ANNEXE II d : DÉFINITION DES ÉPREUVES PONCTUELLES ET DES SITUATIONS D’ÉVALUATION EN COURS DE FORMATION
PARTICIPER À LA GESTION DES RISQUES DE LA PME, GERER LE PERSONNEL ET CONTRIBUER À LA GRH DE LA PME
No ponto de vista de Esperança & Matias (2010), empreendedorismo define-se como a capacidade de criar ou identificar uma oportunidade de mercado viável, a partir da criação de uma nova organização ou da transformação de uma que já se encontre em atividade, com vista a atingir os novos objetivos, eficiente e eficazmente. A título de exemplo, as empresas já existentes, com particular destaque, as de grande dimensão, desempenham um papel importante na criação e inovação de novos negócios, podendo fomentar o
empreendedorismo através de financiamentos e da incubação de projetos de raiz e promover novos negócios no âmbito da sua estrutura.
Segundo Cabral (2014), uma empresa pode seguir quatro estratégias quanto à sua política de produto e mercado, conforme a matriz de Ansoff (1957), pioneiro na evolução do conceito de diversificação. Esta matriz inclui a estratégia de penetração de mercado, desenvolvimento de mercado, desenvolvimento de produtos e a diversificação (tabela 3.2). Na perspetiva do autor, a chamada diversificação permite a uma empresa explorar novas oportunidades de crescimento do negócio, a partir de novos produtos ou mercados.
Tabela 3.2 - Matriz estratégica de Ansoff
Fonte: Adaptado de Ansoff (1957)
A palavra diversificação, no contexto de negócio, pode ser entendida como uma estratégia de desenvolvimento por parte da empresa, que permite a integração/exploração de linhas de negócio adicionais, diferentes dos produtos, serviços ou mercados atuais. A diversificação da área de negócio compreende vantagens competitivas e diminui a exposição ao risco e, por sua vez, à concorrência.
Ansoff (1957) realça as características associadas ao processo de diversificação, frisando:
While the latter are usually followed with the same technical, financial, and
merchandising resources which are used for the original product line,
diversification generally requires new skills, new techniques, and new facilities.
As a result, it almost invariably leads to physical and organizational changes in
the structure of the business which represent a distinct break with past business
experience. (p. 114)
PRODUTOS
Existentes Novos
MERCADOS
Existentes Penetração de Mercado Desenvolvimento de Produtos
Contudo, tal como referido por Cabral (2014), a opção pela diversificação implica também um risco adicional, uma vez que se encontra perante a criação de um novo produto e a adaptação a um novo mercado.
De acordo com Dias (2012), inúmeras empresas apostam na estratégia de diversificação, a qual consiste na entrada de novos produtos ou em novos mercados, diferentes ou não do domínio da empresa. Assim, dependendo dos objetivos da empresa, a mesma poderá optar por explorar um segmento que esteja associado à sua atividade (diversificação relacionada) ou optar por um negócio totalmente diferente (diversificação não relacionada).
A partir da análise do estudo realizado por Dias (2012), é percetível que a estratégia de diversificação relacionada predomina consideravelmente sobre a não relacionada, verificando-se que é a estratégia mais vantajosa, pois permite a exploração, partilha e aproveitamento de recursos, tecnologias e know-how pertencentes aos diferentes negócios, bem como o acesso a economias de escala e a redução de custos. A diversificação não relacionada, segundo o mesmo estudo, é de preferência adotada por empresas que atuam em vários países e em diferentes indústrias e, caracteriza-se, sobretudo, pela criação de sinergias entre os diversos ramos de negócio e por apresentar um reduzido risco de falha, na medida em que permite às empresas a proteção contra ameaças exteriores, podendo um negócio compensar o outro.
Várias razões são apontadas no momento de decidir sobre a diversificação, porém, a maximização do valor é o benefício que a maior parte das empresas pretende atingir. Por sua vez, Ireland, Hoskisson, & Hitt (2008) referem que os incentivos para diversificar provêm tanto de critérios internos como externos à empresa. Entre os incentivos externos, incluem-se, por exemplo, as leis fiscais, tal como Mendes & Ono (2014) reforçaram:
Um grande incentivo externo foi o abrandamento da legislação anti- concentracionista, que permitiu um maior número de aquisições relacionadas, mas também o facto de os juros passarem a ser dedutíveis nos resultados foi um grande incentivo na medida que as empresas mudaram de política e preferiram o recurso ao crédito.
Mendes & Ono (2014), quanto às motivações internas, reconhecem que o mau desempenho pode conduzir uma empresa à diversificação em função de obter melhores resultados, podendo também se tornar um incentivo para reduzir o risco global das operações e para contrabalançar a incerteza dos futuros cash flows. Na mesma linha de raciocínio, Ireland et al. (2008) descrevem os incentivos internos como o baixo desempenho, os fluxos de caixa, o futuro incerto e a redução do risco global.
Posto isto, a estratégia de diversificação, quer seja ou não relacionada, revela-se como uma escolha estratégica que encaminha a empresa à melhoria da competitividade, ao reforço do poder no mercado, à maximização do valor e ao alcance de retorno financeiro. A contabilidade, mais uma vez, apresenta um papel determinante na decisão pela diversificação, dado que, tal como os investimentos necessitam de projeções e dados para conhecer os seus cash flows futuros e a sua rendibilidade, a diversificação da área de negócio, relacionada ou não, deve ser sempre precedida por um estudo de mercado e tudo o que implica a criação de um novo negócio, no sentido de conhecer a sua viabilidade. Apesar de existir assimetria nas características basilares dos investimentos e da diversificação, a diversificação acaba por ser um “grande” investimento para a empresa e, devido a esse fator, a empresa deverá estudar se a implementação de uma estratégia de diversificação irá maximizar o seu valor, quais os custos que irá suportar e se irá ter retorno financeiro. Os indicadores VAL, TIR, e IR, calculados a partir de dados contabilísticos, podem da mesma forma que os investimentos ser usados para mensurar se a implantação da diversificação/criação de um novo negócio é ou não benéfica para a empresa.