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Dans le document UNIX System Manager's Manual (Page 139-145)

«O Espitaleiro Ant° Ribro se botou fora emais a molher q era Espitaleira, e ainfermeira, por serem 3 unidos e hum corpo, e serião mais de prejuízo aesta caza do q. proveito, e p.a q. se não torne em tempo algum aseitar p.a o tal oficio direi aqui as causas: O Espitaleiro por sequerer fazer senhor desta Caza mais do q o P.dor e menssas,

alugando as roupas e camas do Espiral de Baixo a pessoas de fora q sequiriâo curar do Galico sem licença curando na mancão da cura do Galico q se fazia nesta Caza, com as mesmas Medicinas q pidia demais com capa da Caza; a pessoas particulares de fora, aos coais também mandava reção de galinha, e sopas, q estava distinada p.a os pobres; vendendo caldos de galinha p.a fora, e aos doentes dava agoa clara, e galinha mal cuzida; trocando as galinhas que o irmão lhe dava p.a matar aos doentes por outras mais ruis e as mandava vender fora

ni.tas vezes a revender ? ao Irmão do Mes; não fasendo a sua obrigação de assistir aos doentes, nem de dia, nem de noite em tal forma q m.tas vezes se achauão mortos ao desemparo e sem Sa- cramtos. Goardandolhe os vestidos e dinheiros, e se falecião se dei- xava ficar com tudo, sem dar conta ao irmão, emfim fazendo o q absolutamente queria, e não o q lhe mandauão descompondo os Irmãos e pegando de armas p.a elles fasendo com capa de Espitaleiro mil

excessos edezaforos por fora, fazendo mas absencias aos Irmãos da Mez. em'as vezes falando contra o seu credito, e m.tas cousas q aqui não Escrevo »

Que refinadíssimo tratante não era o dito hospitaleiro! A cura do gálico sofreu a seguinte transformação, decretada em Mesa (sessão de 7 de Março de 1719):

«foram chamados os medicos da Caza Mel Lopes de Araújo e Joaq™ (?) fr.a e oserugião delia Hym.° dAlmeida e asim mais omedico João Botelho e a quem pelos dittos irmãos foi preposto em aosen- cia do Provedor se se devião curar (?) os doentes do gualico com os fumos do sinabre ou com as unturas do Azougue, em 2.° logar »

A propósito desta innovação, critica o Dr. JOAQUIM DE MEIRA : « O primeiro destes factos mostra que a alteração d'um

tratamento usual, posto o corpo medico a julgasse vantajosa, não podia ser posta em vigor sem a sancção da mesa; e o segundo demonstra do mesmo modo que nem sempre a inicia- tiva dum tratamento novo partia da sua legitima origem. . . »

Já me referi à cura da tinha executada fora do hospital, por curiosos. Num livro de entradas de doentes, datado de 1741, lê-se:

«aos 30 de Julho do d." anno comecei a curar de tinha Joze Filho de Plaxedes Maria cuja cura apostei com agueda Fran.a de o curar por desoito tostois pagos depois decurado e visto por mim. Ant.° de Frt.as».

Trata-se de singular aposta entre o assentador do nome dos enfermos, António de Freitas, e talvez a mulher que o tratava, Águeda Francisca. Ainda em meados do século xix se verificava na Misericórdia o uso de entregar-se a cura da tinha a criaturas habilidosas, como se disse; no arquivo do Hospital encontra-se um livro dos «enfermos da tinha», datado de 1849-1856.

