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Participation à la mise en place des Graduate Schools, Institut et École Universitaire de Premier Cycle

Dans le document Contrat pluriannuel de site (Page 103-106)

Em uma perspectiva dialética, não seria possível apreender o objeto desta pesquisa, ou seja, a construção da identidade corporal da criança na Educação Infantil, em atividades de rotina do sono e do banho, sem antes discutir as concepções de infância e criança que são marcadas por uma prática histórica, cultural e social, sendo constituídas e constituintes das ações que norteiam uma sociedade.

A infância é um tempo social da vida, marcado pelo pressuposto das relações humanas em contextos sociais, históricos e concretos. Desta maneira, o ato educativo em instituições de Educação Infantil é necessário na formação das crianças e contribui para a formação integral das crianças em suas dimensões estética, ética e política, fortalecendo a participação da infância nas atividades do seu cotidiano. Nota-se que a infância não é apenas uma questão cronológica: a

infância é uma condição da experiência. É preciso ampliar os horizontes dessa temporalidade da vida no campo do devir humano.

É interessante observar que a infância se constitui nas relações de diferentes pares em diferentes lugares e diferentes épocas. Isto implica dizer que a infância vivida pelos pais não é a mesma vivida pelos filhos e permite pensar na infância como uma construção social que se dá com base em um novo paradigma para além daquele historicamente situado em uma relação adultocêntrica. Neste sentido, afirma-se que a infância das crianças não se revela apenas nas dimensões psicológicas, mas também nas dimensões sociais, econômicas, políticas e históricas.

Nessa ótica, Sarmento (1997) destaca as crianças como atores sociais de pleno direito, designando reconhecer as capacidades das crianças e as construções das crenças e dos valores organizados por um sistema cultural. Mesmo considerando esse pressuposto de que as infâncias devem considerar as crianças como atores sociais, a sociedade e a educação têm negado o processo de auscultação delas na perspectiva de se considerar sua voz polifônica. Isto acaba negligenciando os valores atribuídos ao seu contexto social. A interpretação das culturas infantis, em síntese, não pode ser realizada no vazio social e necessita se sustentar nas análises das condições sociais em que as crianças vivem, interagem e dão sentido ao que fazem.

Com base nas considerações anteriores, a pesquisa questionou as professoras sobre suas concepções de criança e infância. As respostas foram:

Criança: sujeito histórico, social e cultural, que possui sua singularidade e particularidade. Infância: período de crescimento que vai de zero à adolescência. A infância é a parte da vivência e percepção do mundo (P3). Criança: sujeito historicamente constituído em suas especificidades e com direitos garantidos, tendo suas necessidades físicas, cognitivas, psicológicas, emocionais e sociais reconhecidas pela sociedade que está inserida. Sujeito de direitos, com potencialidades o qual se encontra em processo de desenvolvimento do seu conhecimento histórico social. Infância: fase de experimentar o mundo brincando, relacionando, fazendo descobertas, experimentando fantasias, sentido, agindo, aprender a lidar com os conflitos, com as regras (P5).

Criança: sujeito de aprendizagem, que cria sua própria história. Infância: tempo de aprendizagem, um tempo social da vida (P4).

Criança: ser social e histórico, sujeito de direitos, na educação têm que desenvolver momentos que trabalhe a criança de forma integral. Infância: para trabalhar com a criança o profissional deve entender que a criança é um ser único e singular, para a partir daí desenvolver seu trabalho pedagógico voltada para o desenvolvimento integral (P2).

Criança: é um sujeito de direitos, histórico, de classe, um ser social, cultural. Infância: É um tempo social da vida, vivido de maneira diferente por cada criança. Período em que vivenciam experiências constrói suas histórias (P1).

Os dados apresentados nas entrevistas com as professoras direcionam para a necessidade de estudos acerca das concepções de infância, criança, Educação Infantil, sendo categorias fundamentais para o trabalho docente. É importante salientar a fala da professora P4 quando se refere à criança e à infância “Criança: sujeito de aprendizagem, que cria sua própria história. Infância: tempo de aprendizagem, um tempo social da vida”, concepções que designam a criança como um ser social e construtor de uma cultura.

Já a fala da P2, além de tratar como unívocas as concepções de criança e infância, também não deixa transparecer qual o sentido das nomeações e suas relações com o trabalho pedagógico. Já as demais professoras se aproximam da concepção de criança por considerá-la como sujeito histórico e cultural de direito.

Se por um lado as concepções de infância e criança são interdependentes, por outro elas não dizem a mesma coisa. Ademais, esta pesquisa compreende a infância como tempo social da vida e as crianças como sujeitos. É desse lugar que se defende aqui uma concepção que seja contrária àquela exposta pela P3: “período de crescimento que vai de zero à adolescência”, fortemente ancorada nos princípios biologicistas de desenvolvimento. Contrária a esta perspectiva, ressalta-se que a infância vai além do período cronológico. Pode-se afirmar, como bem explora o capítulo anterior, que a infância está diretamente relacionada à concepção sócio- histórica-cultural da sociedade.

Segundo Fonseca e Faria (2012):

As possíveis concepções da criança, aqui, não são tomadas como se fosse a própria criança, como se a realidade fosse universal. São concepções datadas, pertencentes a um tempo-espaço próprios, particulares, que não se aplicam necessariamente a outras realidades (FONSECA; FARIA, 2012, p. 284).

Por se constituírem histórica e socialmente, as concepções de infância e criança sofreram e ainda sofrem mudanças em seus aspectos sociais, culturais e educacionais. Da mesma forma, estas categorias precisam ser compreendidas de forma plural por demarcarem suas especificidades culturais e sociais, ou seja, infâncias e crianças.

A não compreensão de que existem infâncias e crianças no plural, bem como a dificuldade de se construir uma agenda de debates em torno do tema, oculta a visibilidade da criança e camufla o sentido daquilo que deveria nortear o campo da educação, da política, da ação docente e da prática pedagógica educativa.

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