• Aucun résultat trouvé

106 Some participants indicated then- readiness to strengthen the institutional capacities of these institutions which should play an important role to speed up economic and social development. The Committee recognized

Como nos aponta Freitas (2010) no Programa de Pós-Graduação em Educação do Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo – PPGE/CE/UFES, programa esse ao

qual estou vinculado como aluno de doutorado, encontramos cinco pesquisas de temáticas mais afins à EJA, sendo quatro dissertações e uma tese.

A primeira dissertação defendida no PPGE/CE/UFES que discutia Educação Matemática e EJA foi a de Ângela Maria Calazans de Souza (1988), com o título Educação Matemática na alfabetização de adultos e adolescentes segundo a proposta de Paulo Freire, defendida em 1988. Na sequência, aparecem as dissertações de Moysés Gonçalves Siqueira Filho (1999), intitulada (Re)Criando Modos de Ver e Fazer Matemática: as estratégias utilizadas por alunos adultos na resolução de problemas e a de Rosemary Calazans Lopes (2003), intitulada Uma reflexão sobre o processo de ensino-aprendizagem da operação de multiplicação implementado numa classe de alunos jovens e adultos, ambas orientadas pela professora Circe Mary Silva da Silva Dynnikov. Recentemente, Gerliane Martins Cosme (2009) defendeu a dissertação Do Curso de Licenciatura em São Mateus ao profissional da EJA; e Rony Cláudio de Oliveira Freitas (2010), a tese: Produções colaborativas de professores de matemática para um currículo integrado do Proeja-Ifes; sendo os dois orientados pela professora Lígia Arantes Sad.

Desses cinco trabalhos, irei me ater à tese de Freitas (2010), por apresentar uma discussão muito próxima daquela, que estou me propondo com este trabalho.

Freitas (2010) desenvolveu sua pesquisa no Ifes - Vitória, acompanhando o Grupo de Educação Matemática do Proeja – GEMP, do qual também faço parte. Essa pesquisa tem uma importância maior para o meu trabalho por vários motivos, dentre os quais destaco a minha participação ativa, como sujeito da pesquisa, as diversas conversas com o professor Rony e as proximidades tanto teóricas quanto práticas. Dessas proximidades elaboramos um artigo, discutindo a produção de material didático pelo GEMP (FREITAS; JORDANE, 2009).

A pesquisa de Freitas (2010) busca responder à questão: “Como o trabalho colaborativo realizado por professores de matemática do Ifes, dentro de uma perspectiva dialógica, tem contribuído para a formação dos estudantes e para a construção de um currículo integrado no Proeja?” (p. 26). O trabalho colaborativo ao qual a questão remete se refere ao trabalho desenvolvido pelo grupo que discute Educação Matemática no Proeja (GEMP), prioritariamente, ao trabalho de produção de material didático de matemática para alunos do programa. O GEMP se constituiu como um grupo de estudo e pesquisa no Instituto Federal do Espírito Santo-Ifes, campus Vitória. A pesquisa aborda tanto a formação dos estudantes jovens e adultos quanto a construção de um currículo integrado, sendo esse último o que mais diretamente me interessa.

Metodologicamente, o citado autor insere sua pesquisa na perspectiva comunicativa crítica, tomando por base as discussões de Habermas. Freitas (2010) se baseia em alguns postulados dessa perspectiva metodológica, a saber: “universalidade da linguagem e da ação”; “as pessoas como agentes sociais transformadores”; “racionalidade comunicativa”; “senso comum”; “não hierarquia interpretativa” e “conhecimento dialógico” (p. 150-151), destacando que “[...] a metodologia comunicativa crítica considera que o mundo social é um mundo interpretado pelos sujeitos” (p. 151). Considerou, portanto, como sujeitos da pesquisa quatro grupos: alunos, professores de disciplinas de conhecimento geral, professores de disciplinas profissionalizantes e professores de matemática, participantes do GEMP. Como instrumentos de coleta de dados o autor escolheu: grupo de discussão comunicativo, observações comunicativas e instrumentos de pesquisas utilizados pelo GEMP, principalmente no que se refere às pesquisas desenvolvidas sobre a produção do material didático e do currículo de matemática. Em sua análise dos dados o autor trabalha com duas categorias: dimensões excludentes e dimensões transformadoras, tendo como processo fundamental a aprendizagem dos participantes. Categoriza os dados a partir de oito óticas da aprendizagem, detalhadas mais a frente.

Freitas (2010) discute o processo de aprendizagem dos adultos, destacando a perspectiva dialógica. Apresenta a aprendizagem sobre oito óticas: “aprendizagem a partir das próprias experiências” (p. 97); “aprendizagem a partir da reflexão sobre a experiência” (p. 105), “aprendizagem pela interação em grupo” (p. 109), “aprendizagem mediada pelas construções pedagógicas” (p. 112), “aprendizagem a partir da integração curricular” (p. 122), “aprendizagem com a busca de liberdade” (p. 128), “aprendizagem com o diálogo” (p. 133) e “como o estudante vê sua aprendizagem” (p. 140). Vou me ater à discussão da aprendizagem a partir da integração curricular.

O eminente autor (2010) afirma que Ciavatta (2005) considera que integrar é “[...] tornar inteiro, compreender as partes no seu todo, tratar a educação como uma totalidade social” (p. 123), pensando a educação geral como parte inseparável da educação profissional e tendo como foco o trabalho como princípio educativo. Diferentemente de Ivo (2010), o autor reforça que a integração não põe na mesa a destituição das disciplinas e está além de inter/transdisciplinaridade, considerando que “[...] integrar um currículo não é simplesmente fazer junto, é pensar em direções semelhantes, é compreender que a teoria está posta para entender a prática e a prática está posta para significar a teoria” (FREITAS, 2010, p. 124). Imersa a essa discussão surge a educação matemática, e a questão que se suscita é: qual o

papel da matemática na constituição de um currículo integrado? Freitas (2010) afirma que a matemática deve inserir-se nesse processo por três vias: (i) que possa “contribuir para a formação de um cidadão crítico” (p. 125); (ii) que possa compreender melhor as outras disciplinas da formação geral; e (iii) que possa dar suporte às disciplinas profissionalizantes, ou seja, que ajude o aluno a “[...] se compreender no mundo do trabalho e em outros ambientes sociais aos quais está inserido” (p. 125). Encerra o tópico reafirmando que a construção de um currículo integrado é viável e possível, desde que estejam sempre presentes a ciência, o trabalho e a cultura.

Freitas (2010) parte então para a análise da produção do GEMP. Apresenta as pesquisas que vêm sendo desenvolvidas no grupo, os materiais didáticos para alunos jovens e adultos e, finalmente, o processo de construção do novo currículo de matemática dos cursos vinculados ao Proeja.

Apesar de não detalhar especificamente o processo de construção do currículo numa perspectiva de integração, Freitas (2010) nos dá excelentes indícios de caminhos que podem ser trilhados. Somado a isso fica também a afirmação de que a construção de tal currículo não é somente possível, como também necessária. Encerra suas conclusões apontando desdobramentos de seu trabalho e entre eles situa esta pesquisa. Diante disso, afirmo que esta pesquisa é, em sua genealogia, uma continuidade do trabalho iniciado por Freitas (2010).

Documents relatifs