No campo da gestão, a partir das características levantadas nos documentos, vimos que a IES se volta constantemente para reafirmar seu papel na sociedade, procurando responder a razão de sua existência, suas pretensões no longo prazo e ações são necessárias para este fim.
Sobre esse assunto, Hansen (2001) afirma que:
“os modelos de gestão existem para fazer com que as organizações repensem o seu papel; redefinam os seus rumos; vislumbrem novas perspectivas que se lhes apresentam na sociedade; e contribuem para o resgate da identidade”.
Complementamos a afirmação de Hansen, afirmando que o modelo de gestão de IES foi identificado a partir das descrições contidas nas características específicas estabelecidas.
Sobre esse assunto, Ghoshal (2004, p.196) comenta que:
“Para as IES conseguirem um desempenho satisfatório e sustentado, precisam se abrir para as forças vigorosas do aprendizado contínuo e (re)formatar seus métodos de trabalho, criando oportunidades para introdução de estratégias de gestão que auxiliem os gestores a tomarem decisões a partir das variáveis ambientais identificadas”.
Na análise dos documentos (PE) da IES privada, seguimos as orientações de Ghoshal no sentido de analisar os possíveis métodos de trabalho identificados a partir das características (estratégias) e dos critérios utilizados para constituição da comissão de planejamento.
A priori, constatamos que sua missão, visão e opções estratégias agregam informações voltadas à tradição e à busca da verdade por meio do ensino com caraterísticas empreendedoras.
Mais adiante, analisamos as principais características do Plano de Desenvolvimento Institucional pormenorizadas, a saber; (1) definição das diretrizes e políticas gerais; (2) decidir coletivamente sobre a destinação dos recursos; (3) definir a sistemática e o processo de avaliação institucional; (4) instituir comissões.
De acordo com os documentos (PE e PDI) da IES, citados anteriormente no levantamento das características e na formação da comissão, algumas pistas foram essenciais para conhecermos o modelo de gestão adotado pela IES, categorizadas da seguinte forma, a saber:
1) Características a partir do PE (missão, visão e opções estratégicas) 2) Características a partir do PDI (estatuto e regimento)
Outra situação identificada acopla uma estratégia voltada para direcionar suas opções que justificam o modelo de gestão adotado.
De acordo com os documentos (PE) da IES privada, a mesma visa:
“Proporcionar crescimento pessoal e desenvolvimento profissional conforme princípios da fé cristã; Fidelização dos clientes; Ser referência em educação superior; Exploração do potencial turístico, agropecuário, de recursos hídricos e ambientais; Exploração de investimentos estrangeiros no Estado; Crescente demanda por cursos profissionalizantes e captação de recursos externos”
Nessa direção, podemos inferir que o modelo de gestão, a partir do planejamento estratégico no contexto da IES pesquisada, é percebido como uma das principais vias para se alcançar os objetivos estabelecidos, sendo auxílio para pensar estrategicamente suas ações no longo prazo, e ainda contribuindo para minimizar os riscos futuros de possíveis intervenções nas suas estruturas, agregando novas práticas de gestão e novas tecnologias.
Nesse contexto, a IES volta-se para uma gestão, conforme Ghoshal afirma, que prioriza o aprendizado contínuo, a reformatação dos métodos de trabalho, a participação coletiva e a introdução de estratégias para auxiliar os gestores na tomada de decisões.
Portanto, entendemos que a IES privada utiliza o modelo de gestão estratégica por
resultados que direciona suas ações na busca pela qualidade dos serviços prestados por meio
Para sustentar nossa afirmação, recordamos que as principais ações da IES foram caracterizadas dentro do modelo de gestão estratégica por resultados, a partir do uso do planejamento estratégico.
Nosso entendimento é que o planejamento estratégico expressa algumas particularidades que integram as informações necessárias para sabermos, de fato, o modelo de gestão e o lugar do planejamento no contexto da IES.
Sabemos, conforme descrição dos documentos citados anteriormente que o enfoque da IES recai na relação empresa-IES, a qual direciona suas estratégias no sentido de estabelecer uma relação de proximidade entre seus alunos e o mercado, o que, a priori, podemos inferir que a mesma busca formar profissionais para atender aos anseios e necessidades das empresas.
