• Aucun résultat trouvé

C Param´etrisation de Geck-Rouquier pour les alg`ebres de

desenvolver, importa referir as principais medidas e ações para o período de 2014-2015. Tendo em conta que, alguns dos objetivos que foram estabelecidos na Agenda Estratégica em 2008 ainda não foram executados, torna-se perceber a questão temporal no desenvolvimento local. As dificuldades presentes como as diferenças administrativas são barreiras à implementação destas medidas e estratégias.

No ano 2014 e no decorrer de 2015, é possível destacar as principais estratégias e objetivos53:

 Preparação de uma ação conjunta na área da saúde de forma a minimizar as dificuldades e as consequentes perdas de estruturas e serviços na região,

 A execução congregada de uma Escola de Artes e Letras,

 A continuação da manutenção das margens do Rio Tâmega de forma a expandir o corredor verde junto ao curso de água,

 Conceção de um Centro de Formação Turístico-Termal e de Investigação da Água de forma a preparar profissionais na área para uma melhoria contínua nos serviços

 Bolsa de Emprego pertencente à Eurocidade,

 Implementação de uma linha de transporte público de autocarros entre Chaves e Verín e vice-versa.

A realização de obras públicas e melhoramento dos serviços continua a ser imperativo para a Eurocidade. Decerto, ambos os municípios unirão esforços para que as suas populações vivam o melhor possível. No entanto, o que se retira desta pequena análise é a certeza de que ambas as cidades conseguem realizações e feitos, porque estão unidas e lutam como um todo. Separadas não teriam capacidade de atrair investimentos nem de realizar certas ações. A Eurocidade da Água necessita de continuar a ser orientada segundo estes objetivos. Esta vontade de consagrar uma nova forma de organização territorial e política, acaba por se transformar numa aprendizagem conjunta para Portugal e Espanha. Apesar das diferenças, têm trabalhado juntos para alcançarem alguma prosperidade junto das populações do interior. O esforço que estas atividades

111

exigem é enorme e por isso, a melhor forma de percebermos a Cooperação Transfronteiriça, é através do tempo, a Cooperação é um processo gradual.

Dos cinco projetos dos quais a Eurocidade esteve inserida, podemos dizer que os dois programas que se relacionam com a génese do projeto (Eurocidade I e II) acabaram por ser frutíferos. Através deles captou-se financiamento para o arranque da Eurocidade e para ações como: cartão de cidadão, agenda cultural conjunta, promoção do projeto e partilha de equipamentos e serviços.

O Valtâmega permitiu requalificar a envolvente do rio Tâmega que une Chaves e Verín. Foi uma aposta aplaudida a diversos níveis: ambientalmente e culturalmente. A água encontra-se no cerne do projeto da Eurocidade e a sua preservação e valorização era imperativa.

O RIET, apesar de não ter abrangido Verín, tornou-se relevante para o contexto da Eurocidade. A cidade de Chaves alberga o Centro de Documentação do RIET e faz parte desta rede que colmata a cooperação transfronteiriça entre Portugal e Espanha. A Euro Região da Água não teve resultados tão visíveis: foram criadas rotas da água e foram turisticamente promovidas. A cidade de Chaves possui as termas requalificadas que agora se denominam por “Spa do Imperador” mas Verín não possui nenhum investimento nesta área. É certo que em Verín existe exploração industrial e comercial das nascentes; mas a escola termal pretendida ainda não foi construída. No entanto, existe formação na cidade de Chaves sobre Termalismo a cargo da Escola Profissional de Chaves.

É uma realidade que a população de ambos lados da fronteira se questiona relativamente à atuação da Eurocidade: é um projeto quase unicamente institucional. Contrapondo esta visão generalista, o autarca do município de Chaves refere que “a Eurocidade é uma zona de exercício pleno da cidadania europeia”. O facto de as populações viverem “a norte ou a sul da fronteira” não as impede de partilharem equipamentos e serviços. Segundo os dois autarcas, os principais objetivos e ações que se pretendem para o futuro são a partilha dos serviços de saúde e um transporte público comum. São medidas e ações que englobam muitas instituições nacionais e não dependem exclusivamente de Chaves e de Verín. Muito do poder de decisão está, segundo o Presidente do Município de Chaves, nos governos de Portugal e de Espanha e na sua vontade de cooperar.

112

Para o Prof. Luis Dominguez Castro54, “a cooperação transfronteiriça só dá fruto nas

fronteiras urbanas”. Não obstante, as cidades mais pequenas como Chaves e Verín também conseguem inserir-se no mundo da cooperação. O que importa realçar é a necessidade de adaptação às escalas mais pequenas e às realidades de cada situação. Durante algum tempo, o Prof. Dominguez Castro viveu e lecionou em Verín o que lhe proporcionou conhecer o território e as realidades de Verín e de Chaves.

Para o professor universitário, a cooperação transfronteiriça tem que cobrir as necessidades reais das populações e tentar atenuar o sentimento de isolamento. E nesta premissa, as pessoas são fundamentais: precisamos de cativar a sociedade civil. E para que isto aconteça são necessárias “pessoas visionárias” que acreditem que a cooperação transfronteiriça funciona. A tendência geral da sociedade civil é ver problemas e dificuldades; neste contexto estes problemas prendem-se com as identidades nacionais e a pertença. No entanto, estes problemas ocorrem em todos os locais onde se tenta implementar projetos transfronteiriços.

Luis Dominguez Castro declara que por muito esforço e dedicação que as autoridades locais tenham, não podem avançar em pleno sem os estados. Se os estados nacionais não se implicam o resultado da cooperação transfronteiriça acaba por tornar-se insuficiente e escasso.

Também é certo que o passado e a cultura comum é importante; não obstante existem culturas diferentes que convivem naturalmente bem (citou a Eurocidade Lille – Métropole). Os programas e projetos de cooperação têm que visar uma gestão “top – down”, ou seja, é importante compreender os subsistemas para que as entidades decisórias se aproximem das realidades populacionais e territoriais.