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Frente a tantas informações fornecidas pela sociedade de consumo e pela mídia, as pessoas estão se tornando alienadas aos padrões idealizados por estas. A busca incessante pela felicidade também faz com que as pessoas consumam cada vez mais, como tentativa de satisfação, que acaba sendo instantânea diante dos tantos novos produtos que são lançados todos os dias no mercado.

Em sua obra “O mal-estar na civilização”, Freud (1930) buscou entender quais renuncias o social impõe ao sujeito. Dizia ainda que o sofrimento humano tem origem no social, onde as pessoas, quando pertencem a civilização, passam a sofrer, evidenciando assim que o progresso civilizatório não faz com que o homem seja mais feliz e que o mal-estar é um destino que todos devem compartilhar.

Desde estes escritos de Freud, a busca pelo prazer imediato continua se ampliando, mas isso não quer dizer que a felicidade das pessoas tenha aumentado. Isto pode ser percebido através do fato de que nesta cultura de consumo, todos precisam estar consumindo as mais variadas coisas novas, deixando evidente que o prazer pelo consumo está inserido no estilo de vida dos sujeitos contemporâneos.

A sociedade de consumo se utilizando fato de que o desejo humano nunca é totalmente sanado e que está constantemente se reinventando, para transformar esta falta estrutural em desejo compulsivo, como no caso da Oniomania, que mesmo não tento ainda suas causas bem definidas, diz muito do que a sociedade contemporânea impõe aos sujeitos.

Estes excessos também podem ser compreendidos pela via do conceito de “sintoma social” 8, que se repete na tentativa de encobrir a falta, e do mal-estar. Para

Bauman (2011), a obsessão por compras é uma forma de paliativo frente às inseguranças e incerteza que a atual sociedade impõe. O sujeito consome para compensar o vazio de sua subjetividade, como forma de fugir da insegurança e incerteza que as decisões tomadas por conta própria trazem, pois, como já dito, estão desamparados pela tradição.

Lima, Paravidini, Lima apontam que para viver na sociedade contemporânea, o sujeito fica na posição de desamparo, na medida em que precisa abrir mão e

8 Um sintoma social é algo que pervade a cultura, estando relacionado ao discurso dominante, onde marca a

renunciar a seus instintos primitivos, ganhando em troca uma garantia de proteção, que na verdade é ilusória. Assim o desamparo lança “o homem na eterna busca de garantias que possam apaziguar a angustia frente a ele, já vivenciadas na infância” (Lima, Paravidini, Lima). No desamparo equivalente ao desamparo infantil, ocorrem repetições das relações estabelecidas com as figuras parentais na produção da primeira produção subjetiva.

O consumo faz função social, na medida em que compartilha produtos comuns. Segundo Künzel (1997), a mídia promove o sintoma social, pois, veicula um discurso através do qual os sujeitos podem fazer laço, na medida em que aponta traços que criam uma identidade para o sujeito.

Com tantas mudanças que ocorreram no mundo contemporâneo e por não existirem mais os valores da tradição que traçavam desde o nascimento a vida de cada sujeito, há uma certa desorganização, pois, ao ser autônomo e poder fazer o que desejar, o sujeito acaba entrando em conflito com si mesmo.

Nesta sociedade consumista, as pessoas acabam entrando em um grande mal-estar gerado pela grande pressão psicológica e social, onde todos, sem exceção, precisam estar constantemente se reinventando e consumindo para serem reconhecidos. Ao não conseguir acompanhar o ritmo do mercado, muitas vezes os sujeitos acabam tendo transtornos psíquicos como depressão, ansiedade, estresse, chegando até mesmo ao suicídio, evidenciando a fragilidade e o mal-estar contemporâneo.

CONCLUSÃO

O presente trabalho fez uma reflexão acerca do consumismo. Parte da Idade Média, que era regida pelas normas e modelos da sociedade tradicional, onde o sujeito tinha seu reconhecimento social pelo que era, e a diferença de lugares organizava a vida social dos indivíduos. Havia uma hierarquia que era respeitada, onde não podia haver ascensão de classe social, pois a classe era definida através da ocupação exercida dentro da sociedade, como por exemplo, quem nascia em família de costureiro, teria que seguir as normas da tradição e herdar a profissão de costureiro. Nesta sociedade não se podia tomar decisões por conta própria, pois tudo seguia conforme os modelos da tradição. Como a Igreja exercia grande poder sobre o povo, ela era considerada a instituição central da sociedade.

Mas, com a crise do século XI, muitas mudanças começaram a acontecer, e o homem começou a destituir o lugar que a Igreja e a tradição ocupavam em suas vidas, valorizando mais as experiências individuais. A crise na agricultura favoreceu a expansão do comércio, modificando as relações de consumo, fazendo com que aos poucos o luxo se tornasse um organizador social, evidenciando assim a chegada de uma nova era.

Com a contemporaneidade, surgiram novas formas de organização da sociedade, pois com a implantação do sistema capitalista, o ter passou a ter mais importância que o ser, e mais importante que isto, nesta configuração da sociedade em que vivemos é o aparecer. O sujeito é livre para fazer escolhas, o que já leva a um sofrimento, porque ter que decidir entre mais de uma opção já leva a um mal- estar, pois, optando por uma, o sujeito fica, mesmo que inconscientemente, pensando como seria se tivesse escolhido a outra opção.

Primeiramente no capitalismo, quando a sociedade ainda era de produtores, as pessoas pensavam em produzir e adquirir bens como forma de garantia para o futuro, assim elas somente acumulavam bens para deixá-los guardados e, no máximo expor como forma de ganhar mais dinheiro. Já na sociedade de consumidores, que diz de outra fase do capitalismo, os sujeitos se encontram submersos no consumo instantâneo, onde se consome para satisfazer os desejos imediatos.

Não há dúvidas acerca da necessidade de consumir, pois, como foi ressaltado, este ato é necessário para a sobrevivência humana. Fica evidente, através do que foi colocado neste estudo, que a sociedade de consumo e a mídia influenciam o sujeito a querer sempre mais, associando ao consumo a noção de realização social e de felicidade. Na era contemporânea, tudo gira em torno do consumo, como se tudo pudesse ser comprado, até mesmo a felicidade. Pode até ser que o consumo traga alguma forma de felicidade, mas esta certamente é instantânea, fazendo assim que o sujeito viva num complexo mal-estar.

Os modelos fornecidos parecem controlar a maneira de agir e de pensar dos indivíduos. O sistema capitalista busca orientar as pessoas para o que ele quer que elas sejam, até mesmo através de simples expressões tais como “seja como os outros”, “viva como os outros”, trazendo assim uma homogeneização. Assim o sujeito acaba deixando de lado sua singularidade tornando-se apenas um consumidor pautado pelo excesso.

Fica evidente que vivendo a lógica contemporânea capitalista, que requer que as pessoas consumam em massa, há uma fragilidade nas relações. A sociedade capitalista não consegue cumprir tudo o que promete e assim culpa o sujeito por fracassar quando não consegue alcançar o que ela propõe como sendo felicidade. Assim, o aumento de sintomas psíquicos só vem demostrar o desamparo e o mal- estar que a civilização vivencia.

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