4.3 Impl´ ementation des sections critiques
5.1.1 Particularit´es des services d’Anaxagoros
Com base nos trabalhos completos disponíveis, foi possível observar que a distribuição cronológica das dissertações apresentou um hiato durante os anos de 2002, 2003 e 2004, com crescimento a partir do ano de 2005 e regressão a partir do ano de 2012.
Já a distribuição cronológica das teses apresentou uma constante durante a maior parte do período, destacando-se o hiato do ano de 2008 e crescimento a partir do ano de 2009.
É possível observar lacunas nas produções de dissertações nos anos de 2002 a 2004, 2008, e de 2012 a 2014. As lacunas do período de 2002 a 2004 se referem à indisponibilidade dos trabalhos completos nos bancos de dados das bibliotecas digitais das universidades de origem. Além disto, alguns destes se encontram protegidos sob a lei de direitos autorais, o que impede o acesso ao texto completo.
As lacunas referentes ao período de 2012 a 2014 estão relacionadas à atualização da página da CAPES que, até o momento da escrita desta tese, ainda não havia sido normalizada, o que impediu a localização de um número maior de pesquisas realizadas e publicadas neste período. Já a lacuna referente à produção de teses no ano de 2008 indica a ausência de publicação de pesquisas deste nível neste ano.
O número maior de dissertações em relação ao número de teses pode estar relacionado à distribuição dos programas de pós-graduação pelo país, conforme discutirei mais adiante (há um número maior de cursos de mestrado que de doutorado) e também pela duração da pesquisa já que a pesquisa de mestrado é mais rápida, em geral tendo que ser finalizada em no máximo 36 meses.
Já o crescimento da produção acadêmica pode estar relacionado a dois fatores: os reflexos dos discursos sobre a inclusão escolar, que se tornaram mais consolidados a partir do ano 2000, gerando uma produção de pesquisa mais significativa a partir de 2005, e a popularização do conceito de dislexia por meio dos questionamentos acerca do rendimento e do fracasso escolar (PEREIRA, 2010; ANTONIO, 2011; BRAGA, 2011; CARVALHO, 2013).
Sobre os movimentos de inclusão, de acordo com Mendes (2006), após promulgação da Declaração de Salamanca (BRASIL, 1994), seus princípios passaram a ser compreendidos no mundo todo como uma proposta prática a ser aplicada no campo da educação mediante uma perspectiva de inclusão social, na qual os sujeitos excluídos e a sociedade constroem, em parceria, um processo de equiparação de oportunidades visando o desenvolvimento de uma sociedade democrática na qual o conjunto dos indivíduos conquista a cidadania e o respeito às diferenças. Ainda segundo a pesquisadora, dentro de um contexto no qual a concepção de sociedade inclusiva passou a ser percebida como parte fundamental do desenvolvimento e da manutenção do estado democrático, a educação inclusiva também passa a ser concebida como parte do processo. Além disso, o debate sobre a inclusão, ao mesmo tempo em que reconhecia que as diferenças humanas eram normais, também reconhecia que a escola acabava por provocar ou acentuar as desigualdades em virtude da forma como tratava as diferenças pessoais, sociais, culturais e políticas, fazendo-se necessário uma política educacional que promovesse uma educação menos desigual e de qualidade para todos (MENDES, 2006).
E é neste espaço que surge o confronto entre a perspectiva de uma educação escolar que se deseja inclusiva e um modelo de escola que ainda carrega o paradigma positivista de desenvolvimento humano, marcado por uma concepção padronizada e ideal de criança e de aprendizagem. Mediante o desejo de uma proposta de educação de qualidade baseada na equidade em conflito com um modelo cristalizado de educação escolar, os entraves desta relação emergem sob a forma de luta e resistência por aqueles que rejeitam um lugar à margem do desenvolvimento social, e sob a forma de rótulos por aqueles que acreditam no padrão de sociedade ideal.
Neste panorama, os estudos sobre o fenômeno da dislexia podem ser compreendidos também como uma forma de melhor conhecer as diferenças, e ainda como expressão das variadas formas de luta pelo direito e pela concretização de uma educação escolar inclusiva.
Os discursos sobre a inclusão escolar também contribuíram para a popularização do conceito e da concepção de dislexia. Baseando-se na legislação vigente, no discurso da educação inclusiva, e em pesquisas acadêmicas, muitos pesquisadores afirmaram a importância de se divulgar os sintomas do dito distúrbio de aprendizagem para que as crianças pudessem ser diagnosticadas e tratadas o mais cedo possível e com o emprego de recursos considerados adequados para tal.
De acordo com Antonio (2011), a exposição na mídia, por meio de revistas, jornais, sites, blogs e até programas televisivos de entretenimento têm colaborado para a divulgação dos ditos sintomas, a fim de levar os familiares a um pré-diagnóstico e, por fim, a buscar profissionais que possam confirmar suas suspeitas e dar início ao tratamento. Paralelamente à popularização do distúrbio, alguns pesquisadores também passam a questionar aquilo que está sendo tratado como patológico, analisando o modelo educacional imposto e a maneira como este modelo lida com as necessidades e anseios educacionais da população.
Moysés (2001), em sua crítica aos mecanismos de concepção e conceituação, diagnóstico, tratamento e divulgação da dislexia, apontou diversos fatores que podem contribuir significativamente para a desfiguração do processo de aprendizagem escolar das crianças, transformando os reflexos das deficiências escolares em patologia infantil. Segundo a pesquisadora, são muitos os fatores que devem ser analisados quando uma criança não aprende na escola, tais como a relação entre a expansão do ensino escolar e a qualidade pretendida, a influência das concepções advindas da psicologia e da medicina na
aprendizagem escolar, os mecanismos de avaliação escolar e o poder que exercem sobre os avaliados, os reflexos dos métodos de alfabetização utilizados, entre outros.
Neste panorama, os conflitos e tensões que surgem no contexto da perspectiva inclusiva, somada aos questionamentos em relação ao sistema escolar e a complexidade de fatores que convergem para ele, mostram-se como um campo bastante fértil para o debate e a pesquisa sobre o fenômeno da dislexia, impulsionando o desenvolvimento da produção acadêmica.