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PAIEMENTS FONDÉS SUR DES ACTIONS

Dans le document RAPPORT FINANCIER 2012 / 2013 (Page 61-65)

d’actions

Nominale 31  mars 2012 Création

11.5 PAIEMENTS FONDÉS SUR DES ACTIONS

Capacitar cientistas e pesquisadores para falar com o público, e em especial com a imprensa, já é uma prática consolidada na Europa, nos Estados Unidos e em outras partes do mundo. Esse tipo de treinamento específico, popularmente conhecido como media training, é muitas vezes oferecido pelas próprias universidades, através dos departamentos de comunicação ou de workshops específicos (BESLEY; TANNER, 2011). Além disso, entidades estabelecidas, como a The Royal Society britânica oferecem regularmente esse tipo de curso para a comunidade . No exterior, há inclusive empresas especializadas nisso, como a 20 australiana “Science in Public”, que tem um curso específico para melhorar a desenvoltura dos pesquisadores com a mídia . 21

No Brasil, esse tipo de treinamento ainda é bem menos popular. Entre os nove entrevistados para este trabalho. Apenas dois — o presidente da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Braga Coelho, e o diretor do INPE, Leonel Perondi— já haviam participado de algum tipo de media training. Para metade dos pesquisadores ouvidos, a experiência em sala de aula e no ensino de ciência acab funcionando como um treinamento para falar com os jornalistas.

Royalsociety.org,. Media skills training | Royal Society. Disponível em: <https://royalsociety.org/training/ 20

communication-media/media/>. Acesso em: 10 jul. 2015.

Scienceinpublic.com.au. Media training for scientists. Disponível em: <http://www.scienceinpublic.com.au/ 21

José Raimundo Braga Coelho explicou que participou de um media training quando houve o aniversário de dez anos do maior acidente do programa espacial brasileiro: a explosão do VLS-1 (Veículo Lançador de Satélite) na base de Alcântara, no Maranhão, que vitimou vinte e uma pessoas em agosto de 2003. Na opinião do presidente, o treinamento foi “muito interessante” e serviu para lhe dar uma percepção da mídia a respeito do caso e a se preparar para como se comportar.

Em agosto de 2013, eu tinha de me preparar pra isso [para o aniversário de dez anos do acidente]. Como aconteceu dentro de um local cuja gestão é feita pela Força Aérea, eu fui lá para conversar com eles e eles me deram um treinamento. No final das contas, foi um treinamento mútuo. Porque tanto do ponto de vista da percepção da mídia, de como a gente deve se comportar etc, foi um treinamento de lá para cá. Mas do ponto de vista da sensibilidade do poder civil, foi um treinamento de cá para lá. Porque eu aproveitei para passar para eles também uma outra forma de ver as coisas, entendeu? Então eu eu achei muito interessante.

Já Leonel Perondi afirma que participou de um media training em outras atividades, não especificamente para a científica, mas ele afirma que o que mais o ajudou foi a questão do magistério.

Quando você dá aula você se obriga a saber lidar com pessoas, saber se comunicar. E eu dei aula durante vários anos. E teve outras atividades no passado que me deram algum treinamento, mas eu não sou nenhum especialista em comunicação. Acho que deveríamos todos ter uma formação em comunicação.

Perondi afirma que seria bastante positivo se os cientistas tivessem maior formação para se comunicar com o público em geral e com a imprensa. Segundo ele, muitos pesquisadores ainda têm uma série de inseguranças e ansiedades quanto a essa interação, sem contar a barreira da timidez que muitas vezes está presente nos cientistas.

Comunicar é isso, é você se apresentar para várias pessoas e saber como colocar suas ideias e perder a inibição natural que as pessoas têm, você sabe disso. Então é muito importante que a pessoa tenha algum treinamento para perder as inibições. Quem dá palestras acaba desenvolvendo essa experiência, digamos assim, de saber lidar com a sociedade, dar com o público. O cientista, em geral, não tem essa formação. Ele vive em um trabalho muito isolado. Em geral eles não trabalham em grades equipes, aqueles que trabalham de forma mais isolada podem ter dificuldade na comunicação pela falta de treino, eu diria. Mas o lado de aversão à imprensa é mais um lado da timidez mesmo. O cientista em geral é um cara muito tímido. A pessoa fica insegura de dizer isso ou aquilo, tem uma certa insegurança com o que vai estar amanhã, que a reputação dela pode não ficar boa, porque talvez saia uma coisa que não era bem como ela possa ter dito. Então tem todas essas ansiedades.

O diretor do INPE diz que acha que é preciso treinar mais os cientistas para falar com a mídia e acredita que seria interessante se houvesse cursos para aumentar a interação: tanto promovidos por comunicadores para ensinarem os cientistas a se expressarem melhor, como conduzidos por pesquisadores para familiarizar a imprensa com conceitos específicos das suas áreas de atuação.

Acho que falta para o cientista e para o tecnologista, para o engenheiro, uma formação para interagir mais facilmente com a questão da comunicação. Aí eu acho que é mais pelo lado nosso, digamos assim. Está faltando treinar mais as pessoas para interagirem como público, para apresentar melhor um estudo, saber apresentar melhor uma ideia de uma forma mais didática. Eu acho que esse tipo de formação está faltando. Seria muito importante para o jornalismo promover cursos dentro da área das ciências e das tecnologias sobre como apresentar e articular ideias de uma forma que facilite a comunicação. Da mesma maneira, as áreas técnicas e os cientistas poderiam dar cursos para os jornalistas sobre tecnologia, sobre os conceitos básicos que são utilizados tanto na ciência como na tecnologia. Acho que isso seria de ganho para ambos os lados.

Oswaldo Miranda, também o INPE, nunca fez media training, mas destaca a experiência em sala de aula como sua principal formação na hora de tornar conceitos “duros” mais simples para um público não necessariamente especializado como os jornalistas.

Essa experiência vem do ensino. Desde que eu comecei a graduação em física eu fui pra sala de aula, eu dei aula desde colegial até ensino universitário, passando pela pós-graduação. Então é uma bagagem que vem com o tempo. Você aprende a passar conceitos. Embora eu seja astrofísico teórico, embora eu trabalhe muito mais com a física matemática do que com observação, eu não faço observação mesmo, não saberia me portar num observatório profissional. Só com uma luneta caseira mesmo eu me viro, para localizar astros, diletantismo como qualquer astrônomo amador. Meu trabalho é teórico, mas eu sempre me preocupei muito mais com os conceitos. Com o conceito físico, depois eu boto a matemática. Eu acho que isso vem da sala de aula. Eu tenho uma bagagem de mais de trinta anos de ensino, eu acho que isso ajuda.

Além da experiência no ensino, Jaílson Souza e Josina Nascimento, do Observatório Nacional, destacaram que o contato frequente com a imprensa acabou por proporcionar-lhes um treinamento prático para se expressar melhor.

Diretor do IAG-USP, Laerte Sodré nunca participou de nenhum curso desse tipo e diz que já “passou da idade de aprender qualquer coisa”, mas ele afirma que a promoção de reuniões periódicas e de workshops para aproximar jornalistas e cientistas seria uma boa opção.

Uma forma que me pareceria natural seria promover ocasionalmente reuniões entre cientistas e jornalistas pensando também nesse tipo de relacionamento. E partir

dessa conversa, a gente pode sempre pensar o que pode ser feito para melhorar esse relacionamento.

Dans le document RAPPORT FINANCIER 2012 / 2013 (Page 61-65)