, através do PRISME, deu origem ao tema desta pesquisa. Pudemos (os alunos e eu) participar de uma experiência de convivência que produziu (e produz) resultados terapêuticos inesperados. Por estar convivendo, vivenciamos as mais diversas situações de intenso sofrimento. Acolhemos dores, vozes, angústia e sofrimento com a disposição afetiva de estar com. “Assim, estar com o outro consiste em intervenção clínica em si (...) permitindo novos posicionamentos existenciais” (BRAGA; COSTA, 2013, p. 7). Em supervisão, criamos uma nova oficina, pensando em um único participante que estava em profundo sofrimento. Esta oficina, pensada e concretizada ‘sob medida’, ajudou Hugo93 a enfrentar sua crise existencial sem precisar se internar. Na convivência, construímos com Sandra, que inicialmente era reconhecida por seus familiares e pares como alguém incapaz para qualquer atividade da vida cotidiana, possibilidades de vida: fazer sua própria comida e surpreender a família com uma sobremesa que ninguém a julgava capaz de fazer, produzir e vender seu artesanato, vender produtos de revista, ser capaz de dizer não, se tornar monitora de uma oficina...

Faz parte do desafio acolher e vivenciar também as dificuldades, brigas e impasses da convivência :

tanto os momentos de hamornia, alegria e conforto, quanto os momentos de intrigas e conflitos constituem a convivência. Tentar negar e apaziguar tais conflitos em busca de um conforto situacional pode significar uma regressão ao modelo repressivo e excludente dos manicômios, cuja ação é voltada para se atingir a adaptação passiva do sujeito às normas institucionais e da ordem social (NISHIKAWA, 2012, p. 43).

Em um espaço de convivência igualitária, os conflitos podem encontrar um lugar de expressão e a possibilidade de produção de sentido. Limites e regras fazem parte da convivência, em qualquer dimensão do espaço social (profissional, familiar,                                                                                                                

vizinhança...), mas na dinâmica de funcionamento da Inverso estas regras são produzidas a partir do movimento do grupo de participantes (NISHIKAWA, 2012).

A partir de minhas vivências como graduando94 em psicologia naquele espaço, confesso que em vários momentos, chegava a ser difícil manter-se em tal posição. Hoje sinto que no momento da convivência, me desprendo deste papel, e coloco-me à disposição como pessoa também. Lembro-me de algumas ocasiões em que alguns visitantes custavam a descobrir que eu era aluno de psicologia, confundiam-me com um frequentador. O que não deixa de ser verdade, pois todos (usuários, alunos, profissionais) somos frequentadores da Inverso. E nas experiências passadas neste centro, vejo o quanto esta tomada de posição, na medida em que tornam as relações mais horizontais, potencializa a convivência. Então ali, a convivência não se dá entre doenças, diagnósticos, técnicos e técnicas; mas, sobretudo, entre pessoas (NISHIKAWA, 2012, p. 65).

Pensar a convivência como dispositivo desinstitucionalizante de cuidado nos surgiu de forma, ao mesmo tempo, recíproca e particular: para este trabalho, o tema da convivência surge, especialmente, a partir do confronto entre a experiência em diferentes espaços e os diferentes papéis que assumo no campo da saúde mental, conforme problematizado na introdução, e para Nishikawa, em sua monografia de conclusão de curso, a partir da sua inserção na oficina de mosaico na Inverso.

Através de sua experiência como aluno extensionista, Nishikawa (2012) vivenciou a potencialidade desinstitucionalizante da convivência. A partir disso, foi produzida uma monografia de conclusão de curso em Psicologia em que, para enriquecer a produção de conhecimento sobre o fenômeno da convivência, foi delineada uma pesquisa-ação qualitativa. Nesse delineamento, o pesquisador engajou- se ativamente na realidade social da oficina de mosaico oferecida pela Inverso, onde participou diretamente do processo de construção diária da convivência95. O objetivo principal dessa pesquisa foi o de articular o fenômeno da convivência em saúde mental ao dispositivo de desinstitucionalização.

A convivência se configura como um movimento dialético na relação com o outro; uma relação recíproca. Por vezes, somente o estar junto com ou fazer algo juntos, com ou sem uma proposta terapêutica formalizada, revela um importante potencial no cuidado à pessoa em sofrimento psíquico (NISHIKAWA, 2012, p. 44).

                                                                                                               

94 Nishikawa foi aluno extensionista do PRISME neste Centro de Convivência por dois anos e este trabalho aqui citado é sua monografia de conclusão do curso de Psicologia, que está sendo transformado em capítulo de um livro que narra a experiência da Inverso.

95 Partimos do princípio de que a melhor forma de estudar a convivência é convivendo.

Em seu relato, o autor sente que a experiência mesma de conviver faz emergir a necessidade de transformar as relações, tornando-as mais dinâmicas e horizontalizadas. “Fazendo uma analogia à inversão proposta por Basaglia em “colocar a doença entre parênteses” (...) é possível dizer que, no momento da convivência, o próprio profissional coloca seu saber especializado “entre parênteses” (NISHIKAWA, 2012, p. 66).

Ao longo destes anos, meus alunos e eu compartilhamos, muitas vezes com surpresa, experiências onde a biografia dos sujeitos emergiu de forma espontânea na convivência. Contrastando com experiências em dispositivos clínicos tradicionais nos CAPS - como psicoterapias individuais e em grupo, onde, por vezes, os participantes afirmavam metodicamente que “tudo estava bem”, “nada mudou”, “não tenho nenhuma novidade” – ao estar junto, no dia a dia, na Inverso – e também na TV Sã – sonhos, medos, desejos, histórias, conflitos eram compartilhados.

Com a análise da convivência que ocorre no centro, conclui-se que o mesmo produz práticas inovadoras, que promovem o “inverso” da assistência tutelar dos hospitais psiquiátricos; o “inverso” destas formas de cuidado que se manifestam sob a lógica da violência. E ainda promove um modelo “inverso” à lógica do manicômio como “lugar zero da troca” (Rotelli, 1981) (...) nesta lógica, o inverso proposto pela convivência se dá de modo a multiplicar/potencializar as trocas sociais (NISHIKAWA, 2012, p. 87).

O desafio é encontrar formas para introduzir a lógica da convivência no cotidiano do CAPS.

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