Sobre esse assunto, Coêlho (2006) afirma que:
“As dimensões adotadas pelas IES são direcionadas ao aprender a fazer, a executar tarefas, a formação profissional que atende provisoriamente as exigências do mercado e pouco contribui para a empregabilidade, num mercado educacional contextualizado pela busca permanente da eficiência, da produtividade, e do lucro rápido e seguro[...]”.
Nosso entendimento nos faz concordar em parte com o autor. Por um lado, consideramos que a IES necessita identificar e direcionar o aprendizado para as reais necessidades do mercado, porém, de outro lado, não deve se tornar alienada no sentido de atender exclusivamente aos interesses e às exigências deste. Essa se revela uma discussão importante, o que, num momento posterior, quando tratarmos da questão da 'competitividade', poderemos abstrair as concepções de estudiosos e dos gestores sobre o que, de fato, entendem sobre a relação empresa-IES, no contexto da competitividade.
O lugar do planejamento estratégico nesse contexto acondiciona as principais informações sobre sua influência no direcionamento estratégico levantado pelos gestores.
Born (2006) afirma que:
“O planejamento estratégico serve para gerar e integrar estratégias que traduzirão as intenções da organização no longo prazo, resultando num conjunto de ações responsáveis pela sua implementação.”
Complementamos a afirmação do autor, constatando que o planejamento estratégico é estabelecido a partir de um modelo de gestão que o identifica com o propósito e a finalidade das IES.
Nesse sentido, identificamos ainda que a IES, ao introduzir o planejamento estratégico em seu contexto, consideram-no importante ferramenta de auxílio para a gestão, haja vista realçar as prioridades que serão alvo dos esforços na busca por melhores resultados. Mais adiante, ao identificar que o planejamento estratégico é considerado uma importante ferramenta de gestão para melhorar a prestação de serviços à sociedade, adentramos nas funções de planejamento das IES pesquisadas.
Na análise dos documentos das IES, deparamo-nos com duas realidades distintas, sendo estas retratadas pela forma como o planejamento foi construído. Queremos dizer que, dada às circunstâncias de construção do PE, o mesmo elucidou características singulares em suas bases. Por exemplo: para atingir seus objetivos específicos, o PE foi feito de forma coordenada, e suas ações foram projetadas separadamente, mas levando em consideração suas relações de interdependências com a finalidade de proporcionar maior flexibilidade e volatilidade ao processo. Chegamos a essa conclusão pelo fato da IES ter construído vários planos estratégicos para atender a situações específicas em cada área (administração, ensino, pesquisa e extensão). Ainda nos documentos da IES privada, essa evidência é confirmada pelos planos estratégicos nas quatro áreas descritas e que remetem a projetos, metas e ações específicas para se alcançar a visão, conforme podemos observar nos documentos (PE) da IES privada:
Plano estratégico I; Diretriz administrativa (Projeto de desenvolvimento e integração dos colaboradores); meta 1 (fortalecer a associação dos funcionários); ações (reunir com a diretoria da Afuncelsp; Relacionar as principais necessidades; dar o apoio necessário para as mudanças; avaliar os resultados) (PE, IES PRIVADA, 2007, p. 12).
Desse modo, entendemos que o lugar do planejamento estratégico identificado no contexto da IES pesquisada demonstrou que suas bases de gestão são formadas a partir da busca e consolidação pelo resgate institucional e para auxiliar no alcance dos objetivos estratégicos.
Nosso posicionamento, a partir da análise dos documentos, é de que o planejamento estratégico foi construído também, de forma coletiva, com a participação dos principais envolvidos no processo decisório da IES.
Por fim, afirmamos que e IES privada, a partir dos documentos (PE e PDI) citados anteriormente, compete para se manter no mercado altamente competitivo e para conquistar e reter novos clientes-alunos. No entanto, utiliza do planejamento estratégico para configurar-
se, nesse cenário, como alternativa para dinamizar seu ambiente na tentativa de resolver os problemas internos, focar em ações cujos direcionamentos deverão estabelecer, de forma participativa, suas prioridades, além de contribuir para realçar a missão de formar profissionais e cidadãos para o mercado e para a sociedade.