VIMARANES 203

No « Livro dos assentos dos pobres que se vem curar ao hospital», 1733, eiicontram-se registados os nomes das moléstias tratadas no mesmo, a seguir à identidade dos doentes. Geral- mente, o assento dizia que os enfermos « entraram para se curar

de. . .»; a esta frase, invariável, seguia-se a espécie nosológica:

«mão furada, pontada, ersipela, olhos, estamago, defluxo, defluxão, supreção de hua perna, febre, galico, oupelosa, p.a se purgar, queda, maleitas, figado, enflamação de um olho, perna cobrada, chaga, curar de febre, sangrar de febre, sangrar de hua queda, sangrar dos olhos, oupilasão, achaques, tiro, sangrar de hua queixa que tinha, curar de nu golpe na cabeça e ser sangrado, opillação, sangrar da falta de ouvir, e não ver de híi olho, queixa galica, hua queixa, fistulas, enfermidade galica, emchaços, fluxo de sangue, emchação e opilaçam, p.a se curar e emxarupar, etc »

Em idêntico registo de 1761, encontram-se citados os seguintes males:

«Bexigas, estupor, sezões, rusmatismo, chagas, temores, omor reima- tico, emzipela, sirviz, etc.»

Noutro, datado de 1760-1761, lê-se à frente da frase sacramental que indica o motivo da entrada na Santa Casa:

« sangrar e purgar dos olhos, para por emplastros, enxacom do ven- tre, sangrar e purgar de um froixo branco, purgar de dores do ventre, febre da garganta, queimaduras, pleurís, sufecaçâo, sietica (sangrar de. . .), sangrar de dores, sezões de maleitas, sangrar dos olhos, p.a ser sangrada e desotruida, piquadella de hum dedo, entrar a comer avelão (!?), sangrar de febre cauzada de recahida, ostrução, etc. . . »

Finalmente, nos assentos de 1741:

«febre lenta, queixa de edropega, curar de peito, achaque de peito, curar de uma perna inchada, hidropezia, pernas cobradas, braço cobrado, chaga na cabeça, no pé, inchação do corpo e pernas, can- gro no nariz, fenda que tem na cara, erzipela, de um peito, casca- della, purgar de maleitas, de uma grande queda que deu de uma arvore abaixo e ficou desacordado, hum gualeguo sem fala q veio em hum caro, curar de tizico, escacadella, postema nas costas, esque- nenssa, garrotilho, estrucois, febre malina, emdrolpezia, sezois no juizo, extrusão, cachecia, chaga na garganta, parotea q tem na gar- ganta, flatos, lepra, vertigens, humores, etc.»

Estes assentos são muito curiosos, não só pela indicação que podem dar sobre a qualidade das doenças entradas no hospital, como pela terminologia médica usada, tanto mais que o registo era feito por um empregado da Casa, leigo portanto, que cha- mava às enfermidades aquilo que entendia dever chamar ou o próprio doente classificava. O diagnóstico era posto antes do exame clínico, de forma que após aquele o rótulo tinha de ser substituído inúmeras vezes! No que respeita à cura do gálico, sabe-se que em 22 de Maio de 1758 entraram no hospital para dele beneficiarem, 31 homens e 49 mulheres; em 14 do mesmo mês do ano de 1762 o número é menor: 16 homens e 29 mulheres, do concelho e de fora. As mulheres davam maior percentagem, como se vê! Não devo deixar de referir-me aos

recipes dos venerandos colegas oitocentistas. A título de curiosi-

dade scientífica e aprazível amostra, transcrevo algumas:

1797 -1798. P.a segunda feira

It. R. tártaro emeteco grãos très agoa commua duas onças e m »

p.a Custodia 30 It. repito a purga de Joanna de Sousa 800

It. repito o purgante p.a Josefa Thereza 400 It. repito as tizanas simples the dezoito 1$800 P.a sexta feira

It. tizana de erva solutiva com tamarindos onças sinco desfassa

de mana onça 1 e ma pa Marta 350 It. repita o Cord, de Anna M.a -510 P.a segunda feira

It. tisana de avea simples libras iiij

It. agoa vienense onças iiij, a qual acrescente po de jalapa gr. xx

P.a segunda feira

It. Repita atezana Antevenerea de Boarhave de Joze da Costa 600 It. Repita o cosim.to Ante febril de ? de Pedro Ribr.» 1$920

It. Ung.to da sarna três onças 150

400 640 660

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